quinta-feira, 9 de junho de 2011

Livro de Obadias



O Livro de Obadias, o menor do Antigo Testamento, apenas 21 versículos, foca no julgamento divino contra Edom por sua arrogância e crueldade contra Judá após a queda de Jerusalém, alertando sobre soberba e a importância da fraternidade, com a promessa de restauração para Sião e o estabelecimento do reino de Deus.

Obadias 1:1 afirma que esse livro registra uma visão que o Senhor mostrou a um profeta chamado Obadias.

Embora várias pessoas chamadas Obadias sejam mencionadas em I Reis, I–II Crônicas, Esdras e Neemias, essas são referências a outras pessoas. Com exceção do fato de que Obadias era um profeta no reino do sul (Judá), não sabemos nada sobre seu passado ou ministério. O nome Obadias significa “servo do Senhor”, bem apropriado para esse profeta (ver Bible Dictionary, na Bíblia SUD em inglês, “Obadiah”).

Obadias dirigiu suas profecias aos edomitas, que eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó (ver Gênesis 25:30), e moravam no território ao sul de Judá.

Embora os edomitas não fossem da casa de Israel, ainda assim pertenciam à família de Abraão. Infelizmente, o relacionamento entre Judá e Edom era conturbado, e cada nação via a outra como inimiga.

Quando Jerusalém foi capturada, o povo de Edom se recusou a ajudar o povo de Judá e regozijou-se com seu infortúnio, pilhou seus bens deixados para trás e entregou o povo aos babilônios (Obadias 1:11–14).

Obadias previu a ruína que aguardava o povo de Edom devido à sua crueldade com Judá. Ele também profetizou a futura restauração de Sião e a importância do trabalho no templo nos últimos dias, descrevendo aqueles que participassem dele como “salvadores” (Obadias 1:17–21).

Estudos destacam sua mensagem de justiça, advertência contra o orgulho e esperança na fidelidade de Deus.

O Orgulho de Edom

Os edomitas (descendentes de Esaú) se alegraram com a queda de Judá (descendentes de Jacó) e participaram de sua pilhagem, refletindo soberba e falta de amor fraternal.

O Juízo de Deus

A "semente do mal" de Edom resultará em sua própria ruína, mostrando que a maldade volta para quem a semeia (Obadias 1:10-16).

A Restauração de Sião

Deus promete restaurar Seu povo, que herdará a terra e o Monte Sião, onde haverá santidade e o reino será do Senhor (Obadias 1:17-21).

O Dia do Senhor

A passagem de Obadias 1:15 fala do dia do Senhor, quando todas as nações serão julgadas por suas ações.

O livro do profeta Obadias serve como um alerta contra a soberba, a vingança e a indiferença, enfatizando a justiça divina e a esperança na fidelidade de Deus.


Obadias profetizou após a destruição de Jerusalém pelos babilônios (c. 586 a.C.), detalhando a reação dos edomitas. O livro é dividido em julgamento contra Edom (vv. 1-16) e restauração de Sião (vv. 17-21). Ensina sobre a justiça de Deus contra os que se opõem a Ele e Sua fidelidade em restaurar Seu povo.

As profecias de Obadias contra Edom são semelhantes àquelas encontradas em outros livros do Velho Testamento (Isaías 34:5–8; Jeremias 49:7–22; Ezequiel 25:12–14; 35:1–15; 36:5; Joel 3:19).

No entanto, dentre essas profecias, as profecias de Obadias são incomparáveis ao afirmarem que a razão de a crueldade de Edom contra Judá ter sido tão ofensiva foi porque os povos das duas nações eram parentes. Foi particularmente cruel a decisão de Edom de ficar de lado enquanto seus irmãos e suas irmãs israelitas estavam sendo destruídos, e regozijar-se com o infortúnio deles.

Obadias declarou que o povo de Edom não deveria ter se “[alegrado] sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína” (Obadias 1:12).

Além disso, a visão de Obadias sobre a futura restauração de Sião e os “salvadores" (Obadias 1:21) se aplica não somente a Jerusalém, mas também à Igreja nos últimos dias.

As passagens em Obadias 1:4, 1:6, 1:8, 1:9, 1:10 e 1:14-16 ecoam o julgamento divino contra Edom encontrado em Salmo 137 e Ezequiel 35.

Obadias e Jeremias profetizaram contra Edom, com mensagens semelhantes de julgamento e destruição, indicando uma possível influência mútua ou contemporaneidade.

Ezequiel 35, assim como Obadias, descreve a punição de Edom por sua hostilidade e alegria com a desgraça de Israel, sendo ambas as profecias datadas do período do exílio babilônico.

Salmo 137, lamenta a destruição de Jerusalém e condena Edom, que exultou com o sofrimento de Judá, um tema central em Obadias. O lamento coletivo expressa a dor e a angústia dos exilados judeus forçados a viver na Babilônia após a destruição de Jerusalém (Sl. 137).

O povo estava sentado às margens dos rios da Babilônia, chorando ao se lembrar de Sião (nome poético de Jerusalém). Seus captores zombavam deles, pedindo que cantassem os cânticos de Sião para seu entretenimento.

O salmo aborda a nostalgia, a perda da liberdade e a recusa em profanar o louvor a Deus em terra estrangeira: "Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?".

O salmo termina com um desejo intenso de justiça contra a Babilônia e, especificamente, clama a Deus para que se lembre do papel cruel dos edomitas na queda de Jerusalém: "Lembra-te, Senhor, contra os filhos de Edom, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces!"

"Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces!" é uma citação bíblica do Salmo 137, versículo 7, onde os filhos de Edom exortam à destruição total de Jerusalém após sua queda pela Babilônia, um ato de maldade que o salmista pede a Deus para lembrar e cobrar...

Os edomitas (descendentes de Esaú) foram inimigos históricos de Israel e Edom é lembrado por sua participação ou regozijo na destruição de Jerusalém, incentivando os babilônios a arrasar a cidade completamente, até seus fundamentos.

Em resumo, enquanto Obadias é uma profecia de julgamento contra Edom por sua traição, o Salmo 137 é um lamento e uma oração do povo que sofreu essa traição, expressando sua dor e clamando por justiça divina.

Os Doze Profetas Menores: Obadias faz parte da coletânea dos Doze Profetas Menores, o que o associa tematicamente a outros profetas, refletindo uma tradição profética maior sobre a justiça divina.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Profeta do "não-fim do mundo"


Ah, esperei com tanta ansiedade... preparei as malas, paguei as contas, reguei as plantas, coloquei comida para o cão, dei tchau pros amigos...sacanagem!!!! Agora, só em 2012...

Só por este comentário do Urias Lima o assunto "dia marcado para o Fim do Mundo" passa de ignorado por mim pra categoria: divertidíssimo!!!

Bom se ele continuar lendo a Biblia pra fazer suas previsões logo irá achar a parte que diz que só Deus sabe o dia deste acontecimento...

Preparem-se para o fim do mundo” avisa Howard Camping, presidente do grupo conservador norte-americano “Family Radio”.

Para este grupo cristão, a data do “julgamento final” já está marcada: 21 de Maio de 2011. Howard cita algumas passagens da Bíblia que, segundo as suas crenças, determinam que o fim do mundo aconteceria 7 mil dias depois do grande dilúvio, que ocorreu no “17º dia do segundo mês”. De acordo com o calendário judaico, o próximo sábado corresponde à profecia.

Howard Camping garante que o final do mundo começará com um terremoto, “o mais terrível que o mundo já viu”.

Não é a primeira vez que o grupo “Family Radio” faz uma previsão do gênero, tendo em conta que 1994 também foi apontado como o ano do fim do mundo, falha que Howard acredita ter sido fruto de um erro de cálculo.

Harold Camping, um radialista de 91 anos, presidente da rede evangélica de rádios "Family Radio" nos Estados Unidos - que tem mais de 150 estações e transmite em mais de 40 línguas -, está em choque.

Famoso por usar a numerologia baseada na Bíblia para prever datas para o "fim do mundo", sofreu um baque ao notar que o mundo não acabou em 21 de maio de 2011 como havia dito.

No vídeo é possível ver o quão Camping está abalado, se negando a dar declarações a uma rede de televisão que foi procurá-lo em sua casa, que fica na Califórnia. Ele diz que não quer falar pois é algo que 'significa muito para ele".

Entretanto, nesta segunda, dia 23 de maio, resolveu soltar o verbo e utilizou o alcance de suas emissoras de rádio, inclusive pela internet, para transmitir um bate-papo, ao vivo, que teve com jornalistas.

Sobre o caso, se justificou com frases como "eu não sou um gênio", mas depois acabou admitindo o deslize: "Sim, eu estava errado. Não sou um 'CEO', sou apenas um servo de Deus. Posso contar muitas histórias e estar errado sobre elas", disse em resposta aos jornalistas.

FONTE

UOL NOTÍCIAS

território 7

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Herança aos Filhos


O capítulo Isaías 54 é uma passagem bíblica de consolo e promessa, dirigida a "mulher estéril" (uma metáfora para Jerusalém e o povo de Israel no exílio). Ele descreve a restauração do pacto de amor entre Deus e Seu povo.

A Promessa de Fertilidade e Expansão (V. 1-3) - Deus ordena que a estéril cante e se alegre, pois ela terá mais filhos do que aquela que foi casada. Ele diz: "Alarga o lugar da tua tenda" [1], indicando que o povo cresceria tanto que precisaria de mais espaço, transbordando para as nações vizinhas.

Deus promete ACOLHER com "grandes misericórdias" o seu povo restaurado do exílio, como o "Marido" acolhe a mulher infiel que arrependida e envergonhada, retorna ao lar. Embora a ira de Deus tenha durado um breve momento, Sua bondade é eterna [v. 4-8].

Deus compara Sua promessa ao juramento que fez a Noé, quando prometeu nunca mais inundar a terra. Sua aliança (pacto) com Israel é permanente e inabalável (v. 9-10). O versículo 10 é um dos mais conhecidos:

          "Pois as montanhas podem se retirar e as colinas serem removidas, mas a minha fidelidade não se retirará de ti, nem a minha aliança de paz será removida" (Is. 54:10).

Jerusalém é descrita como sendo reconstruída com pedras preciosas (safiras, ágatas, rubis), simbolizando valor e beleza. Deus também promete que todos os filhos do povo serão "ensinados pelo Senhor" e terão grande paz [v. 11-13].    

INSTRUÇÃO DE DEUS E SABEDORIA AOS FILHOS

          ¹³ E todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e a paz de teus filhos será abundante. Is. 54:13

O versículo 13 de Isaías 54 é uma promessa bíblica de que os filhos, do povo de Deus - simbolizado por Sião - serão instruídos diretamente por Ele, resultando em grande paz e uma vida de retidão, estabelecendo um lar seguro e longe do medo e da opressão, com uma proteção divina contra inimigos.

Deus dará instrução e sabedoria aos Seus filhos, não apenas através de mestres humanos, mas assegurando a restauração e o futuro glorioso de Sião após o exílio, para o povo testificar da misericórdia de Deus e de Suas bençãos de Deus, as gerações futuras.

A instrução de Deus é Herança aos filhos do povo de Israel, associada a promessa (recompensa): paz abundante, como resultado do compromisso de seus pais em SERVIR a Deus, conforme Josué 24:15Salmos 127:3; João 6:45; Jeremias 31:34.

PROTEÇÃO CONTRA OS INIMIGOS

          ¹⁷ Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justiça que de mim procede, diz o Senhor - Is. 54:17

O versículo 17 de Isaías 54 é uma promessa de proteção de Deus assegurada aos Seus servos.

Nenhum plano de conspiração ou ataque destinado a prejudicar ou destruir os servos do Senhor, não prosperará, não terá sucesso.

Toda falsa acusação que se levantar em juízo será desmentida e o acusador responsabilizado. Qualquer pessoa que tentar difamar ou julgar iniquamente um servo de Deus será silenciada e derrotada, pois a justiça vem do Senhor. E, a malícia alheia não prevalecerá, pois Deus defenderá o Seu servo e o justificará.

Essa é a herança e a justiça que o Senhor concede aos que Lhe pertencem, garantindo que Suas promessas se cumprirão, mesmo diante de oposição. A proteção e a vitória não são por mérito humano, mas uma dádiva (herança) e uma provisão de Deus (justiça) para aqueles que Lhe servem, confirmando a fidelidade Dele (Deus é fiel).

Autoria do Estudo Bíblico - Elizabeth Nogueira


domingo, 1 de maio de 2011

Operário em Construção


O poema “O operário em construção” escrito por Vinícius de Moraes em 1956, e descreve o trabalho como base da vida humana e o processo de tomada de consciência de valor de um operário, partindo de uma situação de completa alienação: “tudo desconhecia/ de sua grande missão”, sem saber “que a casa que ele fazia/ sendo a sua liberdade/ era a sua escravidão”...

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem
é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

by VINICIUS DE MORAES


A suspensão de sua alienação se inicia, quando o operário começa a tomar consciência, quando acordou foi tomado “de uma súbita emoção” ao constatar que era ele que fazia todas as coisas: garrafa, prato, facão, “gamela/ banco, enxerga, caldeirão,/ vidro, parede, janela,/ casa, cidade, nação”. Não apenas os objetos de uso cotidiano, como roupas, alimentos, casa, mas também instituições (cidade, nação), e o próprio operário, resultam do trabalho.

SUGESTÃO DE FILME: Tempos Modernos (Charlie Chaplin)



sábado, 23 de abril de 2011

Cântico de Louvor e Gratidão




Assim como Isaías 12, o capítulo 25 do livro de Isaías é um hino de louvor e gratidão a Deus, reconhecendo Sua soberania, justiça e proteção aos necessitados.

          1 Ó Senhor, tu és o meu Deus. Eu te adorarei e louvarei o teu nome, pois tens feito coisas maravilhosas; tens cumprido fielmente os planos seguros que há muito tempo decidiste fazer.

É frequentemente lido como uma profecia messiânica que aponta para a restauração final e a vitória sobre a morte.

Louvor pela Fidelidade de Deus (Versículos 1-5): O profeta exalta a Deus por realizar maravilhas planejadas há muito tempo. Ele destaca como Deus é um refúgio para o pobre e um abrigo contra a tempestade, protegendo os humildes dos opressores [1].

O Banquete para todas as Nações (Versículos 6-8): Esta é uma das passagens mais célebres da Bíblia. Descreve um banquete preparado por Deus no "monte do Senhor" para todos os povos. É aqui que se encontra a promessa de que Deus "aniquilará a morte para sempre" e enxugará as lágrimas de todos os rostos [1, 2].

A visão de Isaías é cumprida em Jesus, que convida todos os povos para a mesa do Reino, abolindo a morte e trazendo a salvação. Na Bíblia, o banquete simboliza comunhão, celebração e o Reino de Deus, sendo um convite à vida abundante e à intimidade com Deus, contrastando com banquetes de orgulho ou indiferença, como nas parábolas de Jesus sobre o convite aos pobres e marginalizados (Lucas 14) ou o banquete final messiânico.

A Salvação e o Julgamento (Versículos 9-12): O capítulo termina com o povo celebrando a salvação ("Este é o nosso Deus; nós o esperávamos") e o julgamento do orgulho, representado simbolicamente pela queda de Moabe [1].

Isaías 25 é lido como uma prefiguração da ressurreição e do Reino de Deus estabelecido por Jesus Cristo, trazendo uma mensagem de esperança e conforto para tempos de dificuldade.


Descendência Bendita do Senhor


O capítulo Isaías 61:1-11, descreve a missão do Messias e a restauração de Israel: - ¹ O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; [...]

O Senhor ungiu o Messias e o Seu Espírito está sobre Ele, para:

1. pregar boas novas aos mansos, pessoas humildes, submissos à vontade Deus, com domínio próprio, age com justiça;

2. enviou-me a restaurar os contritos de coração - consolar os aflitos, proclamar liberdade e restaurar os quebrantados de coração, 

3. a proclamar liberdade aos cativos - Jesus Cristo como o Messias, ungido de Deus, o servo que traria libertação espiritual e física, como Ele mesmo declarou ao ler Isaías na sinagoga (Lucas 4:18-19), não só aos cativos no exilio (prisão física), mas também à escravidão do pecado, do medo e da opressão espiritual, oferecendo libertação pela fé em Jesus.

          ² A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; ³ A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado".

4. a apregoar o ano aceitável do Senhor - Jesus afirma que nEle se cumpre Isaías, anunciado o ano aceitável do Senhor (Lc. 4:18-19 e Ma. 11:28-29). Tempo de favor, consolo, perdão de dívidas, libertação de escravos, restauração de terras. Em Jesus Cristo é ofertado perdão, cura e vida nova, transformação da tristeza em alegria e da vergonha em honra para todos os que creem.

5. a consolar todos os tristes de Sião - descreve a missão do Messias em trazer um tempo de favor divino: consolo e restauração; alegria em vez de luto; louvor em vez de angústia. Simbolizando cura, liberdade para os que choram em Sião que serão chamados de "árvores de justiça", plantações do Senhor para Sua glória.

Jesus leu este trecho de Isaías em Lucas 4:18-19, declarando que a profecia se cumpria Nele, apontando para Seu ministério de libertação e restauração espiritual e emocional. É uma mensagem de esperança, prometendo que Deus troca a dor pela alegria e a vergonha pela honra, restaurando a vida e a dignidade.

6. A ordenar acerca dos tristes de Sião - ordenando (determinando/prescrevendo) que aos que choram em Sião seja dada glória em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de tristeza, que TROQUEM a roupagem do espírito angustiado por vestes de louvor, representando a libertação e restauração realizada pelo Espírito Santo.

Para que revestidos do poder do Espírito Santo, serem transformados em árvores de justiça (carvalho), plantações do Senhor para celebração e honra de Seu nome. E, "os tristes de Sião", terão sob essa nova identidade: gratidão e propósito, para manifestação de Sua glória.

A passagem se refere as bênçãos e restauração que o povo de Deus pode experimentar através de Sua intervenção, substituindo o sofrimento pela alegria e justiça. Jesus Cristo aplicou esses versículos a si mesmo em Lucas 4:18-21, cumprindo a profecia em Seu ministério.

Este versículo é a instrução divina para a transformação dos que sofrem, trocando seus símbolos de luto por símbolos de alegria e honra.

Símbolos de Transformação, para que sejam chamados "árvores de justiça, plantações do Senhor", símbolo vivo de retidão e fé, glorificando a Deus: 
  • Troca de cinzas por coroa: Cinzas simbolizavam luto e desgraça; a coroa representa honra, restauração e alegria.
  • Troca de pranto por óleo de alegria: O óleo, um símbolo de alegria e celebração, substitui as lágrimas.
  • Troca de espírito angustiado por manto de louvor: A tristeza e o desânimo são trocados por um revestimento de louvor e celebração.
          ⁴ E edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os anteriormente destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração. ⁵ E haverá estrangeiros, que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros. ⁶ Porém vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios, e na sua glória vos gloriareis. ⁷ Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; e em lugar da afronta exultareis na vossa parte; por isso na sua terra possuirão o dobro, e terão perpétua alegria.

"Edificarão, restaurarão, renovarão", assim Isaías descreve um futuro de restauração e honra para o povo de Deus, afirmando que eles serão chamados representantes (sacerdotes/ministros) do Senhor nosso Deus, desfrutando da riqueza e glória das nações, e recebendo dupla honra, satisfação por sua herança (terra), possuirão o dobro, terão perpétua alegria.

As nações gentias (não judeus) trarão seus bens e honra para o povo de Deus, que se beneficiará de sua prosperidade e se gloriará nela, simbolizando um tempo de bênção e reconhecimento universal. Após o sofrimento e desonra, virá uma restauração em dobro, com herança abundante e alegria perpétua, como prometido por Deus.

          ¹⁰ Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas joias. ¹¹ Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor para todas as nações.

Deus ordenou que fossem trocadas a roupa do espírito angustiado por vestes de louvor, trocados os seus símbolos de luto por símbolos de alegria e honra; e, VESTIU O POVO DE SIÃO de roupas de salvação e os COBRIU do manto de justiça (v. 10).

É a descrição de uma festa de bodas. E, Sião preparada - com as vestes nupciais: as vestes de salvação e o manto de justiça, como um noivo adornado com turbante sacerdotal e uma noiva enfeitada com suas joias, em suas núpcias, representando restauração, justiça, glória - aceita com alegria e gratidão a nova aliança com Deus.

Na Parábola das Bodas em Mateus 22:1-14, Jesus faz referência a vestes nupciais de arrependimento, fé, comunhão... apropriadas para entrar e permanecer no banquete (Reino de Deus) de casamento entre Cristo (Cordeiro) e sua Igreja (noiva), o que reforça essa conexão simbólica de núpcias entre Sião (Israel) e Deus, em Isaías 61.

           ⁸ Porque eu, o Senhor, amo o juízo, odeio o que foi roubado oferecido em holocausto; portanto, firmarei em verdade a sua obra; e farei uma aliança eterna com eles. ⁹ E a sua posteridade será conhecida entre os gentios, e os seus descendentes no meio dos povos; todos quantos os virem os conhecerão, como descendência bendita do Senhor. 

"Farei uma aliança eterna com eles", e "a sua posteridade", "e os seus descendentes" serão conhecidos "como descendência bendita do Senhor"(v.8). As nações verão e reconhecerão que o povo de Deus é abençoado, não por mérito próprio, mas pela graça divina. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Salmos


Os Salmos são uma coleção de 150 hinos e orações que compõem um dos livros mais lidos da Bíblia. Eles expressam toda a gama de emoções humanas, desde o desespero até a alegria extrema.

O que são os Salmos?

Poesia e Música: São poesias de louvor, adoração, lamento, sabedoria e profecia, muitas vezes acompanhadas de música.

Expressão Humana: Retratam toda a experiência humana, desde a felicidade até a tristeza profunda, mostrando como se conectar com Deus em todas as circunstâncias.

Livro de Sentimentos: Conhecido como a "anatomia da alma", reflete a fé, esperança, lágrimas e decepções, oferecendo um espelho para os sentimentos.

Autores e Estrutura

Autores: Principalmente o Rei Davi, mas também outros, como Salomão, Asafe e os filhos de Coré.

Compilação: O livro foi compilado ao longo do tempo, com seu formato final possivelmente concluído após o exílio na Babilônia (por volta de 500 a.C.).

150 Livros: Contém 150 poemas numerados, sem divisões de capítulos, mas com uma estrutura interna que alguns dividem em 5 livros.

Salmos Populares e Temas

Salmo 23: "O Senhor é o meu pastor; nada me faltará..." (confiança e provisão). Salmo 23: Conhecido como o "Salmo do Bom Pastor", é usado para trazer conforto, paz e confiança na providência divina "O Senhor é o meu pastor, nada me faltará".

Salmo 91: "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo..." (proteção divina). Salmo 91: Considerado um salmo de proteção espiritual e física poderosa contra perigos e adversidades.

Salmo 121: "Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor..." (esperança e socorro). Salmo 121: Frequentemente lido para momentos de jornada ou busca por auxílio "Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?".

Salmo 37: "Não te indignes por causa dos malfeitores..." (justiça divina e confiança).

Salmo 51: Uma oração de arrependimento e pedido de perdão, atribuída ao Rei Davi.

Salmo 46: Oferece refúgio e fortaleza em tempos de crise "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia".

Os Salmos é o livro do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento, com cerca de 80 citações, frequentemente interpretadas como profecias messiânicas cumpridas em Jesus, destacando-se o Salmo 110 - o mais citado, sobre Jesus como Senhor e Rei - e o Salmo 2 - sobre a coroação do Messias. O Salmo 22 - sobre a paixão de Cristo, o Salmo 16 - sobre a ressurreição e corpo incorruptível; e o Salmo 118 sobre a pedra angular rejeitada...

Principais Salmos Citados no Novo Testamento

O Salmo 110:1 - é uma profecia messiânica fundamental onde "O SENHOR disse ao meu Senhor: 'Assenta-te à minha direita até que eu ponha teus inimigos por escabelo dos teus pés'".

Este versículo descreve uma comunicação entre Deus Pai e Jesus Cristo, prometendo ao Messias (o Senhor) um lugar de honra e poder, aguardando a subjugação completa de todos os inimigos.

Citado no Novo Testamento em Atos 2:34-35; Mateus 22:44; Marcos 12:36; Lucas 20:42-44; Efésios 1:20; Hebreus 1:13 e 10:12-13; Colossenses 3:1; 1 Coríntios 15:25.

Salmo 2: Sobre a rebelião das nações e a coroação do Rei ungido de Deus (citado em Atos 4, Hebreus 1).

Salmo 22: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus 27) e os sofredores (Hebreus 2).

Salmo 16 (16:8-10): A ressurreição de Jesus (Atos 2, 13).

Salmo 118 (118:22-23): "A pedra que os construtores rejeitaram..." (Pedro em 1 Pedro 2).

Salmo 109 (109:4): A oração de Jesus pelos inimigos (Lucas 23:34).

Temas Messiânicos Comuns

A Realeza e Sacerdócio de Cristo: Salmos como o 2, 45, 110, 132 (Hebreus cita o Salmos 110:4, ligando Jesus a Melquisedeque).

Sofrimento e Ressurreição: Salmos 16, 22, 41, 69.

Rejeição e Exaltação: Salmos 2, 118, 110.

Como Ler os Salmos

Em momentos de alegria, tristeza, dúvida, gratidão ou busca por conforto. Os Salmos servem como orações, louvores e reflexões para expressar o coração e se aproximar de Deus. Os Salmos são uma parte essencial da tradição judaico-cristã, usados para orar, meditar e encontrar consolo.

As frases dos Salmos são repletas de conforto, louvor, pedidos de ajuda e sabedoria, como:

"O Senhor é o meu pastor, nada me faltará" (Salmo 23:1);

"Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força" (Salmo 73:26);

"Cria em mim, ó Deus, um coração puro" (Salmo 51:10).

Os Salmos é repleto de mensagens de confiança em Deus, proteção divina, e direção para a vida, ideais para momentos de alegria, aflição ou busca por esperança.

Salmos de Louvor e Gratidão

"A terra está cheia do constante amor do Senhor." (Salmo 33:5).

"Bendito seja o Senhor, Deus, nosso Salvador, que cada dia suporta as nossas cargas." (Salmo 68:19).

Salmos de Proteção e Força

"O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita." (Salmo 121:5).

"Aquele que habita no esconderijo do altíssimo, à sombra do Onipotente descansará." (Salmo 91:1).

"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia." (Salmo 46:1).

Salmos de Busca por Direção e Sabedoria

"A ti, Senhor, elevo a minha alma. Deus meu, em ti confio, não seja eu envergonhado." (Salmo 25:1-2).

"Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!" (Salmo 25:5).

"Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança." (Salmo 40:4).

Salmos em Momentos Difíceis

"Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro." (Salmo 4:8).

"Senhor meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste." (Salmo 30:2).