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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Jabuti dos Ilustradores (3ª Parte)


Filha de Hercília e Antonio, quando criança Angela tropeçava nas letras. Na época, não se falava em distúrbio de dislexia, disgrafia... Anos depois, encontrou nos guardados da mãe poemas precoces, assinados como “uma criança prodígio”. Venceu esse obstáculo e hoje ajuda outras crianças a dominarem o ABC.

Angela Maria Cardoso Lago (Belo Horizonte, 1945) é uma escritora e ilustradora brasileira. A maior parte de sua obra é dedicada às crianças. Em alguns de seus livros não usa palavras, apenas imagens.

Formada em serviço social, morou na Venezuela e na Escócia, onde estudou desenho gráfico. Quando voltou ao Brasil, em meados dos anos 1970, resolveu fazer o que mais gostava: contar histórias.

Recebeu diversos Prêmios Jabuti e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e outros internacionais, na França, na Espanha e na Bienal de Bratislava.

Por três vezes, foi a candidata brasileira ao Prêmio Hans Christian Andersen de Ilustração do International Board on Books for Young People (IBBY).

O livro Cena de rua (1994), incluído em uma coletânea da Abrams Press, de Nova York, foi selecionado entre os quinze melhores livros de imagens do mundo, premiado na França e na Bienal de Bratislava. Cena de Rua foi publicado no México, na França, nos Estados Unidos da América e no Brasil.

Escritora e ilustradora, mineira, nascida em Belo Horizonte, em 1945, Angela Anastácia Cardoso Lago, inicia sua formação superior na Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais. Frequentou o atelier do escultor Bitter, com um grupo de artistas plásticos.

Em 1969, leciona na Escola de Serviço Social e trabalha como assistente no Instituto Psico Pedagógico, para crianças com dificuldades psicopedagógicas e psiquiátricas.

Em 1975, abre seu próprio atelier de programação visual para publicidade, onde criou marcas, logotipos, propaganda institucional entre outros.

A autora possui diversas obras contendo ilustrações e textos próprios nacionais, ilustrações de livros para outros autores nacionais, livros com textos e ilustrações da autora no exterior, ilustrações para livros de outros autores estrangeiros. Das diversas obras que a autora possui, podemos destacar a obra Sangue de Barata. Resultante da relação entre texto poético e desenho.

Alguns Livros de Angela-Lago:
  • Cena de Rua, Editora RHJ, Belo Horizonte, 1994
  • Tampinha, Editora Moderna, São Paulo, 1994
  • A festa no céu, Editora Melhoramentos, São Paulo, 1995
  • Uma palavra só, Editora Moderna, São Paulo, 1996
  • Um ano novo danado de bom, Editora Moderna, São Paulo, 1997
  • A novela da panela, Editora Moderna, São Paulo, 1999
  • Indo não sei aonde buscar não sei o quê, Editora RHJ, Belo Horizonte, 2000
  • Sete histórias para sacudir o esqueleto, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2002
  • A banguelinha, Editora Moderna, São Paulo, 2002
  • Muito capeta, Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2004
  • A raça perfeita, Angela-Lago e Gisele Lotufo, Editora Projeto, Rio Grande do Sul, 2004
  • A casa da onça e do bode, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
  • A flauta do tatu, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
  • O bicho folharal, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2005
  • João felizardo, o rei dos negócios, Cosac-Naif, São Paulo, 2006
  • Um livro de horas, Editora Scipione, São Paulo, 2008
Algumas premiações:
  • Prêmio Iberoamericano de Ilustración, La Consejería de Cultura, Junta de Andalucia, Sevilha, Espanha, 1994.
  • Prêmio Octogone de Ardoise 1994-1995, Prix Graphique, Centre International d’ Etudes en Littératures de Jeunessa, Paris, pelo livro Cena de Rua. BIB Plaque,
  • Prêmio da Bienal Internacional da Bratislava, 2007, pelos originais ilustrações do livro João Felizardo o rei dos negócios.
  • Prêmio Jabuti, Categoria Melhor Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil, 2008, Câmara Brasileira do Livro, pelo livro João Felizardo, o rei dos Negócios.
  • Prêmio de melhor ilustração na produção de 2008 pela FNLIJ com Um livro de horas.
Estudos sobre a obra de Angela-Lago:
  • A complexização do objeto artístico: uma análise da obra de Angela Lago [1] Essa tese, defendida por André Mendes, da Faculdade de Letras da UFMG, foi vencedora do Prêmio Moinho Santista Juventude e publicada pela Editora UFMG em 2007 com o título "O amor e o diabo em Angela-Lago – a complexidade do objeto artístico".
  • Matrizes de linguagem e pensamento na literatura infantil e Juvenil: a tessitura dos signos em obras de Ângela Lago e Otaviano Correia, doutorado em Letras pela USP, de Maria Zilda da Cunha [2] publicado posteriormente pela Humanitas, em 2002.
  • Angela Lago - o objeto livro como performance estética do contador.
  • Juliana Silva Loyola do Departamento de Arte da Faculdade de Comunicação e Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo apresentou o trabalho em 2008.
  • De charadas e adivinhas: o continuum do contar de Angela Lago Dissertação de mestrado defendida por Rosemarie Giudilli Cordioli na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
  • Encurtando o Caminho Entre Texto e Ilustração: Homenagem a Angela Lago.
  • Tese de mestrado de Luís Camargo defendida na Unicamp em 2006
  • Um mergulho no lago: era uma vez e outra vez, na obra de Angela Lago Dissertação de mestrado em Letras na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) defendida em 2000 por Esther Ortlieb Faria de Almeida
  • Alfabetização e letramentos: pensando a produção literária para crianças sob a ótica dos letramentos literário e visual através de livros de Ângela Lago e Eva Furnari.
  • Pesquisa realizada para conclusão do curso de Pedagogia de Fernanda de Araújo Rocha
  • Uma Leve Mãozinha: Recontar o passado com a escrita e ilustração em De Morte, de Angela Lago. Mestrado em andamento de Silvia Luciana Montoro;
  • O resgatar dos contos tradicionais na contemporaneidade por Angela-Lago: uma leitura complexa de João Felizardo, O Rei dos Negócios e Sua Alteza A Divinha. Mestrado em andamento de Ana Paula Gualter de Oliveira Almeida.
  • Vestígios da Cultura Popular em Angela Lago: conto recontado é segredo revelado. Dissertação de mestrado defendida por Celso Sisto Silva
FONTE

O Jabuti dos Ilustradores (2ª Parte)


Como ilustrador, Nelson Cruz ganhou por três vezes o Prêmio Jabuti, na categoria Melhor texto Infantil ou Juvenil, com o livro Chica e João, 2º lugar, em 2001, e em 2005 com o livro No longe dos gerais, 3º lugar e em 2010, 1º lugar com Os herdeiros do lobo.

Foi indicado pela FNLIJ ao prêmio Hans Christian Andersen,2002, e em 2004 fui indicado para a lista de honra do IBBY.

Nelson Cruz é autor de treze livros já tendo ilustrado mais de oitenta. Com a caricatura do jurista Afonso Arinos de Melo Franco, foi o vencedor dessa categoria no Salão de Humor de Piracicaba, em 1977. Enquanto pintor, fez mais de quarenta exposições, entre mostras individuais e coletivas.

Nelson Cruz nasceu em Belo Horizonte e vive atualmente em Santa Luzia. Ilustrador e artista plástico, recebeu o Prêmio de Melhor Ilustração Hors-Concours (2003) pelas ilustrações do primeiro volume da coleção Dedinho de Prosa, Conto de escola, de Machado de Assis, concedido pela FNLIJ.

Também pela Cosac Naify, Nelson Cruz é autor de O caso do Saci e No Longe dos Gerais (ambos de 2004). Neste último, além das ilustrações, Nelson Cruz assina o projeto editorial - o que envolveu intensa pesquisa para a confecção do texto e das pinturas e desenhos.



Em 2008, ao lado de sua esposa, a autora e ilustradora Marilda Castanha, lançou pela Cosac Naify a coleção Histórias para contar História, que reúne seus livros: Dirceu e Marília, Chica e João e Bárbara e Alvarenga e os livros de Marilda, Pindorama, terra das palmeiras e Agbalá, um lugar-continente.

Leia mais aqui ("Dez ilustradores geniais de livros infantis" - Escritora Geiza Araujo)

FONTE

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Jabuti dos Ilustradores (1ª Parte)


Em novembro/2010 aconteceu a cerimônia de entrega do prêmio Jabuti. O Roger Mello ganhou o segundo melhor infantil, com o "Carvoeirinhos", e a Ângela-Lago, o terceiro, com o "Visita dos dez monstrinhos". Os três infantis vencedores foram feitos por autores-ilustradores — em primeiro lugar ganhou o Nelson Cruz e seu Herdeiros do Lobo. Não é super notável isso?

Notável por alguns aspectos. Em primeiro lugar, esses são livros que tiveram texto, ilustração e diagramação criados em conjunto, por uma mesma pessoa. No caso desses três, sei que foram projetos concebidos pelos artistas, e não uma encomenda das editoras. Em segundo, acho demais que artistas reconhecidíssimos por seu trabalho como ilustradores de livros infantis escrevam também as histórias, e tão bem: os textos são muito bons, têm estilos originais, criativos.

De alguns anos pra cá, a discussão sobre a importância e o papel dos ilustradores nos livros para crianças cresceu muito. Vários deles se uniram como um grupo, e passaram a exigir participação nos direitos autorais — em geral são contratados e pagos pelo trabalho assim que entregam os originais e pronto, acabou-se o seu elo com o livro. É importante considerar que os ilustradores têm também autoria na obra, e que contam a sua história do livro, às vezes em uma narrativa totalmente colada ao texto, às vezes com a sua versão, que corre paralelamente à outra.

Esse Jabuti reafirmou a importância da atuação dos ilustradores na literatura infantil; além de mostrar como alguns deles são também escritores excepcionais. Não é de se estranhar, se pensarmos que são narradores com seus desenhos, habituados ao mundo da ficção. Deve ser muito legal saber transitar entre linguagens diferentes — musicar o próprio poema, cantar a própria música, ilustrar a própria história, ou quem sabe escrever a história para a sua própria ilustração.

(Por Júlia Moritz Schwarcz)
Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

Roger Mello

Escritor, ilustrador e dramaturgo brasiliense, nasceu em 1965. Recebeu o prêmio suíço Espace-enfants em 2002 e no mesmo ano foi vencedor do prêmio Jabuti nas categorias literatura infanto-juvenil e ilustração com Meninos do mangue. Com vários trabalhos premiados, tornou-se hors-concours dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Por sua obra como ilustrador, foi indicado para a edição de 2010 do prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil.

Roger ilustrou mais de cem títulos, dezenove deles com textos de sua autoria. Formado em Design pela Esdi/Uerj, trabalhou com Ziraldo na Zappin. Recebeu inúmeros prêmios no Brasil e no exterior por seu trabalho como ilustrador e escritor. É considerado hors-concours pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que, além de lhe conceder vários prêmios, indicou-o para o Prêmio Hans Christian Andersen 2010 na categoria ilustrador.

Da Câmara Brasileira do Livro, recebeu oito Prêmios Jabuti. Foi premiado pela Academia Brasileira de Letras e pela União Brasileira dos Escritores pelo conjunto de sua obra. Participou de diversas feiras internacionais de livros, como Catalunha, Roma, Frankfurt, Bolonha, Gotemburgo, Brooklyn (Brooklyn Public Library), Sarmede (Le Immagini Della Fantasia), Padova (I Colori del Sacro). Seu livro Meninos do mangue recebeu o prêmio internacional de melhor livro do ano da Fondation Espace Enfants (Suíça) em 2002. Juntamente com outros autores brasileiros, foi homenageado no Escale Brésil do Salão de Montreuil na França, em 2005.

No mesmo ano, suas ilustrações sobre os versos populares do livro Nau Catarineta estiveram em exposição itinerante pelas bibliotecas de Paris. Três de seus livros – A flor do lado de lá, Todo cuidado é pouco! e Meninos do mangue – constaram da “lista de livros que toda criança deve ler antes de virar adulto”, publicada pela Folha de S.Paulo em 2007.

Prêmios

Prêmio FNLIJ 2001, categoria Melhor Ilustração (Hors-Concours). Livro: MENINOS DO MANGUE (2001).

Prêmio FNLIJ - Prêmio Ofélia Fontes 2001, categoria Criança (Hors-Concours). Livro: MENINOS DO MANGUE (2001).

Prêmio Espace Enfants 2002, categoria . Livro: MENINOS DO MANGUE (2001).

Prêmio FNLIJ 2002, categoria Criança. Livro: VIZINHO, VIZINHA (2002).

Prêmio Jabuti 2002, categoria Literatura Infanto-Juvenil. Livro: MENINOS DO MANGUE (2001).

Prêmio Jabuti 2002, categoria Ilustração Infanto-Juvenil. Livro: MENINOS DO MANGUE (2001).

Prêmio Jabuti 2003, categoria Ilustração Infantil ou Juvenil. Livro: VIZINHO, VIZINHA (2002).

Prêmio FNLIJ 2005, categoria Melhor Ilustração (Hors-Concours). Livro: JOÃO POR UM FIO (2006).

Prêmio FNLIJ 2005, categoria Criança (Hors-Concours). Livro: JOÃO POR UM FIO (2006).

CURIOSIDADES

Zeca Baleiro e Roger Mello lançam livro na UFG (Leia mais aqui)

*Em entrevista ao jornal O Globo, a escritora Ana Maria Machado declarou: "A nova geração está fazendo coisas maravilhosas, porque nós existimos antes. De saída, eu diria que tem dois (autores brasileiros) maravilhosos: Adriana Falcão e Roger Mello. Meninos do mangue, de Roger, é uma obra-prima”.

*Ziraldo comentou: "Roger é um autodidata. Aprendeu no ar. Tem a mesma mão do diabo que tinha aquele personagem daquele conto que virou filme, lembram? Mas é um anjo. Um anjo inquieto que sabe que suas mãos são um instrumento poderoso e competente, mas que é preciso preparar a alma para que as mãos correspondam".

FONTE