Shalom: "Paz a esta casa" é a saudação bíblica recomendada por Jesus aos seus discípulos ao entrarem em um lar, registrada no Evangelho de Lucas (Lc. 10:5).
- Instrução de Jesus: Ao enviar os discípulos em missão, Ele orientou que esta fosse a primeira frase dita ao cruzar uma porta.
- Oferta de bênção: Se houver abertura para a fé no local, a paz repousa sobre os moradores; caso contrário, ela retorna a quem a enviou.
- Acolhimento: Representa o desejo de harmonia, hospitalidade e a presença do Reino de Deus na vida familiar.
Lucas 10:1-24, descreve o envio dos setenta discípulos por Jesus, orientando-os a abençoar os lares com a paz e a sinalizar a chegada do Reino por meio de curas.
A passagem faz parte do momento em que Jesus envia seus discípulos em missão. É um texto rico que mostra como a igreja primitiva entendia sua tarefa no mundo.
1. Contexto Histórico
Para entender esses versículos, precisamos olhar para a cultura do Oriente Médio no primeiro século:
- O Envio dos Setenta (ou Setenta e Dois): No Evangelho de Lucas, esse grupo itinerante precede a viagem de Jesus a Jerusalém, atuando como embaixadores em aldeias da Judeia ou da Galileia.
- A Cultura da Hospitalidade: Naquela época, não existiam hotéis como hoje. Viajantes dependiam da boa vontade dos moradores locais. Jesus envia os discípulos sem dinheiro ou roupas extras (Lucas 10:4) para que eles dependessem totalmente da hospitalidade alheia e da providência divina.
- A hospitalidade do antigo Oriente Médio: Entrar em uma casa e aceitar comida ("comam e bebam o que derem") significava estabelecer um laço de aliança e confiança mútua.
- O Significado de "Paz" (Shalom): Dizer "Paz a esta casa" não era só um "olá". O termo hebraico Shalom (ou Eirene, em grego) desejava saúde total, prosperidade, segurança e harmonia com Deus para toda a família daquela casa. Era uma benção profunda.
- A saudação de paz (Shalom): Dizer "paz a esta casa" não era uma mera formalidade polida, mas um ato performativo no Judaísmo antigo, que invocava a bênção ativa de Deus sobre os anfitriões.
- A Realidade das Doenças: No mundo antigo, a medicina era muito limitada. Doenças eram vistas com medo e, muitas vezes, ligadas ao pecado ou ao abandono de Deus. Curar os doentes era uma necessidade física imediata e um sinal de alívio social.
2. Dimensão Teológica
Teologicamente, esta passagem resume a missão do Reino de Deus através de três ações:
- A Paz como Ponto de Partida: O Reino de Deus não entra em uma vida ou comunidade pela força, mas pela paz. Os discípulos oferecem a reconciliação com Deus antes de qualquer outra coisa.
- O Cuidado Integral (Corpo e Alma): Jesus não manda apenas pregar, mas também curar. Isso mostra que Deus se importa com o sofrimento físico das pessoas, e não apenas com o lado espiritual. A salvação na Bíblia envolve o ser humano por inteiro.
- O "Filho da Paz": A eficácia da saudação dependia da receptividade do anfitrião ("se houver ali um homem de paz"). A rejeição da mensagem recaía sobre o ouvinte, mas a paz retornava ao mensageiro.
- Palavra e Ação Inseparáveis: A ordem para curar os doentes acoplada ao anúncio do Reino mostra que a proclamação cristã não é apenas conceitual ou verbal, mas libertadora e concreta, combatendo o sofrimento humano.
- A Proximidade do Reino: Dizer que "o Reino de Deus está próximo" indica que a soberania e a cura de Deus irromperam na história humana de maneira tangível na pessoa e na missão exercida em nome de Jesus.
- O Reino "Já e Ainda Não": Ao dizer "O Reino de Deus está próximo", Jesus ensina que o governo e o poder de Deus se tornaram visíveis e acessíveis através da presença dos discípulos e dos milagres. É o Reino que "já" começou na Terra, mas que "ainda não" está totalmente completo.
A frase "O Reino de Deus está próximo" (ou "está perto"), anunciada por João Batista e por Jesus Cristo nos Evangelhos, significa que a atuação e a presença transformadora de Deus se tornaram acessíveis e ativas na história humana por meio de Jesus. E funciona como um resumo de tudo o que Jesus veio ensinar.
Na Bíblia, essa frase quase sempre vem acompanhada de um pedido: "Arrependei-vos e crede no Evangelho".
O principal versículo sobre a proximidade do Reino de Deus é Marcos 1:15, que diz: “O tempo é chegado. O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas-novas!”
Outros Versículos Chave
- Mateus 4:17: "Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus."
- Mateus 10:7: "Indo, pregai, dizendo: É chegado a vós o Reino dos céus."
- Lucas 10:9: "E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de Deus."
- Lucas 17:21: "Nem dirão: 'Aqui está ele' ou 'Lá está'. Porque o Reino de Deus está entre vós [ou dentro de vós]."
- Dimensão Espiritual e Interior: O Reino não se resume a um território político ou a um cataclismo físico imediato; ele começa a se estabelecer no coração e nas atitudes daqueles que aceitam a mensagem divina.
- Chamado à Conversão: A proximidade do Reino exige uma resposta urgente de mudança de mentalidade e de vida (a metanoia ou conversão), convidando a abandonar práticas erradas e a crer nas Boas Novas.
- Expectativa Escatológica: Embora tenha sido inaugurado com a vinda de Cristo, o Reino possui uma dimensão futura que se consumará plenamente no fim dos tempos.
Jesus escolhe e envia setenta (ou setenta e dois) discípulos adiante de si, de dois em dois, para preparar os locais que Ele próprio visitaria.
- Missão em duplas: Jesus os envia de dois em dois para demonstrar apoio mútuo e credibilidade no anúncio.
- A Seara: Ele afirma que a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos, instruindo-os a orar por mais trabalhadores.
- Alerta de perigo: Jesus diz que os envia como cordeiros para o meio de lobos.
- Desapego material: Pede que não levem bolsa, saco de viagem ou sandálias extras, confiando na providência e na hospitalidade.
- Anúncio da paz: Devem desejar paz ao entrar em uma casa e curar os enfermos, proclamando que o Reino de Deus está próximo.
- A volta dos discípulos: Jesus tinha enviado 72 discípulos para pregar e ajudar as pessoas. Quando eles voltam, estão muito animados e felizes.
- O motivo da alegria: Eles viram milagres acontecerem! Eles contam para Jesus que até os demônios os obedeciam quando usavam o nome de Jesus.
- O conselho de Jesus: Jesus concorda que eles receberam muito poder. Mas Ele avisa que a felicidade deles não deve vir do poder que eles têm nas mãos. A verdadeira alegria é saber que eles pertencem a Deus e vão morar no céu.
- O poder não é o mais importante: Jesus concordou que eles tinham recebido muito poder. Mas Ele explicou que ter poder ou fazer coisas incríveis não é a verdadeira fonte da felicidade.
- A verdadeira alegria: Jesus disse que a maior alegria de todas é saber que os nomes deles estão escritos no céu.
- Pertencer a Deus: Isso significa que o mais importante não é o que nós fazemos, mas sim de quem nós somos. A nossa maior felicidade deve vir do fato de sermos amigos de Deus e sabermos que vamos morar com Ele para sempre.
Salmos 16:11 ensina que a verdadeira felicidade e a alegria completa são encontradas na presença de Deus e na direção que Ele dá para a nossa vida.
"Tu me mostras o caminho que leva à vida. A tua presença me enche de alegria e me traz felicidade para sempre."
"Tu me mostrarás o caminho da vida e me darás a alegria de tua presença e o prazer de viver contigo para sempre."

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