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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Abimeleque Filho do Juiz Gideão


A Bíblia registra no livro de Juízes 8:30-9:54, a história de Abimeleque (Abimelec), filho do juiz Gideão (ou Jerobaal), com uma mulher de Siquém, uma concubina, o que o diferenciava dos outros meio-irmãos considerados filhos legítimos; e, ele embora com alguns direitos por filiação pertencia ao clã materno.

Abimeleque (em hebraico: אֲבִימֶלֶך; romaniz.: Aviméleḵ, ʼAḇîmélek; lit. "Meu Pai é rei" ou "O rei é o Pai"), foi extremamente ardiloso e mau. Quando Gideão seu pai morreu, ele persuadiu seus tios, os irmãos de sua mãe, a incentivar o povo de Siquém a apoiá-lo em um plano para derrubar o governo de sua família e torná-lo governante único.

          1. "E Abimeleque, filho de Jerubaal, foi-se a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e falou-lhes e a toda a geração da casa do pai de sua mãe, dizendo: 2 Falai, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém: Qual é melhor para vós: que setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, dominem sobre vós ou que um homem sobre vós domine? Lembrai-vos também de que sou osso vosso e carne vossa. 3 Então, os irmãos de sua mãe falaram acerca dele perante os ouvidos de todos os cidadãos de Siquém todas aquelas palavras; e o coração deles se inclinou para Abimeleque, porque disseram: É nosso irmão".

Abimeleque tinha o apoio dos chefes de seu clã que conheciam seus propósitos de eliminar todos os seus irmãos e mesmo assim o apoiaram. Para consolidar sua autoridade, Abimeleque tramou a morte de seus setenta irmãos; e, para isso contou com a ajuda do povo siquemita.

Ele recebeu setenta peças de prata e com estes recursos do tesouro de Baal-Berite, o deus cultuado em Siquém, conseguiu reunir e contratar homens perversos, ociosos e levianos que lhe ajudaram a executar seus irmãos.

O Templo de Baal-Berit era um santuário cananeu em Siquém, dedicado a Baal-Berit, o "Senhor da Aliança" (El-Berit). Importante centro religioso, um local de poder para os siquemitas que apoiaram financeiramente Abimeleque na matança de seus irmãos. Três anos depois, Abimeleque destruiu este mesmo templo ateando fogo.

Com o objetivo de se tornar rei, Abimeleque matou seus irmãos (filhos de Gideão), sobre uma pedra em Ofra, para consolidar o seu poder. Ele usou essa pedra como um altar para sacrifícios pagãos ao deus Baal-Berite, "Baal da Aliança", e usou esse massacre, como um sacrifício para firmar uma aliança com o seu deus.

Ele foi à casa de seu pai, Gideão, em Ofra, e ali "matou os seus irmãos, sobre uma pedra" (Juízes 9:5-6). Portanto, a "pedra de Baal-Berite em Ofra" não era o local de adoração ao ídolo em si, mas em Abimeleque tornou-se o local de um massacre brutal.

A "pedra de Baal-Berite" e a "pedra de Gideão" em Ofra referem-se, na verdade, a uma única pedra que serviu a propósitos diferentes em momentos distintos, conforme narrado no livro de Juízes, quando Gideão construiu um altar ao Senhor o chamou de "O Senhor é Paz" (Jeová-Salom), e esse altar e a rocha permaneceram em Ofra por muito tempo (Juízes 6:24).

Após matar quase todos seus irmãos, Abimeleque foi rapidamente escolhido por aclamação popular. E, conduzido ao local sagrado, junto ao carvalho da coluna em Siquem, foi coroado rei de Siquém e do povoado vizinho Bete-Milo, uma cidadela (Juízes 9:6). 

A palavra “Bete-Milo” é composta por duas palavras hebraicas: “Bete”, que significa “casa”, e “Milo”, que significa “fortaleza” ou “torre”. Portanto, uma possível tradução para este nome seria literalmente “casa da fortaleza” ou “casa da torre”, a casa de Milo (Juízes 9:20).

Dos setenta meio irmãos, apenas seu irmão caçula, Jotão (Jotam), conseguiu se esconder e fugir, escapando da matança promovida por Abimeleque e seus tios maternos, com apoio dos religiosos do templo de Baal-Berite e alguns outros siquemitas e outros de Bete-Milo. Jotão, em fuga, se refugiou no Monte Gerizin com seus seguidores armados.

Monte Gerizin é uma das mais altas montanhas da Cisjordânia, elevando-se a 881 metros acima do nível do mar. Na saída ocidental deste vale, está a cidade de Siquém, atualmente Nablus. O monte Gerizim não possuía qualquer tipo de vegetação. O governo britânico, em 1920, reflorestou o norte do monte Gerizim.

Jotão, o filho mais novo de Jerrubaal (Gideão), fez uma declaração de maldição contra Abimeleque e aqueles que o haviam coroado, proferindo a Parábola do rei-espinheiro, sobre um espinheiro escolhido como rei e que não possuía capacidade de governar:

        Juízes 9:7-15 - "E, dizendo-o a Jotão, foi este, e pôs-se no cume do monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou, e disse-lhes: Ouvi-me a mim, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós. Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós. Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, e iria a labutar sobre as árvores? Então, disseram as árvores à figueira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto e iria labutar sobre as árvores? Então, disseram as árvores à videira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e iria labutar sobre as árvores? Então, todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu e reina sobre nós. E disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis rei sobre vós, vinde e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano".

A Parábola do "rei espinheiro", conta que as árvores buscavam um rei, sendo o convite para liderar recusado pela oliveira, figueira e videira, que preferiam não se envolver com governança e gestão, pois tinham outros propósitos. As árvores então convidaram o espinheiro, que aceitou com a condição de que, se não o servissem, fogo sairia dele e queimaria os cedros do Líbano.

O "Espinheiro rei" queimaria quem não o servisse, "os cedros do Líbano" - a metáfora foi escolhida porque o cedro é uma árvore, conhecida por suas raízes profundas e madeira aromática, na Bíblia "cedro do Líbano" representa o justo e a estabilidade que vem da confiança em Deus (Salmo 92:12), simbolizando grandiosidade, força, firmeza, nobreza, perenidade, resistência. 

A Parábola faz um alerta quanto a omissão perigosa dos bons (árvores frutíferas), pois quando o povo, a multidão, as pessoas (as árvores) buscam qualquer rei sempre acabam se submetendo ao governo desastroso de um líder inadequado, ambicioso, cruel, um tirano como Abimeleque, que como o cruel espinheiro acabaria por aniquilar aqueles que o escolheram como rei.

O rei inadequado tudo faz para se manter no poder... Sem capacidade de liderar exige obediência cega e não tolera a mínima oposição, consequentemente, traz a ruína e sofrimento (fogo do espinheiro) à todos; e, não apenas aos que o escolheu.

A maldição declarada por Jotão significava que, por não terem tratado com justiça a família de Jerrubaal (Gideão), ele não tinha dúvidas que logo também se virariam um contra o outro. Então, "o fogo" viria contra Abimeleque do povo de Siquem e "o fogo" sairia de Abimeleque contra o povo, inclusive contra quem o apoiou naquele golpe sangrento.

Depois de cerca de três anos, Abimeleque começou a experimentar oposições e revoltas do povo de Siquém contra sua liderança. Então ele procurou suprimir a qualquer custo os movimentos que se levantavam contra seu domínio. Ele arrasou a cidade de Siquém e cobriu sua terra com sal para que se tornasse infértil.

O povo de Siquem passou a agir traiçoeiramente contra Abimeleque e colocava ladrões à espreita de qualquer mercadoria ou dinheiro que fosse para o rei e roubava tudo. Então Gaal, filho de Ebed, foi a Siquem e, bêbado, se gabou de que removeria Abimeleque do trono.

Zebul, governante de Siquem, enviou mensagem a Abimeleque junto com uma estratégia de batalha, informando sobre os intentos de Gaal, seus irmãos entre outros, de lutarem contra Abimeleque.

No dia seguinte, Abimeleque pôs emboscadas com quatro tropas e matou e feriu o povo que estava com Gaal. E, ainda no outro dia, Abimeleque emboscou e feriu o povo que saia da cidade, pelejando contra a cidade, todo aquele dia. Matou a todos, assolou a cidade e a semeou de sal. Muitas pessoas procuraram refúgio na torre do templo pagão de Baal-Berite.

Quando soube que o povo de Siquem havia se trancado em uma torre forte, o sanguinário Abimeleque e seus homens colocaram fogo na fortaleza e queimou vivo todo aquele grupo. Aproximadamente mil homens e mulheres morreram ali.

Em seguida Abimeleque foi a Tebes (Tebez/Thebez), uma cidade próxima, e acampou contra ela. Ele também sitiou e tomou aquela cidade. De forma semelhante ao que ocorreu em Siquém, o povo correu para se refugiar numa torre que havia na cidade.

Então mais uma vez Abimeleque teve a ideia de incendiar a torre. Porém quando ele se aproximou da torre em Tebes para incendiá-la, uma mulher jogou uma pedra de moinho na cabeça de Abimeleque. A pedra atirada pela mulher quebrou o crânio de Abimeleque, ferindo-o mortalmente, encerrando o cerco e a tirania.

Como na época era desonroso para um homem morrer pelas mãos de uma mulher, e ele não queria ser conhecido como tendo sido morto por uma mulher, então o ímpio Abimeleque ordenou que seu escudeiro (seu portador de armadura) que o matasse com uma espada. Seu local de morte é citado como Thebez, (Juízes 9).

De qualquer forma, a fama de que uma mulher lhe feriu mortalmente perdurou em Israel (2 Samuel 11:21).

A narrativa de Abimeleque na Bíblia nos faz lembrar que a história da humanidade registra vários outros nomes de homens cruéis, violentos, sanguinários, corruptos - que nos fazem suspirar pensando ou mesmo exclamando: onde está Deus?

O pai de Abimeleque era Gideão, o juiz que libertou Israel de Midiã  (Madian), conforme narrado em Juízes 8:23. Após sua vitória, os israelitas quiseram coroá-lo rei, ele, "seu filho e o filho do seu filho", porém Gideão humilde e corretamente recusou, dizendo: "Não governarei sobre vós, nem meu filho governará sobre vós, o SENHOR governará sobre vós" (Juízes 8:23).

Juízes 8:27 descreve como Gideão, após suas vitórias, usou parte do ouro dos despojos para fazer um éfode (uma espécie de colete sacerdotal ou estola) e o colocou em sua cidade, Ofra, mas isso se tornou um ídolo para Israel, levando à idolatria (prostituição espiritual) e se transformando em uma armadilha (tropeço) para ele e sua família, mostrando o perigo da popularidade e da criação de objetos de adoração sem o consentimento de Deus.

Gideão teve 70 filhos com várias esposas. E, um filho que nasceu de uma concubina em Siquem. Esse filho foi Abimeleque (Juízes 8:31). Na Bíblia, concubina é a mulher que vive com um homem em uma relação de união estável, mas com status inferior ao de uma esposa, geralmente sem os mesmos direitos legais ou de herança, ocupando uma posição de serva ou escrava, e cujo principal propósito era gerar filhos, sendo uma prática comum no Antigo Testamento para demonstrar riqueza e poder, ou como suporte social para mulheres vulneráveis.

Abimeleque (Abimelech) cresceu e se tornou um líder ambicioso (Juízes 9). Usando suas conexões familiares, convenceu os homens de Siquem de que um filho de Gideão — ele mesmo, é claro — deveria governar, e matou seus meio-irmãos para garantir que nenhum outro filho de Gideão pudesse desafiá-lo.

Seu meio-irmão Jotão (Jotham) se escondeu e conseguiu escapar desse ato maligno. E, depois que Abimeleque foi feito rei, Jotham, seu meio-irmão que escapou do massacre, repreendeu publicamente as ações de Abimeleque por meio de uma parábola que basicamente dizia que Abimeleque e o povo se destruiriam mutuamente, pois "o povo teria o governo de opressão, injustiça e desgraça que merecia".

        Juízes 9:16-21 - ¹⁶ "Agora, pois, se é que em verdade e sinceridade agistes, fazendo rei a Abimeleque, e se bem fizestes para com Jerubaal e para com a sua casa, e se com ele usastes conforme ao merecimento das suas mãos ¹⁷ (Porque meu pai pelejou por vós, e desprezou a sua vida, e vos livrou da mão dos midianitas; ¹⁸ Porém vós hoje vos levantastes contra a casa de meu pai, e matastes a seus filhos, setenta homens, sobre uma pedra; e a Abimeleque, filho da sua serva, fizestes reinar sobre os cidadãos de Siquém, porque é vosso irmão);

¹⁹ Pois, se em verdade e sinceridade usastes com Jerubaal e com a sua casa hoje, alegrai-vos com Abimeleque, e também ele se alegre convosco. ²⁰ Mas, se não, saia fogo de Abimeleque, e consuma aos cidadãos de Siquém, e a casa de Milo; e saia fogo dos cidadãos de Siquém, e da casa de Milo, que consuma a Abimeleque. ²¹ Então partiu Jotão, e fugiu e foi para Beer; e ali habitou por medo de Abimeleque, seu irmão".

É uma chamado a responsabilidade coletiva, Jotão associa a qualidade do governo à justiça e sabedoria dos líderes, e a conduta do povo à ordem social, mostrando que governantes maus surgem onde há desordem, e justos onde há retidão.

Jotão, sobrevivente de uma tragédia familiar, havia se escondido e depois fugindo se colocou em segurança no Monte Gerizin com seus seguidores armados, pois tinha a expectativa que seu meio-irmão, outros criminosos e seus apoiadores fossem responsabilizados e a ordem restabelecida.

O povo, porém, aclamou e coroou o criminoso. Jotão e os que com ele estavam não serviriam Abimeleque, tão pouco seriam eles "os cedros do Líbano" a serem queimados pelo espinheiro-rei, para exemplo de que este seria o destino dos que não o servissem. E, Jotão se refugiou na cidade de Beer, onde permaneceu morando (Juízes 9:7-57).

A Bíblia traz exemplos de que, quando o povo se desvia da retidão, cria-se um ambiente propício para a ascensão de governantes iníquos, assim como a justiça atrai bons líderes.

O cumprimento da Parábola profética de Jotão, é narrado em Juízes 9:22-24): ²² "Havendo, pois, Abimeleque dominado três anos sobre Israel, ²³ Enviou Deus um mau espírito entre Abimeleque e os homens de Siquém; e os homens de Siquém se houveram aleivosamente (traiçoeiro) contra Abimeleque; ²⁴ Para que a violência feita aos setenta filhos de Jerubaal viesse, e o seu sangue caísse sobre Abimeleque, seu irmão, que os matara, e sobre os cidadãos de Siquém, que fortaleceram as mãos dele para matar a seus irmãos".

Até então o criminoso Abimeleque que foi corado rei, "levava vantagem" mesmo quando seus apoiadores se voltaram contra ele. Os que não estavam de acordo com Abimeleque, acredito que desesperados clamavam por socorro: "Onde está a justiça?", "Onde está Deus?". E, a justiça finalmente os alcançou.

Durante uma batalha, Abimeleque tomou a cidade e os moradores buscaram refúgio em uma torre que Abimeleque estava prestes a incendiar quando uma mulher no alto da torre jogou uma pedra em sua cabeça, esmagando seu crânio (Juízes 9:51-57).

Abimeleque que matara seus irmãos sobre a pedra em ofra que foi por ele profanada e associada a atos violentos e ao culto de Baal-Berite - também sua morte veio de uma pedrada de uma mulher, de uma pedra de moinho que caiu sobre a sua cabeça, quebrando seu crânio, cumprindo a maldição de Jotão e o juízo de Deus, que retribuiu o mal que Abimeleque fez à sua família e à cidade de Siquém.

Juízes 9:55-57, diz que - ⁵⁵ Vendo, pois, os homens de Israel que Abimeleque já era morto, foram-se cada um para o seu lugar. ⁵⁶ Assim Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, matando a seus setenta irmãos. ⁵⁷ Como também todo o mal dos homens de Siquém fez tornar sobre a cabeça deles; e a maldição de Jotão, filho de Jerubaal, veio sobre eles".

Ao que parece alguns dos que estavam com Abimeleque agiam por covardia e conformismo social, movidos pela "banalidade do mal", eram incapazes de pensar criticamente, focados em cumprir ordens, subir na hierarquia, como Zebul (Juízes 9:30-38), sem temor à Deus... Vendo que Abimeleque estava morto os homens de Israel - moradores e opressores - "foram-se cada um para o seu lugar", a batalha não continuou.

Portanto, Abimeleque o rei ilegítimo de Israel que parecia que também venceria aquela batalha, perdeu. Embora, não tenha acontecido imediatamente, a justiça foi feita. Deus interveio.

Isso nos ensina que, não importa o quanto as pessoas pareçam ter influência ou poder, mais cedo ou mais tarde a justiça de Deus vai lidar com elas — de um jeito ou de outro.

Abimeleque deveria estar pensado: "...já governo há três anos 'com mão de ferro'. E, com controle severo e rigoroso, estou vencendo minhas batalhas, preciso apenas queimar mais estes 'cedros do Líbano'...". E, seu crânio é esmagado por um pedaço de pedra de moinho. Abimeleque é contido. Perdeu uma de suas batalhas rotineiras.

Portanto, mesmo que possa parecer a nós que nada na justiça dos homens e na justiça de Deus está sendo feito para deter as pessoas más, é preciso ter confiança e fé que Deus lidará com os maus no tempo perfeito Dele e não no nosso (Salmos 75:2-3).

Questionamos: "Por que os ímpios prosperam?", "Como alguns parecem nunca ser responsabilizados por seus maus feitos?", "Por que Deus permite a injustiça? Onde está Deus quando nos sobrevém a calamidade, a tragédia?"

Em Abimeleque, restou verificado que Deus retribui a maldade dos ímpios, dos criminosos... mesmo quando a justiça nos parece que nunca será feita. Conforme Eclesiastes 8:11: "Porque a sentença contra uma obra má não é executada rapidamente, por isso o coração dos filhos dos homens está plenamente colocado neles para fazer o mal."

Deus retribuirá a cada um segundo suas obras, embora quando injustiçados possa nos parecer no presente que Deus nos esqueceu, nos abandonou, se atrasou, falhou.

Em sua retidão, Deus nunca falha. Deus intervém agindo com justiça, trazendo à tona a equidade. A justiça de Deus envolve tanto a misericórdia, perdão e restauração para os arrependidos quanto o castigo para os maus, como consequência inevitável de suas ações, pois os perversos são destruídos por sua própria violência ou ganância.
 
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Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira
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Vou deixar aqui "Por que Deus?", uma música infantil emblemática que explora a dualidade da existência, questionando a presença de Deus no meio da dor, alegria, ódio e amor, e refletindo a busca humana por sentido, mostrando que a fé é uma experiência subjetiva para cada um, que aborda temas profundos da dor e da resiliência humana diante das adversidades da vida e a busca por respostas, com versos como: "És a calma no conflito, és a lágrima que rola" e "Pra uns é sim", "Pra outros não." Na novela infantil "Chiquititas", a música servia como um desabafo, uma forma de externar a confusão e o medo em momentos em que a fé parecia ser insuficiente ou ser testada.

"Por que Deus?" (1997)
Composição: Caion Gadia / Cristina Di Giácom

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Abimeleque o Rei de Gate e Davi


A Bíblia menciona a história de Abimeleque, o rei de Gate na época de Davi, mais conhecido como Aquis, referido como Abimeleque ou Aquimeleque no título do Salmo 34. Essa referência parece ser um forte indicativo de que Abimeleque seria realmente um tipo de título real usado pelos reis filisteus.

No Salmo a menção a Abimeleque (ou Aquis, como em 1 Samuel 21) se refere ao rei filisteu de Gate, diante de quem o Rei Davi fingiu estar louco para escapar da morte, sendo então expulso; e, depois de liberado, louvou a Deus por sua salvação.

A conexão de Abimeleque com o Salmo 34 é o evento histórico que motivou Davi a escrever este salmo de libertação e confiança em Deus, destacando a proteção divina em meio aos perigos e aflições.

Davi escreveu o Salmo enquanto fugia do Rei Saul, em um momento de grande perigo. 1 Samuel 21 e 27-29, narram episódios da vida de Davi como fugitivo de Saul, mostrando sua luta pela sobrevivência, suas alianças questionáveis e a intervenção divina em momentos de crise.

Davi estava sendo caçado por Saul e precisou fugir sem armas ou preparação. Davi foge para Nobe, a cidade dos sacerdotes, onde se encontra com o sacerdote Aimeleque e mente a ele dizendo estar em uma missão secreta do rei.

Para escapar, da perseguição implacável de Saul Davi buscou refúgio na cidade de Gate (terra natal de Golias) e Aquis, o rei filisteu o acolheu, dando-lhe a cidade de Ziclague onde Davi ficou com seus seiscentos homens por um ano e quatro meses.

Ao descobrirem que Davi era quem havia matado a Golias e que ele e seus homens atacavam povos não israelitas, enquanto fingiam ao rei filisteu, que confiava em Davi, que estarem atacando Judá - os conselheiros de Abimeleque levaram Davi até o rei exigindo que ele o mandasse embora, Para se proteger Davi se passou por louco diante do Aquis (Abimeleque).

Davi rabisca as portas e baba pela barba, um comportamento que faz Aquis considerá-lo inofensivo e expulsá-lo da cidade, permitindo sua fuga. Davi se refugiou, em segurança, na caverna de Adulão, onde outros homens se juntaram a ele, resultando nesse cântico de louvor e gratidão a Deus por sua libertação e proteção.

Nesse ambiente, Davi compôs o Salmo 34, um cântico de agradecimento e alegria, convidando outros a "provarem e verem" a bondade de Deus, que o livrou de seus medos e aflições, ensinando sobre a proteção divina para os que buscam a Ele.

É um testemunho de fé e gratidão de Davi, nascido da experiência de um grande perigo e livramento divino, transformando um momento de medo em um hino de louvor pela bondade e provisão de Deus.

Portanto, o Salmo 34 é um cântico de louvor e gratidão de Davi, que aprendeu a buscar o Senhor em seus momentos de medo e aflição, e encoraja outros a confiarem em Deus, pois Ele ouve os justos e os livra.

Davi exalta a bondade e o livramento de Deus. Afirma que, embora os justos passem por muitas aflições, Deus os livra de todas. Deus ouve o clamor, a oração, dos que têm o coração quebrantado. É um convite para buscar a Deus, fazer o bem e procurar a paz.


***Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Abimeleque Rei de Gerar


Eu e a Vera, visitávamos a casa da Eliane, quando esta compartilhando uma curiosidade me perguntou: Quem Era Abimeleque?

Eu disse que Abimeleque era um rei filisteu na época de Abraão...

Então, a Eliane nos contou que seu filho está fazendo a leitura e estudo da Bíblia toda em 2026. E, que ele se deparou com o rei Abimeleque que surgiu na vida de Abraão e depois com o rei Abimeleque que surgiu na vida de Isaque e pesquisando concluiu que se tratava de dois reis em épocas diferentes, porém com a mesma titularidade: Abimeleque.

Achei muito interessante aprender que Abimeleque era um título real, como "Faraó"; e, disse a Eliane que eu faria um estudo bíblico sobre Abimeleque para compartilhar aqui no blog.

SIGNIFICADO DO NOME ABIMELEQUE

O nome ou título Abimeleque - nome semítico ocidental da família linguística afro-asiática, comum nos tempos do Antigo Testamento - é formado a partir de palavras hebraicas para "pai" e "rei", e pode ser interpretado como "Pai-Rei", "Meu pai é rei" ou "Pai de um rei." No Pentateuco, é usado como título para reis na terra de Canaã.

Abimelech também significa "Meu pai é rei", "Meu pai é dono" ou "Pai de um rei" em árabe. Abi (árabe: أبي) significa pai ou meu pai, enquanto malek (árabe: ملك) significa rei ou mālek (árabe: مالك) para proprietário.

Abimelech - também grafado Abimelek ou Avimelech; Hebraico: אֲבִימֶלֶךְ / אֲבִימָלֶךְ, Moderno ʼAvīméleḵ / ʼAvīmáleḵ Tiberiano ʼAḇīmeleḵ / ʼAḇīmāleḵ, "meu pai é um rei"/"meu pai reina". 

Avimelekh (russo: Авимеле́х) é um primeiro nome masculino russo derivado de Abimelech. Foi incluído em vários calendários eclesiásticos, muitas vezes manuscritos, ao longo dos séculos XVII a XIX, mas foi omitido do Menógio Sinodal oficial no final do século XIX.


A Bíblia narra a história de vários Abimeleque, o estudo dará destaque a quatro deles:

1. Abimeleque, rei filisteu de Gerar, citado em Gênesis, na época de Abraão;

2. Abimeleque, rei filisteu de Gerar, citado em Gênesis, na época de Isaac;

3Abimeleque, rei filisteu de Gate, citado em 1 Samuel e Salmo 34, na época do rei Davi (a narrativa ficará na 2ª parte deste estudo - 28.01.2026);

4. Abimeleque, rei israelita de Siquém, o filho de Gideão, da Tribo de Manassés, citado em Juízes (a narrativa ficará na 3ª parte deste estudo - 29.01.2026)

Considerando que Abimeleque era o nome dado a reis filisteus, cumpre destacar que conforme a "Tabela das Nações" (Gn. 10), os filisteus, descendentes de Cam, eram do Egito (Gn. 10:14) e migraram para o norte para a área costeira da Palestina.

"Tabela das Nações" em Gênesis 10 é uma extensa genealogia bíblica que lista os descendentes dos três filhos de Noé (Sem, Cam e Jafé) após o Dilúvio, detalhando a origem e dispersão das nações, línguas e terras em três grupos geográficos (Ásia, África e Europa), servindo como uma etnologia antiga para mostrar a (re)população do mundo a partir de uma única família, com um foco especial na linhagem de Sem que leva a Abraão e ao povo de Israel.

A tabela organiza os povos através de Jafé, Cam e Sem, seus filhos, que sobreviveram ao Dilúvio com Noé. Linhagens de:

Jafé, ancestral de povos da Ásia Menor e Europa, como Gomer, Magogue, Madai (Média), Javã (Gregos), Tubal, Meseque e Tirás (Gênesis 10:2-5).

Cam (Ham/Cão), pai de Cuxe (Etiópia), Mizraim (Egito), Pute (Líbia) e Canaã (Palestina), incluindo Ninrode, um poderoso caçador e construtor de cidades como Babilônia (Gênesis 10:6-20).

Sem, pai de Elam (Persas), Assur (Assírios), Arfaxade (Babilônios), Lude (Lídios) e Aram (Sírios), a linhagem que inclui Abraão e os semitas (Gênesis 10:21-31). A linhagem de Sem é central, pois dela surgem os povos do Oriente Próximo, incluindo os israelitas, com quem Deus fez sua aliança.

O propósito da tabela é explicar como a terra foi repovoada e as nações se formaram, cumprindo o mandamento de Deus de encher a terra (Gênesis 9:1) e prefigurando a divisão das línguas em Gênesis 11 (Torre de Babel).

Afirma que toda a humanidade descende de Noé, e, portanto, de Adão. Oferece uma visão geográfica e genealógica das nações conhecidas na época, com ligações com povos da África, Ásia e Europa.

Gênesis 10 é um mapa das origens das nações após o Dilúvio, mostrando a dispersão da humanidade e estabelecendo o pano de fundo para a história de Israel.

ABIMELEQUE, REI DE GERAR CITADO EM OUTRAS FONTES


O rei Abimeleque de Gerar aparece em uma tradição extrabíblica relatada em textos como o Apocalipse Árabe de Pedro, a Caverna dos Tesouros e o Conflito de Adão e Eva com Satanás, como um dos doze reis regionais na época de Abraão que dizem ter construído a cidade de Jerusalém para Melquisedeque.

Na época das tábuas de Amarna (meados do século XIV a.C.), havia um governador egípcio de Tiro chamado Abimilki, um parente do hebraico Abimelech (ambos significam "Meu Pai é Rei"). Às vezes especula-se que ele esteja ligado a um ou mais dos Abimeleques bíblicos.

As Tábuas de Amarna são um tesouro de correspondência diplomática em argila do Antigo Egito, datadas de cerca de 1360-1332 a.C., encontradas em Amarna, a capital de Akhenaton Amenófis IV, revelando as complexas relações do Egito com governantes do Oriente Próximo em Canaã, Babilônia, Assíria e outros, escritas em acádico e cruciais para entender a história da Idade do Bronze e possíveis conexões bíblicas com os Habiru.

São mais de 300 tabuinhas de argila com escrita cuneiforme. Correspondem aos reinados de Amenófis III e Akhenaton (Amenófis IV). Formam o primeiro sistema diplomático conhecido, mostrando a sofisticação das relações internacionais da época. Detalham a política e os conflitos da época, incluindo pedidos de ajuda militar e trocas de presentes entre faraós e reis vassalos no Levante.

Para o contexto bíblico, contêm as primeiras menções aos Habiru, um grupo do Oriente Próximo, que alguns estudiosos associam aos ancestrais dos hebreus, e fornecem contexto para narrativas bíblicas.

Á titulo de curiosidade compartilho, duas pinturas de Abimelech, de Wenceslaus Hollar (23/07/1607 – 25/03/1677) talentoso artista gráfico do século XVII, que passou grande parte de sua vida na Inglaterra. Seu trabalho inclui cerca de 400 desenhos e 3000 águas-fortes. Cerca de 2740 pranchas e incluem vistas, retratos, navios, temas religiosos, heráldicos, paisagens, naturezas-mortas em diversas formas.

Coleções do trabalho de Hollar são mantidas no Museu Britânico em Londres, na sala de gravuras do Castelo de Windsor, na Biblioteca Fisher da Universidade de Toronto, na National Gallery em Praga e na Coleção Frank W. Raysor do Museu de Belas Artes da Virgínia.

A história bíblica dos reis Abimeleque de Gerar que se envolveram em situações onde os patriarcas Abraão (Gn. 20) e Isaac (Gn. 26), mentiram sobre suas esposas, dizendo que eram suas irmãs, resultando em Deus intervindo com sonhos para advertir o rei e restaurar a ordem, foi tema das gravuras religiosas de Hollar.

1. Abimeleque e Abraão


2. Isaac e Abimeleque



ABIMELEQUE, REI DE GERAR MENCIONADO NA BÍBLIA

A Bíblia menciona Abimeleque um rei politeísta de Gerar - em duas das três narrativas de esposas e irmãs no Livro do Gênesis - e que em diferentes momentos, interagiu com os patriarcas Abraão e Isaac.

Um exemplo de como o título "Abimeleque" designava os reis filisteus, sendo um título real (como "Faraó" ou "Czar"), o que explica sua aparição em gerações diferentes.

Embora não necessariamente o mesmo nome era usado para todos os reis, pois o mesmo nome aparece em narrativas separadas para Abraão e Isaac, em Gerar, cidade na região do Neguebe, onde os patriarcas se estabeleceram temporariamente, uma cidade proeminente, localizada em uma rota comercial bastante movimentada.

1 - ABIMELEQUE E ABRAÃO

Gênesis narra a história do primeiro personagem bíblico citado com esse nome de Abimeleque. Era o rei filisteus de Gerar e foi com este que Abraão teve contato e mentiu dizendo que Sara sua esposa, era sua irmã. Possivelmente esse Abimeleque foi o líder de um dos primeiros clãs de filisteus que habitou na Palestina.

Não concordo com a atitude de Abraão porque em duas ocasiões expôs Sara, sua esposa, a uma situação complicadíssima. Abraão, se manteria vivo, em razão de sua meia-verdade. E, Sara? Seria mulher de outro homem, caso não fosse a intervenção divina? Talvez o casal imaginou que não era possível repetir o ocorrido no Egito. E, quantas vezes disseram isso e, aparentemente, "deu certo" até dar tudo errado?! 

Segue a narrativa bíblica de inteiro teor do capítulo 20 de Gênesis, que diz assim (Gn. 20:1-18):

¹ Abraão saiu de Manre, foi para o sul do país de Canaã e ficou morando entre Cades e Sur. Mais tarde, quando estava morando em Gerar, ² Abraão dizia que Sara era sua irmã. Então Abimeleque, rei de Gerar, mandou que trouxessem Sara para o seu palácio. ³ Mas de noite, num sonho, Deus apareceu a Abimeleque e disse: — Você vai ser castigado com a morte porque a mulher que mandou buscar é casada.

⁴ Abimeleque ainda não havia tocado em Sara e por isso disse:  — Senhor, eu estou inocente! Será que vais destruir a mim e ao meu povo? ⁵ O próprio Abraão disse que Sara é irmã dele, e ela disse a mesma coisa. O que eu fiz foi de boa fé e não sou culpado.

⁶ No sonho Deus respondeu: — Eu sei que você fez tudo de boa fé. Portanto, para que você não pecasse contra mim, eu não deixei que você tocasse nela. ⁷ Agora devolva a mulher ao marido dela. Ele é profeta e orará para que você não morra. Mas, se a mulher não for devolvida, eu estou avisando que certamente você morrerá, você e todos os seus.

⁸ No dia seguinte Abimeleque levantou-se bem cedo, chamou todos os seus servidores e lhes contou o que havia acontecido. E eles ficaram com muito medo. ⁹ Em seguida Abimeleque chamou Abraão e disse: — Veja o que você fez! Que mal eu lhe causei para que você fizesse cair sobre mim e sobre o meu país a culpa de um pecado tão grande? Isso não é coisa que se faça. ¹⁰ O que é que você estava pensando quando fez isso?

¹¹ Abraão respondeu: — Eu pensei que neste lugar ninguém respeitasse a Deus e que me matariam para ficar com a minha mulher. ¹² Além disso Sara é, de fato, minha irmã, mas só por parte de pai. Sendo assim, eu pude casar com ela. ¹³ Quando Deus me tirou da casa do meu pai e me fez andar por terras estrangeiras, eu disse a Sara: "Em todo lugar aonde formos, faça-me o favor de dizer que sou seu irmão."

¹⁴ Então Abimeleque devolveu Sara a Abraão. Além disso lhe deu ovelhas, bois, escravos e escravas. ¹⁵ E disse: — Olhe, Abraão, aí estão as minhas terras. More onde quiser. ¹⁶ E Abimeleque disse a Sara o seguinte: — Estou dando ao seu irmão onze quilos e meio de prata para que os que estão com você saibam que você está inocente. Assim, todos saberão que você não fez nada de errado.

¹⁷,¹⁸ Por causa do que tinha acontecido com Sara, a mulher de Abraão, o Senhor Deus havia feito com que nenhuma das mulheres do palácio de Abimeleque pudesse ter filhos. Aí Abraão orou em favor de Abimeleque, e Deus o curou. E também curou a mulher dele e as suas escravas, e assim puderam ter filhos novamente.

O que podemos aprender essa história?

1. Precipitação, Insegurança, Medo:

Abraão temendo por sua vida, mentiu sobre Sara e não era a primeira vez que Deus tinha que intervir, para restaurar a ordem após as decisões erradas de Abraão. 

No Egito, ocorre o primeiro episódio em que Abraão para proteger a sua vida, temendo que os egípcios o matassem para tomar sua esposa, pois ela era muito formosa, apresentou Sara como sua irmã. Os príncipes disseram a Faraó que Sara era muito bonita e Sara foi levada a casa de Faraó (Gn. 12:10-20), .

Em Gerar (Gênesis 20), ocorre o segundo episódio. Abraão está com quase cem anos e Sara está com cerca de noventa anos (Gn. 17:17, 24), temendo por sua vida Abraão e Sara dizem que são irmãos; e, Sara é levada ao harém do rei Abimeleque.

Em ambos os casos, a beleza de Sara é um fator, e Abraão instrui Sara a dizer que é sua irmã. Tecnicamente, havia uma base para a afirmação, pois Gênesis 20:12 indica que Sara era, de fato, meia-irmã de Abraão, sendo filha do mesmo pai.

A narrativa enfatiza a proteção divina de Sara e Abraão em ambas as situações, com Deus intervindo para impedir que os reis tomassem Sara como esposa e, posteriormente, repreendendo os reis e restaurando a situação do casal.

2. Deus fala com o rei Abimeleque, em sonho

Interessante observar que Deus disse a Abimeleque, durante um sonho, que ele deveria devolver Sara ao seu marido sob pena de ser punido com a morte, ele e toda a sua casa; e, se a devolvesse Abraão oraria por ele para que nenhum mal lhe sobreviesse: "Ele é profeta e orará para que você não morra".

E, ainda sonhando o rei Abimeleque, falou com confiança com Deus. E, de forma respeitosa, baseou seu pedido na bondade de Deus para não destruir uma nação que, neste caso, era inocente. Que Abraão e Sara mentiram: "⁵ O próprio Abraão disse que Sara é irmã dele, e ela disse a mesma coisa. O que eu fiz foi de boa fé e não sou culpado".

Deus respondeu a Abimeleque que sabia que ele era inocente. E, afirmou que foi Ele quem impediu o rei de pecar, não permitindo que ele tocasse em Sara. Deus disse a Abimeleque para dar o benefício da dúvida a Abraão que ele não era mentiroso.

Que Abraão agiu com um propósito honesto, mesmo que o resultado de sua ação tenha sido negativo, prejudicial, um erro; e, para que não restasse dúvidas sobre o seu caráter, Deus disse "ele é profeta"; e que ao devolver Sara, o rei Abimeleque deveria pedir a Abraão que orasse por ele.

Na Bíblia, um profeta (navi em hebraico, prophetes em grego) é um porta-voz de Deus, chamado e inspirado divinamente para transmitir Sua vontade, mensagens, advertências ou revelações ao povo, agindo como intermediário. Mais do que prever o futuro, sua função principal era chamar a nação ao arrependimento, denunciar injustiças e defender a fidelidade à aliança com Deus.

No dia seguinte, Abimeleque repreendeu a Abraão dizendo que devido a sua mentira todo o reino estava sob terrível perigo. Abraão se justificou dizendo que teve medo de ser morto por causa da esposa que também era sua meia irmã por parte de paiO rei temia a Deus e aceitou as desculpas de Abraão.

Abimeleque devolveu Sara e também lhe deu ovelhas, bois e escravos. Além disso, concedeu ao patriarca a liberdade de morar onde quisesse em seu reino. Quanto à Sara, o rei entregou a Abraão mil peças de prata como reparação pelo dano moral que havia causado a Sara, como prova notória de que ela tinha sido uma vítima inocente.

3. A Obediência de Abimeleque a Deus.

Acreditando que Deus tinha falado com ele em sonho, Abimeleque levantou cedo e informou toda a situação aos seus servos. Depois o rei repreendeu a Abraão lhe devolvendo a Sara com abundantes presentes: ovelhas, bois e escravos; e, dando uma retratação moral em prata simbolizando que Sara era inocente e que nada de errado havia feito.

Eu gosto desta parte (Gn. 20:9-10): ⁹ Em seguida Abimeleque chamou Abraão e disse: — Veja o que você fez! Que mal eu lhe causei para que você fizesse cair sobre mim e sobre o meu país a culpa de um pecado tão grande? Isso não é coisa que se faça. ¹⁰ O que é que você estava pensando quando fez isso?

No contexto do versículo bíblico, a fala de Abimeleque a Abraão é uma repreensão, um chamado à responsabilidade por suas ações. Abimeleque está censurando Abraão por ter mentido sobre Sara ser sua irmã, quando, na verdade, ela era sua esposa, o que colocou Abimeleque e seu reino em perigo de pecar gravemente contra Deus.

O rei Abimeleque admoestou Abraão de forma branda, amigável e benevolente com o objetivo de aconselhar para que Abraão corrigisse o seu comportamento, apontando o erro ao questionar a moralidade de seu ato "Isso não é coisa que se faça" e qual eram as suas motivações "O que é que você estava pensando quando fez isso?"

Embora tenha exortado Abraão como um pai corrige um filho, Abimeleque sabia que Abraão era um profeta porque Deus o havia dito em sonho: "Ele é profeta e orará para que você não morra. Mas, se a mulher não for devolvida, eu estou avisando que certamente você morrerá, você e todos os seus". E, Abimeleque pediu a Abraão que intercedesse por ele a Deus.

A oração tinha um objetivo, Gn. 20:¹⁷,¹⁸ Por causa do que tinha acontecido com Sara, a mulher de Abraão, o Senhor Deus havia feito com que nenhuma das mulheres do palácio de Abimeleque pudesse ter filhos. Aí Abraão orou em favor de Abimeleque, e Deus o curou. E também curou a mulher dele e as suas escravas, e assim puderam ter filhos novamente.

Após a mentira de Abraão sobre Sara ser sua irmã, Deus atende a oração de Abraão, curando o rei Abimeleque, sua esposa e suas servas (escravas), restaurando a fertilidade e a capacidade de terem filhos.

Deus agiu milagrosamente, em parte pela obediência de Abimeleque e em outra pela restauração da confiança entre Abimeleque, Abraão e Sara (Gn. 20-21), demostrando o seu poder e soberania (controle absoluto), para Abraão compreender que deveria ter fé e confiar em Deus as suas decisões; e, não se deixar dominar pelo medo. 

4. Abraão e Abimeleque fizeram uma aliança

Abraão prosperou muito naquela região. Tempos depois, houve um desentendimento entre os servos de Abimeleque e a família do patriarca por causa de um poço. Mas tudo foi resolvido, e Abraão e Abimeleque fizeram uma aliança de paz em Berseba, jurando lealdade mútua (Gn. 21:22-32).

Em Gênesis 21:22-34, diz que: ²² E aconteceu naquele mesmo tempo que Abimeleque, com Ficol, príncipe do seu exército, falou com Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes; ²³ Agora, pois, jura-me aqui por Deus, que não mentirás a mim, nem a meu filho, nem a meu neto; segundo a beneficência que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste. ²⁴ E disse Abraão: Eu jurarei.

²⁵ Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque por causa de um poço de água, que os servos de Abimeleque haviam tomado à força. ²⁶ Então disse Abimeleque: Eu não sei quem fez isto; e também tu não mo fizeste saber, nem eu o ouvi senão hoje.

²⁷ E tomou Abraão ovelhas e vacas, e deu-as a Abimeleque; e fizeram ambos uma aliança. ²⁸ Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho. ²⁹ E Abimeleque disse a Abraão: Para que estão aqui estas sete cordeiras, que puseste à parte? ³⁰ E disse: Tomarás estas sete cordeiras de minha mão, para que sejam em testemunho que eu cavei este poço.

³¹ Por isso se chamou aquele lugar Berseba, porquanto ambos juraram ali. ³² Assim fizeram aliança em Berseba. Depois se levantou Abimeleque e Ficol, príncipe do seu exército, e tornaram-se para a terra dos filisteus. ³³ E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno. ³⁴ E peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias. 

A frase "Levantaram-se Abimeleque e Ficol, príncipe de seu exército, e se voltaram à terra dos filisteus" (Gn. 21:34), no contexto da aliança de Abraão, descreve o acordo de paz, um juramento, uma aliança entre o rei filisteu Abimeleque e Abraão.

Reconhecendo a bênção de Deus sobre Abraão, Abimeleque foi junto com Ficol, comandante do seu exército, falar com Abraão pedindo que ele jurasse que não mentiria a ele, nem a seus descendentes e que agiria com ele segundo a beneficência (generosidade) que ele o havia feito.

E, fizeram um pacto estabelecendo uma relação de vizinhança pacífica em Gerar, entre os nômades hebreus e os filisteus, nação poderosa na região, selado com ofertas de Abraão, conforme Gênesis 21:22-34 e reafirmado com Isaac em Gênesis 26:26-31.

A presença de Ficol, também grafado como Phicol, Phichol (KJV) ou Phikol, (hebraico: פִיכֹל, que significa "grande"; Latim: Phicol), líder militar filisteu, príncipe do exército, capitão-chefe do exército de Abimeleque, demonstra a importância e o reconhecimento do poder de Deus na vida de Abraão por parte dos filisteus. 

Ficol  estave presente quando o rei filisteu de Gerar, fez uma aliança com Abraão em referência a um poço que, a partir deste pacto, foi chamado Berseba (Beersheba), "o poço do juramento" (Gn. 21:22,32).

2 - ABIMELEQUE E ISAAC

A Bíblia também narra a história do rei Abimeleque, dessa vez em conexão com Isaac. Curiosamente a história entre Abimeleque, Abraão e Sara praticamente se repetiu com Abimeleque Isaac e Rebeca.

A fome fez com que Isaac e Rebeca fosse para Gerar. Ali ele também pensou que poderia ser morto por causa da beleza de sua esposa. Tal como seu pai havia feito, Isaac mentiu dizendo que Rebeca, sus esposa, era sua irmã.

Quanto as grafias, Isaac e Isaque, ambas estão corretas e referem-se ao mesmo nome de origem hebraica (Yitzhak), que significa "ele ri" ou "filho da alegria". Isaac é a forma mais tradicional e internacional (comum em inglês e grego), enquanto Isaque é a adaptação ortográfica direta para o português, frequentemente usada no Brasil e em traduções bíblicas.

Derivado do hebraico tzachaq, refere-se ao riso de Sara ao saber que teria um filho na velhice. A escolha entre uma ou outra é uma questão de preferência pessoal, sendo ambas aceitas na língua portuguesa

Gênesis 26:6-11, diz que: - ⁶ Assim habitou Isaque em Gerar. ⁷ E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista.

⁸ E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca sua mulher. ⁹ Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa dela.

¹⁰ E disse Abimeleque: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delito. ¹¹ E mandou Abimeleque a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste homem ou em sua mulher, certamente morrerá

Ao descobrir a verdade, Abimeleque, o rei filisteu de Gerar, repreendeu Isaque. E, depois o protegeu. Naquela terra Isaac também prosperou muito, inclusive reabriu os poços cavados por seu pai Abraão; e, a sua prosperidade despertou a inveja das pessoas. Então, Abimeleque pediu a Isaac que fosse embora de Gerar, pois era mais forte que os filisteus.

Posteriormente reconhecendo que Isaac era abençoado por Deus, Abimeleque foi ao encontro de Isacc em Berseba, acompanhado de Ficol, seu comandante do exército e de Auzate, seu amigo e conselheiro. Banquetearam, comeram e beberam e juraram aliança entre eles (Gn. 26),  reforçando os laços de paz e de prosperidade.

Quem eram Auzate e Ficol que acompanharam Abimeleque em sua visita a Isaac para firmar um acordo de paz (Gn. 26:26-31). Auzate, descrito como amigo do rei, provavelmente um conselheiro, um oficial de alta confiança na corte filisteia. Ficol, o "príncipe", o mesmo que capitão-chefe ou comandante do exército de Abimeleque.

Curiosamente, um comandante com o mesmo nome (ou título) também aparece na história de Abraão e outro Abimeleque, rei filisteu de Gerar, em Gênesis 21, quando Ficol, um líder militar filisteu, estava presente no poço Beersheba, "o poço do juramento", onde o rei Abimeleque fez um pacto com Abraão (Gn. 21:22,32)

O Ficol mencionado em Gênesis 26:26 está relacionado a um acordo entre Isaac e o rei Abimeleque. Portanto, o nome Ficol pode ser um homônimo transmitido por geração ou possivelmente até mesmo o nome de um título, visto que ambos são chamados de "comandante do exército", como Abimeleque.

A presença de Auzate e Ficol, juntamente com o rei Abimeleque, indicava a seriedade e a importância oficial do tratado que desejavam estabelecer com Isaac, reconhecendo que Deus o estava abençoando grandemente.

Gênesis 26:26-31, diz que : ²⁶ E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Auzate seu amigo, e Ficol, príncipe do seu exército. ²⁷ E disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois que vós me odiais e me repelistes de vós? ²⁸ E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo, por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos aliança contigo. ²⁹ Que não nos faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Senhor. ³⁰ Então lhes fez um banquete, e comeram e beberam; ³¹ E levantaram-se de madrugada e juraram um ao outro; depois os despediu Isaque, e despediram-se dele em paz.

Alguns estudiosos acreditam que esse segundo Abimeleque talvez tenha sido um filho ou um neto do primeiro Abimeleque, o que conheceu Abraão. Outros dizem que não há necessidade de considerar necessariamente um parentesco entre os dois homens, visto que Abimeleque era um tipo de cognome comum entre os reis filisteus.

Em Gênesis 26, Deus aparece a Isaac e confirma o juramento feito a Abraão. No mesmo dia que Isaac firmou aliança com Abimeleque, rei dos filisteus, seus servos vieram e disseram que encontraram água no poço que estava sendo cavado no mesmo lugar onde Abraão, seu pai, havia antes encontrado água e feito um pacto com Abimeleque, anos antes. Então, Isaac chamou-o poço de Seba (Juramento), reafirmando o nome da cidade de Berseba, "Poço do Juramento".

O Poço de Berseba, ou "Poço de Abraão", é um local arqueológico e bíblico no deserto do Neguev, Israel, historicamente associado ao pacto de paz entre Abraão e Abimeleque (Gênesis 21).

Berseba significa "poço do juramento" ou "poço das sete" (referência a sete ovelhas). É um poço profundo e antigo que serviu de fonte de água e símbolo de aliança para os patriarcas Abraão e Isaac (Gn. 21 e 26).

Representa fidelidade, paz e novo começo. Foi onde Abraão e Isaac selaram alianças com Deus e com os reis Abimeleque, tornando o local um marco importante de obediência a Deus.

Situa-se em Tel Beer-Sheva, com partes do poço original datando de cerca de 4.000 anos. Reconhecido como patrimônio, com profundidade notável (mais de 30 metros explorados) para o contexto de sua época.

O local abriga um centro de visitantes e o "Poço de Abraão" é uma atração turística significativa, exibindo métodos antigos de captação de água no deserto.

Berseba funcionava como um ponto de parada importante no deserto, e o poço indicava poder e controle sobre recursos hídricos na região. Hoje, o Poço de Abraão é um local de grande valor histórico e espiritual, frequentemente visitado na área de Tel Beer-Sheva.

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***** ESTUDO BÍBLICO: Elizabeth Nogueira
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Referências

1. Dicionário Bíblico de Easton (1897), "Phicol"
2. Walvoord, John F. e Zuck, Roy B. O Comentário do Conhecimento Bíblico, ChariotVictor Publishing, 1985, p. 71.