Eu e a Vera, visitávamos a casa da Eliane, quando esta compartilhando uma curiosidade me perguntou: Quem Era Abimeleque?
Eu disse que Abimeleque era um rei filisteu na época de Abraão...
Então, a Eliane nos contou que seu filho está fazendo a leitura e estudo da Bíblia toda em 2026. E, que ele se deparou com o rei Abimeleque que surgiu na vida de Abraão e depois com o rei Abimeleque que surgiu na vida de Isaque e pesquisando concluiu que se tratava de dois reis em épocas diferentes, porém com a mesma titularidade: Abimeleque.
Achei muito interessante aprender que Abimeleque era um título real, como "Faraó"; e, disse a Eliane que eu faria um estudo bíblico sobre Abimeleque para compartilhar aqui no blog.
SIGNIFICADO DO NOME ABIMELEQUE
O nome ou título Abimeleque - nome semítico ocidental da família linguística afro-asiática, comum nos tempos do Antigo Testamento - é formado a partir de palavras hebraicas para "pai" e "rei", e pode ser interpretado como "Pai-Rei", "Meu pai é rei" ou "Pai de um rei." No Pentateuco, é usado como título para reis na terra de Canaã.
Abimelech também significa "Meu pai é rei", "Meu pai é dono" ou "Pai de um rei" em árabe. Abi (árabe: أبي) significa pai ou meu pai, enquanto malek (árabe: ملك) significa rei ou mālek (árabe: مالك) para proprietário.
Abimelech - também grafado Abimelek ou Avimelech; Hebraico: אֲבִימֶלֶךְ / אֲבִימָלֶךְ, Moderno ʼAvīméleḵ / ʼAvīmáleḵ Tiberiano ʼAḇīmeleḵ / ʼAḇīmāleḵ, "meu pai é um rei"/"meu pai reina".
Avimelekh (russo: Авимеле́х) é um primeiro nome masculino russo derivado de Abimelech. Foi incluído em vários calendários eclesiásticos, muitas vezes manuscritos, ao longo dos séculos XVII a XIX, mas foi omitido do Menógio Sinodal oficial no final do século XIX.
A Bíblia narra a história de vários Abimeleque, o estudo dará destaque a quatro deles:
1. Abimeleque, rei filisteu de Gerar, citado em Gênesis, na época de Abraão;
2. Abimeleque, rei filisteu de Gerar, citado em Gênesis, na época de Isaac;
3. Abimeleque, rei filisteu de Gate, citado em 1 Samuel e Salmo 34, na época do rei Davi (a narrativa ficará na 2ª parte deste estudo - 28.01.2026);
4. Abimeleque, rei israelita de Siquém, o filho de Gideão, da Tribo de Manassés, citado em Juízes (a narrativa ficará na 3ª parte deste estudo - 29.01.2026)
Considerando que Abimeleque era o nome dado a reis filisteus, cumpre destacar que conforme a "Tabela das Nações" (Gn. 10), os filisteus, descendentes de Cam, eram do Egito (Gn. 10:14) e migraram para o norte para a área costeira da Palestina.
A "Tabela das Nações" em Gênesis 10 é uma extensa genealogia bíblica que lista os descendentes dos três filhos de Noé (Sem, Cam e Jafé) após o Dilúvio, detalhando a origem e dispersão das nações, línguas e terras em três grupos geográficos (Ásia, África e Europa), servindo como uma etnologia antiga para mostrar a (re)população do mundo a partir de uma única família, com um foco especial na linhagem de Sem que leva a Abraão e ao povo de Israel.
A tabela organiza os povos através de Jafé, Cam e Sem, seus filhos, que sobreviveram ao Dilúvio com Noé. Linhagens de:
Jafé, ancestral de povos da Ásia Menor e Europa, como Gomer, Magogue, Madai (Média), Javã (Gregos), Tubal, Meseque e Tirás (Gênesis 10:2-5).
Cam (Ham/Cão), pai de Cuxe (Etiópia), Mizraim (Egito), Pute (Líbia) e Canaã (Palestina), incluindo Ninrode, um poderoso caçador e construtor de cidades como Babilônia (Gênesis 10:6-20).
Sem, pai de Elam (Persas), Assur (Assírios), Arfaxade (Babilônios), Lude (Lídios) e Aram (Sírios), a linhagem que inclui Abraão e os semitas (Gênesis 10:21-31). A linhagem de Sem é central, pois dela surgem os povos do Oriente Próximo, incluindo os israelitas, com quem Deus fez sua aliança.
O propósito da tabela é explicar como a terra foi repovoada e as nações se formaram, cumprindo o mandamento de Deus de encher a terra (Gênesis 9:1) e prefigurando a divisão das línguas em Gênesis 11 (Torre de Babel).
Afirma que toda a humanidade descende de Noé, e, portanto, de Adão. Oferece uma visão geográfica e genealógica das nações conhecidas na época, com ligações com povos da África, Ásia e Europa.
Gênesis 10 é um mapa das origens das nações após o Dilúvio, mostrando a dispersão da humanidade e estabelecendo o pano de fundo para a história de Israel.
ABIMELEQUE, REI DE GERAR CITADO EM OUTRAS FONTES
O rei Abimeleque de Gerar aparece em uma tradição extrabíblica relatada em textos como o Apocalipse Árabe de Pedro, a Caverna dos Tesouros e o Conflito de Adão e Eva com Satanás, como um dos doze reis regionais na época de Abraão que dizem ter construído a cidade de Jerusalém para Melquisedeque.
Na época das tábuas de Amarna (meados do século XIV a.C.), havia um governador egípcio de Tiro chamado Abimilki, um parente do hebraico Abimelech (ambos significam "Meu Pai é Rei"). Às vezes especula-se que ele esteja ligado a um ou mais dos Abimeleques bíblicos.
As Tábuas de Amarna são um tesouro de correspondência diplomática em argila do Antigo Egito, datadas de cerca de 1360-1332 a.C., encontradas em Amarna, a capital de Akhenaton Amenófis IV, revelando as complexas relações do Egito com governantes do Oriente Próximo em Canaã, Babilônia, Assíria e outros, escritas em acádico e cruciais para entender a história da Idade do Bronze e possíveis conexões bíblicas com os Habiru.
São mais de 300 tabuinhas de argila com escrita cuneiforme. Correspondem aos reinados de Amenófis III e Akhenaton (Amenófis IV). Formam o primeiro sistema diplomático conhecido, mostrando a sofisticação das relações internacionais da época. Detalham a política e os conflitos da época, incluindo pedidos de ajuda militar e trocas de presentes entre faraós e reis vassalos no Levante.
Para o contexto bíblico, contêm as primeiras menções aos Habiru, um grupo do Oriente Próximo, que alguns estudiosos associam aos ancestrais dos hebreus, e fornecem contexto para narrativas bíblicas.
Á titulo de curiosidade compartilho, duas pinturas de Abimelech, de Wenceslaus Hollar (23/07/1607 – 25/03/1677) talentoso artista gráfico do século XVII, que passou grande parte de sua vida na Inglaterra. Seu trabalho inclui cerca de 400 desenhos e 3000 águas-fortes. Cerca de 2740 pranchas e incluem vistas, retratos, navios, temas religiosos, heráldicos, paisagens, naturezas-mortas em diversas formas.
Coleções do trabalho de Hollar são mantidas no Museu Britânico em Londres, na sala de gravuras do Castelo de Windsor, na Biblioteca Fisher da Universidade de Toronto, na National Gallery em Praga e na Coleção Frank W. Raysor do Museu de Belas Artes da Virgínia.
A história bíblica dos reis Abimeleque de Gerar que se envolveram em situações onde os patriarcas Abraão (Gn. 20) e Isaac (Gn. 26), mentiram sobre suas esposas, dizendo que eram suas irmãs, resultando em Deus intervindo com sonhos para advertir o rei e restaurar a ordem, foi tema das gravuras religiosas de Hollar.
1. Abimeleque e Abraão
ABIMELEQUE, REI DE GERAR MENCIONADO NA BÍBLIA
A Bíblia menciona Abimeleque um rei politeísta de Gerar - em duas das três narrativas de esposas e irmãs no Livro do Gênesis - e que em diferentes momentos, interagiu com os patriarcas Abraão e Isaac.
Um exemplo de como o título "Abimeleque" designava os reis filisteus, sendo um título real (como "Faraó" ou "Czar"), o que explica sua aparição em gerações diferentes.
Embora não necessariamente o mesmo nome era usado para todos os reis, pois o mesmo nome aparece em narrativas separadas para Abraão e Isaac, em Gerar, cidade na região do Neguebe, onde os patriarcas se estabeleceram temporariamente, uma cidade proeminente, localizada em uma rota comercial bastante movimentada.
1 - ABIMELEQUE E ABRAÃO
Gênesis narra a história do primeiro personagem bíblico citado com esse nome de Abimeleque. Era o rei filisteus de Gerar e foi com este que Abraão teve contato e mentiu dizendo que Sara sua esposa, era sua irmã. Possivelmente esse Abimeleque foi o líder de um dos primeiros clãs de filisteus que habitou na Palestina.
Não concordo com a atitude de Abraão porque em duas ocasiões expôs Sara, sua esposa, a uma situação complicadíssima. Abraão, se manteria vivo, em razão de sua meia-verdade. E, Sara? Seria mulher de outro homem, caso não fosse a intervenção divina? Talvez o casal imaginou que não era possível repetir o ocorrido no Egito. E, quantas vezes disseram isso e, aparentemente, "deu certo" até dar tudo errado?!
Segue a narrativa bíblica de inteiro teor do capítulo 20 de Gênesis, que diz assim (Gn. 20:1-18):
¹ Abraão saiu de Manre, foi para o sul do país de Canaã e ficou morando entre Cades e Sur. Mais tarde, quando estava morando em Gerar, ² Abraão dizia que Sara era sua irmã. Então Abimeleque, rei de Gerar, mandou que trouxessem Sara para o seu palácio. ³ Mas de noite, num sonho, Deus apareceu a Abimeleque e disse: — Você vai ser castigado com a morte porque a mulher que mandou buscar é casada.
⁴ Abimeleque ainda não havia tocado em Sara e por isso disse: — Senhor, eu estou inocente! Será que vais destruir a mim e ao meu povo? ⁵ O próprio Abraão disse que Sara é irmã dele, e ela disse a mesma coisa. O que eu fiz foi de boa fé e não sou culpado.
⁶ No sonho Deus respondeu: — Eu sei que você fez tudo de boa fé. Portanto, para que você não pecasse contra mim, eu não deixei que você tocasse nela. ⁷ Agora devolva a mulher ao marido dela. Ele é profeta e orará para que você não morra. Mas, se a mulher não for devolvida, eu estou avisando que certamente você morrerá, você e todos os seus.
⁸ No dia seguinte Abimeleque levantou-se bem cedo, chamou todos os seus servidores e lhes contou o que havia acontecido. E eles ficaram com muito medo. ⁹ Em seguida Abimeleque chamou Abraão e disse: — Veja o que você fez! Que mal eu lhe causei para que você fizesse cair sobre mim e sobre o meu país a culpa de um pecado tão grande? Isso não é coisa que se faça. ¹⁰ O que é que você estava pensando quando fez isso?
¹¹ Abraão respondeu: — Eu pensei que neste lugar ninguém respeitasse a Deus e que me matariam para ficar com a minha mulher. ¹² Além disso Sara é, de fato, minha irmã, mas só por parte de pai. Sendo assim, eu pude casar com ela. ¹³ Quando Deus me tirou da casa do meu pai e me fez andar por terras estrangeiras, eu disse a Sara: "Em todo lugar aonde formos, faça-me o favor de dizer que sou seu irmão."
¹⁴ Então Abimeleque devolveu Sara a Abraão. Além disso lhe deu ovelhas, bois, escravos e escravas. ¹⁵ E disse: — Olhe, Abraão, aí estão as minhas terras. More onde quiser. ¹⁶ E Abimeleque disse a Sara o seguinte: — Estou dando ao seu irmão onze quilos e meio de prata para que os que estão com você saibam que você está inocente. Assim, todos saberão que você não fez nada de errado.
¹⁷,¹⁸ Por causa do que tinha acontecido com Sara, a mulher de Abraão, o Senhor Deus havia feito com que nenhuma das mulheres do palácio de Abimeleque pudesse ter filhos. Aí Abraão orou em favor de Abimeleque, e Deus o curou. E também curou a mulher dele e as suas escravas, e assim puderam ter filhos novamente.
O que podemos aprender essa história?
1. Precipitação, Insegurança, Medo:
Abraão temendo por sua vida, mentiu sobre Sara e não era a primeira vez que Deus tinha que intervir, para restaurar a ordem após as decisões erradas de Abraão.
No Egito, ocorre o primeiro episódio em que Abraão para proteger a sua vida, temendo que os egípcios o matassem para tomar sua esposa, pois ela era muito formosa, apresentou Sara como sua irmã. Os príncipes disseram a Faraó que Sara era muito bonita e Sara foi levada a casa de Faraó (Gn. 12:10-20), .
Em Gerar (Gênesis 20), ocorre o segundo episódio. Abraão está com quase cem anos e Sara está com cerca de noventa anos (Gn. 17:17, 24), temendo por sua vida Abraão e Sara dizem que são irmãos; e, Sara é levada ao harém do rei Abimeleque.
Em ambos os casos, a beleza de Sara é um fator, e Abraão instrui Sara a dizer que é sua irmã. Tecnicamente, havia uma base para a afirmação, pois Gênesis 20:12 indica que Sara era, de fato, meia-irmã de Abraão, sendo filha do mesmo pai.
A narrativa enfatiza a proteção divina de Sara e Abraão em ambas as situações, com Deus intervindo para impedir que os reis tomassem Sara como esposa e, posteriormente, repreendendo os reis e restaurando a situação do casal.
2. Deus fala com o rei Abimeleque, em sonho
Interessante observar que Deus disse a Abimeleque, durante um sonho, que ele deveria devolver Sara ao seu marido sob pena de ser punido com a morte, ele e toda a sua casa; e, se a devolvesse Abraão oraria por ele para que nenhum mal lhe sobreviesse: "Ele é profeta e orará para que você não morra".
E, ainda sonhando o rei Abimeleque, falou com confiança com Deus. E, de forma respeitosa, baseou seu pedido na bondade de Deus para não destruir uma nação que, neste caso, era inocente. Que Abraão e Sara mentiram: "⁵ O próprio Abraão disse que Sara é irmã dele, e ela disse a mesma coisa. O que eu fiz foi de boa fé e não sou culpado".
Deus respondeu a Abimeleque que sabia que ele era inocente. E, afirmou que foi Ele quem impediu o rei de pecar, não permitindo que ele tocasse em Sara. Deus disse a Abimeleque para dar o benefício da dúvida a Abraão que ele não era mentiroso.
Que Abraão agiu com um propósito honesto, mesmo que o resultado de sua ação tenha sido negativo, prejudicial, um erro; e, para que não restasse dúvidas sobre o seu caráter, Deus disse "ele é profeta"; e que ao devolver Sara, o rei Abimeleque deveria pedir a Abraão que orasse por ele.
Na Bíblia, um profeta (navi em hebraico, prophetes em grego) é um porta-voz de Deus, chamado e inspirado divinamente para transmitir Sua vontade, mensagens, advertências ou revelações ao povo, agindo como intermediário. Mais do que prever o futuro, sua função principal era chamar a nação ao arrependimento, denunciar injustiças e defender a fidelidade à aliança com Deus.
No dia seguinte, Abimeleque repreendeu a Abraão dizendo que devido a sua mentira todo o reino estava sob terrível perigo. Abraão se justificou dizendo que teve medo de ser morto por causa da esposa que também era sua meia irmã por parte de pai. O rei temia a Deus e aceitou as desculpas de Abraão.
Abimeleque devolveu Sara e também lhe deu ovelhas, bois e escravos. Além disso, concedeu ao patriarca a liberdade de morar onde quisesse em seu reino. Quanto à Sara, o rei entregou a Abraão mil peças de prata como reparação pelo dano moral que havia causado a Sara, como prova notória de que ela tinha sido uma vítima inocente.
3. A Obediência de Abimeleque a Deus.
Acreditando que Deus tinha falado com ele em sonho, Abimeleque levantou cedo e informou toda a situação aos seus servos. Depois o rei repreendeu a Abraão lhe devolvendo a Sara com abundantes presentes: ovelhas, bois e escravos; e, dando uma retratação moral em prata simbolizando que Sara era inocente e que nada de errado havia feito.
Eu gosto desta parte (Gn. 20:9-10): ⁹ Em seguida Abimeleque chamou Abraão e disse: — Veja o que você fez! Que mal eu lhe causei para que você fizesse cair sobre mim e sobre o meu país a culpa de um pecado tão grande? Isso não é coisa que se faça. ¹⁰ O que é que você estava pensando quando fez isso?
No contexto do versículo bíblico, a fala de Abimeleque a Abraão é uma repreensão, um chamado à responsabilidade por suas ações. Abimeleque está censurando Abraão por ter mentido sobre Sara ser sua irmã, quando, na verdade, ela era sua esposa, o que colocou Abimeleque e seu reino em perigo de pecar gravemente contra Deus.
O rei Abimeleque admoestou Abraão de forma branda, amigável e benevolente com o objetivo de aconselhar para que Abraão corrigisse o seu comportamento, apontando o erro ao questionar a moralidade de seu ato "Isso não é coisa que se faça" e qual eram as suas motivações "O que é que você estava pensando quando fez isso?"
Embora tenha exortado Abraão como um pai corrige um filho, Abimeleque sabia que Abraão era um profeta porque Deus o havia dito em sonho: "Ele é profeta e orará para que você não morra. Mas, se a mulher não for devolvida, eu estou avisando que certamente você morrerá, você e todos os seus". E, Abimeleque pediu a Abraão que intercedesse por ele a Deus.
A oração tinha um objetivo, Gn. 20:¹⁷,¹⁸ Por causa do que tinha acontecido com Sara, a mulher de Abraão, o Senhor Deus havia feito com que nenhuma das mulheres do palácio de Abimeleque pudesse ter filhos. Aí Abraão orou em favor de Abimeleque, e Deus o curou. E também curou a mulher dele e as suas escravas, e assim puderam ter filhos novamente.
Após a mentira de Abraão sobre Sara ser sua irmã, Deus atende a oração de Abraão, curando o rei Abimeleque, sua esposa e suas servas (escravas), restaurando a fertilidade e a capacidade de terem filhos.
Deus agiu milagrosamente, em parte pela obediência de Abimeleque e em outra pela restauração da confiança entre Abimeleque, Abraão e Sara (Gn. 20-21), demostrando o seu poder e soberania (controle absoluto), para Abraão compreender que deveria ter fé e confiar em Deus as suas decisões; e, não se deixar dominar pelo medo.
4. Abraão e Abimeleque fizeram uma aliança
Abraão prosperou muito naquela região. Tempos depois, houve um desentendimento entre os servos de Abimeleque e a família do patriarca por causa de um poço. Mas tudo foi resolvido, e Abraão e Abimeleque fizeram uma aliança de paz em Berseba, jurando lealdade mútua (Gn. 21:22-32).
Em Gênesis 21:22-34, diz que: ²² E aconteceu naquele mesmo tempo que Abimeleque, com Ficol, príncipe do seu exército, falou com Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes; ²³ Agora, pois, jura-me aqui por Deus, que não mentirás a mim, nem a meu filho, nem a meu neto; segundo a beneficência que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste. ²⁴ E disse Abraão: Eu jurarei.
²⁵ Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque por causa de um poço de água, que os servos de Abimeleque haviam tomado à força. ²⁶ Então disse Abimeleque: Eu não sei quem fez isto; e também tu não mo fizeste saber, nem eu o ouvi senão hoje.
²⁷ E tomou Abraão ovelhas e vacas, e deu-as a Abimeleque; e fizeram ambos uma aliança. ²⁸ Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho. ²⁹ E Abimeleque disse a Abraão: Para que estão aqui estas sete cordeiras, que puseste à parte? ³⁰ E disse: Tomarás estas sete cordeiras de minha mão, para que sejam em testemunho que eu cavei este poço.
³¹ Por isso se chamou aquele lugar Berseba, porquanto ambos juraram ali. ³² Assim fizeram aliança em Berseba. Depois se levantou Abimeleque e Ficol, príncipe do seu exército, e tornaram-se para a terra dos filisteus. ³³ E plantou um bosque em Berseba, e invocou lá o nome do Senhor, Deus eterno. ³⁴ E peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias.
A frase "Levantaram-se Abimeleque e Ficol, príncipe de seu exército, e se voltaram à terra dos filisteus" (Gn. 21:34), no contexto da aliança de Abraão, descreve o acordo de paz, um juramento, uma aliança entre o rei filisteu Abimeleque e Abraão.
Reconhecendo a bênção de Deus sobre Abraão, Abimeleque foi junto com Ficol, comandante do seu exército, falar com Abraão pedindo que ele jurasse que não mentirias a ele, nem a seus descendentes e que agiria com ele segundo a beneficência (generosidade) que ele o havia feito.
E, fizeram um pacto estabelecendo uma relação de vizinhança pacífica em Gerar, entre os nômades hebreus e os filisteus, nação poderosa na região, selado com ofertas de Abraão, conforme Gênesis 21:22-34 e reafirmado com Isaac em Gênesis 26:26-31.
A presença de Ficol, também grafado como Phicol, Phichol (KJV) ou Phikol, (hebraico: פִיכֹל, que significa "grande"; Latim: Phicol), líder militar filisteu, príncipe do exército, capitão-chefe do exército de Abimeleque, demonstra a importância e o reconhecimento do poder de Deus na vida de Abraão por parte dos filisteus.
Ficol estave presente quando o rei filisteu de Gerar, fez uma aliança com Abraão em referência a um poço que, a partir deste pacto, foi chamado Berseba (Beersheba), "o poço do juramento" (Gn. 21:22,32).
2 - ABIMELEQUE E ISAAC
A Bíblia também narra a história do rei Abimeleque, dessa vez em conexão com Isaac. Curiosamente a história entre Abimeleque, Abraão e Sara praticamente se repetiu com Abimeleque Isaac e Rebeca.
A fome fez com que Isaac e Rebeca fosse para Gerar. Ali ele também pensou que poderia ser morto por causa da beleza de sua esposa. Tal como seu pai havia feito, Isaac mentiu dizendo que Rebeca, sus esposa, era sua irmã.
Quanto as grafias, Isaac e Isaque, ambas estão corretas e referem-se ao mesmo nome de origem hebraica (Yitzhak), que significa "ele ri" ou "filho da alegria". Isaac é a forma mais tradicional e internacional (comum em inglês e grego), enquanto Isaque é a adaptação ortográfica direta para o português, frequentemente usada no Brasil e em traduções bíblicas.
Derivado do hebraico tzachaq, refere-se ao riso de Sara ao saber que teria um filho na velhice. A escolha entre uma ou outra é uma questão de preferência pessoal, sendo ambas aceitas na língua portuguesa
Gênesis 26:6-11, diz que: - ⁶ Assim habitou Isaque em Gerar. ⁷ E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista.
⁸ E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca sua mulher. ⁹ Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que eu porventura não morra por causa dela.
¹⁰ E disse Abimeleque: Que é isto que nos fizeste? Facilmente se teria deitado alguém deste povo com a tua mulher, e tu terias trazido sobre nós um delito. ¹¹ E mandou Abimeleque a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste homem ou em sua mulher, certamente morrerá
Ao descobrir a verdade, Abimeleque, o rei filisteu de Gerar, repreendeu Isaque. E, depois o protegeu. Naquela terra Isaac também prosperou muito, inclusive reabriu os poços cavados por seu pai Abraão; e, a sua prosperidade despertou a inveja das pessoas. Então, Abimeleque pediu a Isaac que fosse embora de Gerar, pois era mais forte que os filisteus.
Posteriormente reconhecendo que Isaac era abençoado por Deus, Abimeleque foi ao encontro de Isacc em Berseba, acompanhado de Ficol, seu comandante do exército e de Auzate, seu amigo e conselheiro. Banquetearam, comeram e beberam e juraram aliança entre eles (Gn. 26), reforçando os laços de paz e de prosperidade.
Quem eram Auzate e Ficol que acompanharam Abimeleque em sua visita a Isaac para firmar um acordo de paz (Gn. 26:26-31). Auzate, descrito como amigo do rei, provavelmente um ou conselheiro, um oficial de alta confiança na corte filisteia. Ficol, o "príncipe", o mesmo que capitão-chefe ou comandante do exército de Abimeleque.
Curiosamente, um comandante com o mesmo nome (ou título) também aparece na história de Abraão e outro Abimeleque, rei filisteu de Gerar, em Gênesis 21, quando Ficol, um líder militar filisteu, estava presente no poço Beersheba, "o poço do juramento", onde o rei Abimeleque fez um pacto com Abraão (Gn. 21:22,32)
O Ficol mencionado em Gênesis 26:26 está relacionado a um acordo entre Isaac e o rei Abimeleque. Portanto, o nome Ficol pode ser um homônimo transmitido por geração ou possivelmente até mesmo o nome de um título, visto que ambos são chamados de "comandante do exército", como Abimeleque.
A presença de Auzate e Ficol, juntamente com o rei Abimeleque, indicava a seriedade e a importância oficial do tratado que desejavam estabelecer com Isaac, reconhecendo que Deus o estava abençoando grandemente.
Gênesis 26:26-31, diz que : ²⁶ E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Auzate seu amigo, e Ficol, príncipe do seu exército. ²⁷ E disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois que vós me odiais e me repelistes de vós? ²⁸ E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo, por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos aliança contigo. ²⁹ Que não nos faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Senhor. ³⁰ Então lhes fez um banquete, e comeram e beberam; ³¹ E levantaram-se de madrugada e juraram um ao outro; depois os despediu Isaque, e despediram-se dele em paz.
Alguns estudiosos acreditam que esse segundo Abimeleque talvez tenha sido um filho ou um neto do primeiro Abimeleque, o que conheceu Abraão. Outros dizem que não há necessidade de considerar necessariamente um parentesco entre os dois homens, visto que Abimeleque era um tipo de cognome comum entre os reis filisteus.
Em Gênesis 26, Deus aparece a Isaac e confirma o juramento feito a Abraão. No mesmo dia que Isaac firmou aliança com Abimeleque, rei dos filisteus, seus servos vieram e disseram que encontraram água no poço que estava sendo cavado no mesmo lugar onde Abraão, seu pai, havia antes encontrado água e feito um pacto com Abimeleque, anos antes. Então, Isaac chamou-o poço de Seba (Juramento), reafirmando o nome da cidade de Berseba, "Poço do Juramento".
O Poço de Berseba, ou "Poço de Abraão", é um local arqueológico e bíblico no deserto do Neguev, Israel, historicamente associado ao pacto de paz entre Abraão e Abimeleque (Gênesis 21).
Berseba significa "poço do juramento" ou "poço das sete" (referência a sete ovelhas). É um poço profundo e antigo que serviu de fonte de água e símbolo de aliança para os patriarcas Abraão e Isaac (Gn. 21 e 26).
Representa fidelidade, paz e novo começo. Foi onde Abraão e Isaac selaram alianças com Deus e com os reis Abimeleque, tornando o local um marco importante de obediência a Deus.
Situa-se em Tel Beer-Sheva, com partes do poço original datando de cerca de 4.000 anos. Reconhecido como patrimônio, com profundidade notável (mais de 30 metros explorados) para o contexto de sua época.
O local abriga um centro de visitantes e o "Poço de Abraão" é uma atração turística significativa, exibindo métodos antigos de captação de água no deserto.
Berseba funcionava como um ponto de parada importante no deserto, e o poço indicava poder e controle sobre recursos hídricos na região. Hoje, o Poço de Abraão é um local de grande valor histórico e espiritual, frequentemente visitado na área de Tel Beer-Sheva.
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***** ESTUDO BÍBLICO: Elizabeth Nogueira
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Referências
1. Dicionário Bíblico de Easton (1897), "Phicol"
2. Walvoord, John F. e Zuck, Roy B. O Comentário do Conhecimento Bíblico, ChariotVictor Publishing, 1985, p. 71.


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