quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O Justo Viverá Pela Sua Fé


Eu estava com uns 15 anos (1987), quando gostei dos versículos em Habacuque 3:17-18 -

          ¹⁷ "Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ¹⁸ ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação".

Depois passei a gostar do capítulo todo de Habacuque 3. Lembro que, por mais de uma vez, fiz a leitura dos 19 versículos do capítulo, na devocional do período de louvor e adoração.

Eu não entendia ainda porque aquele capítulo chamava tanto a minha atenção. Ao ler, parecia que tinha que fazer uma pausa silenciosa para reflexão, para cantar, para orar... Sei que preguei Habacuque 3:17-18, algumas vezes, e mesmo que cada vez tenha sido diferente, eu sempre sentia que algo estava faltando, ainda que eu não soubesse o que era.

Por volta de 1990 estava lendo uma explicação sobre a palavra hebraica Selá ou *Selah (nome da Banda de Rock Gospel de Campo Grande/MS, fundada na década de 80', que gosto muito. Aquela com o Geth, o Gélio, Luis... Essa.) *o link da acesso a músicas da banda Selah.


O texto que li dizia que a palavra Selah é encontrada em dois livros da Bíblia, sendo mais predominante nos Salmos, onde aparece 71 vezes; e, em Habacuque a palavra aparece três vezes apenas no terceiro capítulo...

Eu senti como tudo se fizesse sentido.

Selah pode ser traduzida a partir de duas palavras hebraicas: s lah, "louvar"; e s_lal, "elevar" ou de termos que indicam "suspender" ou "interlúdio", confirmando a ideia de pausa ou elevação. Também salah, "fazer uma pausa", uma notação musical significando "um descanso" para os cantores e instrumentistas que executavam os salmos.

Sendo assim, sempre que selah aparece em um salmo é o momento de pausa do que se está fazendo, para cantar à capela ou apenas instrumental... Talvez, orando em silêncio, bater palmas, levantar as mãos em adoração.

A palavra "Selah" na oração de Habacuque no capítulo 3, é encontrada ao final dos versículos 3, 9 e 13, para sublinhar a importância das orações e cânticos. 

          ³ Deus veio de Temã, e do monte de Parã o Santo (Selá.). A sua glória cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor. Hab. 3:3

Descreve a vinda majestosa e poderosa de Deus, que vem de regiões como Temã (associada a Edom, no sul) e o Monte Parã, com Sua glória cobrindo os céus e o louvor ecoando pela terra, mostrando Sua presença soberana e cheia de poder, como um espetáculo de luz e autoridade divina. É parte de uma oração poética do profeta que celebra a grandiosidade de Deus e pede por avivamento e misericórdia.

          ⁹ Descoberto se movimentou o teu arco; os juramentos feitos às tribos foram uma palavra segura. (Selá.) Tu fendeste a terra com rios. Hab. 3:9

O versículo de Habacuque 3:9 descreve a manifestação do poder e da fidelidade de Deus, com o arco (símbolo de poder) pronto para a batalha, os juramentos divinos como promessas firmes (palavra segura) e Deus dividindo a terra com rios (como na travessia do Jordão ou a abertura do Mar Vermelho), mostrando Sua soberania e ação poderosa na história, com o termo "Selá" indicando uma pausa para meditação ou música.

       ¹³ Tu saíste para salvação do teu povo, para salvação do teu ungido; tu feriste a cabeça da casa do ímpio, descobrindo o alicerce até ao pescoço. (Selá.) Hab. 3:13

Habacuque 3:13, descreve o poder de Deus em salvar seu povo (Israel), destruindo o inimigo ímpio, "ferindo a cabeça da casa do ímpio" (da base ao topo/nação liderança) e expondo seus fundamentos, indicando uma vitória completa sobre os opressores.

A oração de Habacuque expressa a confiança de que Deus interviria para salvar Seu povo escolhido,  (Judá/Israel) da opressão babilônica. No Antigo Testamento, a nação de Israel, às vezes, era coletivamente chamada de "meu ungido", povo escolhido e separado por Deus para um propósito especial.

A palavra hebraica para "ungido" é mashiach (de onde vem "Messias"), e a palavra grega é christos (de onde vem "Cristo"),  "para salvação do teu ungido", numa interpretação messiânica, refere-se a Jesus Cristo.

Visto que todas as profecias do Antigo Testamento apontam para Jesus Cristo, muitos teólogos e cristãos interpretam essa passagem como uma referência profética ao Messias vindouro, que traria a salvação final e completa ao Seu povo. A salvação descrita por Habacuque pode ser vista como um prenúncio da redenção maior realizada por Jesus.

Portanto, a passagem tem uma aplicação dupla: imediata para o povo de Israel e profética para Jesus Cristo, o Ungido supremo de Deus, com o 'Selá' marcando uma pausa para reflexão.

Essa pausa (Selah) era uma instrução para os adoradores -indicando uma pausa ou interrupção na leitura do texto, para se prostrarem e prestarem homenagens a Deus.

Contudo, o significado exato da palavra "Selah", ainda é debatido.

Na Tradução Septuaginta, "selah" foi traduzida como diapsalma, significando intervalo, interlúdio ou mudança de tom, reforçando a função de pausa para reflexão ou transição para meditação ou adoração mais intensa (mudança de tom).

Uma instrução de leitura ou pausa, indicando meditação, adoração ou elevação espiritual. Não é somente uma marca de pontuação - mas sim um momento para interiorizar o conteúdo da mensagem e da oração.

Indicação para os instrumentistas e cantores elevarem a melodia ou a voz, possivelmente aumentando a intensidade na adoração, como em um crescendo musical.

Pausa deliberada, permitindo que se absorva a verdade do verso anterior e se responda emocionalmente, promovendo reflexão pessoal e espiritual.

Praticar "Selah" nos textos de Habacuque envolve: Pausar ao ler: Dar tempo para absorver a mensagem antes de continuar. Lembrar da presença de Deus: Refletir sobre Sua fidelidade, proteção e poder. Elevar a adoração: Em louvor, levantar as mãos, a voz ou simplesmente o coração em adoração concentrada.

"Selah" no livro de Habacuque funciona como um convite à contemplação consciente, louvor e aprofundamento espiritual, transformando a leitura em um momento de verdadeira conexão com Deus.

Quem foi Habacuque? um profeta do Antigo Testamento, autor do livro bíblico que leva seu nome e o oitavo entre os doze profetas menores. Ativo entre o final do século VII e início do VI a.C., ele viveu em Judá durante a ascensão do Império Babilônico.

O nome Habacuque provavelmente deriva da raiz hebraica para "abraçar", sugerindo uma postura de quem se agarra a Deus em tempos de crise.

Diferente de outros profetas que entregavam mensagens (profecias) de Deus ao povo, o livro de Habacuque registra um diálogo pessoal e honesto do profeta com o Criador.

O profeta questiona por que Deus permite a violência e a injustiça em Judá sem intervir. Deus responde o profeta revelando que usará os babilônios (caldeus) como instrumento de julgamento.

Isso gera uma nova dúvida em Habacuque: como um Deus santo pode usar uma nação ainda mais perversa para punir seu próprio povo? Deus assegura a Habacuque que a Babilônia também será julgada no tempo certo e que a justiça prevalecerá.


O livro termina com uma das mais famosas declarações de confiança da Bíblia (Habacuque 3:17-19).

O profeta afirma que, mesmo diante da escassez total — sem frutos nas videiras ou gado nos currais — ele ainda se alegraria e confiaria em Deus.

O capítulo 3 de Habacuque é uma ORAÇÃO em forma de CÂNTICO, um Hino de Louvor e Adoração onde o profeta expressa sua confiança absoluta em Deus, mesmo diante da destruição iminente.

Habacuque reconhece a fama de Deus e pede que Ele realize em seu tempo as mesmas obras poderosas do passado, clamando para que, "na tua ira, lembra-te da misericórdia" (v. 2).

O profeta descreve a vinda de Deus com imagens gloriosas e terríveis: esplendor que cobre os céus, raios brilhantes, terremotos e o recuo do mar e dos rios diante de Sua presença (v. 3-15).

O capítulo encerra com uma das declarações de fé mais conhecidas da Bíblia. Habacuque afirma que, ainda que a economia colapse (falta de figos, uvas, azeitonas e gado), ele se alegrará no Senhor, sua salvação (v. 17-18).


A passagem de Habacuque 3:17-18 é um dos testemunhos mais profundos de fé e resiliência na Bíblia: ¹⁷ "Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ¹⁸ ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação".

Habacuque escreveu em um período de crise iminente, prevendo a invasão babilônica. O cenário descrito no versículo 17 representa a falência total dos pilares da economia e da subsistência da época:

1. Figos, uvas e azeitonas: essenciais a dieta e ao comércio judaico;
2. Lavoura: a base da alimentação básica;
3. Ovelhas e bois: o patrimônio e o sustento diário das famílias.

O profeta toma uma decisão consciente: "Ainda assim eu exultarei".

Alegria como Escolha: Ele mostra que a alegria cristã, a alegria espiritual, não depende de circunstâncias favoráveis, mas da fonte dessa alegria.

Foco em Deus, não nos Bens: Mesmo quando o "que ele tem" desaparece, "Quem ele tem" permanece. A salvação é vista como um motivo de júbilo maior do que a prosperidade material.

Fé Incondicional: É o tipo de fé que diz: "Deus, eu Te amo pelo que Tu és, não apenas pelo que Tu me dás".

O profeta inicia o capítulo lamentando a situação de Judá, marcada por opressão e idolatria, e questionando a justiça de Deus, e no final, ele encontra sua resposta em Deus.

Deus é apresentado como a fonte de alegria e salvação, o suficiente para aquele que nEle crê. O texto inspira uma postura de adoração firme e confiante mesmo nas piores crises da vida, enfatizando a soberania e fidelidade de Deus.

Habacuque 3:17-18 é uma poderosa declaração de fé inabalável, onde o profeta, mesmo diante da mais completa escassez e colapso econômico (falha nas colheitas de figos, uvas, azeitonas, e perda de gado), declara que ainda assim se alegrará e exultará no Senhor, encontrando sua alegria e salvação em Deus, e não nas circunstâncias, pois a fé não depende do que temos, mas de quem Deus é.

E, o profeta Habacuque conclui dizendo: ¹⁸ Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.¹⁹ O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. (Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de corda). Hab. 3:18,19

"Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de corda" é uma instrução musical bíblica, encontrada principalmente em títulos de Salmos e no capítulo 3 de Habacuque (v. 19), indicando que o texto deve ser cantado com a direção do regente, do líder de música (cantor-mor) e acompanhado por instrumentos de cordas, como harpas, alaúdes, liras..., expressando louvor, súplica ou ações de graças a Deus.

A frase central do livro de Habacuque, "o justo viverá pela sua fé" (Hab. 2:4), é um dos pilares do cristianismo, sendo citada três vezes no Novo Testamento em Romanos 1:17; Gálatas 3:11; Hebreus 10:38.

Essas referências destacam a importância duradoura da mensagem de Habacuque na teologia cristã, enfatizando que a salvação e a vida eterna são alcançadas através da fé em Deus, e não por mérito próprio ou observância da lei.


****Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira ꒰ঌ ໒꒱꒰ঌ ໒꒱꒰ঌ ໒꒱


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