"O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a sua alma.
O Senhor guardará a sua saída e a sua chegada,
desde agora e para sempre."
(Salmo 121:7-8).
Essa frase marcante é um dos textos mais conhecidos e lidos da Bíblia Sagrada sobre proteção divina.
Parte dos chamados "Cânticos de Degraus", (do 120 ao 134), estes 15 salmos eram entoados pelos antigos israelitas durante as suas peregrinações rumo a Jerusalém para as festas anuais.
Segundo a tradição, esses salmos eram cantados pelos levitas ao subir os quinze degraus de acesso ao pátio do Templo. Também os antigos judeus cantavam esses salmos, para renovar a fé e a união, quando viajavam em família para as festas solenes no Templo.
O Salmo 121:7-8, traz três promessas principais para o dia a dia:
- Proteção integral: Deus cuida de você tanto no momento de sair de casa quanto no retorno.
- Presença constante: Significa que você nunca realiza uma jornada sozinho.
- Proteção contra o mal: Deus cuida da vida e livra a pessoa de perigos espirituais e físicos.
- Cuidado com a alma: A parte mais profunda e eterna do ser humano está segura nas mãos de Deus.
- Caminhos seguros: A saída e a entrada representam todas as atividades e rotinas diárias, abençoadas em qualquer direção.
- Cuidado eterno: A promessa não tem prazo de validade, estendendo-se "para sempre".
- Tempo eterno: A promessa vale para o presente ("desde agora") e não tem fim ("para sempre")
Principais Famílias e suas Viagens
A Bíblia registra diversas jornadas marcantes realizadas por famílias e clãs parentais que migraram ou viajaram juntos em busca de um chamado divino, fuga ou sobrevivência diante de crises, enfrentando desertos, crises econômicas em obediência a chamados divinos.
1. Noé e sua família
Noé, sua esposa, seus três filhos (Sem, Cam e Jafé) e as respectivas esposas viajaram juntos na Arca por pouco mais de um ano durante o Dilúvio.
Viajaram juntos dentro da Arca durante o Dilúvio, salvando-se da destruição. Após as águas baixarem, a arca pousou nas montanhas de Ararat, marcando o recomeço da vida na Terra, recomeçando a humanidade (Gênesis 7 e 8).
Detalhes da Viagem
- Quem estava na Arca: Noé e sua esposa. Sem e sua esposa. Cam e sua esposa. Jafé e sua esposa. Casais de animais de todas as espécies para preservação.
O Tempo do Dilúvio
- Aconteceu no ano 600 da vida de Noé, no segundo mês e décimo sétimo dia.
- A chuva durou 40 dias e 40 noites contínuas.
- As águas cobriram a terra por 150 dias antes de começarem a baixar.
- No sétimo mês, no décimo sétimo dia, a arca parou nas montanhas de Ararat.
- Noé e sua família saíram da arca no ano seguinte, após a terra estar completamente seca.
O Recomeço
- Noé construiu um altar e ofereceu sacrifício a Deus.
- Deus fez uma aliança com Noé e prometeu nunca mais destruir a Terra com um dilúvio.
- O sinal dessa aliança foi o arco-íris no céu.
- A humanidade e os animais recomeçaram a se multiplicar na Terra.
2. Abraão, Sara, Terá e Ló
Antes de ser chamado individualmente por Deus, Abraão (então Abrão) viajou com seu pai, sua esposa e seu sobrinho em uma grande migração familiar.
- Quem viajou: Terá (pai), Abrão, Sarai (esposa de Abrão) e Ló (sobrinho, filho de seu falecido irmão).
- O trajeto: Saíram de Ur dos Caldeus em direção a Canaã, mas pararam e habitaram em Harã.
- Continuação: Após a morte de Terá, Abrão, Sarai e Ló continuaram a viagem juntos rumo à Terra Prometida.
A viagem da família de Abraão (então Abrão) começou em Ur dos Caldeus. Sob a liderança inicial de seu pai, Terá, eles saíram rumo à terra de Canaã, levando Sara (sua esposa) e Ló (seu sobrinho). No entanto, ao chegarem à região de Harã, decidiram fixar residência ali, e Terá faleceu com 205 anos.
As Etapas da Jornada
- Ponto de Partida (Ur dos Caldeus): Cidade próspera na Mesopotâmia de onde a família partiu por ordem ou impulso migratório inicial liderado por Terá.
- A Parada em Harã: Local de transição onde o grupo parou e se estabeleceu por um tempo; foi onde Terá morreu.
- O Chamado Definitivo: Após a morte de seu pai em Harã, Abrão recebeu o chamado de Deus para continuar o trajeto sozinho com Sara, Ló, seus bens e servos, rumo à terra prometida de Canaã.
- Chegada a Canaã e Divisão: A família entrou em Canaã, mas o crescimento dos rebanhos gerou conflitos entre os pastores de Abrão e os de Ló, resultando na separação pacífica de ambos.
3. Jacó, suas esposas e seus filhos
Jacó, suas esposas e seus filhos fizeram longas viagens, como a fuga da casa de Labão de volta a Canaã (Gênesis 31) e, posteriormente, a descida de toda a família (com os filhos e netos) para o Egito para reencontrar José durante a grande fome (Gênesis 46).
Diante de uma fome devastadora, toda a linhagem de Jacó (Israel) se uniu para viajar e se restabelecer em outra nação, onde um de seus filhos governava.
- Quem viajou: Jacó, suas esposas, seus 12 filhos, noras, netos e todos os seus bens (cerca de 70 pessoas no total).
- O trajeto: Saíram da terra de Canaã em direção ao Egito.
- O motivo: Reencontrar José, que havia se tornado governador do Egito, e sobreviver à grande fome da época.
As grandes viagens de Jacó e sua família cobriram centenas de quilômetros a pé e com rebanhos. A fuga de Harã para Canaã (Gênesis 31) teve cerca de 600 a 800 quilômetros, enquanto a descida posterior para o Egito (Gênesis 46) partindo de Berseba somou em torno de 400 a 500 quilômetros.
A Fuga da Casa de Labão (Gênesis 31)
- Origem: Padã-Arã (região de Harã).
- Destino: A terra de Canaã (região de Gileade e depois Siquém).
- Distância aproximada: Cerca de 700 km.
- Detalhes da viagem: Labão perseguiu o grupo e os alcançou nos montes de Gileade após sete dias de perseguição.
- Desafios: Locomoção lenta com grandes rebanhos de gado, ovelhas, cabras, servos e crianças pequenas.
A Descida para o Egito (Gênesis 46)
- Origem: Berseba (sul de Canaã).
- Destino: A terra de Gósen, no Egito.
- Distância aproximada: Cerca de 450 km.
- Detalhes da viagem: Jacó já era idoso (cerca de 130 anos) e viajou em carroças enviadas pelo próprio Faraó.
- Composição do grupo: Cerca de 70 pessoas da família direta, incluindo seus filhos, noras e netos, além de todos os bens e animais acumulados em Canaã.
4. Noermi e Rute
Sogra e noras viajaram juntas após perderem seus maridos. Uma história emocionante de uma família de mulheres que viajou unida pelo luto e pela sobrevivência. As três mulheres perderam seus maridos (Elimeleque e seus filhos Malom e Quilom) enquanto moravam em Moabe, conforme descrito em Rute 1.
- Quem iniciou a viagem: Noemi e suas duas noras moabitas, Rute e Orfa.
- O trajeto: Deixaram a terra de Moabe para voltar a Belém de Judá.
- O desfecho: Orfa decidiu voltar para seu povo e seus deuses em Moabe, após Noemi aconselhá-las a retornarem para suas famílias.
- Quem concluiu a viagem: Noemi e Rute seguiram juntas até Belém.
- O laço: Rute insistiu em continuar com Noemi, pronunciando a famosa frase: "O teu povo será o meu povo, e o teu Deus o meu Deus".
O Êxodo é o maior exemplo bíblico de famílias inteiras viajando juntas. Milhares de núcleos familiares caminharam lado a lado. Na liderança, estava uma família de irmãos: Moisés, Arão e Miriã.
- Quem viajou: Moisés, seu irmão Arão, sua irmã Miriã, além de Séfora (esposa de Moisés) e seus filhos. Abaixo deles, todas as famílias das 12 tribos de Israel.
- O trajeto: Saíram da escravidão no Egito, atravessaram o Mar Vermelho e peregrinaram pelo deserto em direção a Canaã.
O Êxodo narra a saída de milhares de israelitas do Egito rumo à Terra Prometida, liderados por Moisés, Arão e Miriã, membros da família de Amrão e Joquebede da tribo de Levi. Séfora, esposa de Moisés, e os filhos do casal também integraram a jornada com o restante do povo dividido em 12 tribos.
Liderança Familiar
- Moisés: O líder principal e legislador que conduziu o povo sob a orientação divina.
- Arão: O irmão mais velho e primeiro sumo sacerdote de Israel.
- Miriã: A irmã e profetiza que liderou as mulheres em cânticos de louvor após a travessia do Mar Vermelho.
- Séfora e Filhos: A esposa midianita de Moisés e seus filhos, Gérson e Eliezer, que se reuniram a Moisés durante a travessia no deserto.
O Povo em Viagem
As 12 Tribos eram formadas pelos descendentes dos filhos de Jacó (Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Dã, Naftali, Gade, Aser, José e Benjamim). As famílias caminhavam e acampavam organizadas por tribos ao redor do Tabernáculo, conforme relatos bíblicos do livro de Êxodo e Números.
6. José e Maria
Viajaram de Nazaré a Belém para o recenseamento, depois fugiram para o Egito para escapar de Herodes, e retornaram a Nazaré anos depois (Mateus 2 e Lucas 2).
No Novo Testamento, a família de Jesus realizou viagens marcantes tanto por motivos de segurança quanto por tradição religiosa.
a) A Fuga para o Egito
José, Maria e Jesus viajaram às pressas para o Egito para escapar do decreto de morte do rei Herodes. É um relato bíblico do Evangelho de Mateus. José, Maria e o menino Jesus fugiram para o Egito à noite. Eles escaparam do plano do rei Herodes de matar todas as crianças pequenas em Belém.
Detalhes da História
- O aviso: Um anjo apareceu para José em um sonho. O anjo mandou José pegar Maria e Jesus e fugir rápido.
- O perigo: O rei Herodes mandou matar os meninos com menos de dois anos em Belém. Ele queria garantir que o novo "Rei dos Judeus" morresse.
- O destino: Eles foram para o Egito porque era uma província romana fora do poder direto de Herodes.
- O retorno: A família ficou no Egito até Herodes morrer. Depois, um anjo avisou José para voltar a Israel, e eles se estabeleceram em Nazaré.
A Bíblia relata no Evangelho de Lucas que José e Maria viajavam todos os anos a Jerusalém em caravanas de familiares e conhecidos para a Festa da Páscoa, hábito que cumpriam fielmente conforme a Lei de Moisés.
O Contexto da Viagem e da Páscoa
O relato principal sobre esse costume está no livro de Lucas, capítulo 2, versículos 41 e 42.
- Festa Anual: A lei judaica exigia que os homens comparecessem a Jerusalém três vezes ao ano para festas solenes, mas muitas famílias viajavam ao menos na Páscoa.
- Caravanas de Parentes: As viagens eram feitas em grandes grupos por motivos de segurança contra assaltantes nas estradas e pela companhia mútua.
- O Episódio de Jesus aos 12 Anos: Foi em uma dessas viagens de retorno que José e Maria perceberam que Jesus havia ficado para trás no Templo em Jerusalém, após um dia inteiro de caminhada achando que ele estava no grupo da caravana.
Esse relato retrata um dos momentos mais marcantes da infância de Jesus registrado nos Evangelhos (Lucas 2:41-52).
O Contexto Cultural
- A Viagem: A família viajava anualmente de Nazaré para Jerusalém para a festa da Páscoa.
- A Caravana: As viagens eram feitas em grandes grupos comunitários por segurança.
- A Separação: Era comum que as mulheres e crianças caminhassem à frente, e os homens e jovens atrás. José e Maria pensaram que Jesus estava com o outro grupo.
O Reencontro no Templo
- Tempo de Busca: Eles andaram um dia inteiro, voltaram a Jerusalém e procuraram por Jesus por mais três dias.
- A Surpresa: Jesus foi encontrado no Templo, sentado entre os doutores da lei, ouvindo-os e fazendo perguntas.
- A Sabedoria: Todos os presentes estavam maravilhados com a sua inteligência e com as suas respostas.
O Significado Teológico
- A Resposta: Quando questionado por Maria, Jesus disse: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpre estar na casa de meu Pai?".
- A Identidade: Essa frase representa o primeiro registro bíblico onde Jesus afirma explicitamente a sua filiação divina e a sua missão na Terra.
- A Obediência: Mesmo ciente de sua missão, o texto relata que ele voltou com seus pais para Nazaré e era submisso a eles.
Esta frase famosa está registrada no livro de Lucas 2:49 da Bíblia. Ela foi dita por Jesus quando ele tinha 12 anos de idade, após ser encontrado por Maria e José no templo em Jerusalém, debatendo com os doutores da lei, depois de três dias de angustiante busca por parte de seus pais.
- Falta de Compreensão: Naquele momento, Maria e José ainda não entenderam o sentido profundo daquelas palavras.
- Consciência Divina: É a primeira fala de Jesus registrada na infância que mostra a plena ciência de sua identidade como Filho de Deus. Aos 12 anos, Jesus afirma categoricamente sua filiação divina ao chamar Deus de "meu Pai".
- Prioridade Celestial: Indica que os deveres para com o Pai celestial estavam acima de tudo. Ele estabelece que sua missão e submissão ao Pai estão acima dos laços familiares terrenos.
Outro texto com sentido semelhante é Mateus 10:37, que diz: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim".
- Supremacia do Reino: A lealdade a Deus ocupa o primeiro lugar absoluto na vida do cristão.
- Linguagem semiótica: O termo "aborrecer" ou "odiar" usado nas traduções bíblicas clássicas não significa ódio literal, mas indica uma comparação de proporção — o amor a Deus é tão grande que o afeto terreno mais próximo empalidece em termos de prioridade de obediência.
- Custo do Discipulado: A missão espiritual de seguir a Cristo supera qualquer exigência ou impedimento de laços de sangue.
- Prioridade absoluta a Cristo: Significa que o compromisso com o Reino de Deus deve ser tão supremo que, em comparação, o afeto e as exigências familiares parecem secundários.
- Ruptura de impedimentos: Se laços de sangue tentarem afastar o discípulo da obediência à fé, a lealdade a Cristo deve prevalecer sem hesitação.
Abaixo está o texto da passagem na versão Almeida Corrigida Fiel (ACF):
⁵⁹ E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. ⁶⁰ Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. ⁶¹ Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. ⁶² E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.
O Significado dos Ensinamentos
Para compreender as respostas firmes de Jesus, é preciso analisar o contexto cultural da época:
"Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos": Historiadores e teólogos explicam que o pai daquele homem provavelmente não havia falecido naquele instante.
A expressão indicava que o filho queria esperar o pai envelhecer e morrer para só então cumprir o chamado. Jesus quis mostrar que os espiritualmente mortos poderiam cuidar das obrigações mundanas, mas o chamado do Reino exige ação imediata.
"Mão no arado e olha para trás": Ao conduzir um arado manual, o agricultor precisa olhar firmemente para frente para que os sulcos na terra fiquem retos. Quem olha para trás se distrai e estraga o trabalho.
Jesus usa essa metáfora para ensinar que a caminhada cristã exige foco total no futuro com Deus, sem hesitações ou saudades da vida antiga.
7. Viagem em Família
Um dos versículos mais apropriados para uma família que viaja a trabalho com o foco no Reino de Deus é Colossenses 3:23-24: "Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo."
Outros versículos de encorajamento para a jornada e o trabalho em família:
- Mateus 6:33: "Busquem, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas."
- Salmos 121:8: "O Senhor guardará a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre."
- Josué 24:15: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."
- Lucas 10:5,9: Quando entrarem numa casa, digam primeiro: ‘Paz a esta casa...’ Curem os doentes que nela houver e digam-lhes: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês’.

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