quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Vencer o mal com o Bem


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       ¹ Também estes são provérbios de Salomão, os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá. - Prov. 25:1

O versículo introduz uma coleção de provérbios de Salomão que foram compilados e transcritos pelos "homens de Ezequias", um grupo de escribas do rei Ezequias de Judá, destacando que a glória de Deus está em mistérios, enquanto a honra dos reis está em desvendar a verdade, um princípio que Ezequias mesmo aplicava ao investigar e purificar seu reino, conforme o contexto do capítulo.

São provérbios de Salomão, mas reunidos por escribas a mando de Ezequias, que reinou séculos depois, mostrando a continuidade da sabedoria.

O versículo 1 estabelece um contraste: Deus esconde mistérios (sua glória), mas reis (e líderes) devem buscar a verdade e a clareza (descobrir) para governar com justiça, removendo o mal e a corrupção.

Os versículos seguintes detalham essa sabedoria, como a importância de um rei remover o ímpio para firmar seu trono na justiça, a humildade de não se gabar na presença do rei, e a prudência de não levar fofocas ao tribunal.

Este versículo (Provérbios 25:1) não é apenas uma citação, mas a porta de entrada para uma seção de sabedoria prática sobre liderança, justiça e discernimento, compilada sob o reinado de Ezequias, que se preocupava em trazer luz e ordem ao seu reino.

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       ¹⁶ Achaste mel? Come só o que te basta; para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar. Prov. 25:16

O provérbio ensina sobre moderação e temperança, usando o mel como metáfora: se você encontra algo bom (o "mel"), deve consumir apenas o necessário ("o que te basta") para não se fartar, enjoar e até rejeitar ou vomitar o que antes era prazeroso, mostrando que o excesso de prazeres ou bens pode levar à aversão e ao prejuízo, assim como o excesso de doações pode gerar ingratidão e dependência.

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         ¹³ Come mel, meu filho, porque é bom; o favo de mel é doce ao teu paladar. Prov. 24:13 - Este versículo do capítulo 24 usa o sabor agradável como metáfora para a sabedoria e as coisas boas da vida que devem ser apreciadas.

O segundo provérbio em Provérbios 25:16 funciona como um contraponto, advertindo contra o excesso. Ensina a importância da moderação e do autocontrole, mesmo em relação a coisas boas e desejáveis. Juntos, eles oferecem um lembrete equilibrado: aprecie as dádivas da vida, mas com moderação.

Os versículos de Provérbios 24:13 e Provérbios 25:16 oferecem perspectivas complementares, e não contraditórias, sobre o consumo do mel, usando-o como uma metáfora para as coisas boas da vida, como a sabedoria e o prazer (satisfação).

O Contraponto reside na ênfase 𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊

1. Provérbios 24:13 enfatiza o benefício e a busca pelo que é bom.

2. Provérbios 25:16 enfatiza a moderação e o perigo do excesso.

a) "Achaste mel? Come só o que te basta", (Prov. 25:16.a): Quando encontrar algo bom, uma bênção, uma oportunidade ou um prazer (o mel), não se exceda. Desfrute com moderação, sem ganância.

b) "para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar", (Prov. 25:16.b). O excesso de algo bom pode transformar o prazer em repulsa. O que era doce se torna amargo, levando à saturação e até à perda do apreço por aquilo que antes era valorizado.

Aplicação e Interpretação: 𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊

1. Moderação nos Prazeres: Não se entregue demais a prazeres materiais, como comida, bebida, trabalho, ou até relacionamentos, para que não percam o valor ou se tornem prejudiciais.

2. Temperança Espiritual: O excesso de zelo em coisas boas, sem equilíbrio, pode levar ao esgotamento ou a uma atitude negativa, por isso é preciso buscar a plenitude em Deus sem excessos mundanos.

3. Relações Humanas: O princípio também se aplica a não abusar da hospitalidade ou da generosidade de outros, para não se tornar um fardo ou gerar ressentimento.

O provérbio é um conselho para a sabedoria prática, indicando que o desfrute de algo bom se mantém enquanto houver moderação, evitando o excesso que leva à saturação e repulsa.

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         ²⁷ "Comer mel demais não é bom; assim, a busca da própria glória não é glória", Prov. 25:27.

O versículo alerta que, assim como comer mel em excesso faz mal ao corpo, buscar a própria glória ou honra excessivamente é prejudicial à alma, pois demonstra falta de moderação e humildade, levando à auto exaltação, que não é verdadeira glória, mas sim uma falha de caráter, contrastando com a busca pela glória de Deus e o autocontrole.

Comer mel demais pode causar enjoos; da mesma forma, a busca excessiva por reconhecimento próprio é prejudicial. A busca por honra pessoal (fama, status) é uma "glória" vazia, ao contrário da verdadeira honra que vem de Deus ou do reconhecimento que vem dos outros, e não da autoafirmação.

O versículo é frequentemente ligado ao 28, que fala sobre a falta de domínio próprio como uma cidade sem muros, ilustrando que a incapacidade de controlar a busca por glória é uma fraqueza. A motivação para a excelência (sabedoria) deve ser a glória de Deus, não o reconhecimento humano, para evitar a armadilha da autoglorificação.

Provérbios frequentemente aborda a moderação em prazeres e a importância da humildade. O conselho se aplica a qualquer área da vida onde o excesso ou a compulsão (alimentação, ambição...) prejudicam o bem-estar, ressaltam os estudos. A honra duradoura é alcançada através da integridade e da humildade, não da auto exaltação.

𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊 Os provérbios sobre o MEL contêm sabedoria prática sobre a moderação e os limites no prazer e na busca por glória pessoal.

1. Provérbios 24:13, usa o mel (que é "bom" e "doce") como uma metáfora para a sabedoria e o conhecimento, incentivando a sua busca e consumo. A sabedoria é nutritiva e satisfatória para a alma, assim como o mel é para o corpo.

2. Provérbios 25:16, adverte contra o excesso, mesmo de algo bom. O mel, se consumido em demasia, causa enjoo e vômito. A mensagem é sobre moderação: desfrute das coisas boas da vida (como a sabedoria ou os prazeres lícitos), mas com equilíbrio para evitar consequências negativas.

3. Provérbios 25:27, reforça essa ideia, aplicando o princípio ao comportamento humano: "Comer mel demais não é bom; assim, a busca da própria glória não é glória". Isso indica que a busca excessiva por auto exaltação ou glória pessoal é prejudicial e, em última instância, destrói a própria honra que se procura.

O equilíbrio e a moderação são virtudes essenciais, seja no consumo de alimentos ou na forma como vivemos e buscamos reconhecimento.

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          ²¹ Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer; e se tiver sede, dá-lhe água para beber; ²² Porque assim lhe amontoarás brasas sobre a cabeça; e o Senhor to retribuirá. Prov. 25:21,22.

Os provérbios instruem sobre bondade para com o inimigo que, ao invés de vingança, sugere oferecer comida e água (ajuda material) ao inimigo causa vergonha e remorso, trazendo-o ao arrependimento, e que Deus retribuirá essa atitude, como ecoado por Paulo em Romanos 12:20, que diz para "vencer o mal com o bem".


Contexto e Significado 𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊

A Ação: Dar pão e água ao inimigo (Prov. 25:21). O Efeito: "Amontoarás brasas vivas sobre a cabeça dele" (Prov. 25:22). Significado: a bondade "desarma", envergonha o coração do inimigo e o leva ao arrependimento, em vez de alimentá-lo com vingança. Recompensa: "O Senhor te recompensará" (Prov. 25:22).

O apóstolo Paulo cita Provérbios 25:21-22 em Romanos 12:20-21 para instruir os cristãos a não serem vencidos pelo mal, mas a vencerem o mal com o bem, refletindo o caráter de Cristo mesmo diante de adversidades.

Alimentar um inimigo faminto ou dar-lhe água, significa praticar a bondade em vez da vingança o que pode levar o adversário ao remorso e arrependimento, constrangimento por suas más ações, e Deus recompensará quem age com amor e obediência, não vingança. A "retribuição" do Senhor é a recompensa pela sua atitude de amor, não um castigo sobre o inimigo.

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          ²⁵ Como água fresca para a alma cansada, tais são as boas novas vindas da terra distante. Prov. 25:25

O provérbio é uma metáfora que compara a alegria e o alívio de receber boas notícias de um lugar distante à sensação revigorante de beber água fresca quando se está com sede, trazendo bem-estar e refrigério para uma alma fatigada.

A passagem ressalta o valor e o impacto positivo de notícias positivas e esperançosas, mesmo quando vêm de longe, proporcionando conforto e renovação.

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          ²⁶ Como fonte turvada, e manancial poluído, assim é o justo que cede diante do ímpio. Prov. 25:26

Destaca a responsabilidade moral de quem busca a integridade. Quando uma pessoa justa vacila ou se compromete diante da maldade, deixa de ser uma fonte de vida e clareza para se tornar algo que confunde e contamina aqueles que dependem de sua liderança ou exemplo.

"fonte turvada, e manancial poluído" descreve uma pessoa justa que se corrompe ou cede ao mal, tornando-se uma má influência, assim como uma nascente de água limpa que se torna barrenta e imprópria para consumo, transmitindo doença em vez de vida e frescor.

Uma nascente de água que era pura e foi contaminada, torna-se suja, lamacenta e perigosa, como o justo que cede ao ímpio. Uma pessoa de caráter reto que se deixa influenciar por pessoas más ou se envolve em suas práticas, perde sua integridade e a capacidade de conquistar ou convencer pelo exemplo.

Quando pessoas boas "se deixam vencer pelo mal" deixam de ser bom exemplo e passam a ser uma fonte de contaminação, moral e espiritual, para quem as rodeia.

A analogia compara uma pessoa justa que se submete ou se alia ao perverso a uma fonte de água cristalina que foi poluída, tornando-se suja e incapaz de saciar a sede ou trazer vida.

1. Perda de Integridade: Quando um justo "cede" à pressão do ímpio ou "cai diante do ímpio", ele perde sua capacidade de ser uma influência positiva, transformando-se em um risco ou exemplo negativo, tão prejudicial como uma água contaminada (turva) que pode adoecer.

O provérbio usa a metáfora do "manancial poluído" para ilustrar a corrupção moral ou espiritual. Outro versículo que aborda este conceito é Tiago 3:11-12 - "Porventura, deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce" (Tiago 3:11-12,).

A passagem questiona a hipocrisia e a dualidade de uma pessoa que, da mesma boca, profere bênçãos e maldições. O ponto é que uma fonte deve ser consistentemente boa ou má, e os cristãos devem buscar pureza consistente em seu falar e agir.

𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊 Outros versículos relacionados 

Jeremias 2:13: Embora não fale diretamente de um manancial poluído, usa a imagem de fontes e cisternas para criticar o povo que abandonou a Deus: "Porque o meu povo cometeu dois males: abandonaram-me, a mim, a fonte de água viva, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as água".

Esses versículos, em conjunto, destacam a importância da integridade, pureza e consistência moral e espiritual na vida, alertando contra a contaminação por influências externas ou a hipocrisia interna.

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         28 "Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio" (Prov. 25:28).

O provérbio compara o homem sem autocontrole a uma cidade sem muros: vulnerável, desprotegido e exposto a ataques (do pecado, tentações, impulsos).

A cidade com muros tem defesa e segurança, mostrando que o domínio próprio é essencial para a proteção da alma e da vida, prevenindo a ruína e decisões insensatas, pois a falta dele abre caminho para a ruína pessoal, como um exército inimigo entrando livremente.

A mensagem central é a importância do autocontrole, ou a capacidade de dominar os próprios impulsos e desejos. Assim como uma cidade sem muros é facilmente invadida e conquistada, o indivíduo sem domínio próprio é facilmente dominado por suas paixões, tentações e circunstâncias, tornando-se vulnerável ao sofrimento e à ruína.

Os "muros" representam a disciplina, a sabedoria e a força para resistir ao mal e às más influências, protegendo o interior e a vida da pessoa.

A falta de controle sobre si mesmo é uma fraqueza perigosa. O versículo de Provérbios nos adverte que precisamos de "muros" (autocontrole) para proteger nossa vida, saúde mental e bem-estar espiritual de invasões externas e internas, evitando decisões precipitadas e caminhos destrutivos.

Em tempos antigos, uma cidade sem muralhas era facilmente invadida, desprotegida, sem autonomia e aberta a qualquer domínio externo.

Homem sem domínio próprio: Assim como a cidade, essa pessoa é vulnerável, pois não tem controle sobre seu espírito, suas paixões e suas ações, agindo por impulso e sofrendo as consequências.

A falta de autocontrole deixa a pessoa exposta a decisões precipitadas e vulnerável a perigos. Sem o controle sobre si mesmo, a vida se torna um lugar inseguro, como uma cidade exposta.

Ter força Interior, significa treinar a mente para ser mais forte que sentimentos e emoções, mantendo a estabilidade e a integridade. O provérbio enfatiza a importância de cultivar o domínio próprio para viver de forma equilibrada, protegida e sábia. 𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊𖡼𖤣𖥧𖡼𓋼𖤣𖥧𓋼𓍊

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Aprender a Ver


🜲 Sobre o rei Salomão, em 1 Reis 4:32 é dito que: "Ele compôs três mil provérbios, e os seus cânticos chegaram a mil e cinco", descrevendo a sua sabedoria, profundidade intelectual e poética, como fruto da bênção de Deus, fama esta que se espalhou por todas as nações vizinhas (1 Reis 4:29-34). Também discorria sobre a natureza (plantas, animais, peixes); e era procurado por reis de todo o mundo para ouvir sua sabedoria.

Salomão é o autor de Provérbios, do capítulo 1 ao 29, de Eclesiastes e dos Salmos 72 e 127. Embora tenha composto muitos outros provérbios, apenas parte deles está registrada no livro de Provérbios. Curiosamente, Provérbios 24:23, diz: "Também estes são provérbios dos sábios".

Este estudo é baseado no capítulo 24 de Provérbios

          🜲 ⁵ O homem sábio é forte, e o homem de conhecimento consolida a força", (v.5) - ¹⁰ Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena", (v.10)

Neste capítulo Salomão cita a conduta de quatro tipos de homem: 1. o Homem Sábio (v.5.a); 2. o Homem de conhecimento (V.5.b); e 3. o homem maligno (20); 4. o homem falto de entendimento (v.30)

O homem sábio e homem de conhecimento um complementa o outro, através de conselhos e discernimento, superando a força física e conquistando à vitória.

1. o Homem Sábio: tem a força inerente da sabedoria: influência e poder. é aquele que busca a instrução de Deus, controla suas palavras e emoções, é prudente, ouve conselhos, tem discernimento e se associa com outros sábios, demonstrando humildade e poder através do bom senso e da capacidade de perdoar, sendo uma fonte de vida e ensino para os outros (Prov. 13:20; 16:20-21; 17:27-28; 19:11; 24:5-6).

2. o Homem de Conhecimento: aumenta a força (física, financeira, de caráter) do homem sábio com estratégia e prudência, tornando-a mais eficaz; é aquele que busca a sabedoria, adquire entendimento, tem prudência, fala com moderação, e cujo discernimento o guia para decisões justas e uma vida próspera e pacífica, sendo a sabedoria, vinda do Senhor, a sua maior riqueza, (Prov. 2:5-6; 3:13-18; 15:33; 24:5-6).

Em contexto (v. 6 e 7):"Com prudência se faz a guerra, e na multidão de conselheiros há vitória" (tradução NVI). Isso mostra que a sabedoria leva à boa estratégia (fazer a guerra com prudência) e à busca por orientação (muitos conselheiros), resultando em sucesso, algo que apenas a força bruta, não alcança.

Destaca que inteligência, bom senso e conhecimento são mais valiosos e poderosos do que a mera força física, pois permitem planejar, vencer e prosperar de forma consistente.

O provérbio "Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena" (Prov. 24:10) destaca a importância da resiliência e do preparo emocional e espiritual antes mesmo das crises chegarem.

O texto sugere que a adversidade não cria a fraqueza, mas apenas a revela; o "dia da angústia" funciona como um teste para a resistência que cultivamos no cotidiano.

O provérbio "Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena". de Provérbios 24:10, ecoa em Mateus 14:31, quando Jesus repreende Pedro por duvidar ao andar sobre as águas, dizendo: "Homem de pequena fé, por que duvidaste?".

Outro versículo chave é Mateus 17:20, onde Jesus explica que a fé do tamanho de um grão de mostarda pode mover montanhas: "E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pequena fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá - e há de passar; e nada vos será impossível".

Jesus usa a expressão "pequena fé" em momentos de dúvida e medo, como quando Pedro começou a afundar nas águas. Apesar de pequena, a fé é poderosa, como um grão de mostarda, capaz de realizar o impossível quando cultivada.

Provérbios 24:10 relaciona a "pequena força" na angústia com uma fé que não se apoia suficientemente em Deus, incentivando a confiar Nele nos momentos difíceis.

Esses versículos mostram que ter "pequena força", "pequena fé", não é um julgamento final, mas um chamado para fortalecer a confiança em Deus, especialmente diante dos desafios da vida, confiando que Ele é maior que qualquer problema.

O apóstolo Paulo, o Salmista, o profeta Isaías ensinam que as limitações humanas e sofrimentos são oportunidades para a manifestação do poder Deus e graça de Cristo.

𓂃✍︎2 Coríntios 12:9-10 - "Ele, porém, me disse: “A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte" (NVI).

𓂃✍︎ Efésios 6:10: "Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder."

𓂃✍︎ Filipenses 4:13: "Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece."

𓂃✍︎ Isaías 40:29: "Dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor."

𓂃✍︎ Salmos 18:32: "Pois tu és o Deus que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho."

        🜲 ¹¹ Se tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aos que estão sendo levados para a matança; - ¹² Se disseres: Eis que não o sabemos; porventura não o considerará aquele que pondera os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? Não dará ele ao homem conforme a sua obra? Prov. 24:11-12

Ação e responsabilidade, uma instrução ao cristão a intervir para salvar aqueles que estão sendo injustamente levados à morte ou ao perigo, alertando que Deus, que conhece os corações, não aceitará a desculpa da ignorância e retribuirá a cada um segundo suas obras, destacando a importância da justiça e da proteção dos vulneráveis.

Em diferentes traduções:

Almeida Revista e Atualizada (ARA): "Livra os que estão sendo levados para a morte e salva os que cambaleiam indo para serem mortos".

Nova Versão Internacional (NVI): "Liberte os que estão sendo levados para a morte; detenha os que caminham trêmulos para a matança!".

Nova Versão Transformadora (NVT): "Liberte os que foram injustamente condenados a morrer; salve-os enquanto vão tropeçando para a morte".

Temos a obrigação de ajudar quem está em perigo iminente de morte, especialmente em situações de injustiça. A desculpa de "não sabíamos" não será aceita por Deus, que sonda os corações e conhece a verdade, exigindo nossa participação ativa na justiça. Deus retribuirá a cada pessoa conforme suas obras, valorizando a atitude de quem se importa em salvar vidas.

Provérbios 24:12, em diferentes traduções, enfatiza que, mesmo que alguém alegue ignorância ("Não o sabemos") sobre uma situação de injustiça ou perigo (alguém sendo levado à morte), Deus, que pesa os corações e conhece as almas, está ciente de tudo, das intenções e da omissão, e retribuirá a cada pessoa de acordo com suas obras.

A mensagem sobre a responsabilidade moral e a soberania divina, mostra que desculpas de desconhecimento não invalidam o julgamento de Deus que vê além das aparências e conhece os motivos. O versículo, parte de uma sequência de provérbios (Prov. 24:10-12) exorta à ação em momentos de perigo e injustiça, e adverte contra a omissão.

"Aquele que pondera os corações" / "Aquele que atenta para a tua alma": Refere-se a Deus, que conhece profundamente as intenções, os pensamentos e os motivos internos das pessoas, não apenas suas ações externas.

"Não dará ele ao homem conforme a sua obra?": Indica que Deus julgará e retribuirá a cada um não pelo que diz, mas pelo que realmente faz ou deixa de fazer, com base na verdade de seus corações.

O versículo desmascara a tentativa de se eximir de responsabilidade dizendo "não sabíamos", mostrando que Deus conhece a verdade por trás dessa alegação. Deus vê a verdade e julga com base na conduta e nas intenções verdadeiras de cada um, e não em desculpas ou fingimentos.

          🜲 ¹³ Come mel, meu filho, porque é bom; o favo de mel é doce ao teu paladar. Prov. 24:13 - ¹⁴ Assim será para a tua alma o conhecimento da sabedoria; se a achares, haverá galardão para ti e não será cortada a tua esperança. Prov. 24:14

O versículo de Provérbios 24:13 é uma metáfora que ensina que a sabedoria é boa e prazerosa para a alma, assim como o mel é bom para o corpo, prometendo um futuro e esperança para quem a busca, conforme o versículos seguinte. (Pv 24:14).

Ele exalta o valor da sabedoria, comparando-a com algo nutritivo e delicioso que traz bênçãos e não desaponta, incentivando a busca por um conhecimento que traz alegria e um bom porvir.

O Mel como Símbolo: O mel é um alimento natural que revitaliza, tem um sabor agradável e é nutritivo, representando os benefícios da sabedoria.

A Sabedoria para a Alma: Assim como o mel satisfaz o paladar, o conhecimento da sabedoria satisfaz e nutre a alma, trazendo alegria e satisfação.

Recompensa e Futuro: A busca pela sabedoria não é em vão; ela oferece um "galardão" (recompensa), um futuro promissor e uma esperança que não será frustrada, como afirmam as versões NVI e NAA.

Saúde e Prazer: A sabedoria não é apenas benéfica espiritualmente, mas também para a vida prática, promovendo saúde e bem-estar em diversas áreas.

O provérbio, sugere saborear e buscar a sabedoria, pois ela é tão boa para a vida quanto o mel para o corpo, trazendo alegria, propósito e um futuro próspero.

A sabedoria não é apenas um acúmulo de dados, mas um investimento com retorno garantido para o futuro. Assim como o mel (mencionado no versículo anterior), ela traz prazer imediato à alma.

Existe Recompensa: O "galardão" indica que o discernimento gera resultados concretos em suas decisões. Segurança no Futuro: A esperança baseada na sabedoria divina não é frustrada, pois ela pavimenta um caminho sólido.

Provérbios 24:15-20 exorta o ímpio a não armar ciladas contra o justo, pois, embora o justo caia, ele se levantará, enquanto o ímpio tropeçará no mal, sendo que a alegria com a queda do inimigo desagrada a Deus, que pode desviar Sua ira para o justo; a sabedoria bíblica, portanto, aconselha não se indignar ou invejar o ímpio, pois a prosperidade dos maus é passageira, sua lâmpada se apagará, e o homem maligno não terá galardão.

          🜲 ²⁰ Porque o homem maligno não terá galardão, e a lâmpada dos ímpios se apagará. Prov. 24:20.

Significa que a maldade não traz recompensa duradoura ou um bom futuro, e a vida dos perversos, embora possa brilhar por um tempo, eventualmente chegará ao fim e será esquecida, contrastando com a sabedoria que promete esperança e um destino melhor, pois não há futuro para quem pratica o mal.

1. "Não terá galardão": O "galardão" (recompensa, futuro) prometido ao homem maligno não é positivo; na verdade, ele não terá um final feliz ou um legado duradouro, diferente do galardão que o justo (sábio) recebe.

2. "A lâmpada dos ímpios se apagará": A "lâmpada" simboliza a vida, o brilho, a influência ou a prosperidade do ímpio (tolo/insensato). Assim como uma lâmpada se apaga, a vida e o poder do perverso cessarão, sem deixar rastro duradouro,

3. o Homem Maligno: perverso, vil (ou "de Belial") planeja o mal (Prov. 16:27), violento, semeia discórdia, caluniador, espalha boatos (Prov. 16:28-29); trama iniquidades, semeia contendas, mentiroso, presta falso testemunho, malicioso continuamente (Prov. 6:12-18; Prov. 8:13); não terá galardão (Prov. 24:20).

O provérbio adverte para não invejar os malfeitores, pois, embora pareçam prosperar, seu fim é a destruição e o esquecimento. O livro de Provérbios frequentemente contrasta a vida do justo, que tem esperança e sabedoria, com a do ímpio, cujo caminho leva à ruína, reforçando a ideia de que a maldade não compensa a longo prazo.

Significado e Lições:

Resiliência do Justo: A queda do justo não é o fim; ele se levanta, mostrando força e fé.

Queda do Ímpio: O mal que o ímpio faz a si mesmo, o derrubando.

Amor ao Inimigo: A instrução de não se alegrar com a desgraça do inimigo, pois isso revela um coração impuro aos olhos de Deus.

Paciência com o Mal: A sabedoria aconselha não se irritar ou invejar os ímpios, pois a justiça de Deus prevalecerá no final.

          🜲 ²¹ Teme ao Senhor, filho meu, e ao rei, e não te ponhas com os que buscam mudanças; - ²² Porque de repente se levantará a sua destruição, e a ruína de ambos, quem o sabe? - Prov. 24:21-22

Salomão instrui o filho a temer a Deus e a respeitar a autoridade do rei, aconselhando a não se envolver com aqueles que buscam "mudanças" (revoltas/rebelião), pois a destruição deles virá de repente e inesperadamente, sendo um aviso contra a desobediência e a associação com pessoas iníquas, pois o fim dos maus é a perdição, conforme diversas traduções bíblicas.

1. "Teme ao Senhor, filho meu, e ao rei": Enfatiza a importância de temer a Deus (respeitar e obedecer) e também de respeitar o rei (autoridade terrena estabelecida), pois ambos representam a ordem e a justiça divinas.

2. "e não te ponhas com os que buscam mudanças": "Mudanças" aqui se refere a revoltas, rebeliões ou a instigação de desordem, sendo um conselho para não se juntar a grupos que tramam contra a ordem estabelecida.

3. "Porque, de repente, se levantará a sua perdição": Avisa que a ruína daqueles que promovem o caos e a rebelião será súbita e iminente, e ninguém saberá de onde veio.

Adverte sobre os perigos de se associar com pessoas más e de invejar os ímpios, destacando que a sabedoria está em seguir os caminhos de Deus e não os dos rebeldes, cujos fins são desastrosos.

Salomão adverte (v.22) contra a rebelião e a desobediência ao rei e a Deus, alertando que a destruição daqueles que se opõem repentinamente chegará, e ninguém saberá de onde veio ou quando exatamente, ressaltando a imprevisibilidade e a certeza da punição divina e das autoridades.

A mensagem central é: não se envolva com quem busca mudanças ou revoltas, pois a ruína deles virá de forma inesperada e avassaladora, uma calamidade que pode ser tanto de Deus quanto do rei. E quem pode prever tal desfecho?.

"Teme ao SENHOR, filho meu, e ao rei, e não te entremetas com os que buscam mudanças." (Prov. 24:21 - ARC/ARA): O versículo anterior estabelece o cenário, instruindo a ter temor a Deus e respeito pela autoridade do rei, e a não se associar com rebeldes ou agitadores.

"Porque, de repente, se levantará a sua destruição, e a ruína de ambos, quem o sabe?" (Prov. 24:22 - ARC/ARA): A consequência para quem se rebela é a destruição súbita e iminente, e a magnitude dessa ruína é incerta e imprevisível para os que não estão envolvidos.

Em outras palavras: a rebelião e a desobediência trazem consequências rápidas e severas. Ninguém pode prever a dimensão exata ou o momento preciso da punição, mas ela virá. É um ALERTA à estabilidade e à boa cidadania, não se envolvendo em movimentos que desafiam a ordem estabelecida por Deus e pelo governo legítimo.

Os provérbios seguintes (v. 23-34) ensinam sobre justiça, retidão e as consequências da preguiça, destacando que não se deve ser parcial no julgamento; que a verdade traz bênçãos; a repreensão correta é boa; a retidão nos lábios é abençoada; a sabedoria exige trabalho e planejamento (preparar a obra antes de edificar a casa) e que a falta de diligência leva à pobreza.

O texto contrasta a repreensão do ímpio (que traz maldição) com a repreensão do justo (que traz bênção) e a beleza das palavras retas, alertando contra falsas testemunhas e a vingança pessoal, e ilustrando a ruína do preguiçoso.

Resumo dos Principais Pontos:

1. Justiça e Imparcialidade (v. 23-26): Não ser parcial no julgamento. Dizer que o ímpio é justo atrai maldição; repreender o ímpio traz bênção. Palavras retas são bem-vindas e abençoadas.

2. Trabalho e Sabedoria (v. 27): Planeje e faça sua obra no campo (externa) antes de construir sua casa (interna/família).

3. Integridade e Honestidade (v. 28-29): Não testemunhe falsamente contra o próximo. Não se vingue; pague a cada um conforme sua obra.

4. Perigo da Preguiça (v. 30-34):O campo do preguiçoso está cheio de ervas daninhas e seu muro, derrubado. Pequeno sono e cochilo levam à pobreza, que vem rápido como um assaltante.

Uma advertência à ação justa, à integridade e ao trabalho diligente, contrastando com a parcialidade, a inatividade e a vingança, que trazem ruína.

          🜲 ²⁹ "Não digas: Como ele me fez a mim, assim o farei eu a ele; pagarei a cada um segundo a sua obra", Prov. 24:29

Essa é uma poderosa lição sobre integridade e autocontrole, pois nos desafia a quebrar o ciclo da vingança, deixando o julgamento final para Deus em vez de agir pelo impulso do "olho por olho".

A mensagem central é: a nossa conduta não deve ser ditada pelo erro alheio, mas pelos nossos próprios princípios éticos e espirituais.

Em vez de retribuir o mal com o mal, a sabedoria bíblica sugere que a justiça verdadeira não nasce da revanche pessoal, mas da confiança na justiça divina.

         🜲 ³⁰ Passei pelo campo do preguiçoso, e junto à vinha do homem falto de entendimento, ³¹ Eis que estava toda cheia de cardos, e a sua superfície coberta de urtiga, e o seu muro de pedras estava derrubado. Prov. 24:30,31.

1. Plantas espinhosas, ou cardos, e urtigas: são ervas daninhas, e competem com as videiras por água, nutrientes e luz solar, especialmente durante períodos críticos de crescimento.

Causam interferência na colheita e poda, pois suas folhas e caules espinhosos e urticantes tornam o manejo manual, como a poda e a colheita, mais difícil e desconfortável para os trabalhadores.

A disseminação é rápida, os cardos, em particular, espalham-se rapidamente através de sementes transportadas pelo vento, enquanto as urtigas se propagam via rizomas subterrâneos, exigindo controle proativo para prevenir infestações generalizadas, como a prevenção, monitorando a entrada de sementes ou agindo rapidamente ao sinal dos primeiros brotos.

2. Muro de pedras em Ruínas: A cerca de pedra que protegia o campo está derrubada, destruída, representando a falta de limites, proteção e estrutura na vinha do preguiçoso, deixando-a vulnerável a problemas e dificuldades.

A desordem, falta de cuidado e decadência que resultam da preguiça e falta de diligência, levam à pobreza, pois é um reflexo direto da inação e falta de cuidado do proprietário. A ruína do muro leva à invasão de espinhos e ervas daninhas, mostrando que a negligência destrói a propriedade e a prosperidade, além de prejudicar as terras vizinhas.

3. o homem falto de entendimento: tolo, insensato, não pondera as consequências de suas ações ou da ausência delas. Sem inteligência ou sabedoria. O provérbio adverte que a falta de esforço (dormir demais, descansar à toa) levará à pobreza e à escassez, como um assalto.

Provérbios 17:18, descreve o homem falto de entendimento, como aquele que age sem juízo, ao se comprometer como fiador (garantidor de dívida) para seu próximo, o que geralmente leva à ruína e problemas, mostrando falta de sabedoria e prudência financeira.

          🜲 ³² O que eu tenho visto, o guardarei no coração, e vendo-o recebi instrução. Prov. 24:32

1. "O que eu tenho visto, o guardarei no coração": Significa prestar atenção e internalizar as experiências, não apenas ver de forma superficial.

2. "e vendo-o recebi instrução": A partir dessa observação cuidadosa, o sábio tira uma lição prática e aprende a agir com sabedoria.

A "instrução" aprendida ao observar a cena de negligência, como um campo cheio de plantas espinhosas (cardos) e de urtigas, muro de pedras em ruínas, é que neste caso a pobreza, a necessidade, a privação são consequências da preguiça.

         🜲 ³³ Um pouco a dormir, um pouco a cochilar; outro pouco deitado de mãos cruzadas, para dormir, ³⁴ Assim te sobrevirá a tua pobreza como um vagabundo, e a tua necessidade virá como um ladrão armado. Prov. 24:33,34

A preguiça e a procrastinação, trazem consequências negativas, repentinas, como um ataque surpresa num assalto. A falta de diligência no trabalho e na gestão da vida conduzem à pobreza e à privação.

Em provérbios, "vagabundo" se refere à pessoa ociosa, sem rumo ou trabalho, preguiçoso, irresponsável, tolo, insensato, "homem falto de entendimento" que precisa de direção, estabilidade, sabedoria (Prov. 6:6-11, 10:4, 12:24, 24:34).

Salomão destaca que a sabedoria vem de APRENDER a observar os acontecimentos comuns e extraordinários a nossa volta, meditando e extraindo lições de vida. E, sugere que sejamos observadores atentos e aprendizes contínuos, usando as experiências, próprias ou alheias, como fonte de sabedoria. É necessário: Aprender a ver.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Valorize o que permanece


Introdução:

Viver uma vida plena, não é ter tudo o que se deseja, mas ter tudo o que se precisa em Deus, encontrando alegria plena na Sua presença: "Tu me farás conhecer o caminho da vida; na tua presença há plenitude de alegria, à tua direita, delícias perpetuamente." (Salmos 16:11).

A plenitude de Deus capacita o cristão a viver dignamente, superando desafios e vivendo de forma transformada pelo poder divino. A plenitude é alcançada, quando pedimos a Deus.

Em Efésios 3:14-19, o apóstolo Paulo ora pela igreja ¹⁴ "Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo", para pedir que os cristãos sejam fortalecidos pelo Espírito Santo, para que Cristo habite em seus corações pela fé, firmando-os no amor, a fim de que compreendam a largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Cristo e sejam cheios da plenitude de Deus, um amor que excede todo o entendimento.

Sobre "a plenitude do bom nome" Salomão ensina em Provérbios 22:1, que ter uma reputação integral, inatacável e de grande valor, perante a opinião pública, é gratificante e marca a pessoa ao longo da vida, pois é sinônimo de honra, integridade e respeito perante o outro:.

          ¹ Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro. Prov. 22:1.

Quanto ao critério de julgamento social, Salomão diz que o que faz com que o rico e o pobre sejam merecedores de consideração e estima é o bom nome, não é ter riqueza ou a ausência dela, sendo ambos são feitura das mãos de Deus que a todos dá igual oportunidade para construir e preservar no dia a dia, uma reputação de valor.

           "Não existe diferença entre o rico e o pobre porque foi o SENHOR Deus quem fez os dois." Prov. 22:2 - Linguagem de Hoje (NTLH).

Os capítulos 22 e 23 de Provérbios apresentam pontos de vista de Salomão que são retomados e apresentados em uma sequência de versículos que se conversam e se complementam, para logo em seguida ser feito um questionamento intencional ao Filho, como reflexão.

No capítulo 22, após instruir o Filho que Deus fez ricos e pobres (v.2), porém a riqueza material era perecível, mas o bom nome era uma riqueza eterna (v.1); que o galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, honra e vida (v.4,7,9,16); que quem ama a pureza de coração, e é amável de lábios, será amigo do rei (v.11);

E, para que a confiança do Filho estivesse no Senhor Deus, Salomão lhe disse que se ele guardasse em seu coração as palavras de sabedoria que ele as ensinava naquele, e as aplicasse, seria agradável tanto a ele quanto aos que dele as ouvissem (v.6,17-19). 

Salomão dialoga com seu aprendiz de modo avaliativo, e usa os advérbios "Porventura" e "assim", como conectivos para amarrar as ideias e dar um senso de finalidade, ao que foi ensinado. Então, para cada fechamento Salomão faz um questionamento ao Filho para ele refletir e consolidar o que aprendeu.

1º Questionamento:

       ²⁰ Porventura não te escrevi excelentes coisas, acerca de todo conselho e conhecimento, ²¹ Para fazer-te saber a certeza das palavras da verdade, e assim possas responder palavras de verdade aos que te consultarem? (Prov. 22:20,21).

Certamente a resposta mental do Filho foi afirmativa, porque ele estava sendo preparado pelo rei Salomão, para a sua entrada na vida adulta.

A transição para a vida adulta é um marco significativo a diversas culturas ao redor do mundo. A celebração e o reconhecimento desta "passagem", dessa nova fase podem ser marcados por tradições culturais, eventos formais ou até mesmo ações simbólicas.

Salomão em várias ocasiões, como em Provérbios 23:15-16, deixa indícios de que a celebração desta nova fase do Filho seria aquela que ressoa com os valores da pessoa, sua família e sua cultura, reconhecendo o crescimento pessoal e a nova autonomia adquirida; e, logo depois da opinião pública: a reputação do bom nome.

Naquela época talvez a transição de um filho para a vida adulta não fosse marcada por uma cerimônia única e específica. Em vez disso, envolvia uma combinação de instrução familiar contínua, aceitação gradual de responsabilidades a cada constatação de que estava aprovado e pronto a avançar.

O livro de Provérbios enfatiza a responsabilidade dos pais em instruir seus filhos no caminho da sabedoria e do temor a Deus na infância (Prov. 22:6), corrigindo a criança sempre que preciso (Prov. 22:15; 23:13-14).

A transição para a vida adulta era vista como um processo contínuo de educação moral (caráter, ética, valores), social (habilidades interpessoais) e espiritual (propósito, crença, fé), preparando o jovem para tomar decisões justas e sábias. Assim ao se dirigir ao Filho, Salomão enfatiza repetidamente a importância de ouvir a instrução do pai e da mãe (Prov. 1:8, 4:3-4; 22:28; 23:10,22)

As crianças, por vezes a partir dos 12 anos, começavam a participar mais plenamente das festividades religiosas anuais, o que pode ter servido como um rito de passagem prático, embora não uma cerimônia formal de passagem para a vida "adulta".

A idade de 20 anos era o marco bíblico para a elegibilidade para o serviço militar e para ser contado em censos nacionais (Números 1:1-3). Isso indicava a plena aceitação das responsabilidades cívicas e comunitárias como um adulto.

Ao que tudo indica a "celebração" no processo de autonomia e responsabilidade ocorria a cada constatação de que o Filho estava preparado para uma vida de retidão e sabedoria, então lhe era confiado novas responsabilidades familiares, sociais...

Em Provérbios capítulo 22, Salomão aconselha o Filho a prudência e humildade (temor do Senhor), exaltando a educação de crianças e encoraja a generosidade e a sabedoria, com confiança em Deus; adverte sobre os caminhos do perverso; e, aconselha evitar ser fiador de dívidas; não explorar o pobre, criticando a opressão e a preguiça; não remover os marcos antigos deixados por seus pais; não ser amigo de pessoas impulsivas e briguentas, para não se corromper, pois essas atitudes são armadilhas; e que ele deveria preservar a sabedoria familiar.

2º Questionamento:

          ²⁹ Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior. (Prov. 22:29).

"Viste" está no pretérito perfeito do indicativo, na 2ª pessoa do singular (tu), do verbo "ver" (tu viste). É um tempo verbal que indica uma ação concluída no passado: "Viste o homem diligente na sua obra?

Era uma pergunta retórica com intuito de enfatizar uma verdade: a diligência no trabalho conduz a plenitude (satisfação pessoal) e ao reconhecimento público. Perguntou como conferindo a execução de uma "tarefa de casa". Viste? E, o Filho tinha visto "o homem". Sabia a qual homem Salomão se referia.

O ensino de sabedoria por trás da retórica é que a pessoa diligente naquilo que se propõe a fazer não passará despercebida. Será notada, seja por familiares ou a sociedade, o seu empenho é reconhecido, às vezes até mesmo em ambientes importantes.

Salomão cita que "o homem" diligente foi convidado a estar perante o rei. E, aproveita o momento para ensinar o Filho sobre os bons modos à mesa, para quando ele fosse o convidado, destacando que a diligência, a dedicação, a excelência, o cuidado com os detalhes, em tudo que se faz, conduz à sabedoria. 

Ser colocado "perante reis" é uma metáfora para o reconhecimento (menção) de honra, para gratificação (recompensa) pela dedicação ao trabalho e o aprimoramento pessoal, por não fazer o trabalho de qualquer maneira, não ser medíocre. Deus recompensa o trabalho bem-feito e usa o diligente para os Seus propósitos, como fez através de José no Egito e de Daniel na Babilônia.

3º Questionamento:

          ⁴ "Não te fatigues para enriqueceres; e não apliques nisso a tua sabedoria. ⁵ Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada? Porque certamente criará asas e voará ao céu como a águia", Prov. 23:4-5.

"Porventura" é um advérbio usado em frases interrogativas como a que Salomão usou para testar o seu aprendiz. Fazendo uma investigação, através de uma afirmação ele usou os conectores 'Porventura' (dúvida) e 'Porque certamente' (razão inquestionável), expressões comuns na linguagem bíblica para dar ênfase ou garantir uma afirmação

Mais uma vez, trata-se de uma pergunta retórica, Salomão não esperava uma resposta, pois o objetivo do questionamento era guiar o Filho (o ouvinte/o leitor) a uma determinada conclusão, enfatizando o seu ponto de vista.

Contudo, partindo do princípio que a resposta gestual do Filho ao questionamento foi negativa e que ele 'não colocaria toda a sua atenção e esforço em algo perecível, como riquezas materiais'. Segue o conselho:

1º - ⁴ "Não te fatigues para enriqueceres";

O advérbio de negação "não", foi usada para dar a ideia de ordem, conselho ou pedido para que algo não seja feito, no caso "fatigar" conjugado na 2ª pessoa do singular. Sendo assim: Não cause fadiga, aborrecimento .

Filho não te cause fadiga "a troco" de acumular riquezas.

Não se esforce, exaustivamente, para enriquecer a ponto de provocar fadiga, ficar aborrecido, esgotado, doente e continuar obsessivo no intuito de acumular riquezas ao longo da vida.

2º - "e não apliques nisso a tua sabedoria".

O advérbio de negação "não", foi usada para dar a ideia de ordem, conselho ou pedido para que algo não seja feito, no caso "aplicar" conjugado na 2ª pessoa do singular. Sendo assim: não pôr em prática, não usar, não empregar, ou não colocar algo (sabedoria) sobre outra coisa (enriquecimento).

Filho não use seu esforço e inteligência na busca excessiva por riquezas materiais, que são efêmeras (passageiras, transitórias). Se não é para trabalhar e adquirir dinheiro e bens com discernimento, não aplique sua inteligência, sua instrução, seu entendimento nisso, referindo-se a ganância.

3º - "a tua sabedoria"

Salomão diz: "a tua sabedoria", afirmando ao Filho você é sábio, conhece a natureza transitória e inconstante das riquezas (dinheiro, bens materiais), que podem surgir e desaparecer rapidamente, assim que você coloca nelas seu esforço e atenção, criam asas e voam (pelos céus) ficando sempre fora de alcance, como uma insatisfação perpétua, querer, obter e focar em novo objetivo, na busca constante do que ainda não se possui.

O mesmo versículo em algumas traduções diz:

a) "As riquezas desaparecem assim que você as contempla; criam asas e voam como águias pelo céu." (NVI)

b) "Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus." (ARA)

c) "Pois o seu dinheiro pode sumir de repente, como se tivesse criado asas e voado para longe como uma águia." (NTLH)

A Bíblia se refere a sabedoria como sendo mais valiosa que bens materiais, pois proporciona vida longa, riqueza e honra (Prov. 3:13-26; Eclesiastes 7:12), enquanto a riqueza é referida como dom de Deus (Eclesiastes 5:19; Deuteronômio 8:18; 1 Crônicas 29:12).

Contudo, dinheiro e bens são temporários e podem desaparecer rapidamente, sendo sábio adquirir riqueza material com discernimento sem se deixar consumir pela ganância, um vício autodestrutivo que causa insatisfação e corrompe os bons costumes (valores morais).

O desejo e esforço excessivo por dinheiro e bens é uma tolice (insensatez) além da pessoa adoecer física, moral, mental e espiritualmente, na busca da riqueza como se fosse uma fonte de segurança eterna, pois leva a cobiça, egoísmo, disposição de prejudicar os outros e outras atitudes antiéticas.

Salomão direciona o Filho a colocar o seu tempo, atenção, dedicação, inteligência, discernimento... em valores mais duradouros, naquilo que é permanente (espiritual). Priorizando o que é eterno: sabedoria, verdade, justiça e relacionamento com Deus. 

Conselho também encontrado em Mateus 6:19-21 (NVI): "Não acumulem tesouros na terra, onde traça e ferrugem destroem, e onde ladrões roubam e furtam. Acumulem, antes, tesouros no céu, onde traça e ferrugem não destroem, e onde ladrões não roubam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.".

Provérbios 22:9, diz: ⁹ O que vê com bons olhos será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre. - significa que aquele que tem a sua atenção voltada a necessidade do próximo e ajuda, será abençoado por Deus, que recompensa a atitude de generosidade com bênçãos. A razão da bênção é a ação de compartilhar recursos (o "pão") com quem precisa. A capacidade de ter empatia e ser generoso é vista como um reflexo do caráter cristão e essa "boa visão" é recompensada por Deus.

Conforme Provérbios 22:12: ¹² Os olhos do Senhor conservam o conhecimento, mas as palavras do iníquo ele transtornará -significa que Deus preserva e protege o verdadeiro conhecimento e a verdade, invalidando, confundindo ou derrubando as mentiras e os planos dos ímpios e traidores.

A vigilância divina sobre a sabedoria e a justiça, mostra que, embora as falas enganosas, as mentiras e as conspirações dos maus possam enganar temporariamente, a verdade de Deus prevalecerá, e os enganos serão expostos e frustrados. É um versículo que traz encorajamento, pois confirma que a justiça divina atua para que a sabedoria prevaleça sobre a falsidade.

Provérbios 23:23, diz: ²³ "Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento", é para valorizar e adquirir bens espirituais duradouros — como a verdade, a sabedoria, a instrução, o entendimento — em vez de buscar riquezas materiais ou prazeres passageiros.

A sabedoria é de valor inestimável. Use todos os recursos (tempo, dinheiro, esforço, atenção) para buscar a sabedoria, porque uma vez adquirida, trará honra, respeito e proteção, sendo um adorno valioso para a vida.

          ⁵ "Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca; ⁶ Não a abandones e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá; ⁷ A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento; ⁹ Dará à tua cabeça um diadema de graça e uma coroa de glória te entregará", (Prov. 4:5,6,7,9).

O provérbio sugere que seja adquirido a verdade, bem como princípios interligados: sabedoria (aplicação prática e discernimento para viver bem), instrução (ensino, conhecimento adquirido) e entendimento (compreensão do porquê e como) para viver uma vida plena.

Plenitude significa ser completamente preenchido por Deus, um estado de abundância, integridade e realização que vai além de bens materiais, sendo uma experiência de alegria, contentamento e poder divino em todas as áreas da vida, através da presença do Espírito Santo e do conhecimento do amor de Cristo, resultando em uma vida transformada e alinhada com a vontade de Deus, com satisfação e propósito.

Ao dizer "não aplique A TUA SABEDORIA nisso", em outras palavras Salomão disse ao Filho que ele estava preparado para a vida adulta. Apresentava paciência e capacidade para perceber detalhes que outros podiam perder. Antecipava desafios ou oportunidades. Sabia ouvir e obedecer. Nada fazia precipitadamente, antes, observava, planejava e agia demonstrando confiança, autonomia e sabedoria.

"Assim, fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.". - 2 Coríntios 4:18

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

De Pai para Filho



Do capítulo 22 de Provérbios o estudo será feito com base em apenas dois versículos: Provérbios 22:6 e Provérbios 22:16.

1ª Parte do Estudo - Provérbios 22:6

          ⁶ Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. Prov. 22:6.

Estudando o livro de Provérbios, observa-se que Salomão usa o termo "filho" (aplicado a todos independente da idade), para um aprendiz disposto a seguir os princípios de sabedoria, a quem ele instrui como um pai fala com o "filho" para que ele seja sábio e não se deixe seduzir pelos pecadores, para praticar o mal.

Neste versículo (22:6), Salomão, usa "criança", para referir-se especificamente à infância, indicando que é nesta fase que se inicia a educação do filho "no caminho em que deve andar", moldando hábitos e valores fundamentais, preparando a criança para a vida.

Observe que não é simplesmente falar, apontar, indicar "o caminho" em que deve andar, dando a direção o trajeto, o conceito a criança. É para educar "no caminho" em que deve andar, durante o trajeto. Educar, instruir, informar a criança ESTANDO NO CAMINHO. Saber qual é o caminho é diferente de estar no caminho, de segui-lo, de percorrê-lo.

"Estar no caminho" é uma expressão idiomática (grupo de palavras com sentido próprio) que significa que a pessoa está progredindo ou avançando em direção a um objetivo específico ou um destino planejado.

De modo que Salomão refere-se a aprendizagem ativa da criança, estando: "no caminho", indicando que o ensino deve ser intencional, com planejamento, adaptação e propósito, para que a criança, desde o presente cresça sob "alicerce sólido", sendo os princípios de sabedoria a assegurar a vida plena do filho, até o futuro quando envelhecer.

Quando o filho está na fase da confrontação do que aprendeu no ambiente familiar na infância com as experiências "fora de casa" é quando Salomão estabelece um contraponto entre as atitudes do tolo (insensato) e do sábio, para que o "filho", que não é mais criança, talvez um adolescente ou um jovem adolescente, mais ainda um o "aprendiz de vida", FAÇA os ajustes, caso estes sejam necessários (Prov. 1:8).

O "aprendiz de vida", é o filho que tem uma atitude de humildade e abertura para o aprendizado contínuo, reconhecendo que a vida é uma jornada de desenvolvimento pessoal, onde se aprende com experiências, erros, sucessos e interações, buscando sempre aprimorar-se e adaptar-se, na vida, com curiosidade, disciplina, autoconhecimento, valorizando os momentos positivos tanto quanto os desafios.

O objetivo de propiciar estes "testes que a vida aplica" ao filho aprendiz, ainda sob tutela dos pais, é APROVAR, desenvolver a autonomia e a resiliência, as novas habilidades... com intuito de consolidar a educação recebida na infância.

A 1ª parte do provérbio diz: "Educa a criança no caminho em que deve andar", (22:6.a).
É DESAFIADOR, pois há pais que agem como se a criança nascesse sabendo tudo. E, ela não sabe. Alguém tem que ensinar.

A criança deve ser educada de acordo as suas próprias tendências e aptidões naturais, sendo conduzida (guiada) para o bem, "no caminho certo", pois a instrução ainda na infância, molda o caráter e ecoa por toda a vida, influenciando no adulto que ela se tornará.

Os filhos são herança do Senhor Deus aos pais (Sl. 127 e 128). Deus incumbiu aos pais a missão de educar a criança com sabedoria para que esta cresça educada, instruída, responsável, confiável, capaz de se comunicar em suas interações sociais... e, seja motivo de orgulho a família, amigos e a sociedade.
É errado dizer: "quando crescer aprende."

A frase usada para justificar a ausência de ensino ou a falta de correção das crianças, sugere que a capacidade de aprender virá com a idade, o que é um equívoco, pois Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu", famosa citação bíblica de Eclesiastes 3:1.

Significa que Deus tem um plano e um tempo perfeito para cada acontecimento, mesmo aqueles que não o compreendamos totalmente. Tudo na vida tem o momento certo e o propósito divino, com ciclos de alegria e tristeza, nascimento e morte, plantar e colher.

A sabedoria está em confiar em Deus e viver cada fase com propósito. As crianças têm grande capacidade de aprender, a partir do exemplo e da prática, para isso, precisam do estímulo adequado para cada fase.

Embora o termo "criança" possa ser aplicado a pessoa que não atingiu a idade adulta, seja natural (puberdade), cultural (iniciação) ou legal (maioridade), no Brasil "Considera-se criança a pessoa até completar os doze anos de idade; e, adolescente dos doze até os dezoito anos de idade", Art. 2º da Lei nº 8.069/1990 - (ECA).
Na adolescência é comum a busca por independência e interações sociais e quase sempre, nesta fase, os adolescentes não estão dispostos a "instruções de sabedoria" dos pais ou de qualquer outro adulto. E, a educação que deveria ter acontecido na infância continuará estagnada sob a mesma desculpa: "quando crescer aprende"

Quando a criança recebe a educação "no caminho certo", sendo informada e instruída, o aprendizado voluntário é continuo ao longo de toda a vida, pois se criou o hábito, foi estabelecido uma rotina, desenvolveu-se o prazer pela aprendizagem e pela sabedoria.

A 2ª parte do provérbio afirma: "e até quando envelhecer não se desviará dele", (22:6.b), pois a instrução na infância e consolidada na adolescência, acompanha na juventude e perdura na velhice.

A importância de instruir a criança no caminho certo, está em que mesmo na velhice (Sl. 71:17,18), a pessoa manterá esses princípios, pois a base sólida de valores e ensinamentos recebidos na infância (Sl. 71:5-6) cria um padrão que influenciará suas escolhas, mesmo na idade adulta. 

O provérbio descreve uma tendência geral e sábia, não uma garantia mecânica de que a pessoa nunca tomará outro caminho, mas a certeza que ela conhece o caminho certo.

O amor dos pais e de Deus pelos filhos é contínuo; e, sempre estendem a oportunidade de retorno aos filhos "desviados" do caminho, como na Parábola do Filho Pródigo, que quando o filho retornou o pai o acolheu com grande alegria e celebração, não pelos erros dele, mas porque o seu filho estava de volta.

Em Deuteronômio 6:6-7, a Bíblia registra um mandamento para a educação familiar e a vivência da fé: "E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te", Deut. 6:6-7.

O mandamento bíblico instrui os pais a internalizarem as palavras de Deus (Bíblia) e as tornarem parte da vida diária: "estarão em teu coração". "E as ensinarás a teus filhos", de forma contínua e abrangente, "assentado em tua casa", "e andando pelo caminho", deitando e levantando.

Os pais devem ensinar os filhos em todas as situações e momentos da vida, pela prática e pelo exemplo, para que a fé "estas palavras, que hoje te ordeno", seja transmitida de geração em geração como parte integral da identidade familiar. A passagem enfatiza que não é uma instrução esporádica, mas constante e na prática.

Entre as palavras que se passa "de pai para filho", através do amor incondicional como modelo de vida de sabedoria "no caminho certo", preparando-o para a vida... estão valores como a fé, responsabilidade, integridade, coragem, respeito, autonomia, habilidades práticas de vida, finanças, cuidados com a saúde, apoio emocional - uma base sólida para o desenvolvimento do caráter e do bem-estar - focando em ser o guia para escolhas e desafios, no trajeto que fazem juntos.

 Parte do EstudoProvérbios 22:16
          
          ¹⁶ O que oprime ao pobre para se engrandecer a si mesmo, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá. Prov. 22:16

O provérbio é um alerta contra a ganância e a injustiça. Tanto quem explora o pobre para enriquecer quanto quem "dá ao rico", buscando favores ou status, em vez de ajudar quem precisa, "estando em sua mão o poder de fazê-lo" (Prov. 3:27-28) sua ajuda resultará em perdas financeiras.

E, para reflexão, sobre reter o auxílio ou deixar de fazer o bem, não ajudar, imediatamente, quando temos os recursos e a capacidade de ajudar, segue a narrativa: "A mulher que comprou ovos".


˚ ʚɞ ˚。 Ela perguntou: - Por quanto o senhor está vendendo o ovo?

O velho vendedor respondeu: - R$ 0.60 centavos cada ovo, senhora. Vendo a R$ 7,20 a dúzia.

Ela disse: - Vou levar 6 ovos por R$ 3.00 - ou vou embora.

O vendedor respondeu: - Pode ser, você pode levar os ovos pelo preço que quer. Este é um bom começo porque não consegui vender nem um único ovo hoje.

Ela pegou os ovos e se afastou sentindo que ganhou. Entrou em seu carro elegante e foi a um restaurante caro com sua amiga.

No restaurante, almoçaram. Comeram um pouco e deixaram muito do que pediram. Quando foram pagar a conta. Ela se ofereceu para pagar também a conta da amiga.

Ela perguntou: - Quanto ficou a conta?

O atendente respondeu: - R$ 343,00.

Ela respondeu: - Tome R$ 400,00 e pode ficar com o troco.˚ ʚɞ ˚

A pessoa pode dar ou não a gorjeta e entregar o valor que desejar, porém é sugerido que a gorjeta seja 10% do valor de consumo. Então, de R$ 343,00 é R$ 34,30. Para um serviço excepcional 15% = R$ 51,45. Para um serviço excelente 20% = R$ 68,60.

Este incidente com a mulher pode ter parecido bastante normal ao funcionário do restaurante acostumado a receber gorjeta como taxa de serviço. Mas foi difícil e desconfortável ao vendedor de ovos, aceitar o desconto de R$ 060, centavos de sua margem de lucro.

Por que a pessoa mostrou ter o poder de decisão quando comprou do vendedor de rua? Por que não foi igualmente generosa com o vendedor de ovos como quando pagou no restaurante sem regatear o valor da conta e ainda deixou R$ 57,00 de gorjeta?

A história da mulher que "comprou ovos" serve como uma reflexão ou uma crítica irônica sobre como as pessoas escolhem onde ser "econômicas" e onde ser "generosas" com seu dinheiro, muitas vezes desvalorizando o trabalho das pessoas mais simples.

˚ ʚɞ ˚˚ ʚɞ ˚ Certo menino falando sobre seu pai, CONTOU:

"Meu pai costumava comprar produtos simples de pessoas pobres a preços elevados, mesmo que ele não precisasse deles. Às vezes, ele pagava a mais por eles. Então, certa vez, perguntei a ele:

- Pai porque o senhor pagou a mais por algo que temos em casa? E, meu pai respondeu:

- É uma caridade embrulhada com dignidade, meu filho". ˚ ʚɞ ˚


Significa que o pai estava, de fato, ajudando financeiramente a pessoa necessitada, mas fazia isso de forma que permitisse ao vendedor manter o seu orgulho e autoestima (dignidade).

Ao comprar o produto a um preço justo ou ligeiramente superior, em vez de simplesmente lhes dar dinheiro, ele transformava o pagamento a mais numa transação comercial.

O pai encontrou uma maneira sábia de praticar a bondade, sendo exemplo ao filho, de que a doação beneficia tanto quem recebe quanto quem faz a doação, para tanto ao ajudar o próximo não se deve considerar apenas a sua necessidade financeira, mas também a sua autoestima.

Desta forma, o vendedor sentia que estava ganhando o dinheiro em razão do seu trabalho e do seu produto. E, caso percebesse a caridade do homem ao pagar a mais pelo seu produto se sentiria agradecido pela generosidade e o respeito que recebeu junto com a doação.

Os provérbios de Salomão parecem se repetir de forma aleatória. De igual modo, os temas não seguem uma "organização sequencial". Assim ocorre de estar lendo um versículo e ter a nítida impressão que já leu aquele versículo ou aquele assunto antes.

E, isso ocorre, porque o objetivo é permitir que cada provérbio seja uma unidade completa de ensino, aplicável a diversas situações da vida diária, sem depender do contexto anterior ou posterior.

Sendo assim, e por minha conta, trouxe para este estudo de 02 versículos do capítulo 22 de Provérbios, outros 04 versículos do capítulo 23 de Provérbios 23 que "conversam entre si" e se complementam na temática da missão dos Pais para com os Filhos e que expandem o tema, mostrando a continuidade da mensagem ao concluir com a missão dos Filhos para com os Pais.

          ¹⁵ "Meu filho, se você se tornar sábio, eu ficarei muito feliz.¹⁶ Eu me sentirei orgulhoso quando ouvir você falar com sabedoria", - (Prov. 23:15,16 - -Nova Tradução na Linguagem de Hoje - NTLH).

Salomão expressa ao Filho, aprendiz, sua expectativa em testemunhar que ele está agindo e falando com sabedoria, que neste dia sentirá muito orgulho e felicidade. Destaca que o Pai tem prazer do Pai em constatar que o Filho aprendeu o que foi ensinado, que o Filho adquiriu sabedoria.

        ¹⁹ Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração. Prov. 23:19.

O conselho de Salomão ao Filho combina severidade e afeto, exortando-o a prestar atenção e a usar de sabedoria para manter suas intenções e desejos (seu coração) "no caminho".

         ²² Ouve teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando vier a envelhecer. Prov. 23:22.

Salomão exorta o filho, que não é mais criança, a manter o respeito aquele que lhe deu a vida: seu pai; e a não agir com indiferença (desprezo) com a sua mãe, especialmente, quando ela envelhecer.

Considerando que o Filho foi educado no caminho certo e que na busca por autonomia se tornou descuidado no tratamento com os seus pais, Salomão exorta o Filho a agir com sabedoria, respeitando, cuidando e honrando o seu pai e a sua mãe; mantendo o ambiente familiar saudável, por toda a sua vida.