A Bíblia não menciona "férias" com o formato atual de 30 dias, mas apoia o descanso regular. Ela ordena o descanso semanal (Êx. 20:8-10) e instrui a pausa de plantações a cada sete anos (Êx. 23:10-11).
- Êxodo 20:8-10 - ⁸ Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. ⁹ Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. ¹⁰ Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.
- Êxodo 23:10-11 - ¹⁰ Também seis anos semearás tua terra, e recolherás os seus frutos; ¹¹ Mas ao sétimo a dispensarás e deixarás descansar, para que possam comer os pobres do teu povo, e da sobra comam os animais do campo. Assim farás com a tua vinha e com o teu olival.
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar
O quarto mandamento, "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar" (Êx. 20:8-11), é um convite de Deus para o descanso, a adoração e a renovação espiritual. Instituído na criação, ele lembra a quem pertencemos e liberta do ativismo diário.
O sábado, considerado sagrado por ter sido separado por Deus, atende a propósitos fundamentais:
O Memorial da Criação
Lembra que Deus descansou no sétimo dia após a obra criadora.
Em Gênesis 2:2-3, diz: - "E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a obra que tinha feito. E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, tinha feito." (Almeida Revista e Atualizada).
A Bíblia relata que, após concluir a criação do mundo, Deus descansou no sétimo dia de todo o seu trabalho, abençoando e santificando este dia. Estes versículos marcam o encerramento da obra criadora e a instituição do repouso sagrado.
Abaixo estão mais detalhes sobre o significado e o texto:
- O Fim da Criação: Deus avaliou sua criação como completa e perfeita, cessando a obra material.
- O Descanso Divino: O termo para descanso aqui implica em "cessar" ou "repousar", mostrando que a obra foi concluída com sucesso e estabelecendo um padrão para o ritmo de vida.
- O Dia Santificado: Ao abençoar e santificar o sétimo dia (o sábado), Deus o separou para um propósito sagrado.
Celebra a libertação da escravidão, instruindo o abandono das cargas e rotinas estressantes para desfrutar da paz de Deus.
- Ezequiel 20:12 diz: “Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica”.
O versículo destaca que Deus deu o sábado ao povo de Israel como um sinal físico e espiritual da aliança entre eles. A guarda desse dia era um lembrete constante de que Ele é o Deus que os escolheu, os separou (santificou) e os purificou para serem um povo exclusivamente dEle.
O Descanso em Cristo
Cristo é o Senhor do sábado, e nele encontra-se o verdadeiro descanso espiritual para a alma.
Em Mateus 12:8, Jesus declara: “Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado”.
Ele diz isso após os fariseus criticarem seus discípulos por colherem espigas para comer no sábado. Jesus ensina que a misericórdia está acima do rigor da lei e que, como Filho do Homem, Ele tem autoridade sobre o dia de repouso.
Jesus Priorizou Momentos de Pausa
Jesus retirava-se com os discípulos após períodos exaustivos de trabalho.
Em Marcos 6:31, "³¹ E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer. Marcos 6:31.
Jesus convida seus discípulos a se retirarem para um lugar deserto e descansarem após um período intenso de ensinamentos e curas. O texto destaca o cuidado de Jesus com o bem-estar físico e emocional, já que a multidão era tão grande que não tinham tempo nem para comer.
Restauração Física e Espiritual
O repouso é visto como uma forma de restauração física e espiritual, reconhecendo que a força para trabalhar vem de Deus, e não do esforço incessante.
Para se aprofundar em como as Escrituras abordam o refrigério e a renovação de energias, confira o artigo O que a Bíblia fala sobre férias? do portal Voltemos Ao Evangelho.
A mim fisgou a atenção quando o autor, teólogo e pastor Batista John Piper, disse: "Eu não gosto de dormir. Eu acho o sono chato", me identifiquei.
1. Fomos feitos para descansar em Deus.
Primeiro, Deus nos criou com necessidade de dormir diariamente. Eu sempre achei isso bastante frustrante. Eu não gosto de dormir. Eu acho o sono chato. Então, por que Deus me fez como um bebê indefeso que deve estar inconsciente durante um terço da minha vida? Quero dizer, apenas pense nisso.
Qual é a mensagem nisso? Tem de haver uma mensagem nisso. E o Salmo 127.2 diz: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.” – algumas traduções dizem “em seu sono”.
Acho que a essência no contexto é praticamente a mesma. De acordo com este texto, o sono é um presente de Deus e esse presente é muitas vezes desprezado pelo trabalho ansioso.
O sono pacífico é o oposto da ansiedade. Deus não quer que seus filhos fiquem ansiosos, mas que confiem nele. Então, eu concluo que Deus fez o sono como um lembrete contínuo de que não devemos estar ansiosos, mas devemos descansar nele como um bebezinho.
A menos que você se torne como uma criança, você não pode nem entrar no reino. Ele criou o sono para garantir que teríamos um lembrete diário de que não somos Deus.
Nosso trabalho não é decisivo para governar o mundo – a obra de Deus é decisiva. “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.” (Salmo 121.4). Então, dormimos. Deus nunca dorme.
Então, o sono é fundamental. É um indicador. E eu acho que o grande quadro que tiramos é, não fique tão preocupado sobre o seu trabalho ao ponto de pensar que pode governar o mundo ou fazer tudo acontecer.
Você é como um bebê indefeso durante um terço de toda sua vida e Deus quis lhe dizer algo criando você dessa maneira.
2. Deus nos deu o sábado.
Segundo, Deus estabeleceu o princípio do sábado. Independentemente de como você relaciona a lei do Antigo Testamento com o presente, o sábado continua sendo uma dádiva com sabedoria.
Lembro-me de ler o livro da esposa de C.S. Lewis sobre os dez mandamentos e vê-la apontar a maravilha, a glória e a incrível dádiva de dizer a um povo antigo, agrícola, cujas vidas dependiam do trabalho na terra:
“Vocês não só não precisam ir trabalhar hoje, como também podem não ir trabalhar hoje” – ou seja, férias semanais obrigatórias! E era impressionante.
Quero dizer, eu nunca tinha visto isso sob essa ótica. E é exatamente dessa forma que as pessoas teriam percebido, pelo menos no início. “Você não pode trabalhar sete dias por semana. Eu não vou deixar. Você precisa descansar.”
E então ele consagrou o sábado para si mesmo como um sinal de seu próprio poder criativo e santidade. Mas a questão por trás da natureza deste presente do descanso para nós – um povo desgastado, finito, cansado e agrícola – permanece.
Por isso, eu digo que o ritmo de seis dias de trabalho e um de descanso, seis dias de trabalho e um de descanso, seis dias de trabalho e um de descanso, provavelmente evitaria muitos ataques cardíacos e daria longevidade a muitas vidas prematuramente ceifadas por conta de não descansarem uma primavera se quer. Estão sempre trabalhando.
Estão trabalhando em casa, no trabalho e até em suas brincadeiras, não conseguem parar de trabalhar. Não acho que seja esta questão da longevidade e qualidade de vida que o princípio sabático significa primordialmente.
Mas, esse descanso necessário em nossas vidas, especialmente para alguns de nós que trabalhamos muito, precisa existir não apenas duas semanas por ano, mas sim um dia por semana.
3. O descanso nos fortalece para boas obras.
Aqui está a terceira ideia fundamental para apontar para descanso e férias. O trabalho é bom e não é uma maldição, mas sim algo redimido.
“É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.” (ver João 9.4).
Jesus nos chamou para o trabalho e nós devemos trabalhar. E Paulo disse: “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma.” (2 Tessalonicenses 3.10).
E eu amo 1 Coríntios 15.58: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” Isso significa fazer muito trabalho abundante na obra do Senhor.
E Paulo disse: “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (2 Tessalonicenses 3.13).
Portanto, aqui está a tensão. Como ele pode dizer “não vos canseis?”. Ele diz: “Não se canse de fazer o bem.”
Mas ficamos fisicamente esgotados, ficamos mentalmente esgotados, o que levanta a questão das férias. Então, vamos ao último ponto que é sobre isso.
4. Jesus descansou.
Aqui está a quarta coisa fundamental. O filho de Deus reservou momentos especiais para descansar do trabalho: “Ele lhes disse: ‘Vão para um lugar deserto e descansem um pouco'” (Marcos 6.31).
É interessante que ele tenha dito isso logo depois que esses irmãos enterraram a cabeça cortada de João Batista. Eles arriscaram suas vidas para ir buscar aquela cabeça, ou pelo menos o corpo.
E Jesus diz: “Vocês arriscaram suas vidas. Este foi um momento de grande estresse para vocês. Portanto, venham e descansem um pouco”.
Descanso para o Reino de Deus
Meu resumo seria que parece que a questão das férias se torna uma questão de sabedoria. Devemos tentar conhecer a nós mesmos e também nossas famílias.
Parece-me que nesta era pós-queda em que vivemos, em que o foco está na redenção, o descanso final que nos é prometido só é saboreado gradualmente e como um meio de trabalho mais produtivo.
Brincadeiras e recreação nesta época não são a principal maneira de glorificar a Deus. É secundário, eu acho, bem como é um meio de nos refrescar e nos inspirar para o trabalho produtivo.
Trabalhamos para promover o reino salvador de Deus em um mundo caído, e isso é verdade tanto se estivermos em um trabalho secular ou no chamado trabalho cristão.
Férias, sábados, dias de folga e noites de sono são recriações de trabalho criativo, feliz e frutífero para o avanço do reino de Cristo no mundo, esteja você em um trabalho secular ou não.
E, claro, não há uma linha clara – sinto isso especialmente – para muitos de nós entre vocação e recreação.
Muitos de nós amamos tanto o que fazemos e encontramos tanto prazer em nossos trabalhos e somos tão energizados por ele que o conceito de tirar tempo para recreação em prol da criação não é tão claro.
Para essas pessoas como eu, precisamos nos certificar de que conhecemos não apenas a nós mesmos, mas também as pessoas ao nosso redor.
Nossas esposas podem não se sentir da mesma forma que nós, e nossos filhos podem precisar de nós quando estivermos super energizados pela leitura ou pelo estudo. E não é disso que eles precisam nesse momento. As férias devem contribuir tanto para eles quanto para nós.
FONTE
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