segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

De Pai para Filho



Do capítulo 22 de Provérbios o estudo será feito com base em apenas dois versículos: Provérbios 22:6 e Provérbios 22:16.

1ª Parte do Estudo - Provérbios 22:6

          ⁶ Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. Prov. 22:6.

Estudando o livro de Provérbios, observa-se que Salomão usa o termo "filho" (aplicado a todos independente da idade), para um aprendiz disposto a seguir os princípios de sabedoria, a quem ele instrui como um pai fala com o "filho" para que ele seja sábio e não se deixe seduzir pelos pecadores, para praticar o mal.

Neste versículo (22:6), Salomão, usa "criança", para referir-se especificamente à infância, indicando que é nesta fase que se inicia a educação do filho "no caminho em que deve andar", moldando hábitos e valores fundamentais, preparando a criança para a vida.

Observe que não é simplesmente falar, apontar, indicar "o caminho" em que deve andar, dando a direção o trajeto, o conceito a criança. É para educar "no caminho" em que deve andar, durante o trajeto. Educar, instruir, informar a criança ESTANDO NO CAMINHO. Saber qual é o caminho é diferente de estar no caminho, de segui-lo, de percorrê-lo.

"Estar no caminho" é uma expressão idiomática (grupo de palavras com sentido próprio) que significa que a pessoa está progredindo ou avançando em direção a um objetivo específico ou um destino planejado.

De modo que Salomão refere-se a aprendizagem ativa da criança, estando: "no caminho", indicando que o ensino deve ser intencional, com planejamento, adaptação e propósito, para que a criança, desde o presente cresça sob "alicerce sólido", sendo os princípios de sabedoria a assegurar a vida plena do filho, até o futuro quando envelhecer.

Quando o filho está na fase da confrontação do que aprendeu no ambiente familiar na infância com as experiências "fora de casa" é quando Salomão estabelece um contraponto entre as atitudes do tolo (insensato) e do sábio, para que o "filho", que não é mais criança, talvez um adolescente ou um jovem adolescente, mais ainda um o "aprendiz de vida", FAÇA os ajustes, caso estes sejam necessários (Prov. 1:8).

O "aprendiz de vida", é o filho que tem uma atitude de humildade e abertura para o aprendizado contínuo, reconhecendo que a vida é uma jornada de desenvolvimento pessoal, onde se aprende com experiências, erros, sucessos e interações, buscando sempre aprimorar-se e adaptar-se, na vida, com curiosidade, disciplina, autoconhecimento, valorizando os momentos positivos tanto quanto os desafios.

O objetivo de propiciar estes "testes que a vida aplica" ao filho aprendiz, ainda sob tutela dos pais, é APROVAR, desenvolver a autonomia e a resiliência, as novas habilidades... com intuito de consolidar a educação recebida na infância.

A 1ª parte do provérbio diz: "Educa a criança no caminho em que deve andar", (22:6.a).
É DESAFIADOR, pois há pais que agem como se a criança nascesse sabendo tudo. E, ela não sabe. Alguém tem que ensinar.

A criança deve ser educada de acordo as suas próprias tendências e aptidões naturais, sendo conduzida (guiada) para o bem, "no caminho certo", pois a instrução ainda na infância, molda o caráter e ecoa por toda a vida, influenciando no adulto que ela se tornará.

Os filhos são herança do Senhor Deus aos pais (Sl. 127 e 128). Deus incumbiu aos pais a missão de educar a criança com sabedoria para que esta cresça educada, instruída, responsável, confiável, capaz de se comunicar em suas interações sociais... e, seja motivo de orgulho a família, amigos e a sociedade.
É errado dizer: "quando crescer aprende."

A frase usada para justificar a ausência de ensino ou a falta de correção das crianças, sugere que a capacidade de aprender virá com a idade, o que é um equívoco, pois Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu", famosa citação bíblica de Eclesiastes 3:1.

Significa que Deus tem um plano e um tempo perfeito para cada acontecimento, mesmo aqueles que não o compreendamos totalmente. Tudo na vida tem o momento certo e o propósito divino, com ciclos de alegria e tristeza, nascimento e morte, plantar e colher.

A sabedoria está em confiar em Deus e viver cada fase com propósito. As crianças têm grande capacidade de aprender, a partir do exemplo e da prática, para isso, precisam do estímulo adequado para cada fase.

Embora o termo "criança" possa ser aplicado a pessoa que não atingiu a idade adulta, seja natural (puberdade), cultural (iniciação) ou legal (maioridade), no Brasil "Considera-se criança a pessoa até completar os doze anos de idade; e, adolescente dos doze até os dezoito anos de idade", Art. 2º da Lei nº 8.069/1990 - (ECA).
Na adolescência é comum a busca por independência e interações sociais e quase sempre, nesta fase, os adolescentes não estão dispostos a "instruções de sabedoria" dos pais ou de qualquer outro adulto. E, a educação que deveria ter acontecido na infância continuará estagnada sob a mesma desculpa: "quando crescer aprende"

Quando a criança recebe a educação "no caminho certo", sendo informada e instruída, o aprendizado voluntário é continuo ao longo de toda a vida, pois se criou o hábito, foi estabelecido uma rotina, desenvolveu-se o prazer pela aprendizagem e pela sabedoria.

A 2ª parte do provérbio afirma: "e até quando envelhecer não se desviará dele", (22:6.b), pois a instrução na infância e consolidada na adolescência, acompanha na juventude e perdura na velhice.

A importância de instruir a criança no caminho certo, está em que mesmo na velhice (Sl. 71:17,18), a pessoa manterá esses princípios, pois a base sólida de valores e ensinamentos recebidos na infância (Sl. 71:5-6) cria um padrão que influenciará suas escolhas, mesmo na idade adulta. 

O provérbio descreve uma tendência geral e sábia, não uma garantia mecânica de que a pessoa nunca tomará outro caminho, mas a certeza que ela conhece o caminho certo.

O amor dos pais e de Deus pelos filhos é contínuo; e, sempre estendem a oportunidade de retorno aos filhos "desviados" do caminho, como na Parábola do Filho Pródigo, que quando o filho retornou o pai o acolheu com grande alegria e celebração, não pelos erros dele, mas porque o seu filho estava de volta.

Em Deuteronômio 6:6-7, a Bíblia registra um mandamento para a educação familiar e a vivência da fé: "E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te", Deut. 6:6-7.

O mandamento bíblico instrui os pais a internalizarem as palavras de Deus (Bíblia) e as tornarem parte da vida diária: "estarão em teu coração". "E as ensinarás a teus filhos", de forma contínua e abrangente, "assentado em tua casa", "e andando pelo caminho", deitando e levantando.

Os pais devem ensinar os filhos em todas as situações e momentos da vida, pela prática e pelo exemplo, para que a fé "estas palavras, que hoje te ordeno", seja transmitida de geração em geração como parte integral da identidade familiar. A passagem enfatiza que não é uma instrução esporádica, mas constante e na prática.

Entre as palavras que se passa "de pai para filho", através do amor incondicional como modelo de vida de sabedoria "no caminho certo", preparando-o para a vida... estão valores como a fé, responsabilidade, integridade, coragem, respeito, autonomia, habilidades práticas de vida, finanças, cuidados com a saúde, apoio emocional - uma base sólida para o desenvolvimento do caráter e do bem-estar - focando em ser o guia para escolhas e desafios, no trajeto que fazem juntos.

 Parte do EstudoProvérbios 22:16
          
          ¹⁶ O que oprime ao pobre para se engrandecer a si mesmo, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá. Prov. 22:16

O provérbio é um alerta contra a ganância e a injustiça. Tanto quem explora o pobre para enriquecer quanto quem "dá ao rico", buscando favores ou status, em vez de ajudar quem precisa, "estando em sua mão o poder de fazê-lo" (Prov. 3:27-28) sua ajuda resultará em perdas financeiras.

E, para reflexão, sobre reter o auxílio ou deixar de fazer o bem, não ajudar, imediatamente, quando temos os recursos e a capacidade de ajudar, segue a narrativa: "A mulher que comprou ovos".


˚ ʚɞ ˚。 Ela perguntou: - Por quanto o senhor está vendendo o ovo?

O velho vendedor respondeu: - R$ 0.60 centavos cada ovo, senhora. Vendo a R$ 7,20 a dúzia.

Ela disse: - Vou levar 6 ovos por R$ 3.00 - ou vou embora.

O vendedor respondeu: - Pode ser, você pode levar os ovos pelo preço que quer. Este é um bom começo porque não consegui vender nem um único ovo hoje.

Ela pegou os ovos e se afastou sentindo que ganhou. Entrou em seu carro elegante e foi a um restaurante caro com sua amiga.

No restaurante, almoçaram. Comeram um pouco e deixaram muito do que pediram. Quando foram pagar a conta. Ela se ofereceu para pagar também a conta da amiga.

Ela perguntou: - Quanto ficou a conta?

O atendente respondeu: - R$ 343,00.

Ela respondeu: - Tome R$ 400,00 e pode ficar com o troco.˚ ʚɞ ˚

A pessoa pode dar ou não a gorjeta e entregar o valor que desejar, porém é sugerido que a gorjeta seja 10% do valor de consumo. Então, de R$ 343,00 é R$ 34,30. Para um serviço excepcional 15% = R$ 51,45. Para um serviço excelente 20% = R$ 68,60.

Este incidente com a mulher pode ter parecido bastante normal ao funcionário do restaurante acostumado a receber gorjeta como taxa de serviço. Mas foi difícil e desconfortável ao vendedor de ovos, aceitar o desconto de R$ 060, centavos de sua margem de lucro.

Por que a pessoa mostrou ter o poder de decisão quando comprou do vendedor de rua? Por que não foi igualmente generosa com o vendedor de ovos como quando pagou no restaurante sem regatear o valor da conta e ainda deixou R$ 57,00 de gorjeta?

A história da mulher que "comprou ovos" serve como uma reflexão ou uma crítica irônica sobre como as pessoas escolhem onde ser "econômicas" e onde ser "generosas" com seu dinheiro, muitas vezes desvalorizando o trabalho das pessoas mais simples.

˚ ʚɞ ˚˚ ʚɞ ˚ Certo menino falando sobre seu pai, CONTOU:

"Meu pai costumava comprar produtos simples de pessoas pobres a preços elevados, mesmo que ele não precisasse deles. Às vezes, ele pagava a mais por eles. Então, certa vez, perguntei a ele:

- Pai porque o senhor pagou a mais por algo que temos em casa? E, meu pai respondeu:

- É uma caridade embrulhada com dignidade, meu filho". ˚ ʚɞ ˚


Significa que o pai estava, de fato, ajudando financeiramente a pessoa necessitada, mas fazia isso de forma que permitisse ao vendedor manter o seu orgulho e autoestima (dignidade).

Ao comprar o produto a um preço justo ou ligeiramente superior, em vez de simplesmente lhes dar dinheiro, ele transformava o pagamento a mais numa transação comercial.

O pai encontrou uma maneira sábia de praticar a bondade, sendo exemplo ao filho, de que a doação beneficia tanto quem recebe quanto quem faz a doação, para tanto ao ajudar o próximo não se deve considerar apenas a sua necessidade financeira, mas também a sua autoestima.

Desta forma, o vendedor sentia que estava ganhando o dinheiro em razão do seu trabalho e do seu produto. E, caso percebesse a caridade do homem ao pagar a mais pelo seu produto se sentiria agradecido pela generosidade e o respeito que recebeu junto com a doação.

Os provérbios de Salomão parecem se repetir de forma aleatória. De igual modo, os temas não seguem uma "organização sequencial". Assim ocorre de estar lendo um versículo e ter a nítida impressão que já leu aquele versículo ou aquele assunto antes.

E, isso ocorre, porque o objetivo é permitir que cada provérbio seja uma unidade completa de ensino, aplicável a diversas situações da vida diária, sem depender do contexto anterior ou posterior.

Sendo assim, e por minha conta, trouxe para este estudo de 02 versículos do capítulo 22 de Provérbios, outros 04 versículos do capítulo 23 de Provérbios 23 que "conversam entre si" e se complementam na temática da missão dos Pais para com os Filhos e que expandem o tema, mostrando a continuidade da mensagem ao concluir com a missão dos Filhos para com os Pais.

          ¹⁵ "Meu filho, se você se tornar sábio, eu ficarei muito feliz.¹⁶ Eu me sentirei orgulhoso quando ouvir você falar com sabedoria", - (Prov. 23:15,16 - -Nova Tradução na Linguagem de Hoje - NTLH).

Salomão expressa ao Filho, aprendiz, sua expectativa em testemunhar que ele está agindo e falando com sabedoria, que neste dia sentirá muito orgulho e felicidade. Destaca que o Pai tem prazer do Pai em constatar que o Filho aprendeu o que foi ensinado, que o Filho adquiriu sabedoria.

        ¹⁹ Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração. Prov. 23:19.

O conselho de Salomão ao Filho combina severidade e afeto, exortando-o a prestar atenção e a usar de sabedoria para manter suas intenções e desejos (seu coração) "no caminho".

         ²² Ouve teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando vier a envelhecer. Prov. 23:22.

Salomão exorta o filho, que não é mais criança, a manter o respeito aquele que lhe deu a vida: seu pai; e a não agir com indiferença (desprezo) com a sua mãe, especialmente, quando ela envelhecer.

Considerando que o Filho foi educado no caminho certo e que na busca por autonomia se tornou descuidado no tratamento com os seus pais, Salomão exorta o Filho a agir com sabedoria, respeitando, cuidando e honrando o seu pai e a sua mãe; mantendo o ambiente familiar saudável, por toda a sua vida.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Uma Mensagem Cristocêntrica


Uma mensagem CRISTOCÊNTRICA é aquela que coloca Jesus Cristo no centro de toda a Escritura e da vida cristã, enfatizando Sua pessoa, obra e senhorio.

         ♱ "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram." João 1:1-5

Diferente dos outros evangelhos, que começam com genealogias ou o nascimento de Jesus, João escolhe uma perspectiva diferente. Ele utiliza o termo grego Lógos, traduzido como "Verbo" ou "Palavra", para descrever a natureza de Jesus Cristo antes de "se fazer carne", habitando entre nós para salvar a humanidade.

Ao dizer "No princípio", João remete diretamente ao Gênesis. Ele estabelece que o Verbo não foi criado, mas já existia antes de todo o tempo.

O texto afirma que o Verbo estava com Deus (distinção de pessoas) e, ao mesmo tempo, o Verbo era Deus (unidade de essência). Ele coloca o Verbo como o agente ativo da criação. Nada existe no universo físico que não tenha passado pela "Palavra" de Deus.

No grego original, o termo Logos carrega o significado de "razão", "plano" ou "discurso". É a ideia de que o universo não é um acidente, mas o resultado de uma inteligência e vontade divina expressa.

         ♱ Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade. João 1:14

Em Colossenses 1:15-18, lemos sobre a SUPREMACIA de Cristo: "Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra [...] tudo foi criado por ele e para ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência."

A passagem de Colossenses declara a divindade, a preexistência, a soberania e a autoridade de Jesus Cristo sobre toda a criação, a Igreja e até mesmo a morte, afirmando que Ele é o centro e o propósito de tudo.

1. "Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação" (v. 15): Jesus manifesta o Deus invisível, sendo a representação perfeita Dele.

"Primogênito" aqui não significa que Ele foi criado primeiro, mas que tem prioridade e soberania sobre toda a criação, como o herdeiro e líder.

2. "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra [...] tudo foi criado por ele e para ele" (v. 16): Jesus é o agente da criação de tudo, o visível e o invisível (tronos, soberanias, poderes, autoridades), e tudo existe por meio Dele e para Ele, indicando Sua centralidade e propósito.

3. "E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência" (v. 18): Ele é o líder da Igreja (o corpo) e o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, estabelecendo Sua supremacia sobre a morte e tendo o primeiro lugar em tudo, como o Messias.

Efésios 1:3-14, destaca a obra salvífica de Deus centrada em Cristo, descrevendo como Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, nos redimiu por meio do Seu sangue e nos selou com o Espírito Santo Nele.

Celebra as bênçãos espirituais dadas por Deus em Cristo, incluindo a eleição e predestinação dos cristãos, para serem santos e filhos adotivos, a redenção e perdão pelos pecados através do sangue de Jesus, e a revelação do mistério da vontade de Deus de unir todas as coisas em Cristo; tudo isso culmina com o selo do Espírito Santo, que é a garantia da nossa herança futura, para o louvor da glória de Deus

Em Hebreus 1:1-3, Cristo é apresentado como a revelação final de Deus: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder [...]".

Um dos textos mais profundos do Novo Testamento sobre a natureza de Cristo. O autor estabelece que Jesus não é apenas mais um profeta, mas a revelação final e suprema de Deus, sendo ele o próprio Criador e o sustentador do universo.

O texto destaca três pontos centrais sobre a identidade do Filho:

1. Divindade: Ele é o "resplendor da glória" e a "expressa imagem" da essência de Deus.
2. Soberania: Foi constituído herdeiro de todas as coisas.
3. Poder: Ele sustenta todas as coisas pela "palavra do seu poder"

Romanos 3:21-26, apresenta a justificação pela fé em Cristo e descreve a justiça de Deus revelada fora da Lei, alcançada mediante a fé em Jesus Cristo, não por obras, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela graça, através da redenção em Cristo.

Cristo foi oferecido como sacrifício expiatório (propiciação) para demonstrar a justiça de Deus, tornando-O justo e o justificador dos que creem em Jesus, enfatizando que a justiça de Deus é manifesta através da fé em Jesus Cristo para todos os que creem, pois Ele é a propiciação pelos nossos pecados.

O cerne do Evangelho é encontrado em 1 Coríntios 15:3-4: "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras."

"Cerne do Evangelho" significa a essência, o âmago, a parte mais importante e central da mensagem cristã: Jesus Cristo como centro. A mensagem Cristocêntrica: morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo.

Em Cristo se cumpriu as Escrituras em Lucas 24:27 e 44, Jesus ressuscitado explica aos discípulos que sua morte, sepultamento e ressurreição eram o cumprimento do que estava profetizado em toda a Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos, "abrindo suas mentes" para entender as Escrituras.

Jesus explica que Sua experiência não foi um acidente, mas o plano de Deus revelado desde o início. A explicação ajuda os discípulos a entenderem o significado mais profundo das Escrituras e a reconhecerem a verdade de Sua ressurreição, superando sua frustração inicial.

Esses versículos conectam os eventos da vida de Jesus com as profecias antigas, estabelecendo o Antigo Testamento como a base para a compreensão do Messias: Jesus Cristo é o centro da história da redenção.

O ponto culminante do plano de Deus para resgatar a humanidade do pecado, libertando-a por meio de seu sacrifício na cruz e ressurreição, o que transforma o destino humano e restaura a relação com Deus, inaugurando uma nova criação e vida eterna. Sua vida, morte e ressurreição são o fundamento da fé cristã.


O Senhor Sonda os Corações


A autoria de Provérbios capítulo 21, assim como parte do livro de Provérbios, é tradicionalmente atribuído ao Rei Salomão. Embora o livro seja uma compilação de escritos sapienciais que incluem também outros autores como Agur e Lemuel, sendo compilado ao longo do tempo.

Salomão, conhecido por sua sabedoria, coletou e escreveu muitos provérbios, e o capítulo 21 faz parte de suas coleções de ensinamentos sobre justiça, conduta e a vontade de Deus. Neste estudo será analisado 4 versículos.

           "O coração de um rei está nas mãos do Senhor, que o inclina para onde quer, como um rio"Prov. 21:1.

O versículo destaca que o coração de um governante (rei) está totalmente sob o controle de Deus, que pode direcioná-lo como um rio de água.

Assim como o curso de um rio é moldado pelas mãos que o desviam, Deus pode influenciar seus pensamentos, suas decisões e intenções (vontade), mostrando a soberania divina sobre os poderes terrenos para que estes cumpram Seus propósitos.

Entre os reis citados na Bíblia que desobedeceram a Deus, destacaram-se Acabe (Israel), Manassés (Judá); Acaz (Judá); Saul; Jeroboão I, que como consequência de sua desobediência, o povo enfrentou: julgamento divino, como secas, fome e derrota militar; divisão do Reino de Israel em dois (Israel ao Norte e Judá ao Sul); captura e exílio; aumento da idolatria e corrupção do povo.

Na Bíblia, reis como Davi, Ezequias, Josias, Josafá, Jotão, Joás, Uzias, Amazias e Salomão, entre outros, destacaram-se por sua obediência e por fazerem o que era reto aos olhos de Deus, com Josias sendo um exemplo notável por sua reforma e zelo, buscando a Deus desde cedo e renovando a aliança, mesmo sendo jovem.

Isaías 44:28, narra que Deus usou Ciro para Seus propósitos, demonstrando o controle sobre reis: "...ele ordenará que Jerusalém seja restaurada, e o templo seja reerguido". 

Daniel 4:17, mostra o poder de Deus sobre os reis para exaltar ou humilhar, fazendo referência a Nabucodonosor: "...para que os viventes saibam que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até humilha ao mais humilde". 

Portanto: "O Senhor desfaz os planos das nações; anula os propósitos dos povos. Mas o plano do Senhor permanece para sempre, os propósitos do seu coração, de geração em geração". Isso mostra que os planos divinos, mesmo sobre reis, prevalecem (Salmos 33:10-11).

Reafirmando o dito em Provérbios 21:1, o coração humano, mesmo de um governante, está nas mãos de Deus, que o direciona para cumprir Seus propósitos soberanos.

             "Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações"Prov. 21:2.

O versículo afirma que "o Senhor sonda os corações"; e, embora os homens possam achar suas próprias ações corretas razoáveis, justificáveis, Deus tem a capacidade de ver suas verdadeiras intenções.

Sondar, no contexto bíblico, significa investigação profunda, exame meticuloso e onisciente que Deus faz do coração, mente e intenções humanas. Não é apenas ver, mas conhecer profundamente o interior, removendo impurezas, avaliando caráter, guiando pelo caminho eterno.

Significados e Aplicações Bíblicas de "Sondar" (Salmos 139)

1. Deus conhece o ser humano melhor do que ele mesmo, esquadrinhando pensamentos e ações;
2. Deus sonda "mentes e corações", referindo-se à totalidade das emoções, motivações e caráter;
3. Sondar implica um teste (provar) para verificar se há caminhos maus ou erros, visando a santificação;
4. A Palavra de Deus atua como essa sonda, discernindo intenções e trazendo cura e correção para a alma.
5. O pedido "Sonda-me, ó Deus" é um convite humilde, uma oração, para que o Senhor examine a sua vida.

"Sondar", representa a transparência total do homem perante Deus e a ação divina de examinar, não apenas para julgar, mas para refinar.

A conduta de algumas pessoas demonstra que elas acham aceitável ou certo SE PERMITIREM a prática de algo não autorizado antes de obter a permissão; a prática  (por ação ou omissão) de contravenção penal por considerarem uma infração de menor gravidade; a prática  (por ação ou omissão) de algo ilícito?!

À exemplo daquela música infantil "Pecado, Pecadinho, Pecadão, isso não!"; e, que depois de cantada se ensinava as crianças que pecado não tem tamanho, porque qualquer pecado, por menor que seja, a natureza, a intenção e suas consequências, nos separa de Deus.

De igual modo o conceito de ILICITO é amplo e abrange qualquer violação da lei, por ato ou omissão, que viole uma norma jurídica, seja civil, administrativa ou penal, e que gere uma consequência jurídica, como dever de indenizar, penalidade administrativa ou sanção criminal.

Na perspectiva bíblica, não há um "pecadinho" que não precise de arrependimento e perdão, pois todos nos condenam. No entanto, Deus trata pecados de diferentes naturezas e com diferentes intenções de formas distintas, com alguns tendo um impacto mais destrutivo  na vida do pecador e na relação com Ele.

A Escritura indica que, embora todo pecado seja uma ofensa contra Deus e nos separe dEle (Rm. 3:23), há graus de pecado em suas consequências e gravidade percebida, com pecados graves que tem impactos mais severos na vida e no corpo, enquanto os pecados simples, comuns (alguns chamam de pecados de estimação) ainda suficientes para nos condenar quando sem o arrependimento, mas podem ser vistos como menores na intenção e no impacto social.

"O salário do pecado é a morte" (Rm. 6:23), significando que qualquer pecado, por menor que seja, nos separa de Deus. Não importa se leve (comum), médio, grave. Dos graves sabe-se que quebram o relacionamento com Deus de forma mais drástica e têm consequências devastadoras (1 Cor. 6:18-20).

Porém o pecado encoberto (escondido) aquele que "ninguém viu" é pecado, bem como, as falhas não intencionais ou transgressões menos impactantes, ainda são pecados e precisam de arrependimento e busca de perdão.

Pecados intencionais e deliberados, mesmo os que parecem pequenos, carregam um peso moral maior do que aqueles cometidos por ignorância ou impulso (1 João 3:4-9).

Salmos 19:12, o Salmista pede perdão pelos pecados ocultos e voluntários: "Quem pode entender os próprios erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos." Outra versão: "Quem sou eu para discernir os pecados que se escondem em meu interior? Por favor, Senhor, perdoe os meus pecados ocultos! Livre-me também dos pecados que cometo voluntariamente."

Provérbios 28:13, fala sobre não prosperar quem os esconde, mas receber misericórdia quem os confessa: "Quem oculta seus pecados não prospera; quem os confessa e os abandona recebe misericórdia."

Lucas 12:2, afirma que nada está oculto que não será revelado, enfatizando que o que é feito em segredo será conhecido: "Não há nada escondido que não venha a ser revelado nem oculto que não venha a ser conhecido. O que vocês disseram no escuro será ouvido à luz do dia; o que sussurraram nos ouvidos dentro de casa será proclamado dos telhados."

Marcos 4:22, diz: "Pois tudo que está escondido será revelado, e tudo quanto agora está oculto algum dia virá à luz." Romanos 2:16, menciona o dia em que Deus julgará os segredos dos homens.

Tiago 4:17, fala sobre o pecado por omissão: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado."

Esses versículos mostram a importância de reconhecer, confessar e buscar o perdão para os pecados, sejam eles conhecidos ou não, pois nada permanece oculto para Deus.

Ele faz tudo errado. Ela faz tudo errado. Eles sempre pecam.

"Um dedo apontado e três pra mim" é um provérbio popular que significa que ao apontar o dedo para julgar ou culpar alguém, você na verdade está voltando três dedos (a si mesmo) para sua própria vida, refletindo que o problema ou característica que você critica no outro pode ser um espelho de algo em você, incentivando o autoconhecimento e a autoavaliação em vez da crítica externa.

É comum que as pessoas exaltem suas próprias virtudes, pois a autoimagem humana tende a ser inflada ou auto justificada. "Cada qual entre os homens apregoa a sua bondade; mas o homem fiel, quem o achará?" - Prov. 20:6. Contudo, há uma diferença entre o que alguém diz ser e o que realmente é, como evidenciado por suas ações e resultados consistentes

Frequentemente as pessoas se julgam reto e justo em suas próprias ações, mas essa percepção é limitada e pode ser enganosa. Deus vê além das aparências, penetrando nas intenções e no caráter interior, aquilo que nem nós mesmos percebemos ou admitimos. Este versículo convida à autoanálise para buscar a retidão diante de Deus, reconhecendo a necessidade de Sua orientação e correção.

O livro de Provérbios, em geral, contrasta a sabedoria e a loucura, a justiça e a maldade, e este versículo destaca a diferença entre a autoimagem humana e a verdade revelada a Deus. É uma lição sobre humildade e a verdade de que nossas justificativas não enganam a Deus, que sonda os verdadeiros motivos de nosso coração.

       "Fazer o que é justo e certo é mais aceitável a Deus do que rituais religiosos". Prov. 21:3.

Justiça vs. Sacrifício, significa que Deus valoriza mais a prática da justiça, retidão e o cumprimento de seus mandamentos (juízo) do que rituais religiosos superficiais, ações simbólicas como sacrifícios; Ele sonda o coração, buscando ações justas e obediência de coração, não apenas obras externas.

É uma lição de que a verdadeira adoração se manifesta na conduta diária, sendo mais importante tratar as pessoas com equidade e retidão do que realizar ofertas sem um coração justo, conforme enfatizam diversas traduções da Bíblia.

Justiça (Mishpat): Refere-se à aplicação da lei e à conduta reta, tratando as pessoas de forma equitativa.

Juízo (Mishpat/Mishpat): Pode indicar a aplicação dos estatutos e mandamentos de Deus, ou o ato de julgar corretamente.

Mais Aceitável ao Senhor: Deus se agrada mais da obediência e da conduta justa do que de ofertas religiosas vazias.

Deus prefere que você viva uma vida justa e íntegra, refletindo Sua vontade em suas ações e relacionamentos, em vez de apenas participar de rituais religiosos, como cultos, orações, batismo, gestos... sem um coração comprometido com o que é reto e bom, pois Ele vê o coração por trás das ações.

          ²¹ O que segue a justiça e a beneficência achará a vida, a justiça e a honra. Prov. 21:21.

Ensina que quem persegue a justiça e a beneficência (ou bondade/amor) encontrará vida, justiça e honra, pois viver com retidão e generosidade é o caminho para uma existência plena e recompensada, refletindo o princípio de semear e colher, com Deus abençoando a vida justa por meio de Jesus Cristo.

Agir com retidão, fazer o que é certo aos olhos de Deus e dos homens, e buscar o que é justo. Estender misericórdia, compaixão e generosidade aos outros, mesmo quando não é merecido, conforme a prática bíblica.

A consequência de viver assim é encontrar uma vida com propósito, retidão e reconhecimento, pois a verdadeira felicidade e contentamento vêm de fazer o bem.

"O Princípio da Semeadura", é a ideia de que plantamos o que colhemos. Semear justiça e bondade resulta em colher os frutos de uma vida plena: justiça e honra.

A lei da semeadura na Bíblia estabelece que as ações atuais determinam os resultados futuros, resumida em: "tudo o que o homem semear, isso também colherá" (Gálatas 6:7). Este princípio espiritual e prático ensina que pequenas escolhas geram grandes colheitas, aplicável a relacionamentos, vida espiritual, onde plantar para o Espírito gera vida eterna e plantar para a carne gera destruição.

Quem semeia pouco, colhe pouco; quem semeia muito, colhe muito (2 Cor. 9:6). Deus dá a semente e multiplica os frutos da justiça (2 Cor. 9:10). Embora Deus perdoe pecados, as consequências (a colheita) das ações podem permanecer. Não é uma regra automática, mas um princípio de responsabilidade sobre as decisões.

A Bíblia, especialmente Provérbios, apresenta princípios, não leis rígidas; nem toda bondade humana será imediatamente retribuída por pessoas, mas Deus abençoa a busca por Ele e a retidão.

A capacidade de viver verdadeiramente de forma justa e boa vem de uma vida fortalecida e justificada por Jesus Cristo, permitindo viver plenamente a bênção de Deus.

Isaías 32:17, diz: "E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre" (ARC); e, em outra versão: "O fruto da justiça será paz; o resultado da justiça será tranquilidade e confiança para sempre" (NVI).

A prática da justiça traz paz, tranquilidade e segurança duradouras. Versículos semelhantes: "Os justos herdam a vida eterna" (Mt. 25:46); "e Deus os faz justiça, abençoando-os" (Sl. 24:5); "A boca do justo é fonte de vida, e ele tem fundamento perpétuo" (Prov. 10:11, 25).

A justificação vem através de Jesus, que nos perdoa, nos torna justos e nos capacita a viver corretamente. E, reiterando que não há "pecadinho, pecado, pecadão", pecado é pecado e exige arrependimento e confissão à Deus, para ser perdoado, a Bíblia diz:

          ²³ "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; ²⁴ Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus", (Rm. 3:23-24).

Provérbios 10:9 destaca que "Quem anda em integridade anda seguro, mas o que perverte os seus caminhos será conhecido" (ou "desmascarado").

O versículo ensina que a honestidade proporciona segurança e tranquilidade, enquanto ações desonestas ou tortuosas inevitavelmente serão descobertas. Viver com retidão e honestidade traz paz e proteção, eliminando o medo de ser exposto.

Aqueles que escolhem caminhos tortuosos, mentirosos ou fraudulentos serão, eventualmente, desmascarados e sua verdadeira natureza revelada.

O texto contrasta o comportamento do justo, que age com transparência, com o do perverso, que tenta ocultar suas más ações, mas falha.

Portanto, uma vida plena e honrada não é algo a ser buscado por si só, mas é um resultado de integridade e fidelidade a Deus. Provérbios 21:21 sugere que quem age, faz, promove, vive a justiça e a lealdade encontra vida, justiça e honra, consequência natural de suas escolhas.

Não é apenas agir corretamente quando alguém está olhando, mas ter um compromisso ativo com o que é justo e com a generosidade. O retorno é triplo. Ganha vitalidade (vida). Mantém sua integridade intacta (justiça). Conquista o respeito genuíno tanto de si mesmo quanto dos outros (honra). É um belo lembrete de que o caráter é o melhor investimento a longo prazo.

Edificai-vos uns aos outros


O capítulo 2 de Colossenses é uma carta do apóstolo Paulo que destaca a supremacia e suficiência de Cristo contra falsas filosofias e legalismos.

Paulo expressa seu empenho para que os cristãos tenham pleno entendimento do mistério de Deus, que é Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento [v. 1, 2].

          ² "Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e em todas as riquezas da plena certeza da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo", Cl. 2:2

E, Colossenses 2:3 completa reafirmando que em Deus e Pai, e em Cristo é: ³ "Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento".

Cristo Jesus é a fonte plena e completa de toda a verdade divina e entendimento, sendo o centro onde se encontra a plenitude de Deus e a resposta para as questões da vida, sendo acessíveis pela fé Nele, não por filosofias humanas ou rituais.

O apóstolo adverte contra filosofias vãs e tradições humanas, afirmando que em Jesus habita corporalmente toda a plenitude da Divindade e que os fiéis estão completos nele.

A frase "em quem habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Cl. 2:9) reforça que Deus se fez presente em Jesus em sua totalidade, e com Ele, toda a sabedoria.

O texto destaca que Deus perdoou todos os nossos pecados e cancelou a dívida que era contra nós, pregando-a na cruz e triunfando sobre poderes e autoridades espirituais.

A passagem de Colossenses 2:1-7, expressa seu grande esforço ("combate") pela igreja em Colossos, Laodiceia e outros, para que seus corações sejam consolados, unidos em amor, e fortalecidos na plena certeza do conhecimento de Deus e Cristo.

Nos quais, residem todos os tesouros da sabedoria e conhecimento, alertando contra enganações, e instruindo-os a permanecerem enraizados e edificados em Cristo como o receberam, firmes na fé e abundantes em gratidão.

          ⁶ "Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele. Enraizados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças", Cl. 2:6-7.

Assim como você acolheu e aceitou Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, da mesma forma deve continuar vivendo, caminhando e se desenvolvendo Nele, permanecendo firme na fé recebida e crescendo em gratidão, sendo enraizado e edificado em Cristo para não ser enganado por falsas filosofias.

Os cristãos devem ter suas raízes firmemente plantadas em Cristo, como uma árvore, garantindo estabilidade e sustento. A vida cristã deve ser construída sobre Cristo, a rocha sólida, e não em filosofias ou tradições humanas.

Fortalecendo a fé que foi ensinada, mantendo-se firme nos fundamentos cristãos. Refere-se ao ensino apostólico e bíblico recebido. Uma vida em Cristo resulta em constante gratidão a Deus, transbordando de louvor.

Paulo orienta a não permitir que ninguém os julgue por questões de comida, bebida, festas religiosas ou sábados, pois essas coisas eram apenas sombras do que viria; a realidade, porém, encontra-se em Cristo [v. 16,17].

Também critica a falsa humildade e o culto a anjos, referindo-se à prática de adorar ou reverenciar anjos, proibindo tal prática e direcionando a adoração exclusivamente a Deus (v. 18-19).

Paulo argumenta que regras humanas (v. 20,23), como: "não manuseie" ou "não prove", "As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens"; Cl. 2:22. Ou seja, não têm valor algum contra a indulgência da carne - que é a tentativa e falha de dominar, controlar os desejos pecaminosos.

          "As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne", Cl. 2:23


E, "Andai nele" (Cl. 2:6) "Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele". Paulo, exorta os cristãos a andar, a viver em Cristo, conforme Isaías 30:21, "E os teus ouvidos ouvirão a palavra que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho; andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda", indicando o caminho de Deus.

Andar em Cristo Jesus é ser, estar e permanecer em Cristo Jesus "enraizados" (fundação), "edificados" (construídos), "confirmados" (testados, provados).

Conforme, Colossenses 2:7 - "Enraizados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças".

Paulo, exorta os cristãos a viverem continuamente em Cristo, da mesma forma que o receberam, mantendo-se enraizados e edificados Nele para ter firmeza na fé, como aprenderam, e transbordando de gratidão. Significa uma vida de dependência e crescimento em Jesus, construída sobre Ele como fundamento, e uma atitude constante de agradecimento a Deus por tudo.

Para reflexão seguem outros versículos semelhantes a Colossenses 2:7 e que enfatizam a necessidade de uma base sólida na fé e o crescimento contínuo no conhecimento de Deus:

1 - Efésios 3:17-19 - "para que Cristo habite em vossos corações pela fé; e, estando arraigados e fundamentados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus." 

2 - Mateus 7:24-25 - "Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como o homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa; contudo, ela não caiu, porque tinha a sua fundação na rocha." 

3 - 1 Coríntios 3:9-11 - "Pois nós somos cooperadores de Deus; vós sois a lavoura de Deus e edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, como sábio construtor, lancei o fundamento, e outro edifica sobre ele. Mas cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo." 

4 - Colossenses 1:23 - "se é que de fato permaneceis na fé, alicerçados e firmes, sem vos afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que está sendo pregado a todas as pessoas em todo o mundo." 

Esses versículos usam metáforas de construção e agricultura (raízes, fundação, edifício) para ilustrar a necessidade de uma vida cristã profunda, estável e contínua em Jesus Cristo para resistir aos desafios e falsos ensinamentos.

Na construção de um edifício, a fundação é a primeira etapa física a ser executada, logo após o planejamento e a preparação do terreno. Após a limpeza do terreno, a demarcação da obra e a instalação do canteiro; e a análise do solo que é realizada nesta fase para determinar o tipo de fundação adequado.

A fundação é responsável por suportar todo o peso da edificação e portanto deve ser fixada de forma segura nas camadas mais resistentes do solo, garantindo a estabilidade da construção.

Existem dois tipos principais de fundações: Fundações rasas (ou diretas), utilizadas quando o solo resistente está próximo à superfície. Fundações profundas, utilizadas quando o solo resistente está em camadas mais profundas. Portanto, a fundação é o ponto de partida essencial para a segurança e viabilidade de toda a construção.

Em 1 Tessalonicenses 5:11, diz - "Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis." E, em Judas 1:20 - "Vós, porém, amados, edificai-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo."

É uma exortação bíblica que significa construir-se espiritualmente sobre a fé em Cristo, que encoraja os cristãos a se exortarem (aconselharem) e se edificarem (construir mutualmente). E, lembrando que edificar também inclui: restaurar e reconstruir.

A Bíblia fala sobre a cura, paz e edificação (restauração) de cativos em Jeremias 33:6 - "Eis que eu lhe trarei saúde e cura; eu os curarei e lhes revelarei uma abundância de paz e verdade. Eu farei os cativos de Judá e de Israel retornarem e os edificarei como no início".

E, na reconstrução de ruínas como um "Reparador", "Restaurador", em Isaías 58:12 "O seu povo reconstruirá as velhas ruínas e restaurará os alicerces antigos; você será chamado Reparador de Muros Rachados, Restaurador de Ruas e Moradias."

Também em 1 Pedro 5:10, temos a promessa que Deus restaurará, confirmará, fortalecerá e firmará o alicerce daqueles que Ele chamou: "Depois de vocês terem sofrido por pouco tempo, o Deus de toda a graça, que os chamou à sua eterna glória em Cristo, os restaurará, os confirmará, os fortalecerá e os porá sobre firmes alicerces."

É uma mensagem de encorajamento para cristãos que enfrentam sofrimento, prometendo que após o período de provação, Deus irá restaurá-los, confirmá-los, fortalecê-los e firmá-los. Reconhece a realidade do sofrimento, mas o contextualiza como transitório, temporário, não é eterno.

Destaca Deus como a fonte que providenciou a salvação, lembrando o propósito final que é a participação na glória de Deus, alcançada através de Jesus Cristo. E, descreve a ação de Deus para fortalecer o cristão após a tribulação, dando-lhe estabilidade e propósito duradouros.

É um versículo de esperança que assegura que Deus tem um plano de restauração espiritual e fortalecimento, dando firmeza aos que perseveram na fé, para experimentarem a plenitude da promessa.

EDIFICAR é um processo contínuo de crescimento e aprendizado, especialmente em tempos difíceis. O cristão deve buscar conhecimento, fortalecendo-se na oração no Espírito Santo e perseverando no amor de Deus, para resistir a falsos ensinos e viver para a glória de Deus.

Edificai-vos a vós mesmos! Edificai-vos uns aos outros!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Esquadrinha meu coração


O estudo de hoje toma como base os questionamentos feitos em Provérbios capítulo 20.

O 1º questionamento está em Provérbios 20:6 - ⁶ "A multidão dos homens apregoa a sua própria bondade, porém o homem fidedigno quem o achará?"

A frase "apregoa a sua própria bondade" significa que muitos anunciam ou se gabam das suas próprias qualidades e boas ações, mas encontrar alguém verdadeiramente fiel, digno de confiança (um "homem fidedigno") é raro e difícil, pois as palavras são fáceis, mas as atitudes consistentes são raras.

É mais fácil encontrar homens de ego inflamado, que falam demais sobre si mesmo, são exagerados sobre sua bondade e misericórdia... do que encontrar os que o são de verdade; que agem com justiça, fidelidade, compaixão, integridade.

A Bíblia NVI (Nova Versão Internacional) diz: "Muitos se dizem amigos leais, mas quem encontrará um homem fiel?".

Autoelogio é comum quase todo mundo proclama suas próprias qualidades, mas isso é fácil de fazer.

Um homem "fidedigno", ou seja, fiel, digno de confiança, íntegro é uma pessoa difícil de encontrar porque suas ações correspondem à sua fala, e poucos vivem de acordo com a verdade.

Em vez de confiar apenas nas palavras, o versículo sugere que devemos observar o caráter e as ações de uma pessoa, especialmente como ela trata os outros, para discernir a verdadeira bondade e fidelidade.

O versículo contrasta a facilidade de se vangloriar com a raridade da verdadeira integridade, destacando que a fidelidade genuína é um tesouro difícil de encontrar no meio da multidão que apenas fala de si mesma, sem credibilidade, porque suas palavras destoam de suas atitudes.

Provérbios 20:7 afirma que: ⁷ "O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele", porque uma pessoa justa, que vive com integridade e sinceridade, com honestidade, ética, boa-fé e retidão, buscando o bem e não lesar ninguém deixa um legado de bênção para seus filhos, que serão felizes por terem seguido exemplo de retidão dos pais. O caráter vale mais que riquezas materiais, sendo a verdadeira herança e inspiração para as futuras gerações,

A vida íntegra do pai justo é uma grande bênção para os filhos, pois eles se orgulham de seu caráter e são inspirados a seguir seus passos, recebendo uma herança de valores e bom exemplo.

O 2º questionamento está em Provérbios 20:9 - ⁹ "Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?". 

Ninguém pode dizer com verdade que purificou sem coração e está limpo de pecado., pois o versículo traz uma pergunta retórica; e, incentivando humildade em vez de orgulho, aponta a falibilidade humana e a impossibilidade de pureza absoluta por esforço próprio, lembrando que todos têm falhas e necessitam da graça e da misericórdia de Deus para a verdadeira purificação.

A passagem não espera uma resposta, mas questiona a capacidade humana de alcançar a pureza total, pois o coração humano é propenso ao pecado, e ninguém pode se declarar perfeitamente justo.

O versículo nos convida a reconhecer nossas próprias falhas, em vez de julgar os outros, e a buscar a Deus em vez de confiar em nossa própria justiça. A verdadeira purificação não vem por afirmações, mas pela disciplina, arrependimento e submissão à graça divina, que transforma o coração.

Outros versículos semelhantes que reforçam essa ideia de imperfeição humana e a necessidade de reconhecimento incluem 1 João 1:8 - "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós". Romanos 3:23 - "pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Tiago 3:2 - "Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, homem perfeito é, capaz de refrear todo o corpo".

Este versículos não são uma condenação, mas um convite à humildade e autoconsciência, mostrando que a perfeição moral não é alcançável por esforço humano, mas requer o reconhecimento da nossa falibilidade e a busca pela graça divina, pela salvação.

Conforme Provérbios 20:11,12 - ¹¹ "Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta. ¹² O ouvido que ouve, e o olho que vê, o Senhor os fez a ambos".

Ensina que o caráter de uma criança é revelado por suas ações, mostrando se são puras e justas, e que tanto a capacidade de ouvir (ouvido) quanto de ver (olho) são dons de Deus, enfatizando a importância de estar atento e usar esses sentidos para o bem. O versículo 11 destaca que o comportamento revela a índole de uma pessoa desde cedo.

O versículo 12 ressalva que Deus criou nossos ouvidos e olhos significando que temos responsabilidade com o que vemos e ouvimos, observamos, testemunhamos, para discernir e agir. Deus nos deu órgãos essenciais ao aprendizado e a percepção, para entender e julgar corretamente, para decidir com sabedoria.

O 3º questionamento está em Provérbios 20:24 - ²⁴ "Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, entenderá o homem o seu caminho?" 

O provérbio afirma que o Senhor guia os passos humanos, tornando impossível para o homem compreender totalmente o seu próprio caminho. A mensagem destaca a soberania divina, sugerindo que, mesmo diante de obstáculos, o caminho está sendo dirigido por Deus, e não pelos planos próprios.

Provérbios 20:27-28, diz que - ²⁷ "O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, que esquadrinha todo o interior até o mais íntimo do ventre. ²⁸ Benignidade e verdade guardam ao rei, e com benignidade sustém ele o seu trono".

Estes versículos exploram a relação entre a consciência humana, a orientação divina e as virtudes necessárias para a liderança justa. Em muitas traduções e interpretações bíblicas, esses versículos podem ser entendidos da seguinte maneira:

Provérbios 20:28, enfatiza que a autoridade e a estabilidade de um líder ou rei são mantidas por meio da "benignidade", misericórdia, bondade e da "verdade" (ou fidelidade), e que a benignidade sustém o seu trono, ou seja, a compaixão e a honestidade são a base de um governo duradouro e justo.

Conforme Provérbios 20:27 - ²⁷ "O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, que esquadrinha todo o interior até o mais íntimo do ventre", o espírito humano (consciência) é comparado a uma "lâmpada do Senhor, sugere que Deus usa a nossa consciência inata para iluminar e examinar nossos pensamentos, motivações e o "mais íntimo do ventre" (o cerne de quem somos).

Indica que Deus colocou em nós um espírito que funciona como uma luz, um meio pelo qual Ele pode nos conhecer verdadeiramente. Significa que essa "lâmpada" (o espírito) permite que Deus veja e analise tudo dentro de nós, nossas motivações, desejos e o fundo do nosso coração, sem que nada Lhe seja oculto.

É um lembrete de que, por mais que tentemos esconder nossas intenções dos outros, não podemos enganar a Deus, pois Ele conhece e examina o mais profundo de nosso ser através do nosso próprio espírito.

A frase "o Senhor, que esquadrinha todo o interior" refere-se à capacidade de Deus de sondar profundamente os pensamentos, intenções e o coração humano, como descrito em passagens bíblicas como Jeremias 17:10 e Provérbios 20:27, indicando que Deus esquadrinha, vasculha, conhece a verdade oculta por trás das aparências, recompensando ou agindo conforme o que está no íntimo de cada um, não apenas suas ações externas.

Em Jeremias 17:10, a Bíblia declara: "Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações".

"Esquadrinha meu coração" é um pedido bíblico, encontrado também em Salmos 26:2 - "Examina-me, SENHOR, e prova-me; esquadrinha a minha mente e o meu coração", e expressa o desejo de ter o coração e a mente examinados por Deus para que Ele revele a verdade, avalie as intenções e recompense as ações de cada um, mostrando a dependência da integridade e da verdade divina.

Significa pedir a Deus para investigar profundamente o interior, sondando os pensamentos e as motivações mais íntimas, para que a pessoa possa viver em retidão e fidelidade a Ele.