O Salmo 89 é um hino de louvor à fidelidade e ao amor de Deus, contrastado com uma lamentação sobre a ruína do trono de Davi. Escrito por Etã, o ezraíta, celebra a aliança incondicional com Davi, mas questiona a Deus sobre a aparente quebra dessa promessa diante da crise presente.
Etã foi um sábio e líder de louvor levita na época do Rei Davi, conhecido por sua grande sabedoria e por compor o Salmo 89. Associado à família de Merari ou como "ezraíta" (descendente de Zerá), ele tocava címbalos e era reconhecido por sua profunda sabedoria, superada apenas por Salomão.
É descrito como um cantor, músico levita, filho de Quisi (ou Cusaías), da família de Merari, designado por Davi para o serviço de louvor no tabernáculo (1 Crônicas 15:17, 19).
Em 1 Reis 4:31, é citado como um dos homens mais sábios de sua época, sendo comparado a Salomão. Algumas tradições o associam a Etã, o ezraíta, descendente de Judá (1 Crônicas 2:6).
²⁹ Deus deu a Salomão sabedoria, discernimento extraordinário e uma abrangência de conhecimento tão imensurável quanto a areia do mar. ³⁰ A sabedoria de Salomão era maior do que a de todos os homens do oriente, bem como de toda a sabedoria do Egito. ³¹ Ele era mais sábio do que qualquer outro homem, mais do que o ezraíta Etã; mais sábio do que Hemã, Calcol e Darda, filhos de Maol. E a sua fama espalhou-se por todas as nações em redor. ³² Ele compôs três mil provérbios, e os seus cânticos chegaram a mil e cinco. ³³ Descreveu as plantas, desde o cedro do Líbano até o hissopo que brota nos muros. Também discorreu sobre os quadrúpedes, as aves, os animais que se movem rente ao chão e os peixes. ³⁴ Homens de todas as nações vinham ouvir a sabedoria de Salomão. Eram enviados por todos os reis que tinham ouvido falar de sua sabedoria. 1 Reis 4:29-34
O versículo enfatiza que a sabedoria de Salomão superava a dos "ezraítas", afirmando que ele era mais sábio que todos os homens, incluindo sábios notáveis da época como Etã, Hemã, Calcol e Darda. Sua fama e reputação de sabedoria espalharam-se por todas as nações vizinhas. Superioridade Intelectual:
O conhecimento de Salomão não ficou restrito a Israel, mas tornou-se conhecido internacionalmente, atraindo atenção de povos ao redor. Este versículo faz parte da descrição do reinado pacífico e próspero de Salomão, caracterizado por Deus como um período de grande entendimento e inteligência.
O texto sublinha que a sabedoria de Salomão era um dom divino que o colocava como o homem mais sábio de sua época.
O significado do nome Etã, em hebraico é "sólido", "duradouro" ou "permanente". Etã é o autor do Salmo 89, que foca na fidelidade de Deus e na aliança com Davi, escrito no estilo "Masquil", um poema instrutivo.
Masquil (do hebraico maskíl) é um termo técnico encontrado no cabeçalho de 13 salmos, geralmente traduzido como "poema contemplativo", "canção de entendimento" ou "salmo didático", instrutivo. Indica um hino para ser cantado com habilidade, focando em lições de sabedoria, instrução e meditação sobre o caráter de Deus.
Devido à troca de nomes em diferentes passagens bíblicas (1 Crônicas 15:17, 19 vs. 1 Crônicas 16:38-42), acredita-se que Etã seja a mesma pessoa que Jedutum, o músico principal.
Acredita-se que ele tenha sido um líder influente, cujas palavras revigoraram a fé da comunidade em tempos de crise, destacando o amor e a fidelidade divina.
Entre os principais temas do Salmo 89 (v. 1-18), encontra-se a celebração da benignidade (amor leal) e da fidelidade de Deus, estabelecidas nos céus. Deus é descrito como poderoso e criador.
A Aliança com Davi (v. 19-37), quando Deus promete estabelecer a linhagem de Davi para sempre.
A Crise e o Lamento (v. 38-51), quando o salmista expressa angústia, perguntando "Até quando, Senhor?" após a coroa de Davi ser arrojada no chão e os muros da cidade destruídos.
O salmo frequentemente associado a momentos de crise onde a promessa de Deus parece demorar, refletindo sobre a fidelidade de Deus mesmo em tempos difíceis, termina com um louvor: ⁵² Bendito seja o Senhor para sempre. Amém, e Amém. Salmo 89:52
1. - Tua Benignidade
¹ As benignidades do Senhor cantarei perpetuamente; com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração. ² Pois disse eu: A tua benignidade será edificada para sempre; tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo: Salmos 89:1,2
³³ Mas não retirarei totalmente dele a minha benignidade, nem faltarei à minha fidelidade. Salmos 89:33
⁴⁹ Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades que juraste a Davi pela tua verdade? Salmos 89:49.
A benignidade de Deus na Bíblia é a Sua bondade ativa, benevolência, ternura e amor leal manifestados aos seres humanos, mesmo sem que mereçam.
É uma qualidade interior de Deus que se traduz em ações de compaixão e graça, buscando o bem e a salvação do homem, muitas vezes descrita como a "mão" amorosa de Deus na vida dos seus seguidores.
É a disposição de Deus de tratar Suas criaturas com ternura, não guardando rancor e perdoando de graça. Sua ação proativa: É Deus demonstrando Sua amabilidade e desejo de restaurar, como no exemplo do filho pródigo.
É um atributo de luz e amor, antagônico ao rancor e à vingança, pois a benignidade é uma virtude que o Espírito Santo gera no cristão, tornando-o amável, gentil e bondoso com os outros (Gl. 5:22).
Exemplos Bíblicos da Benignidade de Deus:
1. Jesus e os pecadores: Jesus demonstrava benignidade ao acolher aqueles que o sociedade rejeitava, pedindo perdão até para seus carrascos na cruz (Lucas 23:34).
2. Provisão e cuidado: Deus sustentando Elias e a viúva de Sarepta em meio à seca (1 Reis 17).
3. O Pai do Filho Pródigo: O pai que acolhe o filho de volta, demonstrando o amor incondicional e a benignidade divina (Lucas 15:11-32).
4. O arrependimento: É a benignidade de Deus que conduz os seres humanos ao arrependimento (Romanos 2:4).
5. Sinônimos e Conceitos Relacionados: misericórdia, bondade, benevolência, ternura (gentileza), amor leal.
A benignidade, portanto, não é apenas um sentimento de Deus, mas um ato que transforma e purifica a mente dos indivíduos, permitindo-lhes pagar o mal com o bem.
A benignidade, no contexto bíblico, é uma virtude cristã que representa bondade, afabilidade, gentileza e disposição interna para fazer o bem. Ela vai além de um simples ato, sendo parte do "fruto do Espírito Santo" (Gálatas 5:22), que envolve tratar o próximo com amor, compaixão e sem rancor.
Principais Aspectos da Benignidade:
O fruto do espírito é uma característica gerada por Deus no cristão, não apenas um esforço humano. É a predisposição mental para a benevolência, expressa tanto em palavras gentis quanto em atos concretos, da intenção a ação.
Inclui não guardar rancor e perdoar, imitando a graça de Deus, Sua misericórdia e perdão, pois a benignidade se caracteriza pela simpatia e suavidade no trato com os outros, refletindo o caráter e a amabilidade de Cristo.
Portanto, a bondade em ação, amorosa e terna, sendo essencial na conduta cristã, mesmo diante de dificuldades ou com quem não merece.
2. - Tua Fidelidade
²⁴ E a minha fidelidade e a minha benignidade estarão com ele; e em meu nome será exaltado o seu poder. Salmos 89:24.
A fidelidade de Deus no contexto bíblico (hebraico emet ou emunah) refere-se à sua imutabilidade, confiabilidade e compromisso inabalável em cumprir alianças e promessas. Ele é descrito como uma rocha, consistente e leal, permanecendo fiel mesmo quando a humanidade é infiel, agindo de acordo com seu próprio caráter justo.
Significados Bíblicos de Fidelidade de Deus:
A fidelidade de Deus não muda, não varia e não falha, sendo inabalável e confiável. Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, garantindo estabilidade e segurança.
A Bíblia retrata Deus como alguém que não mente e que executa tudo o que propôs. Ele cumpre Suas alianças, como demonstrado na história de Abraão e, supremamente, em Jesus Cristo.
Mesmo quando as pessoas falham, Deus permanece fiel, pois Ele não pode negar a sua própria natureza (2 Timóteo 2:13).
As misericórdias de Deus são fruto da sua fidelidade e se renovam a cada manhã, oferecendo perdão e sustento. A fidelidade de Deus é um refúgio, mas também garante o cumprimento de seus avisos de juízo.
A fidelidade de Deus é retratada na criação, no cuidado com o Seu povo e, no Novo Testamento, Jesus é apresentado como a máxima manifestação da fidelidade de Deus à humanidade.
Fidelidade na Bíblia é a qualidade de ser leal, confiável e firme, fundamentada no caráter imutável de Deus, que permanece fiel mesmo quando os humanos falham.
É um fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:22) que envolve cumprir promessas, manter alianças e demonstrar obediência a Deus, mesmo em tempos de dificuldade.
Aqui estão os principais pontos sobre a fidelidade bíblica:
A fidelidade é essencial ao ser de Deus. Ele é descrito como fiel, misericordioso e justo, cujas promessas nunca falham, servindo de base para a nossa própria confiança e lealdade.
A fidelidade não é apenas esforço próprio, mas um fruto gerado pelo Espírito Santo na vida do cristão, demonstrando amor e compromisso com Deus.
Lealdade no relacionamento, significa ser constante, honesto e honrar votos, tanto no relacionamento com Deus quanto nas relações humanas, como no casamento e na amizade.
Permanecer firme em meio a crise. Ser fiel implica permanecer firme na fé e na obediência a Deus, mesmo sob pressão ou provações, como exemplificado por Daniel e Noé.
A palavra de Cristo, refere-se a ser íntegro, cumprindo a palavra dada, agindo corretamente de acordo com os princípios do Evangelho, o que reflete a essência de uma vida "fiel até ao fim".
A fidelidade bíblica é a demonstração prática de uma fé inabalável em Deus, traduzida em caráter confiável e lealdade contínua.
²⁸ A minha benignidade lhe conservarei eu para sempre, e a minha aliança lhe será firme, ²⁹ E conservarei para sempre a sua semente, e o seu trono como os dias do céu. Salmo 89:28,29.
O salmo termina com um louvor: ⁵² Bendito seja o Senhor para sempre. Amém, e Amém. Salmo 89:52.
O Salmo 89:52 encerra o terceiro livro dos Salmos com um doxologia (louvor final), reafirmando a soberania e a fidelidade de Deus, mesmo diante da crise e da aparente quebra da promessa davídica. A frase "Bendito seja o Senhor para sempre. Amém, e Amém" representa um triunfo da fé sobre a dor e o lamento.
Pontos importantes sobre o Salmo 89:52
Encerramento de Livro: Este versículo marca o final do Livro III dos Salmos (Salmos 73-89), sendo comum que cada "livro" termine com uma doxologia.
No contexto bíblico, doxologia (do grego doxa, "glória", e logos, "palavra") significa uma expressão de louvor, adoração e glorificação a Deus, frequentemente usada como encerramento de orações, hinos ou cartas, atribuindo a Ele toda a honra, poder e glória, como visto em passagens como Romanos 11:36 e Efésios 3:21, e nas fórmulas litúrgicas como o "Glória ao Pai".
Romanos 11:36 declara a soberania absoluta de Deus: "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!" (ARA). Este versículo finaliza o capítulo sublinhando que Deus é a fonte, o sustentador e o objetivo final da criação, merecendo toda a adoração.
Efésios 3:21 declara: "a Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém" (NVT). Este versículo encerra a oração de Paulo, atribuindo louvor eterno a Deus por meio da igreja e de Jesus, enfatizando a grandeza divina que atua na comunidade dos fiéis
O salmo 89 inteiro narra uma crise profunda e a aparente falha da promessa de Deus a Davi, mas termina com um louvor incondicional, mostrando que a confiança no Senhor supera as circunstâncias difíceis.
"Amém" (ou "assim seja") repetido duas vezes enfatiza a certeza, a força e a concordância total do salmista com o louvor a Deus para toda a eternidade. A tradução pode variar ligeiramente entre "Bendito seja o Senhor" ou "Louvado seja o Senhor", mantendo o mesmo sentido de adoração.
¹⁵ "Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre", Salmo 89:15 - declara a felicidade ("bem-aventurado") daqueles que conhecem o "som alegre" ou "vivas de júbilo" (teru'ah), referindo-se a aclamar a Deus, adorar e viver sob Sua presença constante. Esse povo caminha na luz divina, alegra-se no Senhor e exalta Sua justiça, fortalecendo-se por Sua força. Refere-se aos gritos de júbilo, toques de trombeta festivos e ao louvor comunitário de adoração a Deus.
Significa viver em comunhão constante, sob o favor, proteção e direção de Deus. O povo que reconhece a Deus como Rei e Sua justiça é descrito como "bem-aventurado" (feliz, abençoado).

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