¹⁹ E falaram contra Deus, e disseram: Acaso pode Deus preparar-nos uma mesa no deserto? Salmo 78:19
Salmos 78:19 relata a incredulidade do povo de Israel no deserto, questionando a provisão divina após grandes milagres. O povo demonstrando contínua murmuração, desconfiança do poder de Deus e esquecimento de feitos passados, como em Êxodo 17:1-7, Números 11:4-6, Salmo 106:13-25 e 1 Coríntios 10:9-10.
1. Dúvidas sobre a Provisão de Deus no Deserto
a). Da Provisão de água: - "O povo teve sede e murmurou contra Moisés, dizendo: 'Por que nos fizeste sair do Egito para nos matar de sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos animais?", Êxodo 17:3.
b). Da Provisão de alimento: - O povo reclama da falta de carne, dizendo: "Quem nos dará carne para comer? [...] Agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há diante dos nossos olhos, senão este maná." Números 11:4-6.
c). Da direção de Deus: "Cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu conselho. Mas deixaram-se levar pela cobiça no deserto; e tentaram a Deus na solidão." Salmo 106:13-14.
d). Da sua Palavra: "E desprezaram a terra aprazível; não creram na sua palavra. Antes murmuraram nas suas tendas, e não obedeceram à voz do Senhor." Salmo 106:24-25.
Salmos 78:1-8 é um chamado à transmissão intergeracional da história e da lei de Deus, enfatizando a importância de contar aos filhos as maravilhas do Senhor. O texto visa firmar a esperança das futuras gerações em Deus, garantindo a obediência aos mandamentos e evitando a rebeldia dos antepassados.
Necessidade de Ensino (v. 1-4): O povo deve escutar e transmitir as maravilhas, o poder e os "enigmas da antiguidade" (histórias passadas) para que não sejam esquecidos.
A Ordem de Deus (v. 5-6): Deus estabeleceu um testemunho e lei em Israel, com a ordem explícita de que os pais ensinem seus filhos, e estes aos seus próprios filhos.
O texto de 1 Coríntios 10:9-10 utiliza o deserto israelita como exemplo para que cristãos evitem a idolatria e a rebeldia: "E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram, e pereceram pelas serpentes. E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor." Paulo avisa para não desafiar a paciência ou a soberania de Deus.
Esses relatos servem de exemplo ("figuras") para a igreja, alertando que a liberdade cristã não deve levar à desobediência ou idolatria. O capítulo conclui que essas situações servem de alerta para que não caiamos nos mesmos erros, com a promessa de que Deus fornece o escape nas tentações (1 Cor 10:11-13).
O deserto é como um local de teste e simboliza a privação e provação, onde a fé é testada, pois a tendência humana é esquecer a providência divina após passar por dificuldades. Apesar da dúvida do povo de Israel, o Salmo 78:23-25 mostra que Deus proveu, enviando maná do céu, demonstrando Sua misericórdia.
⁷⁰ Também elegeu a Davi seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas; ⁷¹ E o tirou do cuidado das que se acharam prenhes; para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança. ⁷² Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela perícia de suas mãos. Salmo 78:70,72
O Salmo 78 é um salmo didático que relembra a história de Israel, a infidelidade do povo e a intervenção de Deus em escolher um líder.
Narra a eleição divina de Davi, destacando sua transição de pastor de ovelhas a líder de Israel. Deus o escolheu enquanto cuidava do rebanho, tirando-o do anonimato ("apriscos das ovelhas") para pastorear o povo de Deus, Jacó e Israel, evidenciando a soberania de Deus na escolha de líderes humildes.
Davi foi tirado das pastagens para guiar a nação, destacando a transição do trabalho manual para a liderança espiritual e política. Deus escolheu Davi, o "seu servo", demonstrando que o coração íntegro e a experiência de cuidado (pastoreio) o qualificaram para apascentar o povo com integridade e habilidade, de acordo com o versículo 72.
Salmos 78:71 descreve a eleição divina de Davi, tirando-o do pastoreio de ovelhas (especialmente as prenhes/pejadas) para torná-lo líder e pastor de Israel. Este versículo enfatiza a transição de um pastor de animais para o líder do povo de Deus, guiando-os com integridade e perícia.
É um registro histórico que narra o cuidado de Deus com Israel e a escolha de líderes, destacando a transição do pastor de ovelhas para pastor de homens.
Mostra que Deus valoriza a fidelidade nas pequenas coisas (cuidar das ovelhas) para preparar líderes para grandes responsabilidades (cuidar do povo). A passagem é uma referência direta à jornada de Davi, que cuidava de ovelhas antes de se tornar o rei de Israel.
Salmos 78:72 descreve o governo do Rei Davi sobre Israel, destacando que ele pastoreou o povo com integridade de coração (caráter sincero) e perícia de mãos (habilidade e sabedoria). Esta passagem encerra o salmo mostrando como Davi, tirado dos redis de ovelhas, conduziu a nação de forma justa e competente.
1. Integridade do Coração: Refere-se à motivação pura, honestidade e caráter inquestionável de Davi ao liderar, sem segundas intenções.
2. Perícia das Mãos: Destaca a habilidade prática, inteligência e capacidade administrativa de Davi para conduzir o povo com segurança e eficiência.
Este versículo exalta o ideal de liderança bíblica, onde o caráter (coração) e a competência (mãos) caminham juntos. A metáfora do pastoreio é central para mostrar o cuidado, a proteção e a direção que Davi, como rei, deveria dar ao povo, seguindo o exemplo de Deus como o verdadeiro Pastor.
Deus é apresentado na Bíblia como o verdadeiro e supremo Pastor, exemplificado por Jesus Cristo em João 10, que dá a vida pelas ovelhas, diferindo dos falsos pastores ou mercenários. Ele conhece, protege, guia, alimenta e resgata seu rebanho com amor sacrificial, garantindo segurança, provisão (Sl 23) e vida em abundância.
Características de Deus como o Verdadeiro Pastor
Amor e Sacrifício: Jesus afirma ser o "Bom Pastor" que entrega sua vida pelas ovelhas, ao contrário do mercenário que foge no perigo.
Conhecimento Pessoal: Ele conhece cada ovelha pelo nome, e as ovelhas reconhecem a sua voz, seguindo-o.
Proteção e Cuidado: Como no Salmo 23, o Pastor guia a pastos verdes, protege de perigos (lobos) e cuida das feridas.
Busca o Perdido: Ele não desiste da ovelha desgarrada, indo atrás dela até resgatá-la.
Guias pelo Cajado: Conduz com mansidão, usando o cajado para corrigir e direcionar.
Contrastando com falsos pastores (ou "ladrões") focam em si mesmos, explorando o rebanho para ganho pessoal, o verdadeiro Pastor age com humildade e abnegação. O verdadeiro Pastor se preocupa com a vida espiritual e a salvação do rebanho.
A promessa do verdadeiro pastor, Deus promete reunir as ovelhas dispersas e pastoreá-las com justiça, conforme Ezequiel 34. Jesus, como esse cumprimento, assegura que suas ovelhas nunca morrerão e ninguém as arrebatará de sua mão.
Ezequiel 34 denuncia pastores negligentes de Israel, que exploravam o rebanho, e anuncia que Deus mesmo assumirá o cuidado de Suas ovelhas. A profecia promete um único pastor, um descendente de Davi (o Messias, Jesus), que buscará as perdidas, curará as feridas e estabelecerá um pacto de paz e restauração.
O Salmo 78 e João 10 apresentam um contraponto teológico fascinante entre a história da rebeldia humana e a provisão divina no Antigo Testamento (lei) e a realização da salvação e do cuidado pastoral no Novo Testamento (graça).
O Salmo 78 relata a história de Israel, mostrando como Deus providenciou o "pão dos anjos" (maná) no deserto e água da rocha, apesar da incredulidade e rebeldia do povo. Em contraste, João 10 apresenta Jesus como o "Bom Pastor" que não apenas provê, mas dá a própria vida pelas ovelhas para que tenham vida plena.
1. O Pastor do Deserto vs. O Bom Pastor
Salmo 78 (O Cuidado de Deus): Deus guia seu povo como ovelhas no deserto, agindo como Pastor, providenciando água e comida de forma miraculosa, mesmo diante da murmuração.
João 10 (Jesus, o Bom Pastor): Jesus se identifica como o Bom Pastor que conhece suas ovelhas, cujas ovelhas conhecem Sua voz e O seguem. O cuidado agora não é apenas físico, mas espiritual e relacional.
2. A Mesa no Deserto vs. O Pão da Vida
Salmo 78 (Dúvida): O povo duvida se Deus poderia preparar uma "mesa no deserto". A fé deles era frágil, dependendo de sinais visíveis.
João 10 (Plenitude): Jesus declara ser a fonte de vida plena, contrastando com o "ladrão" que vem para roubar, matar e destruir. Ele é o suprimento permanente.
3. A Rebeldia de Israel vs. A Fidelidade de Cristo
Salmo 78 (Infidelidade): Descreve uma "geração contumaz e rebelde", de coração instável, que esqueceu as maravilhas de Deus.
João 10 (Fidelidade): Jesus exemplifica a fidelidade perfeita, dando a vida voluntariamente pelas ovelhas, cumprindo o plano de redenção que a lei (mencionada no Salmo 78) não podia realizar sozinha.
4. Transmissão da História vs. Vivência da Graça
Salmo 78 (Instrução): Asafe, autor de vários salmos (50, 73-83), foi um levita designado pelo rei Davi como líder musical. O salmo 78 é uma retrospectiva histórica que contrasta a bondade de Deus com a teimosia de Israel no deserto.
Um salmo didático e histórico de 72 versículos, focado em ensinar as gerações futuras a não repetir os erros, a rebeldia e a infidelidade do povo de Israel no passado.
Enfatiza a necessidade de ensinar as gerações futuras sobre os feitos de Deus para evitar a desobediência, a responsabilidade dos pais em transmitir a fé e as leis de Deus aos filhos. Salmo 78 é um relato para trazer à memória a paciência de Deus com um povo infiel, um chamado à obediência.
João 10 (Relacionamento): O foco muda da instrução baseada na lei para a experiência pessoal de ouvir a voz de Jesus e segui-Lo, como o Bom Pastor que estabelece uma nova aliança de graça e proteção eterna.
Jesus se declara o "Bom Pastor" que dá a vida pelas suas ovelhas, contrastando com o mercenário que foge no perigo. Ele destaca uma relação íntima e pessoal de conhecimento mútuo com seu rebanho, afirmando que suas ovelhas ouvem e seguem sua voz, garantindo-lhes vida eterna e segurança.
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