O Salmo 105 é um hino de gratidão e louvor que exalta a fidelidade de Deus à sua aliança com Abraão e a história de providência divina na condução de Israel. Celebra os "feitos do Senhor", incluindo o exílio de José, as pragas no Egito, a libertação e a provisão no deserto.
1. Chamado ao Louvor e Memória (v. 1-7): O salmo começa conclamando o povo a dar graças, invocar o nome do Senhor, cantar louvores e contar as suas maravilhas. A memória dos feitos de Deus é essencial para fortalecer a fé.
É um chamado à adoração e ao reconhecimento da identidade do povo de Israel como herdeiros da aliança divina; e, incentiva a lembrar das maravilhas, prodígios e juízos divinos, para fortalecer a fé e não esquecer as bênçãos recebidas.
Dirigido aos descendentes de Abraão e filhos de Jacó, o versículo reafirma sua posição como servos e escolhidos de Deus, celebrando Sua fidelidade à promessa feita aos patriarcas até a conquista de Canaã.
O versículo, inserido no contexto dos versículos 1-7, refere-se à "semente de Abraão" (descendentes) e "filhos de Jacó" (escolhidos/eleitos); e, incentiva o povo a buscar o Senhor e lembrar das Suas maravilhas, prepara o contexto para lembrar a promessa de Deus que se mantém por gerações.
2. A Aliança com os Patriarcas (v. 8-15): O tema central é o compromisso inabalável de Deus com suas promessas. O salmista relembra a aliança perpétua feita com Abraão, confirmada a Isaque e Jacó, prometendo a terra de Canaã. Menciona a proteção divina sobre eles quando eram poucos e estrangeiros, protegendo-os de reis.
Destaca a fidelidade eterna de Deus em cumprir suas promessas, reafirmando que Ele mantém Sua aliança de salvação e amor por milhares de gerações, focando no pacto histórico com Abraão, Isaque e Jacó. Essa palavra não falha e garante proteção ao Seu povo, estendendo-se perpetuamente através da história.
Deus se lembra para sempre ("perpetuamente") da Sua aliança. A palavra/concerto foi mandada para "milhares de gerações" ou "mil gerações", indicando o compromisso de longo prazo.
Refere-se à aliança feita com os patriarcas Abraão, Isaque e confirmada a Jacó/Israel. Mostra que Deus é fiel em proteger e guiar Seu povo, repreendendo opressores por amor a eles. Um convite para louvar a Deus e lembrar de Suas maravilhas e alianças feitas ao longo da história bíblica.
3. Providência Divina - A História de José (v. 16-22): Narra como Deus enviou fome, mas preparou José no Egito, transformando a injustiça e o cativeiro em posicionamento de autoridade para salvar sua família. Deus age na história para proteger e sustentar seu povo, transformando situações difíceis.
¹⁷ Mandou perante eles um homem, José, que foi vendido por escravo; ¹⁸ Cujos pés apertaram com grilhões; foi posto em ferros; ¹⁹ Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou. ²⁰ Mandou o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou. ²¹ Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda; ²² Para sujeitar os seus príncipes a seu gosto, e instruir os seus anciãos. Salmo 105:17-22.
Descreve o momento em que Deus enviou José ao Egito como precursor para salvar sua família da fome, embora José tenha sido vendido como escravo e passado por severas provações, incluindo a prisão. Isso destaca a soberania divina, transformando o sofrimento em propósito para a preservação de Israel.
- A "Mão" de Deus: Embora José tenha sido traído por seus irmãos, o salmo enfatiza que foi o Senhor quem o enviou "adiante deles" para garantir a provisão.
- O Sofrimento (vv. 17-18): José foi vendido como escravo, teve seus pés apertados com grilhões e seu pescoço preso em ferros.
"Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou", v.19.
- O Propósito (vv. 19-22): Ele permaneceu na prisão até que se cumprisse o que ele dissera e a palavra do Senhor o provasse, levando o Faraó a soltá-lo e torná-lo governante sobre o Egito.
Este trecho é um hino que relembra a história de José como parte da fidelidade de Deus para com a aliança com Abraão e Jacó.
Salmo 105:19, refere-se ao período de provação de José no Egito. Ele descreve o tempo entre a promessa de Deus (os sonhos de José) e o seu cumprimento, durante o qual José foi testado e amadurecido pela palavra do Senhor na prisão. A expressão "a palavra do Senhor o provou", sublinha que a provação prepara o caráter para o propósito divino.
O versículo refere-se à história de José, vendido como escravo e preso injustamente, cujos "pés apertaram com grilhões" (v. 18). O tempo de espera e sofrimento ("até ao tempo em que chegou a sua palavra") funcionou como um refinamento divino ("a palavra do Senhor o provou").
A provação termina quando a palavra de Deus se cumpre, resultando na libertação de José pelo rei (Faraó) e na sua ascensão a governador do Egito.
A Bíblia ensina que o processo de provação prepara o servo de Deus para o cumprimento da promessa e para governar ou agir com sabedoria, como ocorreu com José ao instruir os anciãos do Egito.
4. Sobre o Êxodo e as Pragas (v. 23-38), o versículo 23, refere-se ao momento em que José, quando ocupando a posição de governador do Egito, trouxe seu pai Jacó e seus irmãos para morar na região de Gósen.
²³ Então Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cão. Salmo 105:23
O versículo relata a mudança de Jacó (Israel) e sua família para o Egito, fugindo da fome em Canaã. Esse evento foi orquestrado por Deus para proteger, multiplicar e transformar o povo hebreu em uma grande nação, cumprindo sua aliança com os patriarcas.
A "Terra de Cão" é uma referência poética ao Egito. Cão era filho de Noé, cujo descendente Mizraim povoou o Egito. Usar esse termo enfatiza a soberania de Deus sobre nações pagãs.
A peregrinação no Egito não foi um acidente, mas parte do plano de Deus para preservar a família de Jacó durante a seca e a fome e fazê-los crescer numericamente, longe das influências cananeias de extrema iniquidade, que Deus ordenou a Israel que não os imitasse se corrompendo, visando evitar que Israel adotasse suas práticas cultuais de adoração a outros deuses.
Os descendentes de Canaã (cananeus) estabeleceram uma sociedade considerada idólatra, com cultos que envolviam feitiçaria, necromancia, sacrifícios humanos de crianças (queimavam seu filhos), prostituição cultual e outras práticas que eram abomináveis aos olhos de Deus com práticas sexuais indevidas e imorais (Gn. 9:25-27 e 15:16; Dt. 7:1-5; Ex. 23:33; Js. 11:20).
Deus providenciou abrigo a Jacó (Israel) mesmo em terras estrangeiras. O versículo destaca a providência divina que transforma um momento de crise (fome) em uma oportunidade de crescimento e proteção do Seu povo.
A Terra de Gósen, era uma região fértil no nordeste do Egito, situada no delta do Nilo, designada pelo Faraó a José para que sua família (Jacó e os hebreus) habitasse. Localizada leste do delta, era ideal para pastagens, onde os israelitas prosperaram, se multiplicaram e foram poupados das pragas egípcias.
Acredita-se que Gósen ficava no Baixo Egito, possivelmente no Wadi Tumilat, um local estratégico, distante do centro cultural egípcio, permitindo que os hebreus mantivessem sua identidade pastoral.
O Wadi Tumilat é um vale fértil e histórico de 50 km de extensão, situado a leste do Delta do Nilo, no Egito, conectando a região de Zagazig ao Lago Timsah (Ismaília). Historicamente, funcionou como uma rota comercial estratégica entre o Egito e a Ásia, um canal dos faraós e área de assentamento antigo.
É um leito seco de um antigo distributário do rio Nilo, com largura variando entre 2 a 6 km. Frequentemente associado à "Terra de Gósen" no Pentateuco. Local do "Canal dos Faraós", que conectava o Nilo ao Mar Vermelho.
Era uma área de pastagem, adequada para criadores de ovelhas e gado, como relatado em Gênesis 46:34 e 47:1-6, quando José orientou sua família a se identificar como pastores de ovelhas ao faraó para habitar na terra de Gósen, pois pastores eram considerados abominação pelos egípcios, garantindo separação e pastagens.
José instrui seus irmãos a dizerem que são pastores de rebanhos desde a juventude, tal como seus antepassados. O texto observa que "todo pastor de ovelhas é abominação aos egípcios". Isso era estratégico para que a família de Jacó vivesse separada, na região de Gósen, evitando a assimilação cultural.
- A Apresentação ao Faraó (Gn 47:1-4): José informa ao Faraó que seu pai e irmãos vieram de Canaã por causa da fome. Ele apresenta cinco de seus irmãos, que reafirmam sua ocupação como pastores e pedem permissão para habitar em Gósen.
O faraó acolheu a família de Jacó e permitiu que se estabeleçam na melhor parte do Egito.
- A Permissão de Habitação (Gn 47:5-6): O Faraó, demonstrando favor a José, concorda em assentar a família na terra de Gósen, a melhor região, e até sugere que, se houver homens capacitados entre eles, cuidem do gado do próprio Faraó.
José estabelece seu pai e irmãos nesta região, conforme ordens do Faraó (Gênesis 47:11).
A região conhecida como Terra de Gósen (ou Gosen) também é chamada de "Terra de Ramessés" ou "terra de Ramesés", em algumas passagens bíblicas, situando-se no nordeste do Delta do Nilo, no Egito.
O termo refere-se à área fértil onde Jacó e seus descendentes habitaram, sendo descrita como "o melhor da terra do Egito".
Êxodo 1:11, menciona que os israelitas construíram cidades-armazéns para Faraó, chamadas Pitom e Ramessés. Êxodo 12:37, indica que os israelitas partiram de Ramessés em direção a Sucote no início do Êxodo.
Em identificação arqueológica o local geralmente é identificado como a área de Pi-Ramessés (ou Per-Ramsés), que foi a capital do Baixo Egito durante o reinado de Ramsés II. Muitos estudiosos consideram "Terra de Ramessés" e "Terra de Gósen" como sinônimos ou áreas sobrepostas, onde a região de Gósen (Wadi Tumilat) foi posteriormente denominada Ramessés devido à construção da cidade de Pi-Ramessés.
A área era propícia para pastoreio, o que explica por que José a escolheu para sua família. Essa mudança para o Egito marca a preservação da família de Jacó durante a fome e o início do crescimento deles como uma grande nação, conforme a promessa divina a Jacó em Berseba.
O salmista relata o crescimento de Israel no Egito, a posterior opressão, e o envio de Moisés e Arão. Descreve as pragas enviadas como juízo sobre o Egito e a libertação do povo, destacando que nenhum israelita saiu doente ou fraco.
A "Terra da Graça", foi descrita como um refúgio e local de proteção divina, onde o gado e as casas dos israelitas foram poupados durante as pragas enviadas ao Egito, evidenciando o cuidado de Deus.
Os hebreus viveram em Gósen durante todo o período em que estiveram no Egito (cerca de 430 anos), desde a época de José até o Êxodo, período essencial para o crescimento inicial da nação de Israel antes de se tornarem escravos e, eventualmente, partirem para a Terra Prometida.
6. A provisão de Deus no Deserto e a conquista da Terra Prometida (v. 39-45), é mencionada no relato da proteção da nuvem e do fogo, do sustento com codornizes e do "pão do céu" (maná), e da água da rocha. E, termina com o povo herdando as terras de outras nações, com o propósito de guardarem as leis de Deus.
O salmista convida a "buscar o Senhor", "contar as suas obras" e "fazer conhecidos os seus feitos entre os povos".
- Adoração e Louvor: Utilizado em momentos de culto para exaltação a Deus.
- Reflexão sobre a Fé: Usado para recordar livramentos passados em tempos de dificuldade.
- Estudo Histórico-Bíblico: Serve como um resumo da história de Israel da aliança à conquista da terra, conforme relatado em 1 Crônicas 16.
O Salmo 105 no geral lembra as maravilhas de Deus. É um hino de louvor que relembra a fidelidade de Deus à sua aliança, desde Abraão até à entrada no Egito, destacando como Ele cuida dos seus ungidos: "Não toqueis nos meus ungidos", v. 15, enfatizando a proteção de Deus sobre seus escolhidos.
O propósito é louvar a Deus, lembrar de Sua fidelidade histórica e confiar em Sua providência no presente. O salmo termina com "Aleluia" (Louvai ao Senhor).
É uma "crônica" histórica que celebra a fidelidade de Deus e a sua aliança com o povo de Israel. Diferente do Salmo 106, que foca na desobediência do povo, o Salmo 105 destaca como Deus cumpriu suas promessas desde Abraão até a conquista da Terra Prometida.
⁴⁵ "Louvai ao Senhor", v. 45, essa expressão é um convite bíblico à adoração. A frase "Cantai-lhe, cantai-lhe salmos", citada no versículo 2, também foi registrada em 1 Crônicas 16:9. O texto completo incentiva a: Cantar e louvar a Deus; Falar de todas as Suas maravilhas; Gloriar-se no Seu santo nome.
A frase foi popularizada pela música "Cantai-lhe Salmos", lançada em 1998 pela Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul (CEIZS) no álbum Rompendo em Fé. Letra: A composição de Gisele e Gilberto Ribeiro foca na fidelidade de Deus e na aliança feita com o povo de Israel.
Trecho marcante:
"Cantai-lhe, cantai-lhe salmos / Falai das Suas maravilhas / Gloriai-vos no nome do Senhor / Porque uma aliança fez com Israel".
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário