Salomão destaca neste capítulo 28 o contraste entre a insegurança de quem age mal e a confiança inabalável de quem caminha com integridade, pois fé é uma palavra que rima com atitude, persistência, coragem e outras dimensões da sabedoria.
🜲 ¹ "Os ímpios fogem sem que haja ninguém a persegui-los; mas os justos são ousados como um leão", Prov. 28:1-28.
A culpa em consequência dos próprios atos é um fardo, gera medo, insegurança e a necessidade de fugir, mesmo sem perseguição externa, atormentando os ímpios, como uma paranoia constante.
Diversas pessoas na Bíblia tentaram se esconder ou fugir após cometerem erros ou pecados, geralmente motivadas por medo, vergonha ou culpa. Os exemplos mais proeminentes incluem:
1. Adão e Eva: Após desobedecerem a Deus comendo do fruto proibido no Jardim do Éden, eles sentiram vergonha por estarem nus e se esconderam entre as árvores quando ouviram a voz do Senhor se aproximando.
2. Jonas: Quando Deus o chamou para pregar em Nínive, Jonas tentou ativamente fugir da sua responsabilidade e da presença de Deus. Ele embarcou em um navio na direção oposta, para Társis, e se escondeu no porão da embarcação.
3. Elias: Após um grande triunfo sobre os profetas de Baal, Elias recebeu uma ameaça de morte da rainha Jezabel e fugiu com medo. Ele viajou para o Monte Horebe e se escondeu em uma caverna.
4. Jacó: Depois de enganar seu irmão Esaú para obter a bênção de seu pai Isaque, Jacó fugiu de casa para escapar da ira de Esaú, que queria matá-lo.
Essas histórias ilustram a tendência humana de tentar evitar as consequências dos próprios atos e a onipresença de Deus, de quem, em última instância, ninguém pode se esconder. A solução para o erro não é a fuga, mas o arrependimento, a confissão e a busca por perdão e restauração.
A retidão traz paz e coragem, aos justos que são ousados (intrépidos), demonstram uma segurança destemida como de um leão. Diversas pessoas na Bíblia foram abençoadas por andar em comunhão com Deus, demonstrando fé e obediência. Os exemplos mais notáveis incluem Enoque, Noé, e Abraão.
1. Enoque: A bênção de Enoque foi única e extraordinária. Ele andou com Deus por 300 anos e, ao invés de morrer como todos os seus contemporâneos, "já não era, porque Deus o tomou para si" (Gn. 5:24). Isso demonstra uma intimidade e aprovação divinas excepcionais, sendo um dos poucos a escapar da morte física na Bíblia.
2. Noé: Em uma geração corrompida, Noé foi descrito como um homem justo e íntegro que andava com Deus. A bênção que recebeu foi a preservação de sua vida e de sua família durante o Dilúvio Universal, além de ser escolhido por Deus para repovoar a Terra e estabelecer uma nova aliança (Gn. 6:9; 8:15-9:17).
3. Abraão: Chamado por Deus para sair de sua terra natal, Abraão obedeceu e andou em fé, crendo nas promessas divinas. Ele foi abençoado com a promessa de se tornar uma grande nação, ter sua descendência abençoada e ser o "pai de muitas nações" (Gn. 12:1-3; 17:4-6). A bênção de Abraão estendeu-se a todos os que creem.
4. José: Embora não seja explicitamente dito que "andou com Deus" da mesma forma que Enoque, a presença de Deus estava com José durante todas as suas provações, desde a escravidão até a prisão. Como resultado, ele prosperou em tudo o que fazia e, eventualmente, tornou-se o governador do Egito, salvando sua família e muitas outras pessoas da fome (Gn. 39:2-3; 41:41-43).
5. Davi: Descrito como um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), Davi buscou a Deus constantemente em sua vida. Ele foi abençoado com a unção para ser rei de Israel e com a promessa de uma dinastia eterna, da qual viria o Messias.
Essas histórias ilustram que andar com Deus envolve comunhão, obediência, fé e retidão que trazem a tranquilidade, paz, segurança, coragem que resultam em bênçãos a eles e a sua geração, desde o livramento, a prosperidade, até o destino eterno.
🜲 ⁴ "Os que deixam a lei louvam o ímpio; porém os que guardam a lei contendem com eles". Prov. 28:1-28.
Essa é uma forte reflexão sobre integridade e posicionamento moral. O provérbio destaca que a nossa atitude em relação aos erros alheios revela o nosso próprio compromisso com a justiça.
Muitas pessoas na Bíblia deixaram a Lei de Deus, desde indivíduos como o Rei Saul, que se mostrava desobediente e rebelde, a Sansão, que desrespeitou aos votos nazireus, a mulher de Ló e até nações inteiras como Israel, que frequentemente se voltava para a idolatria, mostrando a apostasia e suas consequências em se deixar seduzir pela insensatez do homem sem conhecimento e pelas transgressões do homem ímpio.
Em termos práticos, o capítulo sugere que:
1. Omissão é aprovação: Quem ignora princípios éticos acaba, indiretamente, validando o comportamento de quem age mal.
2. Coragem moral: Guardar a lei (ou manter a integridade) exige o confronto necessário contra a injustiça.
Louvar o ímpio na Bíblia é geralmente visto de forma negativa, pois implica em aprovar ou celebrar a injustiça e a maldade, o que é contrário aos princípios divinos. As Escrituras advertem contra tal comportamento, pois a aprovação da iniquidade desvirtua a justiça e pode levar ao juízo divino.
O livro de Provérbios contém advertências explícitas. Por exemplo, Provérbios 24:24-25 diz que quem disser ao ímpio: "Tu és justo", será amaldiçoado pelos povos e detestado pelas nações; mas os que o repreendem terão prazer, e sobre eles virá a bênção do bem.
A Bíblia estabelece clara distinção entre o justo (que segue a Deus) e o ímpio (que vive no pecado e na desobediência). Louvar o ímpio é, essencialmente, confundir ou inverter essa distinção moral, o que é abominável a Deus.
A aprovação do mal é vista como uma forma de participar dele. A palavra de Deus enfatiza a importância de buscar a justiça e a retidão, e não de celebrar aqueles que praticam o mal.
A Bíblia desencoraja fortemente o ato de louvar o ímpio, pois isso compromete os padrões de santidade e justiça que Deus estabeleceu para o Seu povo.
🜲 ¹³ "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia", Prov. 28:1-28.
Essa é uma daquelas verdades diretas que não dão margem para erro. O provérbio esclarece que o sucesso baseado em segredos ou "jeitinhos" é ilusório e passageiro. A lógica bíblica aqui é prática:
a) Encobrir as transgressões gera o peso da culpa e o medo de ser descoberto;
b) Não prosperará: Quem esconde seus erros não alcança o sucesso verdadeiro, pois o pecado cria uma barreira com Deus e consigo mesmo, impedindo o crescimento e a bênção;
c) Engano e Ruína: O pecado, ao ser escondido, se torna um fardo e um engano que promete vida, mas traz morte e ruína espiritual;
d) Confessar e abandonar as transgressões gera alívio e a oportunidade de recomeçar com o favor de Deus;
e) Alcançar Misericórdia: Ao fazer isso, a pessoa é perdoada por Deus, que é fiel e justo para purificar de toda injustiça (1 João 1:9), abrindo caminho para a verdadeira prosperidade e paz.
É preciso saber a diferença de conceito para entender:
1. Pecado é errar o alvo, uma falha geral; ação de falhar;
2.Transgressão é violar um ordenamento. É a desobediência consciente de um mandamento, aliança... lei conhecida;
3. Iniquidade é a corrupção interna e a prática contínua do mal, um estado de rebelião enraizado, um estado pervertido do coração que leva a transgredir, conforme a teologia bíblica.
🜲 ¹² "Quando os justos exultam, grande é a glória; mas quando os ímpios sobem, os homens se escondem", Prov. 28:12 - 🜲 ²⁸ "Quando os ímpios se elevam, os homens andam se escondendo, mas quando perecem, os justos se multiplicam", Prov. 28:28.
Esses versículos de Provérbios 28 traçam um paralelo direto entre a liderança de uma nação e o bem-estar do povo.
1º - O provérbio no versículo 12, destaca que a alegria dos justos traz dignidade e "glória" pública, enquanto a ascensão de pessoas cruéis gera medo e retração social.
2º - O provérbio no versículo 28, reforça que o florescimento da justiça depende da queda da impiedade. Quando governantes perversos perdem o poder, os cidadãos de bem voltam a aparecer e a prosperar.
O caráter de quem governa determina se o povo vive com liberdade ou se esconde por segurança.
De acordo as principais traduções:
1. "Quando os justos exultam, grande é a glória; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se" - Versões Tradicionais e Clássicas Almeida Revista e Corrigida (ARC).
2. "Quando triunfam os justos, há grande glória; mas, quando sobem os perversos, os homens se escondem" - Almeida Revista e Atualizada (ARA).
3. "Quando os homens justos se regozijam, há grande glória, mas quando os perversos sobem, um homem se esconde" - King James Fiel 1611 (BKJ).
4. "Quando os justos triunfam, há grande glória; mas, quando os ímpios sobem ao poder, cada um trata de esconder-se" - Versões Contemporâneas e Linguagem Simples Nova Versão Internacional (NVI).
5. "O triunfo dos justos traz grande alegria, mas a ascensão dos maus faz as pessoas se esconderem" - Nova Almeida Atualizada (NAA).
6. "Quando os bons alcançam o poder, todos se alegram; mas, quando os maus sobem ao governo, todos se escondem" - Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH).
Essas variações mostram que, independentemente da palavra usada, glória, alegria, triunfo sob a liderança dos bons, dos justos, a mensagem central é sobre o impacto social da liderança justa versus a tirânica.
A sabedoria, o conhecimento e o entendimento sobre a graça divina é o sustentáculo durante a provação das pessoas que estão sob liderança do homem perverso, mau, ímpio, opressores. A Bíblia relata diversos casos de pessoas que se esconderam ou fugiram de líderes ímpios, como parte de sua jornada de fé ou para preservar suas vidas e o propósito de Deus para elas.
Exemplos Bíblicos Notáveis
1. Moisés: Quando o Faraó ordenou a morte de todos os bebês meninos hebreus, a mãe de Moisés escondeu-o e depois o colocou em um cesto no rio Nilo para salvá-lo. Mais tarde, após matar um egípcio, o próprio Moisés fugiu do Faraó para o deserto antes de ser chamado por Deus para libertar Israel, (Êxodo 2:1-4, 11-15 e 3).
2. Davi: Davi foi perseguido implacavelmente pelo Rei Saul, que tinha ciúmes de sua popularidade e via Davi como uma ameaça ao seu trono. Davi passou anos se escondendo em cavernas, desertos e até mesmo em território inimigo para escapar da ira de Saul (1 Samuel cap. 18, 19, 21-24 e 27).
3. Profetas sob Jezabel: A Rainha Jezabel, esposa do Rei Acabe, perseguiu e matou os profetas do Senhor. O profeta Elias fugiu para o deserto, e em uma ocasião, um oficial chamado Obadias escondeu cem profetas em duas cavernas para protegê-los de Jezabel (1 Reis 18:1-16; cap. 19 e 21).
4. Elias: Após confrontar os profetas de Baal e Jezabel ameaçar sua vida, Elias fugiu para o deserto, onde se escondeu em uma caverna e foi encorajado por Deus a seguir em frente (1 Reis 19:1-8).
5. Jesus (Fuga para o Egito): Após o nascimento de Jesus, um anjo advertiu José em sonho que o Rei Herodes planejava matar o menino. José fugiu com Maria e Jesus para o Egito, permanecendo lá até a morte de Herodes, cumprindo assim as Escrituras (Mateus 2:13-15).
6. Os Apóstolos: Em várias ocasiões, os apóstolos enfrentaram perseguição de líderes religiosos e governamentais ímpios. Eles frequentemente escapavam das cidades, escondiam-se e continuavam a pregar em outros lugares, orientados pelo Espírito Santo (Atos 8:1-4; 9:23-25; 13:50-51; 14:5-7; Mateus 10:23).
Jesus mesmo instruiu seus discípulos a fugir quando perseguidos: "Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem," (Mt. 10:23).
Esses exemplos mostram que a fuga era uma estratégia legítima e divinamente orientada para a sobrevivência e a continuação da obra missionária, e não um ato de covardia.
Princípios Bíblicos
Essas histórias demonstram que, embora a Bíblia ensine a submissão às autoridades, a obediência a Deus tem prioridade máxima. Em face da perseguição ímpia e de ameaças à vida, a fuga e a ocultação são respostas consideradas válidas e, por vezes, divinamente orientadas, permitindo que o propósito de Deus se cumpra.
Provérbios 28:1 diz: "Os ímpios fogem, mesmo quando ninguém os persegue, mas o justo é corajoso como o leão"; no entanto, a coragem do justo não exclui a prudência que adiciona dimensão e profundidade a sabedoria para saber quando agir com confiança e quando evitar a impulsividade e outros perigos desnecessários, reforçando a ideia de proteção justa e ponderada.
Quando o ímpio governa - (tema abordado no próximo estudo - Prov. 29) - a oração e a obediência a Deus é a base da resistência física e espiritual, como um "refúgio secreto", para fortalecer a fé e encontrar paz em Sua presença, pois é notório que as pessoas sofrem sob governo ímpio, sendo fundamental manter a esperança, trabalhar e se esforçar pelo bem-estar pessoal e coletivo, participar das decisões públicas na busca por líderes justos, confiar que Deus age em favor dos justos.
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Para reflexão indico o livro O Refúgio Secreto, ("The Hiding Place"), escrito por Corrie ten Boom com John e Elizabeth Sherrill. A 1ª edição do livro foi lançada no Brasil em 1974 pela Editora Betânia e uma edição mais recente, da editora Publicações Pão Diário, foi lançada em 2016. Eu li o livro por volta de 1983, ainda na adolescência, e nunca esqueci.
O livro aborda a história real da família de Corrie durante a 2ª Guerra Mundial, que escondeu judeus dos nazistas em sua casa na Holanda. A narrativa detalha como a família foi traída e enviada para campos de concentração, e o destino das irmãs é um ponto central da história.
Especificamente, o livro aborda a sobrevivência das irmãs e de alguns outros que se encontravam sobre igual perseguição, que é a parte que nos faz chorar profundamente de desespero, por elas, seus familiares, amigos e todos os demais que sofreram sob a liderança de homens perversos, ímpios - sem temor à Deus.
Corrie ten Boom foi a única de sua família imediata a sobreviver ao cativeiro e que estava entre os libertados do campo de concentração de Ravensbrück. Sua irmã, Betsie ten Boom, que estava com ela, não sobreviveu e morreu no campo de concentração de Ravensbrück devido às condições brutais e doenças.
Após a guerra, ela dedicou sua vida a compartilhar sua história de fé, perdão e esperança. Portanto, o livro aborda a sobrevivência de Corrie e a morte de sua irmã Betsie, um testemunho da superação do mal através da fé, mesmo diante de perdas inimagináveis.
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