terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Valorize o que permanece


Introdução:

Viver uma vida plena, não é ter tudo o que se deseja, mas ter tudo o que se precisa em Deus, encontrando alegria plena na Sua presença: "Tu me farás conhecer o caminho da vida; na tua presença há plenitude de alegria, à tua direita, delícias perpetuamente." (Salmos 16:11).

A plenitude de Deus capacita o cristão a viver dignamente, superando desafios e vivendo de forma transformada pelo poder divino. A plenitude é alcançada, quando pedimos a Deus.

Em Efésios 3:14-19, o apóstolo Paulo ora pela igreja ¹⁴ "Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo", para pedir que os cristãos sejam fortalecidos pelo Espírito Santo, para que Cristo habite em seus corações pela fé, firmando-os no amor, a fim de que compreendam a largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Cristo e sejam cheios da plenitude de Deus, um amor que excede todo o entendimento.

Sobre "a plenitude do bom nome" Salomão ensina em Provérbios 22:1, que ter uma reputação integral, inatacável e de grande valor, perante a opinião pública, é gratificante e marca a pessoa ao longo da vida, pois é sinônimo de honra, integridade e respeito perante o outro:.

          ¹ Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro. Prov. 22:1.

Quanto ao critério de julgamento social, Salomão diz que o que faz com que o rico e o pobre sejam merecedores de consideração e estima é o bom nome, não é ter riqueza ou a ausência dela, sendo ambos são feitura das mãos de Deus que a todos dá igual oportunidade para construir e preservar no dia a dia, uma reputação de valor.

           "Não existe diferença entre o rico e o pobre porque foi o SENHOR Deus quem fez os dois." Prov. 22:2 - Linguagem de Hoje (NTLH).

Os capítulos 22 e 23 de Provérbios apresentam pontos de vista de Salomão que são retomados e apresentados em uma sequência de versículos que se conversam e se complementam, para logo em seguida ser feito um questionamento intencional ao Filho, como reflexão.

No capítulo 22, após instruir o Filho que Deus fez ricos e pobres (v.2), porém a riqueza material era perecível, mas o bom nome era uma riqueza eterna (v.1); que o galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas, honra e vida (v.4,7,9,16); que quem ama a pureza de coração, e é amável de lábios, será amigo do rei (v.11);

E, para que a confiança do Filho estivesse no Senhor Deus, Salomão lhe disse que se ele guardasse em seu coração as palavras de sabedoria que ele as ensinava naquele, e as aplicasse, seria agradável tanto a ele quanto aos que dele as ouvissem (v.6,17-19). 

Salomão dialoga com seu aprendiz de modo avaliativo, e usa os advérbios "Porventura" e "assim", como conectivos para amarrar as ideias e dar um senso de finalidade, ao que foi ensinado. Então, para cada fechamento Salomão faz um questionamento ao Filho para ele refletir e consolidar o que aprendeu.

1º Questionamento:

       ²⁰ Porventura não te escrevi excelentes coisas, acerca de todo conselho e conhecimento, ²¹ Para fazer-te saber a certeza das palavras da verdade, e assim possas responder palavras de verdade aos que te consultarem? (Prov. 22:20,21).

Certamente a resposta mental do Filho foi afirmativa, porque ele estava sendo preparado pelo rei Salomão, para a sua entrada na vida adulta.

A transição para a vida adulta é um marco significativo a diversas culturas ao redor do mundo. A celebração e o reconhecimento desta "passagem", dessa nova fase podem ser marcados por tradições culturais, eventos formais ou até mesmo ações simbólicas.

Salomão em várias ocasiões, como em Provérbios 23:15-16, deixa indícios de que a celebração desta nova fase do Filho seria aquela que ressoa com os valores da pessoa, sua família e sua cultura, reconhecendo o crescimento pessoal e a nova autonomia adquirida; e, logo depois da opinião pública: a reputação do bom nome.

Naquela época talvez a transição de um filho para a vida adulta não fosse marcada por uma cerimônia única e específica. Em vez disso, envolvia uma combinação de instrução familiar contínua, aceitação gradual de responsabilidades a cada constatação de que estava aprovado e pronto a avançar.

O livro de Provérbios enfatiza a responsabilidade dos pais em instruir seus filhos no caminho da sabedoria e do temor a Deus na infância (Prov. 22:6), corrigindo a criança sempre que preciso (Prov. 22:15; 23:13-14).

A transição para a vida adulta era vista como um processo contínuo de educação moral (caráter, ética, valores), social (habilidades interpessoais) e espiritual (propósito, crença, fé), preparando o jovem para tomar decisões justas e sábias. Assim ao se dirigir ao Filho, Salomão enfatiza repetidamente a importância de ouvir a instrução do pai e da mãe (Prov. 1:8, 4:3-4; 22:28; 23:10,22)

As crianças, por vezes a partir dos 12 anos, começavam a participar mais plenamente das festividades religiosas anuais, o que pode ter servido como um rito de passagem prático, embora não uma cerimônia formal de passagem para a vida "adulta".

A idade de 20 anos era o marco bíblico para a elegibilidade para o serviço militar e para ser contado em censos nacionais (Números 1:1-3). Isso indicava a plena aceitação das responsabilidades cívicas e comunitárias como um adulto.

Ao que tudo indica a "celebração" no processo de autonomia e responsabilidade ocorria a cada constatação de que o Filho estava preparado para uma vida de retidão e sabedoria, então lhe era confiado novas responsabilidades familiares, sociais...

Em Provérbios capítulo 22, Salomão aconselha o Filho a prudência e humildade (temor do Senhor), exaltando a educação de crianças e encoraja a generosidade e a sabedoria, com confiança em Deus; adverte sobre os caminhos do perverso; e, aconselha evitar ser fiador de dívidas; não explorar o pobre, criticando a opressão e a preguiça; não remover os marcos antigos deixados por seus pais; não ser amigo de pessoas impulsivas e briguentas, para não se corromper, pois essas atitudes são armadilhas; e que ele deveria preservar a sabedoria familiar.

2º Questionamento:

          ²⁹ Viste o homem diligente na sua obra? Perante reis será posto; não permanecerá entre os de posição inferior. (Prov. 22:29).

"Viste" está no pretérito perfeito do indicativo, na 2ª pessoa do singular (tu), do verbo "ver" (tu viste). É um tempo verbal que indica uma ação concluída no passado: "Viste o homem diligente na sua obra?

Era uma pergunta retórica com intuito de enfatizar uma verdade: a diligência no trabalho conduz a plenitude (satisfação pessoal) e ao reconhecimento público. Perguntou como conferindo a execução de uma "tarefa de casa". Viste? E, o Filho tinha visto "o homem". Sabia a qual homem Salomão se referia.

O ensino de sabedoria por trás da retórica é que a pessoa diligente naquilo que se propõe a fazer não passará despercebida. Será notada, seja por familiares ou a sociedade, o seu empenho é reconhecido, às vezes até mesmo em ambientes importantes.

Salomão cita que "o homem" diligente foi convidado a estar perante o rei. E, aproveita o momento para ensinar o Filho sobre os bons modos à mesa, para quando ele fosse o convidado, destacando que a diligência, a dedicação, a excelência, o cuidado com os detalhes, em tudo que se faz, conduz à sabedoria. 

Ser colocado "perante reis" é uma metáfora para o reconhecimento (menção) de honra, para gratificação (recompensa) pela dedicação ao trabalho e o aprimoramento pessoal, por não fazer o trabalho de qualquer maneira, não ser medíocre. Deus recompensa o trabalho bem-feito e usa o diligente para os Seus propósitos, como fez através de José no Egito e de Daniel na Babilônia.

3º Questionamento:

          ⁴ "Não te fatigues para enriqueceres; e não apliques nisso a tua sabedoria. ⁵ Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada? Porque certamente criará asas e voará ao céu como a águia", Prov. 23:4-5.

"Porventura" é um advérbio usado em frases interrogativas como a que Salomão usou para testar o seu aprendiz. Fazendo uma investigação, através de uma afirmação ele usou os conectores 'Porventura' (dúvida) e 'Porque certamente' (razão inquestionável), expressões comuns na linguagem bíblica para dar ênfase ou garantir uma afirmação

Mais uma vez, trata-se de uma pergunta retórica, Salomão não esperava uma resposta, pois o objetivo do questionamento era guiar o Filho (o ouvinte/o leitor) a uma determinada conclusão, enfatizando o seu ponto de vista.

Contudo, partindo do princípio que a resposta gestual do Filho ao questionamento foi negativa e que ele 'não colocaria toda a sua atenção e esforço em algo perecível, como riquezas materiais'. Segue o conselho:

1º - ⁴ "Não te fatigues para enriqueceres";

O advérbio de negação "não", foi usada para dar a ideia de ordem, conselho ou pedido para que algo não seja feito, no caso "fatigar" conjugado na 2ª pessoa do singular. Sendo assim: Não cause fadiga, aborrecimento .

Filho não te cause fadiga "a troco" de acumular riquezas.

Não se esforce, exaustivamente, para enriquecer a ponto de provocar fadiga, ficar aborrecido, esgotado, doente e continuar obsessivo no intuito de acumular riquezas ao longo da vida.

2º - "e não apliques nisso a tua sabedoria".

O advérbio de negação "não", foi usada para dar a ideia de ordem, conselho ou pedido para que algo não seja feito, no caso "aplicar" conjugado na 2ª pessoa do singular. Sendo assim: não pôr em prática, não usar, não empregar, ou não colocar algo (sabedoria) sobre outra coisa (enriquecimento).

Filho não use seu esforço e inteligência na busca excessiva por riquezas materiais, que são efêmeras (passageiras, transitórias). Se não é para trabalhar e adquirir dinheiro e bens com discernimento, não aplique sua inteligência, sua instrução, seu entendimento nisso, referindo-se a ganância.

3º - "a tua sabedoria"

Salomão diz: "a tua sabedoria", afirmando ao Filho você é sábio, conhece a natureza transitória e inconstante das riquezas (dinheiro, bens materiais), que podem surgir e desaparecer rapidamente, assim que você coloca nelas seu esforço e atenção, criam asas e voam (pelos céus) ficando sempre fora de alcance, como uma insatisfação perpétua, querer, obter e focar em novo objetivo, na busca constante do que ainda não se possui.

O mesmo versículo em algumas traduções diz:

a) "As riquezas desaparecem assim que você as contempla; criam asas e voam como águias pelo céu." (NVI)

b) "Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus." (ARA)

c) "Pois o seu dinheiro pode sumir de repente, como se tivesse criado asas e voado para longe como uma águia." (NTLH)

A Bíblia se refere a sabedoria como sendo mais valiosa que bens materiais, pois proporciona vida longa, riqueza e honra (Prov. 3:13-26; Eclesiastes 7:12), enquanto a riqueza é referida como dom de Deus (Eclesiastes 5:19; Deuteronômio 8:18; 1 Crônicas 29:12).

Contudo, dinheiro e bens são temporários e podem desaparecer rapidamente, sendo sábio adquirir riqueza material com discernimento sem se deixar consumir pela ganância, um vício autodestrutivo que causa insatisfação e corrompe os bons costumes (valores morais).

O desejo e esforço excessivo por dinheiro e bens é uma tolice (insensatez) além da pessoa adoecer física, moral, mental e espiritualmente, na busca da riqueza como se fosse uma fonte de segurança eterna, pois leva a cobiça, egoísmo, disposição de prejudicar os outros e outras atitudes antiéticas.

Salomão direciona o Filho a colocar o seu tempo, atenção, dedicação, inteligência, discernimento... em valores mais duradouros, naquilo que é permanente (espiritual). Priorizando o que é eterno: sabedoria, verdade, justiça e relacionamento com Deus. 

Conselho também encontrado em Mateus 6:19-21 (NVI): "Não acumulem tesouros na terra, onde traça e ferrugem destroem, e onde ladrões roubam e furtam. Acumulem, antes, tesouros no céu, onde traça e ferrugem não destroem, e onde ladrões não roubam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.".

Provérbios 22:9, diz: ⁹ O que vê com bons olhos será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre. - significa que aquele que tem a sua atenção voltada a necessidade do próximo e ajuda, será abençoado por Deus, que recompensa a atitude de generosidade com bênçãos. A razão da bênção é a ação de compartilhar recursos (o "pão") com quem precisa. A capacidade de ter empatia e ser generoso é vista como um reflexo do caráter cristão e essa "boa visão" é recompensada por Deus.

Conforme Provérbios 22:12: ¹² Os olhos do Senhor conservam o conhecimento, mas as palavras do iníquo ele transtornará -significa que Deus preserva e protege o verdadeiro conhecimento e a verdade, invalidando, confundindo ou derrubando as mentiras e os planos dos ímpios e traidores.

A vigilância divina sobre a sabedoria e a justiça, mostra que, embora as falas enganosas, as mentiras e as conspirações dos maus possam enganar temporariamente, a verdade de Deus prevalecerá, e os enganos serão expostos e frustrados. É um versículo que traz encorajamento, pois confirma que a justiça divina atua para que a sabedoria prevaleça sobre a falsidade.

Provérbios 23:23, diz: ²³ "Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento", é para valorizar e adquirir bens espirituais duradouros — como a verdade, a sabedoria, a instrução, o entendimento — em vez de buscar riquezas materiais ou prazeres passageiros.

A sabedoria é de valor inestimável. Use todos os recursos (tempo, dinheiro, esforço, atenção) para buscar a sabedoria, porque uma vez adquirida, trará honra, respeito e proteção, sendo um adorno valioso para a vida.

          ⁵ "Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca; ⁶ Não a abandones e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá; ⁷ A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento; ⁹ Dará à tua cabeça um diadema de graça e uma coroa de glória te entregará", (Prov. 4:5,6,7,9).

O provérbio sugere que seja adquirido a verdade, bem como princípios interligados: sabedoria (aplicação prática e discernimento para viver bem), instrução (ensino, conhecimento adquirido) e entendimento (compreensão do porquê e como) para viver uma vida plena.

Plenitude significa ser completamente preenchido por Deus, um estado de abundância, integridade e realização que vai além de bens materiais, sendo uma experiência de alegria, contentamento e poder divino em todas as áreas da vida, através da presença do Espírito Santo e do conhecimento do amor de Cristo, resultando em uma vida transformada e alinhada com a vontade de Deus, com satisfação e propósito.

Ao dizer "não aplique A TUA SABEDORIA nisso", em outras palavras Salomão disse ao Filho que ele estava preparado para a vida adulta. Apresentava paciência e capacidade para perceber detalhes que outros podiam perder. Antecipava desafios ou oportunidades. Sabia ouvir e obedecer. Nada fazia precipitadamente, antes, observava, planejava e agia demonstrando confiança, autonomia e sabedoria.

"Assim, fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.". - 2 Coríntios 4:18

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