Do capítulo 22 de Provérbios o estudo será feito com base em apenas dois versículos: Provérbios 22:6 e Provérbios 22:16.
1ª Parte do Estudo - Provérbios 22:6
⁶ Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. Prov. 22:6.
Estudando o livro de Provérbios, observa-se que Salomão usa o termo "filho" (aplicado a todos independente da idade), para um aprendiz disposto a seguir os princípios de sabedoria, a quem ele instrui como um pai fala com o "filho" para que ele seja sábio e não se deixe seduzir pelos pecadores, para praticar o mal.
Neste versículo (22:6), Salomão, usa "criança", para referir-se especificamente à infância, indicando que é nesta fase que se inicia a educação do filho "no caminho em que deve andar", moldando hábitos e valores fundamentais, preparando a criança para a vida.
Observe que não é simplesmente falar, apontar, indicar "o caminho" em que deve andar, dando a direção o trajeto, o conceito a criança. É para educar "no caminho" em que deve andar, durante o trajeto. Educar, instruir, informar a criança ESTANDO NO CAMINHO. Saber qual é o caminho é diferente de estar no caminho, de segui-lo, de percorrê-lo.
"Estar no caminho" é uma expressão idiomática (grupo de palavras com sentido próprio) que significa que a pessoa está progredindo ou avançando em direção a um objetivo específico ou um destino planejado.
De modo que Salomão refere-se a aprendizagem ativa da criança, estando: "no caminho", indicando que o ensino deve ser intencional, com planejamento, adaptação e propósito, para que a criança, desde o presente cresça sob "alicerce sólido", sendo os princípios de sabedoria a assegurar a vida plena do filho, até o futuro quando envelhecer.
Quando o filho está na fase da confrontação do que aprendeu no ambiente familiar na infância com as experiências "fora de casa" é quando Salomão estabelece um contraponto entre as atitudes do tolo (insensato) e do sábio, para que o "filho", que não é mais criança, talvez um adolescente ou um jovem adolescente, mais ainda um o "aprendiz de vida", FAÇA os ajustes, caso estes sejam necessários (Prov. 1:8).
O "aprendiz de vida", é o filho que tem uma atitude de humildade e abertura para o aprendizado contínuo, reconhecendo que a vida é uma jornada de desenvolvimento pessoal, onde se aprende com experiências, erros, sucessos e interações, buscando sempre aprimorar-se e adaptar-se, na vida, com curiosidade, disciplina, autoconhecimento, valorizando os momentos positivos tanto quanto os desafios.
O objetivo de propiciar estes "testes que a vida aplica" ao filho aprendiz, ainda sob tutela dos pais, é APROVAR, desenvolver a autonomia e a resiliência, as novas habilidades... com intuito de consolidar a educação recebida na infância.
A 1ª parte do provérbio diz: "Educa a criança no caminho em que deve andar", (22:6.a).
É DESAFIADOR, pois há pais que agem como se a criança nascesse sabendo tudo. E, ela não sabe. Alguém tem que ensinar.
A criança deve ser educada de acordo as suas próprias tendências e aptidões naturais, sendo conduzida (guiada) para o bem, "no caminho certo", pois a instrução ainda na infância, molda o caráter e ecoa por toda a vida, influenciando no adulto que ela se tornará.
Os filhos são herança do Senhor Deus aos pais (Sl. 127 e 128). Deus incumbiu aos pais a missão de educar a criança com sabedoria para que esta cresça educada, instruída, responsável, confiável, capaz de se comunicar em suas interações sociais... e, seja motivo de orgulho a família, amigos e a sociedade.
É errado dizer: "quando crescer aprende."
A frase usada para justificar a ausência de ensino ou a falta de correção das crianças, sugere que a capacidade de aprender virá com a idade, o que é um equívoco, pois "¹ Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu", famosa citação bíblica de Eclesiastes 3:1.
Significa que Deus tem um plano e um tempo perfeito para cada acontecimento, mesmo aqueles que não o compreendamos totalmente. Tudo na vida tem o momento certo e o propósito divino, com ciclos de alegria e tristeza, nascimento e morte, plantar e colher.
A sabedoria está em confiar em Deus e viver cada fase com propósito. As crianças têm grande capacidade de aprender, a partir do exemplo e da prática, para isso, precisam do estímulo adequado para cada fase.
Embora o termo "criança" possa ser aplicado a pessoa que não atingiu a idade adulta, seja natural (puberdade), cultural (iniciação) ou legal (maioridade), no Brasil "Considera-se criança a pessoa até completar os doze anos de idade; e, adolescente dos doze até os dezoito anos de idade", Art. 2º da Lei nº 8.069/1990 - (ECA).
Na adolescência é comum a busca por independência e interações sociais e quase sempre, nesta fase, os adolescentes não estão dispostos a "instruções de sabedoria" dos pais ou de qualquer outro adulto. E, a educação que deveria ter acontecido na infância continuará estagnada sob a mesma desculpa: "quando crescer aprende".
Quando a criança recebe a educação "no caminho certo", sendo informada e instruída, o aprendizado voluntário é continuo ao longo de toda a vida, pois se criou o hábito, foi estabelecido uma rotina, desenvolveu-se o prazer pela aprendizagem e pela sabedoria.
A 2ª parte do provérbio afirma: "e até quando envelhecer não se desviará dele", (22:6.b), pois a instrução na infância e consolidada na adolescência, acompanha na juventude e perdura na velhice.
A importância de instruir a criança no caminho certo, está em que mesmo na velhice (Sl. 71:17,18), a pessoa manterá esses princípios, pois a base sólida de valores e ensinamentos recebidos na infância (Sl. 71:5-6) cria um padrão que influenciará suas escolhas, mesmo na idade adulta.
O provérbio descreve uma tendência geral e sábia, não uma garantia mecânica de que a pessoa nunca tomará outro caminho, mas a certeza que ela conhece o caminho certo.
O amor dos pais e de Deus pelos filhos é contínuo; e, sempre estendem a oportunidade de retorno aos filhos "desviados" do caminho, como na Parábola do Filho Pródigo, que quando o filho retornou o pai o acolheu com grande alegria e celebração, não pelos erros dele, mas porque o seu filho estava de volta.
Em Deuteronômio 6:6-7, a Bíblia registra um mandamento para a educação familiar e a vivência da fé: "E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te", Deut. 6:6-7.
Os pais devem ensinar os filhos em todas as situações e momentos da vida, pela prática e pelo exemplo, para que a fé "estas palavras, que hoje te ordeno", seja transmitida de geração em geração como parte integral da identidade familiar. A passagem enfatiza que não é uma instrução esporádica, mas constante e na prática.
Entre as palavras que se passa "de pai para filho", através do amor incondicional como modelo de vida de sabedoria "no caminho certo", preparando-o para a vida... estão valores como a fé, responsabilidade, integridade, coragem, respeito, autonomia, habilidades práticas de vida, finanças, cuidados com a saúde, apoio emocional - uma base sólida para o desenvolvimento do caráter e do bem-estar - focando em ser o guia para escolhas e desafios, no trajeto que fazem juntos.
2ª Parte do Estudo- Provérbios 22:16
¹⁶ O que oprime ao pobre para se engrandecer a si mesmo, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá. Prov. 22:16
O provérbio é um alerta contra a ganância e a injustiça. Tanto quem explora o pobre para enriquecer quanto quem "dá ao rico", buscando favores ou status, em vez de ajudar quem precisa, "estando em sua mão o poder de fazê-lo" (Prov. 3:27-28) sua ajuda resultará em perdas financeiras.
E, para reflexão, sobre reter o auxílio ou deixar de fazer o bem, não ajudar, imediatamente, quando temos os recursos e a capacidade de ajudar, segue a narrativa: "A mulher que comprou ovos".
˚ ʚɞ ˚。 Ela perguntou: - Por quanto o senhor está vendendo o ovo?
O velho vendedor respondeu: - R$ 0.60 centavos cada ovo, senhora. Vendo a R$ 7,20 a dúzia.
Ela disse: - Vou levar 6 ovos por R$ 3.00 - ou vou embora.
O vendedor respondeu: - Pode ser, você pode levar os ovos pelo preço que quer. Este é um bom começo porque não consegui vender nem um único ovo hoje.
Ela pegou os ovos e se afastou sentindo que ganhou. Entrou em seu carro elegante e foi a um restaurante caro com sua amiga.
No restaurante, almoçaram. Comeram um pouco e deixaram muito do que pediram. Quando foram pagar a conta. Ela se ofereceu para pagar também a conta da amiga.
Ela perguntou: - Quanto ficou a conta?
O atendente respondeu: - R$ 343,00.
Ela respondeu: - Tome R$ 400,00 e pode ficar com o troco.˚ ʚɞ ˚
A pessoa pode dar ou não a gorjeta e entregar o valor que desejar, porém é sugerido que a gorjeta seja 10% do valor de consumo. Então, de R$ 343,00 é R$ 34,30. Para um serviço excepcional 15% = R$ 51,45. Para um serviço excelente 20% = R$ 68,60.
Este incidente com a mulher pode ter parecido bastante normal ao funcionário do restaurante acostumado a receber gorjeta como taxa de serviço. Mas foi difícil e desconfortável ao vendedor de ovos, aceitar o desconto de R$ 060, centavos de sua margem de lucro.
Por que a pessoa mostrou ter o poder de decisão quando comprou do vendedor de rua? Por que não foi igualmente generosa com o vendedor de ovos como quando pagou no restaurante sem regatear o valor da conta e ainda deixou R$ 57,00 de gorjeta?
A história da mulher que "comprou ovos" serve como uma reflexão ou uma crítica irônica sobre como as pessoas escolhem onde ser "econômicas" e onde ser "generosas" com seu dinheiro, muitas vezes desvalorizando o trabalho das pessoas mais simples.
˚ ʚɞ ˚˚ ʚɞ ˚ Certo menino falando sobre seu pai, CONTOU:
"Meu pai costumava comprar produtos simples de pessoas pobres a preços elevados, mesmo que ele não precisasse deles. Às vezes, ele pagava a mais por eles. Então, certa vez, perguntei a ele:
- Pai porque o senhor pagou a mais por algo que temos em casa? E, meu pai respondeu:
- É uma caridade embrulhada com dignidade, meu filho". ˚ ʚɞ ˚
Significa que o pai estava, de fato, ajudando financeiramente a pessoa necessitada, mas fazia isso de forma que permitisse ao vendedor manter o seu orgulho e autoestima (dignidade).
Ao comprar o produto a um preço justo ou ligeiramente superior, em vez de simplesmente lhes dar dinheiro, ele transformava o pagamento a mais numa transação comercial.
O pai encontrou uma maneira sábia de praticar a bondade, sendo exemplo ao filho, de que a doação beneficia tanto quem recebe quanto quem faz a doação, para tanto ao ajudar o próximo não se deve considerar apenas a sua necessidade financeira, mas também a sua autoestima.
Desta forma, o vendedor sentia que estava ganhando o dinheiro em razão do seu trabalho e do seu produto. E, caso percebesse a caridade do homem ao pagar a mais pelo seu produto se sentiria agradecido pela generosidade e o respeito que recebeu junto com a doação.
Os provérbios de Salomão parecem se repetir de forma aleatória. De igual modo, os temas não seguem uma "organização sequencial". Assim ocorre de estar lendo um versículo e ter a nítida impressão que já leu aquele versículo ou aquele assunto antes.
E, isso ocorre, porque o objetivo é permitir que cada provérbio seja uma unidade completa de ensino, aplicável a diversas situações da vida diária, sem depender do contexto anterior ou posterior.
Sendo assim, e por minha conta, trouxe para este estudo de 02 versículos do capítulo 22 de Provérbios, outros 04 versículos do capítulo 23 de Provérbios 23 que "conversam entre si" e se complementam na temática da missão dos Pais para com os Filhos e que expandem o tema, mostrando a continuidade da mensagem ao concluir com a missão dos Filhos para com os Pais.
¹⁵ "Meu filho, se você se tornar sábio, eu ficarei muito feliz.¹⁶ Eu me sentirei orgulhoso quando ouvir você falar com sabedoria", - (Prov. 23:15,16 - -Nova Tradução na Linguagem de Hoje - NTLH).
Salomão expressa ao Filho, aprendiz, sua expectativa em testemunhar que ele está agindo e falando com sabedoria, que neste dia sentirá muito orgulho e felicidade. Destaca que o Pai tem prazer do Pai em constatar que o Filho aprendeu o que foi ensinado, que o Filho adquiriu sabedoria.
¹⁹ Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração. Prov. 23:19.
O conselho de Salomão ao Filho combina severidade e afeto, exortando-o a prestar atenção e a usar de sabedoria para manter suas intenções e desejos (seu coração) "no caminho".
²² Ouve teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando vier a envelhecer. Prov. 23:22.
Salomão exorta o filho, que não é mais criança, a manter o respeito aquele que lhe deu a vida: seu pai; e a não agir com indiferença (desprezo) com a sua mãe, especialmente, quando ela envelhecer.
Considerando que o Filho foi educado no caminho certo e que na busca por autonomia se tornou descuidado no tratamento com os seus pais, Salomão exorta o Filho a agir com sabedoria, respeitando, cuidando e honrando o seu pai e a sua mãe; mantendo o ambiente familiar saudável, por toda a sua vida.



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