domingo, 28 de dezembro de 2014

O Desafio de Amar


"O Desafio de Amar" (The Love Dare no original) é um livro devocional cristão de 40 dias, escrito por Stephen e Alex Kendrick, que desafia casais a praticarem o amor incondicional no casamento, independentemente do estado atual do relacionamento.

Sinopse e Temas Centrais
O livro funciona como um guia prático, dia a dia, para ajudar maridos e esposas a reacender ou fortalecer o compromisso conjugal.

Foi popularizado e serviu de base para a trama do filme "À Prova de Fogo" (Fireproof), também dirigido pelos irmãos Kendrick.


Os principais pontos abordados incluem:

Amor Incondicional: A premissa central é que o amor não é apenas um sentimento, mas uma decisão diária e uma prática ativa de bondade, paciência e sacrifício.

Desafios Diários: Ao longo de 40 dias, o livro propõe tarefas específicas para o cônjuge realizar, como evitar comentários negativos, fazer atos inesperados de gentileza, orar pelo parceiro e perdoar erros.

Reconciliação e Fortalecimento: O objetivo é transformar casamentos, mesmo aqueles à beira do divórcio, ensinando a lidar com questões complexas como comunicação, dinheiro, fé e ciúme de uma perspectiva bíblica.

Compromisso e Resiliência: O livro enfatiza a importância do compromisso duradouro e da resiliência necessários para manter um relacionamento saudável e feliz.

Em essência, "O Desafio de Amar" busca demonstrar que, ao escolher amar ativamente e incondicionalmente, os casais podem superar dificuldades e redescobrir a base do seu relacionamento.

O livro The Love Dare ("O Desafio de Amar"), de Stephen & Alex Kendrick, foi publicado originalmente em setembro de 2008 pela B&H Publishing Group.

Outras edições e livros relacionados foram lançados posteriormente, como:

The Love Dare, Day By Day (2009 e 2013)


The Love Dare for Parents (2013)



sábado, 29 de novembro de 2014

Aquieta Minh'Alma: Confie

 

Em Salmos 42:5 e 11, lemos que o salmista se questiona: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu".

O versículo inicia com um diálogo interno do salmista com sua própria alma, que está "abatida" (desanimada, triste desesperada) e "perturbada" (inquieta, angustiada), e qual era o motivo de tamanha aflição.

Logo, em seguida o salmista responde o seu questionamento com uma exortação a fé e esperança em Deus. Faz um chamamento a sua alma. Dá uma ordem, um "chacoalhão", em si mesmo... para esperar (confiar) em Deus.

Então o salmista afirma a sua alma - voltando ao diálogo interior - e, diz: "...ainda o louvarei" (futuro) a Ele (Deus).

A conceito LOUVAREI, bem assim no futuro do pretérito. Remete aquela frase:  "Lembro do dia que orei por coisas que tenho hoje".

O salmista confiante no socorro de Deus, já se via no futuro declarando as obras maravilhosas de Deus em lhe auxiliar no momento que vivenciou grande abatimento de sua alma.

O louvor é uma forma de gratidão, de reconhecimento da soberania de Deus. Que Deus é capaz de fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20).

É fundamental refletir: quando 'abatidos', oramos pedindo livramento, apenas "lamuriando" ou também pedimos livramento agradecendo e reconhecendo a presença de Deus em nossas vidas, mesmo em meio as provações.

Agradecer renova nossa esperança e fé nEle (Deus). Agradecer pelo AUXÍLIO (reforço), pela cooperação de Deus: "Por tudo que tens feito, Por tudo que vais fazer, Por tuas promessas, e Tudo que És, eu quero Te agradecer, com todo o meu ser, Te agradeço Meu Senhor", nos traz a paz e a confiança e nos renova o animo.


E, o salmista finaliza o diálogo com sua alma, com uma declaração, uma rápida oração: "meu auxílio e Deus meu", reconhecendo a presença de Deus em meio a sua angústia lhe dando forças, sendo seu refúgio, sua fortaleza, seu socorro.

O salmista instrui a alma a buscar a paz interior  através da fé, da confiança em Deus, mesmo em meio a aflições do mundo, não se deixando influenciar pelas circunstâncias.

Paz interior envolve substituir a ansiedade pela oração, ter um propósito firme em Deus. Confiante, para ter calma e forças para enfrentar os desafios.

Como se o salmista disse-se: "Aquieta Minh'Alma". Espere, Louve,  Ore e Confie!

Para refletir!

Salmos 46:1 - "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia".

João 14:27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

Filipenses 4:6-7⁶ Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. ⁷ E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.

Isaías 26:3 - Tu Senhor, conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti.

* Autoria: Elizabeth Nogueira


Aquieta Minh'Alma - Ministério Zoe (2014)


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Lugar de Oração


Na década de 90, ministrei Atos 16, a um grupo de mulheres da Igreja Batista, em Presidente Médici/RO, sob o título "Lugar de Oração", com base na referência do lugar nos versículos 13 e 16:

O capítulo narra acontecimentos da 2ª viagem missionária de Paulo, quando durante a noite teve uma visão, na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe suplicava: "Passe à Macedônia e ajude-nos"Depois dessa visão, Paulo, Timóteo, Silas e Lucas se prepararam, imediatamente para partir para a Macedônia, concluindo que Deus os tinha chamado para lhes pregar o evangelho.

Partindo de Trôade, navegaram para Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis. Dali partiram para Filipos, na Macedônia, colônia romana e principal cidade daquele distrito. Ali ficaram vários dias.

"¹³ No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que se haviam reunido ali. ¹⁴ Uma das que ouviam era uma mulher temente a Deus chamada Lídia, vendedora de tecido de púrpura, da cidade de Tiatira. O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo. ¹⁵ Tendo sido batizada, bem como os de sua casa, ela nos convidou, dizendo: "Se os senhores me consideram uma crente no Senhor, venham ficar em minha casa". E nos convenceu.

Quem eram: Paulo, Timóteo, Silas e Lucas?

Paulo (seu nome romano), antes da visão transformadora de Jesus no caminho indo para Damasco se chamava Saulo (seu nome judaico), era cidadão romano, fariseu e estudante da Lei Judaica, discípulo do influente rabino Gamaliel. De perseguidor de cristãos se tornou um missionário fundamental a expansão do cristianismo entre os gentios (não judeus), em cidades greco-romanas.

Foi o escritor das epístolas aos Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemom e Hebreus, do Novo Testamento, base da doutrina cristã, da ética, organização da Igreja e da salvação pela fé.

Sua vida marcada por provações intensas e prisões, foi recompensada na plenitude das viagens missionárias, do testemunho do Evangelho, da provisão e livramento de Deus, do poder e presença do Espírito Santo, da comunhão da igreja e dos irmãos em Cristo Jesus.

Timóteo, provavelmente convertido ao evangelho durante a 1ª viagem missionária de Paulo, tinha excelente testemunho dos irmãos em Listra e Icônio. Seu pai era grego. Sua mãe Eunice e sua avó Loide, eram cristãs.

Foi figura central nas epístolas de Paulo (1 e 2 Timóteo), mas sua introdução na narrativa bíblica ocorre em Atos 16:1-5, com sua escolha por Paulo para servir ao Senhor. A partir daí, Timóteo acompanha Paulo em suas viagens, sendo enviado a diversas igrejas para tarefas importantes.

Silas (ou Silvano), Mestre, Profeta, líder cristão. Viajou para Antioquia com Judas Barsabás, também líder e Profeta cristão, levando a Decisão do Concilio de Jerusalém, aos gentios, instruindo-os sobre a circuncisão (At. 15:22-41).

Colaborador de Paulo em suas viagens missionárias, especialmente após a separação de Paulo e Barnabé. Destacou-se por seu caráter encorajador e seu serviço fiel ao evangelho. Foi como um secretário para Pedro, acredita-se que tenha sido redator e portador da 1ª epistola de Pedro (1 Pedro 5:12).

Lucas, médico gentil (não judeu), instruído na cultura grega, discípulo de Jesus e companheiro de viagens do Paulo. Também é autor do Evangelho de Lucas e de Atos de Apóstolos, os quais dedicou a Teófilo (em grego Theophilos" (Θεόφιλος), significa "amado por Deus", "amigo de Deus"), provavelmente, um gentil convertido ao cristianismo.

O Evangelho de Lucas é uma obra em duas partes. A 1ª parte - Lucas, com relatos sobre o Evangelho: a vida de Jesus e de seus discípulos, milagres, curas, morte, ressurreição, ascensão de Cristo. A 2ª parte - Atos, sobre a igreja dos primeiros cristãos, a vida missionária dos apóstolos. Assim, os livros Lucas e Atos, se complementam, sendo considerados uma única obra.

Conforme o relato em Atos 16:13 - "E no dia de sábado", referindo-se ao sábado Judaico, ou Shabat (שַׁבָּת), era o dia de "descanso", dia semanal de santidade, começando ao pôr do sol de sexta-feira e terminando ao pôr do sol de sábado, dedicado a "cessar", pausar as atividades laborais (trabalho); e, dedicar-se a recreação em família, estudos espirituais, adoração, oração.

Então, depois de vários dias na cidade de Filipos - "No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, pois pensávamos que ali devia haver um lugar de oração para os judeus. Sentamos e começamos a conversar com as mulheres que estavam reunidas lá". NTLH (Bíblia -Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Estavam ali algumas mulheres reunidas, para orar. Paulo, Silas, Timóteo e Lucas, se assentaram para falar com elas Deu-se assim, início ao encontro que levou à conversão de Lídia e de todos de sua casa, ao evangelho.

Quem era Lídia?

Lídia, mulher de negócios, bem sucedida, de Tiatira (Ásia). Vendia tecidos de luxo, tingidos de púrpura. Um corante caro extraído de moluscos, que não desbotava e era muito valorizado a época, por ser associado a realeza e riqueza.

Conhecia praticas judaicas cristã antes de se converter ao Evangelho de Jesus Cristo. Paulo e seus companheiros de viagens missionárias conheceram Lídia a beira do rio em Filipos, na Macedônia, num lugar de oração, na primeira cidade europeia onde pregam o Evangelho

Lídia se converteu ao evangelho quando o Senhor abriu o seu coração às palavras de Paulo. Após o batismo, ela convidou Paulo, Silas, Timóteo e Lucas, para se hospedarem em sua casa, como prova de sua fidelidade e compromisso com Deus, demonstrando sua fé através do acolhimento. 

O encontro de Lídia com Paulo, Silas, Timóteo e Lucas foi fundamental a expansão do Evangelho na Europa, pois gerou uma base sólida para o início da primeira Igreja cristã. Mulher temente à Deus, sua conversão ao Evangelho de Cristo, não apenas transformou a sua vida, como também a vida de sua família e de sua comunidade.

Ao voltaram da prisão, foi na casa de Lídia que Paulo e Silas, foram recebidos, com alegria pelos irmãos (At. 16:40).

Por que Paulo e Silas foram presos?

É história para outro estudo. Contudo, resumidamente, falando. Tudo aconteceu quando Paulo e Silas se dirigiam ao lugar de oração, em Filipos, e foram presos, injustamente, após falsa acusação de alguns homens que dizendo que eles eram judeus os acusaram  de estarem perturbando a paz e a ordem da cidade, propagando costumes que os romanos não poderiam aceitar.

Mentiram. Decidiram mentir as autoridades quando ficaram sem a sua fonte de lucro. Sua escrava que antes possuída fazia predições, havia sido liberta após Paulo orar expulsando o espirito de adivinhação.

Sem terem a oportunidade de defesa ou mesmo de esclarecer os fatos, Paulo e Silas foram severamente açoitados publicamente e presos sem qualquer julgamento. O carcereiro instruído para vigiá-los com cuidado lhes trancou no interior do cárcere, prendendo os seus pés em grilhões (correntes presas a um tronco). 

Na prisão: - ²⁵ Por volta da meia-noite, Paulo e Silas estavam orando e cantando hinos a Deus; os outros presos os ouviam. ²⁶ De repente, houve um terremoto e os alicerces da prisão foram abalados. Imediatamente todas as portas se abriram, e as correntes de todos se soltaram. (At. 16:16-37)

O carcereiro vendo abertas as portas da prisão, quis tirar a sua própria vida porque pensava que os presos tivessem fugido. Mas Paulo gritou: "Não faça isso! Estamos todos aqui!" Assim que constatou que nenhum dos presos havia fugido, o carcereiro, prostrou-se diante de Paulo e Silas; e, levando-os para fora do interior da cela, perguntou: "Senhores, que devo fazer para ser salvo?" Eles, responderam: "Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa".

Paulo e Silas pregaram a palavra de Deus, ao carcereiro e a todos de sua casa. Naquela mesma noite todos foram batizados. O carcereiro cuidou de seus ferimentos e os levou a sua casa, servindo-lhes uma refeição e com todos os de sua casa alegrou-se muito por haver crido em Deus.

Ao amanhecer, os magistrados mandaram os seus soldados ao carcereiro com a ordem para soltar Paulo e Silas. Quando o carcereiro lhes disse: "Agora podem sair. Vão em paz". Paulo disse aos soldados: "Sendo nós cidadãos romanos, eles nos açoitaram publicamente sem processo formal e nos lançaram na prisão. E agora querem livrar-se de nós secretamente? Não! Venham eles mesmos e nos libertem".

Os soldados relataram isso aos magistrados, os quais, ouvindo que Paulo e Silas eram romanos, ficaram atemorizados. Foram até lá se desculpar diante deles e, os conduzindo-os para fora da prisão, pediram-lhes que saíssem da cidade.

Depois de saírem da prisão, Paulo e Silas foram à casa de Lídia, onde se encontraram com os irmãos e os encorajaram. E então partiram.

Escolhi o capítulo 16 de Atos pela importância que Paulo, Timóteo, Silas, Lucas, Lídia demonstraram ter pelo LUGAR DE ORAÇÃO. E, de quanto suas vidas, de suas familiares e de sua comunidade foram transformadas e grandemente abençoadas em razão de suas condutas em testemunhar a sua fé, de destinarem um momento do seu dia a recreação e comunhão em família; a adoração, louvor, estudo bíblico, oração, base sólida para o início da primeira Igreja Cristã na Europa.

Condutas estas, que por nós sendo adotadas, também resultam em transformação de vida e no recebimento de bençãos, que a todos alcança, a partir de um "LUGAR DE ORAÇÃO"


*** Autoria: Elizabeth Nogueira



domingo, 30 de março de 2014

Não temas!



Eu lembro de ter ouvido, diversas vezes que a expressão: "Não temas" (não tenha medo ou não se assuste) é uma frase de encorajamento que teria sido citada 365 vezes na Bíblia. E, sendo assim, poderia ser aplicada uma frase a cada dia do ano. Como se tivesse sido dito: Não temas, hoje, nem amanhã e nem depois...

Pesquisadores e teólogos, encontraram um número bem menor da frase "Não temas". Somando "não temas", "não temais", "não temerei", entre outras variações, o total ficaria em torno de 100 a 113 ocorrências. Sendo: "Não temas", cerca de 58 vezes. "Não temais", cerca de 35 vezes. "Não temerei", cerca de 4 vezes. Entre, outras variações: Não temeremos, Não teme...)

Mesmo não sendo 365 ou 366 vezes de "Não temas", a mensagem central de coragem e da confiança na presença constante de Deus: "Não temas. Eu sou contigo" - é uma das mais poderosas frases das Escrituras, sendo encontrada em muitos versículos, frequentemente, citados como Isaías 41:10 - "Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça".

Essas palavras ditas para consolar os israelitas durante o exílio na Babilônia, com o intuito de assegurando-lhes que Deus estava com eles os protegendo e não os tinha abandonado, continua relevante também em nossos dias, pois as palavras de encorajamento oferecem, o conforto de que Deus é justo, em qualquer circunstância, e nos sustenta, nos fortalece e nos ajuda.

Em Atos 27:20 a 37, "Não temas!", foi dito a Paulo, por um anjo de Deus: - ²³ Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo, ²⁴ Dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo. ²⁵ Portanto, ó senhores, tende bom ânimo; porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito.²⁶ É, contudo, necessário irmos dar numa ilha.

A narrativa de todo o antes, durante e depois do naufrágio, resume o papel de Paulo naquele navio condenado ao naufrágio: Encorajar e ajudar as pessoas, no intuito de servir aos propósitos de Deus, na preservação e salvação de vidas. E, nos deixa o exemplo a ser aplicado em nossa vida quanto ao nosso papel na igreja e em qualquer outro lugar onde estivermos "colocado" no mundo: 

O naufrágio do navio no mar Adriático, após uma grande tempestade. Dias sem sol ou estrelas, a tempestade era tão forte que a tripulação perdeu toda a esperança de sobrevivência. Na décima quarta noite, os marinheiros notaram que estavam perto da terra, medindo a profundidade. Temendo rochas, lançaram âncoras e esperaram o amanhecer. Alguns marinheiros tentaram fugir em um bote, mas Paulo alertou que, sem eles, ninguém se salvaria, e os soldados cortaram as cordas, deixando o bote ir.

Enquanto amanhecia, Paulo garantindo que Deus lhe havia prometido a salvação de todos a bordo, insistiu que todos comessem, pois estavam sem comer há dias. Ele deu graças a Deus, partiu o pão e comeu, encorajando os outros a fazerem o mesmo para terem forças, reafirmando que não iriam morrer naquele naufrágio.

Ao amanhecer, viram a terra e jogaram a carga ao mar para aligeirar, ou seja, para tornar mais leve, tornar menos pesado o navio. O navio encalhou em um banco de areia e se partiu. Os soldados queriam matar os prisioneiros, mas o centurião impediu, para salvar Paulo. Assim, todos, nadando ou se agarrando a pedaços do navio, chegaram a salvo à ilha de Malta.

A fé de Paulo se cumpre quando, na manhã seguinte, todos chegam à terra firme em segurança, graças à sua intervenção e à bondade do centurião Júlio, demonstrando a fidelidade de Deus em meio à adversidade.

Paulo oferece esperança e coragem quando todos haviam perdido, mostrando que a fé em Deus traz segurança. A fé e a obediência de um servo (Paulo) podem salvar muitas outras pessoas, transformando uma tragédia em um testemunho.

O cristão está a salvo, chegará ao destino que Deus tem preparado a ele, seja este qual for. Vida de submissão, como Jesus ensinou no Getsemani, ao orar que fosse feita a vontade de Deus (Lucas 22:42). Como Paulo afirmou em Romanos 14: 7,8, que ninguém vive ou morre para si, quer vivemos ou morremos, somos do Senhor (Deus). É um chamado de fé, para a vida com um propósito. Assim está livre, para sob direcionamento de Deus, ser exemplo de fé e de dedicação a salvação da vida de outros.


** Autoria: Elizabeth Nogueira


Sobre As Ondas do Mar (Solta o Cabo da Nau)
Harpa Cristã nº 467 


Não olho as circunstâncias - Thalyta - 1990


Situações - Logos

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

No Amor e na Amizade...

 
 
"Errar é humano,
mas quando a borracha se gasta
mais do que o lápis,
você está positivamente
exagerando".
J. Jenkis

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cântico de Judá



O capítulo 26 do livro de Isaías é um cântico de confiança e vitória entoado pelo povo de Judá após o livramento divino. Ele é frequentemente chamado de "Cântico de Judá" e faz parte de uma seção conhecida como o "Pequeno Apocalipse de Isaías".


Principais Temas de Isaías 26

A Confiança Inabalável: O versículo 3 é um dos mais conhecidos da Bíblia: "Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti" [1]. Ele destaca que a paz interior não depende das circunstâncias, mas da confiança em Deus [2].

A Rocha Eterna: O versículo 4 exorta o povo a confiar no Senhor perpetuamente, pois Ele é a "Rocha Eterna" (ou Rocha dos Séculos), oferecendo proteção e estabilidade [2, 3].

"Rocha Eterna" em Isaías refere-se a Deus como um fundamento inabalável, principalmente em Isaías 26:4, que diz: "Confiai para sempre no SENHOR, pois o SENHOR Deus é uma rocha eterna".

Esse versículo convida à confiança total em Deus, que é imutável e seguro, contrastando com a instabilidade das coisas terrenas, e é um tema recorrente em meditações cristãs sobre fé e segurança em Jesus Cristo.

O texto centraliza a ideia de que, enquanto tudo ao redor pode mudar, Deus é a base firme onde se pode encontrar segurança e paz.

O versículo 4 de Isaías 26 segue a exaltação da cidade de Deus com uma advertência sobre a queda da cidade altiva, mostrando que a verdadeira força não está nas construções humanas, mas em Deus.

A tradição cristã interpreta essa "Rocha Eterna" como uma profecia e figura de Jesus Cristo, que é a pedra angular e o refúgio seguro para os crentes, Isaías 26:4. Confie sempre em Deus, pois Ele é uma Rocha que não se abala!

Juízo e Retidão: O texto descreve o caminho do justo como plano e destaca que, enquanto o povo de Deus busca a Sua justiça, os ímpios muitas vezes ignoram a majestade divina, mesmo diante do favor [2].

A Promessa da Ressurreição: O versículo 19 é um dos raros momentos no Antigo Testamento que menciona explicitamente a ressurreição: "Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão..." [1, 2].

Nos versos finais (20-21), há um convite para que o povo se "esconda" em seus quartos (refúgio e proteção - paciência e confiança) por um momento, até que a indignação e o juízo de Deus sobre a terra passem [2, 3]. Um momento de reflexão, análise, oração.


Em Isaías 26, a "oração secreta" (ou "oração em segredo", "súplica em aflição") é mencionada no versículo 16, descrevendo como o povo buscou o Senhor em momentos de aperto e sofrimento, derramando súplicas discretas, como uma mulher em trabalho de parto, esperando a libertação e a paz que vêm da confiança em Deus, mesmo em meio à disciplina e à angústia, com a promessa de que a ressurreição e a vida viriam.

Busca na Angústia (v. 16): "SENHOR, no aperto, te visitaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram a sua oração secreta" (ARC/ACF). Isso mostra que, mesmo em aflição, o povo se voltou a Deus em orações silenciosas e humildes, não ostensivas.

A oração é comparada ao trabalho de parto de uma mulher, cheia de dores e contorções, mas sem trazer o resultado esperado (salvação ou vida imediata à terra), revelando o esforço e a expectativa do povo por um livramento v. 17-1.

Antes do momento de oração, o capítulo já falava em "perfeita paz" para quem tem a mente firme e confia no Senhor, a "rocha eterna". A oração secreta surge nesse contexto de aflição, reforçando a necessidade de fé v. 3-4.

A resposta para essa busca em aflição é a promessa de que os mortos viverão e ressuscitarão, e o orvalho da vida virá sobre eles, como uma manifestação do poder de Deus v. 19.

O capítulo conclui com um chamado para o povo entrar em seus aposentos, fechar a porta e se esconder por um momento, até que a ira de Deus passe, contrastando com a revelação do julgamento da terra, v. 20. Aqui a "oração secreta" subtendida é diferente da oração secreta no versículo 16.

A primeira oração (v. 16) surgiu quando o povo quis fazer cessar a aflição durante o castigo, a disciplina e a correção de Deus. E, sem que houvesse real arrependimento, lastimaram pedindo a intervenção divina.

A segunda oração (v. 20) é um ato de arrependimento, fé e dependência de Deus, do povo após aceitar a correção de Deus, reconhecendo seus maus caminhos. Um clamor individual durante o julgamento de Deus e a confiança na libertação, restauração, salvação e cumprimento da promessa de vida eterna.


domingo, 29 de julho de 2012

Desde o começo


Você vai se arrepender de ter me dado o primeiro beijo. Mas vai tolerar o segundo, gostar do terceiro e se entregar daí em diante. Você vai desejar não ter me conhecido. Depois vai se acostumar com a minha presença e, no final, vai se perguntar como viveu sem mim até aquele dia.

Você vai sonhar comigo uma vez e achar que é pesadelo. Vai sonhar a segunda e achar que é perseguição. Vai sonhar a terceira e desejar continuar sonhando ou, então, acordar e dar de cara comigo. Você vai imaginar que eu não deveria estar no seu presente, não vai me querer no seu futuro, mas vai se perguntar como contar o passado sem falar de mim.

Você vai esconder um monte de coisa de mim, vai contar algumas coisas, mas depois vai se abrir. Mas terá os segredos normais de qualquer pessoa. Você vai querer me matar. Vai querer me bater. Vai querer me surrar. Vai querer me abraçar. Vai querer me amar. Você vai querer aprender a me deixar ir, mas saberá que não tem como não ficar contigo.

Você vai saber, perceber, notar e aprender um monte de coisa. Só um detalhe você não aprenderá: a me amar. Isso você sentiu desde a primeira vez. Tudo bem que no começo era misturado com uma certa raiva. Mas ele sempre esteve lá.

E quem briga contra o amor?


domingo, 3 de junho de 2012

Cântico de Vitória


O capítulo 12 do livro de Isaías é um curto hino de louvor e gratidão, composto por apenas seis versículos, porém amplo em instrução do louvor, adoração, gratidão à Deus pelo livramento, pelas bençãos e a celebração do Seu amor em providenciar a salvação a todo aquele que nEle crê, confia, serve e obedece a sua Palavra (Bíblia).

Gratidão pela Reconciliação (v. 1-2): O profeta expressa que a ira de Deus se retirou, dando lugar ao consolo. O tema central aqui é a confiança: "Deus é a minha salvação; terei confiança e não temerei" (v. 2).

A Alegria da Salvação (v. 3): O versículo 3 traz uma imagem famosa: "Com alegria tirareis águas das fontes da salvação". Isso simboliza a satisfação espiritual plena que vem de Deus.

Testemunho às Nações (v. 4-6): O povo é convocado a anunciar os feitos de Deus entre as nações, exaltando a santidade do "Santo de Israel" que habita no meio do seu povo.

Este capítulo é visto como um cântico de vitória que será entoado no futuro Reino Messiânico. Ele segue as profecias do capítulo 11, que descrevem o "Ramo de Jessé" (o Messias) e a restauração da paz universal.

O "Ramo de Jessé" é uma profecia bíblica de Isaías 11:1 que se refere ao Messias, Jesus Cristo, como um "renovo" ou "broto" que surgirá do tronco cortado de Jessé, pai do Rei Davi, representando a restauração da dinastia davídica e o Messias prometido, que governará com justiça, sabedoria e paz, trazendo salvação e um reinado de retidão sobre a Terra. (Isaías 11:1-2):

Jessé: Pai do Rei Davi, simbolizando a linhagem real de Israel.

Tronco Cortado: Representa a dinastia de Davi sendo dizimada ou enfraquecida.

Ramo/Renovo (Hebraico: netzer): O Messias que brotará desse tronco, indicando esperança e renovação. Messias (Ramo de Jessé). A Árvore de Jessé é uma representação da genealogia com Jesus, a partir de Jessé, como o ramo principal.

O Espírito do Senhor, repousará sobre Ele, trazendo sabedoria, entendimento, conselho, poder, conhecimento e temor a Deus. Julgará com retidão e não por aparências. "O lobo viverá com o cordeiro, e uma criança guiará os animais selvagens", simbolizando um reinado de paz e harmonia. Reunirá os exilados de Israel e Judá, estendendo sua influência sobre os gentios.

Jesus é o cumprimento da profecia, o Messias que, mesmo vindo de origens humildes, traria a plenitude da salvação e um novo reino de justiça, conforme Isaías 11:10 e Romanos 15:12.

Isaías capitulo 12 encerra a primeira grande seção do livro, conhecida como o "Livro do Emanuel" - cap. 7 a 12.



sábado, 14 de abril de 2012

Fé: as muralhas vão cair


"A Fé sempre toca as trombetas ANTES,

não DEPOIS de as muralhas caírem!"

Essa frase poderosa reflete um princípio espiritual de proatividade e confiança absoluta. Ela sugere que a verdadeira fé não espera a evidência da vitória para celebrar, mas age com a certeza de que o resultado já está garantido.

Abaixo estão três perspectivas sobre essa ideia:

O Exemplo de Jericó:

A metáfora remete diretamente à narrativa bíblica da queda das muralhas de Jericó. O povo foi instruído a tocar as trombetas e gritar enquanto as muralhas ainda estavam de pé. O barulho não foi uma reação à queda, mas a causa (ou o gatilho) através da obediência.

Gratidão Antecipada:

Ter fé é "agradecer pelo que ainda não se vê". Enquanto a lógica humana celebra após a conquista (o efeito), a fé celebra na promessa (a causa).

Ação e Posicionamento:

Tocar a trombeta antes significa declarar sua intenção e manter a esperança viva mesmo diante de obstáculos aparentemente intransponíveis. É um ato de coragem que muda a percepção (visão, audição, tato) do ambiente antes mesmo da mudança física acontecer.

Em suma: A celebração da fé é um anúncio, não um eco.

No Livro de Josué, a instrução divina dada aos israelitas envolvia a ação de rodear a cidade e tocar as trombetas antes de qualquer sinal visível de que as muralhas cederiam. A fé deles foi demonstrada através da obediência à ação (tocar as trombetas) e da crença inabalável de que a vitória viria, mesmo quando a evidência física ainda não existia.

Portanto, a frase "A Fé sempre toca as trombetas ANTES, não DEPOIS de as muralhas caírem!" encapsula a ideia de que a fé genuína precede o milagre, exigindo um passo de confiança e ação antes que o resultado desejado se manifeste. É uma metáfora para a coragem de agir com a certeza da promessa, e não apenas em resposta ao que já se pode ver.

"A fé é o firme fundamento das coisas que não se vê" (Hebreus 11:1) Na Bíblia Nova Versão Transformadora, é traduzida como: "A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos".

****Autoria : Elizabeth Nogueira


Vem com Josué Lutar em Jericó - JottaA (2012)


CURIOSIDADE -

primeira gravação conhecida em português da música "Vem com Josué Lutar em Jericó", foi em 1964, pelo conjunto adventista Arautos do Rei no álbum Rapaz Davi.


A música popularizou-se amplamente a partir de 1973 com a versão de Oséias de Paula em "Soldado de Cristo", no início da canção a gente acha que não é que vai cantar outra coisa, então: "Vem com Josué Lutar em Jericó...


Foi regravada por muitos outros, como Eli Soares em 2022, tornando-se um clássico gospel. 
Em 2022, Eli Soares lança sua versão no álbum Memórias 3, tornando-a ainda mais conhecida atualmente.


Em 2017, O blog Reviva Gospel Anos 80/90 relata regravações por artistas como Aline Nascimento, Milton Cardoso e Victorino Silva. Banda Sinal de Alerta (1999)... 

A canção original é um negro-spiritual americano do século XIX, conhecido como "Joshua Fought the Battle of Jericho" gravada a primeira vez em 1922. Em 1960 foi gravada por The Golden Gate Quartet. A tradução para o português é limitada ao refrão.



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O pau-brasil é coisa nossa!


Vamos bisbilhotar um pouco a vida da nossa velha senhora Caesalpinia - o Pau-brasil. Embora sem comprovação efetiva, prevalece entre pesquisadores a convicção de que a própria nau que levou a notícia do descobrimento a D. Manuel houvesse carregado toras de pau-brasil.

Na Holanda do século XVI, a população carcerária não devia querer ouvir falar em pau-brasil. Sabe por quê? Lá, as toras eram reduzidas a pequenos fragmentos e raspas pelos presos nas casas de detenção e, nesse estado, entregues às tinturarias.

Pau-brasil: um nome em cada porto

Nos países de língua francesa, ele é chamado de Bois de Brésil e de Bresillet de Pernambuco.

Nos países de língua inglesa, ele é conhecido por Brazil-wood, Pernambuco-wood, Lima-wood, Nicarágua-wood, peach-wood, sapam-wood ou bukkum-wood.

Na Argentina, o chamam de pinango.

Na Índia, de sapam.

E na Espanha, seus nomes são palo Brazil ou palo de Santa Marta.

A respeito de sua vasta lista de nomes, vale lembrar que o pau-brasil original mesmo, o legítimo, existe em uma única espécie no Brasil. O também famoso sapam, de origem indiana, apesar de muito parecido com o pau-brasil, é um gênero de uma família diferente da Caesalpinia. Portanto chamar um sapam de pau-brasil ou vice-versa constitui-se em uma tremenda gafe botânica!

O famoso naturalista Von Martius em sua "Viagem pelo Brasil" escreveu: "Numerosas como sejam essas plantas na América (as leguminosas) entretanto só raras vezes o olhar se depara com elas em conjunto, pois não são sociáveis e crescem separadas no meio de outras. Será erro crer que no Brasil se possam encontrar matas inteiras do nobre pau de tinturaria (...) Ele cresce isolado entre os mais diversos vizinhos na mata virgem".

Especialistas em química e em medicina da Universidade Federal de Pernambuco estão realizando experimentos com o princípio ativo extraído do pau-brasil a fim de investigarem sua ação anti-neoplásica, ou seja, sua eficiência no combate a certos tipos de tumor. Em algumas aplicações em ratos, a substância conseguiu propiciar a inibição do tumor em até 87%.

Pau pra toda obra:

Além da tinta corante, o pau-brasil também foi muito utilizado na construção naval, na construção civil e em trabalhos de torno em marcenaria de luxo. Na atualidade, a madeira é basicamente utilizada para a confecção de arcos de violino.

MPB: Música do pau-brasil

Segundo dados históricos, coube a um gênio projetista francês do século XVIII, François Tourte, a criação do arco de violino a partir da madeira considerada a ideal - o pau-brasil - conhecido na França também como "Fernambouc", uma corruptela de Pernambuco.

Os dados a respeito do uso do pau-brasil na confecção de arcos de violino são bastante incompletos. Não existem números confiáveis sobre a quantidade de madeira exportada para este propósito e quanto se gasta de madeira para se fazer um arco. Negociantes de madeira relutam em divulgar estas informações, mas estima-se que anualmente negociam-se 200 metros cúbicos, embora este número possa aumentar, pois muita madeira é gasta no processo de fabricação dos arcos. (Um arco de violino típico requer o uso de 1 kg de madeira).

O que deve ser cobrado das autoridades competentes é uma rigorosa vigilância sobre essa indústria, a fim de evitarem abusos que levem a novos desastres ecológicos. Caso contrário, cada vez que um arco de violino no mundo fizer gemer o instrumento, seremos forçados a nele reconhecer o grito lancinante de um pau-brasil caindo ao chão, indefeso!

Vejamos agora um exemplo de absoluta falta de consciência ecológica.

Perguntado, certa vez, porque em um reflorestamento obrigatório por lei, plantou muito mais eucalipto do que pau-brasil, um grande negociante da madeira, do Espírito Santo, respondeu: "Eucalipto cresce rapidamente, enquanto o pau-brasil leva 100 anos para tornar-se uma árvore de corte. Por que, então, vou plantar uma coisa que nem meus filhos vão ver?" Confronte tal raciocínio com o do chefe Seattle. E aí? Quem é mesmo mais civilizado?

Nem tudo o que é bom pra Metrópole...

O pau-brasil foi uma das árvores mais cobiçadas pelos europeus, após o descobrimento. Mas não eram só os europeus que o queriam: os habitantes da Capitania de Porto Seguro queriam aproveitá-la, mas Portugal não deixava - ela era monopólio da "Coroa", de acordo com um decreto de D. Manuel.

O pau-brasil é coisa nossa!

Diogo de Campos Moreno, a quem se atribui o "Livro que dá razão do Estado do Brasil", defendeu o corte de pau-brasil pelos habitantes da Capitania de Porto Seguro que, para ele, seria o único "remédio" para diminuir um pouco a penúria em que a população vivia.

Je t’aime, pau-brasil

Os franceses chegaram com uma expedição ao rio Doce onde os nativos tentaram convencê-los a desembarcar, com a condição de que ajudariam a cortar e carregar a madeira na nau. Os franceses não acreditaram: se aceitassem, seriam facilmente dominados e talvez comidos. Em 1558, outra nau francesa apareceu, desta vez em Itapemirim, na Capitania do Espírito Santo. Não teve tanta sorte: os tripulantes desceram, foram combatidos e vinte deles presos. Portugal chegou a fortificar Porto Seguro para rechaçar os invasores.

O pau-brasil e a pena de morte!

Em 1775, a punição para quem cortasse pau-brasil ia do confisco dos bens até a pena de morte. Apesar disso, no Espírito Santo, ele era vendido a 240 réis o quintal. "Quintal" era a unidade de medida de peso vigente na época, equivalente a aproximadamente 60 quilos.

Em busca do tempo perdido

Se quisesse renovar as antigas florestas, o Brasil precisaria de mais de 100 anos!

Coisas do arco da velha!

No final da década de 70, um grande madeireiro capixaba afirmou: "Dos sete violinos Stradvarius que existem no mundo, conheci dois, um em Milão e outro em Paris, com arcos feitos de pau-brasil, numa época em que o país não havia sido descoberto. Há registros também de violinos europeus menos famosos, datados da Idade Média, com arcos fabricados em pau-brasil."

Durante excursão que realizou pela "costa do pau-brasil", em 1981, o botânico Prof. Francismar Francisco Alves Aguiar encontrou vários povoados com o nome de Pau-brasil.

A 100 km de Vitória (Espírito Santo) está localizado um dos povoados brasileiros com o nome de Pau-brasil. Ironicamente, lá a madeira está extinta, ficando o lugarejo localizado justamente em meio a uma espessa floresta de eucaliptos.

"Eu mesmo nunca vi pau-brasil, nem sei pra que serve." e "A professora nunca me falou dele." são frases recolhidas entre os habitantes de Pau-brasil (ES), no início da década de 80.

O viajante Saint-Hilaire, no século XIX, assim descreveu o desmatamento de que foi testemunha no mesmo local em que hoje se situa o miserável povoado de Pau-brasil : "Na época de minha viagem (1816 a 1822), já tinham vindo arrancar as raízes, depois de haver cortado todas as árvores."

Na opinião do professor João Vasconcelos Sobrinho, a intensa e contínua exploração do pau-brasil pelos portugueses, associada à dos franceses, holandeses, ingleses e espanhóis, no período de 1500 a 1875, possivelmente tenha sido a causa do processo de desertificação do Nordeste.

Apesar da quase certeza da extinção do pau-brasil, em 1928, o então estudante de agronomia João Vasconcelos Sobrinho e o professor de botânica Bento Pickel, num local chamado Engenho São Bento, hoje sede da Estação Ecológica da Tapacurá da Universidade Federal Rural de Pernambuco, verificaram a presença de uma árvore de pau-brasil, eliminando qualquer dúvida sobre a sua extinção ainda em nossas matas.

Não há registros da existência do pau-brasil no sul do país e nem sequer na Amazônia. Não há referência dele nessas regiões nem mesmo pelos índios que as habitavam.

Os naturalistas Piso e Marcgravena registraram o pau-brasil com o nome tupi de Ibirapitanga na "História Naturalis Brasiliae", em 1649. Dele também se ocuparam vários cientistas de renome como Velosso, Sprengel e Voguel.

Os historiadores são unânimes em afirmar que o primeiro ciclo da história econômica do Brasil foi o do pau-brasil. "Por este modo se tem feito muitos homens ricos" afirmou o historiador Brandônio. O ciclo do pau-brasil encerrou-se em 1875. Ou seja, foram ao todo 374 anos de exploração predatória.

Botanicamente, só existe uma espécie de pau-brasil, conhecida por Caesalpinia echinata Lam., embora outras espécies de árvores sejam erroneamente chamadas de pau-brasil, simplesmente por apresentar algumas semelhanças com a planta verdadeira. São, assim, os chamados falsos paus-brasil.

Dentro da espécie Caesalpinia echinata o que pode ocorrer são variedades ou raças geográficas que apresentam pequenas diferenças morfológicas na forma e na quantidade de acúleos (espinhos) e no tamanho dos folíolos e pinas (parte das folhas). Atualmente algumas pesquisas estão sendo realizadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na Ceplac (BA) e na Embrapa (DF) em vistas de esclarecer essas controvérsias.

Pau-brasil: poesia de exportação

O escritor modernista Oswald de Andrade lançou, em Paris, em 1924, O Manifesto da Poesia Pau-brasil. A relação do manifesto poético com nossa árvore símbolo diz respeito ao fato de ter sido o pau-brasil nosso primeiro produto de exportação, desejando Oswald, então, criar a primeira poesia de exportação brasileira, a poesia pau-brasil.


Capa do livro "Pau-brasil", de Oswald de Andrade, 1925. (Ilust. "Artes Plásticas na Semana de 22"- autora: Aracy Amaral; Bovespa-1992)

No manifesto, Oswald atenta a todo instante para o fato de precisarmos estar mais voltados à nossa realidade, vendo o Brasil de "dentro para fora" e não com a visão estereotipada e preconceituosa típica dos colonizadores europeus que por tanto tempo nos dominaram. Tanto quanto nossa primeira riqueza, a poesia pau-brasil pretendia se revestir de um caráter primitivista, que assumisse criticamente os contrastes históricos e culturais a que fomos submetidos.