sábado, 30 de julho de 2011

Cânticos do Servo do Senhor



O capítulo 42 do livro de Isaías é um dos textos mais significativos do Antigo Testamento, conhecido principalmente por apresentar o primeiro dos quatro "Cânticos do Servo do Senhor" encontrados em Isaías dos capítulos 40 a 55.

O Servo Escolhido (Versículos 1-9):

Deus apresenta Seu servo escolhido, em quem Ele tem prazer e sobre quem coloca Seu Espírito [1]. Este servo é descrito como alguém que trará justiça às nações de forma mansa e perseverante, "não quebrará a cana trilhada, nem apagará o pavio que fumega" [2, 3], é uma citação também encontrada em Mateus 12:20.

Descreve o caráter do Messias (Jesus) como alguém que não esmaga os fracos ou os que estão quase perdendo a fé, mas os restaura com misericórdia e graça, trazendo juízo e verdade. Significado das imagens:

Cana trilhada: Uma planta amassada e danificada pelo peso, mas ainda não totalmente quebrada. Simboliza pessoas machucadas pelas tribulações, mas que ainda não perderam a fé ou a esperança.

Pavio que fumega: Uma lamparina quase apagada, soltando fumaça, mas com um resquício de chama. Representa aqueles cuja fé é muito fraca, quase extinta, mas ainda existe.

O versículo aponta para Jesus Cristo, que não descarta aqueles que estão sofrendo ou desanimados, mas vem para restaurá-los, trazendo justiça e esperança.

Demonstra a compaixão de Deus por aqueles que são considerados "insignificantes" ou "quebrados" aos olhos humanos, não desistindo de ninguém; restaurando e fortalecendo até que a justiça prevaleça.

Para os cristãos, esta é uma profecia direta sobre Jesus Cristo [2].

Um Novo Cântico de Louvor (Versículos 10-17):

O texto convoca o mundo inteiro — do mar aos desertos — a cantar um novo louvor a Deus, celebrando Sua vitória e o momento que Ele agirá como guerreiro; guiará os cegos, transformará as trevas em luz [1, 3].

¹⁰ "Cantai ao Senhor um cântico novo..." Isaías 42:10, é um chamado universal à adoração, convidando toda a Terra, desde os que navegam nos mares até os habitantes das ilhas e desertos, a louvar a Deus com um canto renovado, celebrando Seu poder e a vinda do Messias, que trará salvação e luz.

O "cântico novo" (v.10), na Bíblia é uma expressão de louvor e adoração renovada a Deus por suas novas maravilhas, libertação e salvação, encontrada em vários Salmos, como no Sl. 40:3; 96:1; 98:1; 149:1 [...], e no livro de Apocalipse 5:9-13, representando adoração genuína e testemunho vivo das obras de Deus, não se limitando a uma música específica, mas a um espírito de gratidão e fé.

Não é apenas uma canção nova, diferente, mas uma expressão de louvor que reflete as novas bênçãos, libertação, experiências que Deus concede. Nasce de um coração grato e transformado pela ação de Deus, um louvor que vem da experiência pessoal e da fé renovada.

É um anúncio das maravilhas e da justiça de Deus para todas as nações, um cântico que exalta a Deus e seus feitos. O "cântico novo" deve ser um reflexo da vida diária com Deus, inspirando um relacionamento constante e uma adoração que evolui com Ele.

Cegueira de Israel (Versículos 18-25):

O povo de Israel é advertido. Apesar de serem "servo coletivo" (nação) de Deus, são descritos como surdos e cegos por não obedecerem à Deus e não aprenderem com os julgamentos divinos [2, 3]. O povo escolhido, que deveria ser um farol de luz para as nações, tornou-se espiritualmente insensível e incapaz de perceber a verdade e a ação de Deus.

A cegueira e surdez não eram físicas, mas uma recusa deliberada em ouvir e seguir os mandamentos e a lei do Senhor. Eles "não quiseram seguir os seus caminhos; não obedeceram à sua lei". Como resultado dessa desobediência e incredulidade, Deus permitiu que fossem "roubados e saqueados", "apanhados em cavernas e escondidos em prisões" (exílio babilônico).

Isaías 42 enfatiza a transição entre o antigo e o novo: Deus declara que as "coisas antigas já se passaram" e anuncia "coisas novas" [v. 9]. ⁹ Eis que as primeiras coisas já se cumpriram, e as novas eu vos anuncio, e, antes que venham à luz, as faço ouvir. Isaías 42:9

Ou seja, tudo que profetizei se cumpriu, e agora profetizarei novamente; eu lhes falarei do futuro antes que aconteça. As coisas que prometi no passado já se cumpriram, e agora vou lhes anunciar coisas novas, para que vocês as saibam antes mesmo que elas aconteçam.

O contexto geral do capítulo 42 de Isaías fala sobre a vinda do "Servo do Senhor", que traria justiça e salvação, e o contraste entre os antigos ídolos e o Deus verdadeiro, que cumpre Suas promessas.

O "Servo do Senhor" é uma figura messiânica central, descrita como o escolhido de Deus, revestido do Seu Espírito, que trará justiça às nações, restaurará os oprimidos e cumprirá a vontade divina com fidelidade, sem alarde, sendo um guia de salvação para todos, o que aponta para Jesus Cristo, o Servo perfeito.

Embora o termo também possa se referir a Israel em seu papel de servo sofredor, que falhou em sua missão.

Características do Servo em Isaías 42

Escolhido e Agradável a Deus: "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz (satisfaz)" (v. 1).

Revestido do Espírito: "Pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios" (v. 1).

Gentil e Restaurador: Não gritará, não clamará; não esmagará um galho quebrado, nem apagará a luz fraca (v. 2-3).

Fiel e Perseverante: Não se cansará nem desanimará até estabelecer a justiça na terra (v. 4).

Luz para os Gentios: Chamado para ser mediador da aliança, abrir os olhos dos cegos e libertar os prisioneiros (v. 6-7).

Um Servo com Falhas (Israel): Versículos como 42:19-20 mostram um servo (Israel) que vê muito, mas não observa, e ouve, mas não escuta, indicando sua imperfeição e cegueira espiritual, contrastando com o servo perfeito.

Isaías 42 apresenta um Servo ideal, que aponta para Jesus, mas também reflete as falhas de Israel, o servo coletivo (nação), que deveria levar a luz, mas se perdeu no caminho.

O capítulo destaca a misericórdia divina (através do Servo) e a soberania de Deus sobre a história e a natureza.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Por Que Creio


"Por Que Creio" (Why I Believe) de D. James Kennedy é um livro de apologética cristã que defende a fé em Cristo e na Bíblia, respondendo a objeções comuns com argumentos bíblicos, históricos e até científicos, com uma edição brasileira de 1987 sendo uma das mais conhecidas, apresentando as convicções do autor sobre a veracidade do cristianismo.

Sinopse do Livro

Foco: O livro serve como uma ferramenta apologética, oferecendo respostas para incrédulos e críticos que questionam o Evangelho e a Palavra de Deus, como as objeções sobre a existência de Deus, a divindade de Cristo e a validade da Bíblia.

Conteúdo: Kennedy aborda temas como a regeneração, profecias bíblicas cumpridas, arqueologia bíblica, vida após a morte, e a firmeza da fé cristã diante das críticas, utilizando uma combinação de raciocínio bíblico e, em alguns casos, informações científicas e históricas para fundamentar suas crenças.

Objetivo: Proporcionar aos leitores uma base sólida para defender sua fé e compreender as razões por trás de suas convicções cristãs.

Quando Foi Lançado (Edição Brasileira): Uma das edições mais citadas no Brasil, lançada pela Juerp (Juventude Evangélica da União dos Evangélicos de Língua Portuguesa), data de 1987.

Em resumo, é um guia para fortalecer a fé, apresentando argumentos para a verdade do cristianismo de forma clara e acessível, popularizado no Brasil a partir da década de 80.

 "Por que você acredita no que acredita?"

A obra foi desenvolvida como uma ferramenta para capacitar cristãos a defenderem suas convicções diante de críticas e questionamentos de incrédulos. Kennedy apresenta evidências racionais, históricas e arqueológicas para sustentar os pilares do cristianismo, argumentando que a fé não é um "salto no escuro" ou apenas emocional, mas algo fundamentado em fatos examináveis.

Principais Temas Abordados
O autor dedica capítulos específicos para explicar as razões pelas quais acredita em temas fundamentais, incluindo:

A existência de Deus: Argumentos lógicos e teológicos sobre a origem do universo.

A Bíblia: Evidências sobre a confiabilidade das Escrituras, incluindo o cumprimento de profecias detalhadas.

Jesus Cristo: Defesa da divindade de Cristo, do nascimento virginal e da veracidade histórica de sua ressurreição.

Criação vs. Evolução: Críticas ao modelo evolucionista e defesa do design inteligente.

Vida após a morte: Razões para a crença no Céu e no Inferno.

Impacto Social: O papel histórico do cristianismo na formação da civilização ocidental e na promoção de virtudes como caridade e direitos humanos.

Lançado originalmente na década de 80 (com edições brasileiras populares a partir de 1987 e 1990), o livro continua sendo utilizado por novos convertidos e cristãos veteranos que buscam responder à pergunta: "Por que você acredita no que acredita?"



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Gravidez saudável


A gravidez é um momento ideal para se cuidar a sério, tanto em termos físicos como emocionais. Sua chance de ter uma gestação tranquila e um bebê saudável aumentarão muito se você seguir orientações simples:

1. Organize e planeje seu pré-natal

Um bom pré-natal é essencial para a saúde do bebê, e escolher o obstetra ou ginecologista o quanto antes ajuda a construir um bom relacionamento até a hora do parto. Peça recomendações às amigas.

2. Alimente-se bem

Você não precisa comer mais porque está grávida, mas é importante ter uma alimentação equilibrada e saudável. Muitas mulheres param de comer certo tipo de alimento, mas é sempre possível arranjar um substituto que tenha valor nutricional parecido.

O ideal é ter uma dieta que inclua verduras, legumes e frutas, carboidratos (de preferência integrais), proteína - que pode vir do peixe, da carne, do frango, dos ovos, de castanhas ou sementes - e também leite e laticínios em geral.

3. Cuidado com o que você come

É melhor evitar certos alimentos na gravidez, porque eles podem representar risco para o bebê se estiverem contaminados.

A listeriose, doença que provoca aborto espontâneo ou problemas graves no recém-nascido, pode ser transmitida por queijos como o brie, camembert, roquefort, gorgonzola e os queijos brancos tipo frescal ou "de Minas", estes últimos às vezes feitos com leite não-pasteurizado.

Devido ao risco de toxoplasmose, que embora seja pequeno existe, evite comer carne crua ou malpassada. Lave bem verduras, legumes e frutas para tirar todo resquício de terra ou sujeira.

Infecções alimentares por salmonela (salmonelose) são transmitidas por alimentos de origem animal, como carnes, peixes, ovos e leite, portanto segure a vontade de lamber a colher de massa de bolo crua.

4. Tome suplemento de ácido fólico

O único suplemento que é considerado vital na gravidez é o ácido fólico, que ajuda a prevenir problemas congênitos no bebê ligados ao fechamento do tubo neural, como a espinha bífida, ou mielomeningocele. Trata-se de uma condição grave que acontece quando o tubo que abriga o sistema nervoso central, na coluna, não se fecha totalmente, o que pode causar deficiências.

Todas as mulheres que estejam pensando em engravidar devem tomar um suplemento diário de 400 mcg de ácido fólico, desde antes da concepção até o fim do primeiro trimestre da gravidez. No Brasil, as farinhas de trigo já são fortificadas com ácido fólico para atingir toda a população, mas isso não elimina a necessidade do suplemento.

O folato também está naturalmente presente em alimentos como as verduras (espinafre, brócolis e repolho, por exemplo), o suco de laranja, a beterraba e o feijão.

Outros nutrientes importantes para sua saúde e para a do bebê são o ferro e o cálcio, que podem ser supridos normalmente pela alimentação. No entanto, muitos médicos receitam suplementos vitamínicos especiais para grávidas, que contêm reforços desses nutrientes.

A gordura natural dos peixes, como o ômega 3, também tem um efeito benéfico no peso do bebê e no desenvolvimento do cérebro e dos nervos no final da gravidez. Os peixes que mais contêm esse tipo de ácido graxo são o salmão, a sardinha, a truta, a cavalinha e o arenque.

5. Faça atividade física regularmente

Um bom programa de exercícios vai lhe dar a força e a resistência necessárias para carregar o peso extra da gravidez e para aguentar o estresse físico do parto. Também contribui para que você entre em forma mais rápido depois que o bebê nascer. Além disso, a atividade física ajuda a melhorar o humor, com a liberação da serotonina - o que reduz o risco de você sucumbir a uma certa tristeza comum nessa fase.

Se você já está acostumada a se exercitar, o mais provável é que possa continuar com a mesma atividade, desde que esteja se sentindo confortável. Mas não faça esportes em que corra o risco de cair ou levar impactos. Os mais benéficos são atividades mais amenas, como caminhadas, natação, hidroginástica e ioga.

6. Exercite os músculos do assoalho pélvico

Pode ser que você nunca tenha ouvido falar disso, mas esse tipo de exercício devia ser feito por todas as mulheres desde a adolescência. Além de combater o problema da incontinência urinária, ele contribui para aumentar o prazer sexual - por isso é usado nas técnicas de pompoarismo.

A vantagem é que você pode fazê-lo a qualquer hora, em qualquer lugar, sem ninguém perceber. Os músculos do assoalho pélvico formam uma rede na base da sua pelve e sustentam a bexiga, a vagina e o reto. Durante a gravidez, eles sofrem a pressão do peso do útero, e também ficam mais relaxados por causa das mudanças hormonais. A prática diária dos exercícios ajuda a fortalecê-los.

Várias vezes por dia - por exemplo, enquanto lava as mãos, escova os dentes ou prepara o café -, faça dez contrações lentas e dez rápidas dos músculos do assoalho pélvico. Um bom jeito de sentir como fazer essas contrações é imaginar que está fazendo xixi e interromper o fluxo imaginário de urina.

7. Não tome remédios sem recomendação médica

Não tome nenhum tipo de remédio sem antes perguntar para o médico se pode. Se você costuma usar algum medicamento, pergunte na primeira consulta do pré-natal se vai poder continuar tomando. Antes da consulta, tente lembrar os problemas que você costuma ter com frequência e os remédios que toma (como para alergia, cólicas, dor de cabeça, problemas de pele etc.). Faça uma lista e verifique com o médico o que vai poder tomar se precisar. Mas o ideal mesmo é evitar ao máximo tomar remédios.

8. Reduza o consumo de cafeína

O café, o chá e os refrigerantes à base de cola e guaraná são estimulantes. Algumas pesquisas indicam que o excesso de cafeína pode contribuir para o risco de o bebê nascer abaixo do peso. A quantidade máxima aceitável é de quatro cafezinhos por dia (ou seis xícaras de chá), mas o melhor mesmo é reduzir o consumo.

9. Pare de fumar e de beber

Mulheres que fumam têm risco maior de aborto espontâneo, de parto prematuro e de ter um natimorto. Estudos mostram que grávidas que fumam um maço ou mais por dia têm mais probabilidade de ter um bebê com lábio leporino ou fenda palatina. O ideal é parar de fumar antes mesmo de engravidar, mas qualquer redução no número de cigarros que você fuma por dia já facilita um pouco a vida do seu bebê.

Não consuma bebidas alcoólicas regularmente. O álcool chega rapidamente ao bebê pela placenta, e a grande ingestão de álcool durante a gravidez está ligada a doenças da síndrome alcoólica fetal, que inclui desde dificuldades de aprendizagem até problemas congênitos graves. Beber muito, mas de uma vez só, numa saída à noite, por exemplo, também é prejudicial.

O mais garantido é seguir a orientação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde e não beber durante a gravidez. Alguns médicos brasileiros, no entanto, adotam uma postura mais flexível, permitindo que suas pacientes tomem, em ocasiões especiais, uma taça de vinho ou um copo de cerveja.

10. Descanse

O cansaço e o sono que você sente no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez não são nada mais que seu corpo pedindo para você ir com calma. No melhor dos mundos, uma soneca todo dia depois do almoço seria perfeita. Se não dá, tente dar uma "relaxadinha" de meia hora, pôr os pés para cima, do jeito que conseguir. Técnicas de relaxamento como ioga, alongamentos e massagem ajudam a reduzir o estresse e colaboram para você dormir bem.

Marianne, minha filha, no 8º mês de gestação do Michel



FONTE


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Livro de Obadias



O Livro de Obadias, o menor do Antigo Testamento, apenas 21 versículos, foca no julgamento divino contra Edom por sua arrogância e crueldade contra Judá após a queda de Jerusalém, alertando sobre soberba e a importância da fraternidade, com a promessa de restauração para Sião e o estabelecimento do reino de Deus.

Obadias 1:1 afirma que esse livro registra uma visão que o Senhor mostrou a um profeta chamado Obadias.

Embora várias pessoas chamadas Obadias sejam mencionadas em I Reis, I–II Crônicas, Esdras e Neemias, essas são referências a outras pessoas. Com exceção do fato de que Obadias era um profeta no reino do sul (Judá), não sabemos nada sobre seu passado ou ministério. O nome Obadias significa “servo do Senhor”, bem apropriado para esse profeta (ver Bible Dictionary, na Bíblia SUD em inglês, “Obadiah”).

Obadias dirigiu suas profecias aos edomitas, que eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó (ver Gênesis 25:30), e moravam no território ao sul de Judá.

Embora os edomitas não fossem da casa de Israel, ainda assim pertenciam à família de Abraão. Infelizmente, o relacionamento entre Judá e Edom era conturbado, e cada nação via a outra como inimiga.

Quando Jerusalém foi capturada, o povo de Edom se recusou a ajudar o povo de Judá e regozijou-se com seu infortúnio, pilhou seus bens deixados para trás e entregou o povo aos babilônios (Obadias 1:11–14).

Obadias previu a ruína que aguardava o povo de Edom devido à sua crueldade com Judá. Ele também profetizou a futura restauração de Sião e a importância do trabalho no templo nos últimos dias, descrevendo aqueles que participassem dele como “salvadores” (Obadias 1:17–21).

Estudos destacam sua mensagem de justiça, advertência contra o orgulho e esperança na fidelidade de Deus.

O Orgulho de Edom

Os edomitas (descendentes de Esaú) se alegraram com a queda de Judá (descendentes de Jacó) e participaram de sua pilhagem, refletindo soberba e falta de amor fraternal.

O Juízo de Deus

A "semente do mal" de Edom resultará em sua própria ruína, mostrando que a maldade volta para quem a semeia (Obadias 1:10-16).

A Restauração de Sião

Deus promete restaurar Seu povo, que herdará a terra e o Monte Sião, onde haverá santidade e o reino será do Senhor (Obadias 1:17-21).

O Dia do Senhor

A passagem de Obadias 1:15 fala do dia do Senhor, quando todas as nações serão julgadas por suas ações.

O livro do profeta Obadias serve como um alerta contra a soberba, a vingança e a indiferença, enfatizando a justiça divina e a esperança na fidelidade de Deus.


Obadias profetizou após a destruição de Jerusalém pelos babilônios (c. 586 a.C.), detalhando a reação dos edomitas. O livro é dividido em julgamento contra Edom (vv. 1-16) e restauração de Sião (vv. 17-21). Ensina sobre a justiça de Deus contra os que se opõem a Ele e Sua fidelidade em restaurar Seu povo.

As profecias de Obadias contra Edom são semelhantes àquelas encontradas em outros livros do Velho Testamento (Isaías 34:5–8; Jeremias 49:7–22; Ezequiel 25:12–14; 35:1–15; 36:5; Joel 3:19).

No entanto, dentre essas profecias, as profecias de Obadias são incomparáveis ao afirmarem que a razão de a crueldade de Edom contra Judá ter sido tão ofensiva foi porque os povos das duas nações eram parentes. Foi particularmente cruel a decisão de Edom de ficar de lado enquanto seus irmãos e suas irmãs israelitas estavam sendo destruídos, e regozijar-se com o infortúnio deles.

Obadias declarou que o povo de Edom não deveria ter se “[alegrado] sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína” (Obadias 1:12).

Além disso, a visão de Obadias sobre a futura restauração de Sião e os “salvadores" (Obadias 1:21) se aplica não somente a Jerusalém, mas também à Igreja nos últimos dias.

As passagens em Obadias 1:4, 1:6, 1:8, 1:9, 1:10 e 1:14-16 ecoam o julgamento divino contra Edom encontrado em Salmo 137 e Ezequiel 35.

Obadias e Jeremias profetizaram contra Edom, com mensagens semelhantes de julgamento e destruição, indicando uma possível influência mútua ou contemporaneidade.

Ezequiel 35, assim como Obadias, descreve a punição de Edom por sua hostilidade e alegria com a desgraça de Israel, sendo ambas as profecias datadas do período do exílio babilônico.

O Salmo 137, lamenta a destruição de Jerusalém e condena Edom, que exultou com o sofrimento de Judá, um tema central em Obadias. O lamento coletivo expressa a dor e a angústia dos exilados judeus forçados a viver na Babilônia após a destruição de Jerusalém (Sl. 137).

O povo estava sentado às margens dos rios da Babilônia, chorando ao se lembrar de Sião (nome poético de Jerusalém). Seus captores zombavam deles, pedindo que cantassem os cânticos de Sião para seu entretenimento.

O salmo aborda a nostalgia, a perda da liberdade e a recusa em profanar o louvor a Deus em terra estrangeira: "Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?".

O salmo termina com um desejo intenso de justiça contra a Babilônia e, especificamente, clama a Deus para que se lembre do papel cruel dos edomitas na queda de Jerusalém: "Lembra-te, Senhor, contra os filhos de Edom, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces!"

"Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces!" é uma citação bíblica do Salmo 137, versículo 7, onde os filhos de Edom exortam à destruição total de Jerusalém após sua queda pela Babilônia, um ato de maldade que o salmista pede a Deus para lembrar e cobrar...

Os edomitas (descendentes de Esaú) foram inimigos históricos de Israel e Edom é lembrado por sua participação ou regozijo na destruição de Jerusalém, incentivando os babilônios a arrasar a cidade completamente, até seus fundamentos.

Em resumo, enquanto Obadias é uma profecia de julgamento contra Edom por sua traição, o Salmo 137 é um lamento e uma oração do povo que sofreu essa traição, expressando sua dor e clamando por justiça divina.

Os Doze Profetas Menores: Obadias faz parte da coletânea dos Doze Profetas Menores, o que o associa tematicamente a outros profetas, refletindo uma tradição profética maior sobre a justiça divina.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Profeta do "não-fim do mundo"


Ah, esperei com tanta ansiedade... preparei as malas, paguei as contas, reguei as plantas, coloquei comida para o cão, dei tchau pros amigos...sacanagem!!!! Agora, só em 2012...

Só por este comentário do Urias Lima o assunto "dia marcado para o Fim do Mundo" passa de ignorado por mim pra categoria: divertidíssimo!!!

Bom se ele continuar lendo a Biblia pra fazer suas previsões logo irá achar a parte que diz que só Deus sabe o dia deste acontecimento...

“Preparem-se para o fim do mundo” avisa Howard Camping, presidente do grupo conservador norte-americano “Family Radio”.

Para este grupo cristão, a data do “julgamento final” já está marcada: 21 de Maio de 2011. Howard cita algumas passagens da Bíblia que, segundo as suas crenças, determinam que o fim do mundo aconteceria 7 mil dias depois do grande dilúvio, que ocorreu no “17º dia do segundo mês”. De acordo com o calendário judaico, o próximo sábado corresponde à profecia.

Howard Camping garante que o final do mundo começará com um terremoto, “o mais terrível que o mundo já viu”.

Não é a primeira vez que o grupo “Family Radio” faz uma previsão do gênero, tendo em conta que 1994 também foi apontado como o ano do fim do mundo, falha que Howard acredita ter sido fruto de um erro de cálculo.

Harold Camping, um radialista de 91 anos, presidente da rede evangélica de rádios "Family Radio" nos Estados Unidos - que tem mais de 150 estações e transmite em mais de 40 línguas -, está em choque.

Famoso por usar a numerologia baseada na Bíblia para prever datas para o "fim do mundo", sofreu um baque ao notar que o mundo não acabou em 21 de maio de 2011 como havia dito.

No vídeo é possível ver o quão Camping está abalado, se negando a dar declarações a uma rede de televisão que foi procurá-lo em sua casa, que fica na Califórnia. Ele diz que não quer falar pois é algo que 'significa muito para ele".

Entretanto, nesta segunda, dia 23 de maio, resolveu soltar o verbo e utilizou o alcance de suas emissoras de rádio, inclusive pela internet, para transmitir um bate-papo, ao vivo, que teve com jornalistas.

Sobre o caso, se justificou com frases como "eu não sou um gênio", mas depois acabou admitindo o deslize: "Sim, eu estava errado. Não sou um 'CEO', sou apenas um servo de Deus. Posso contar muitas histórias e estar errado sobre elas", disse em resposta aos jornalistas.

FONTE

UOL NOTÍCIAS

território 7

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Herança aos Filhos


O capítulo Isaías 54 é uma passagem bíblica de consolo e promessa, dirigida a "mulher estéril" (uma metáfora para Jerusalém e o povo de Israel no exílio). Ele descreve a restauração do pacto de amor entre Deus e Seu povo.

A Promessa de Fertilidade e Expansão (V. 1-3) - Deus ordena que a estéril cante e se alegre, pois ela terá mais filhos do que aquela que foi casada. Ele diz: "Alarga o lugar da tua tenda" [1], indicando que o povo cresceria tanto que precisaria de mais espaço, transbordando para as nações vizinhas.

Deus promete ACOLHER com "grandes misericórdias" o seu povo restaurado do exílio, como o "Marido" acolhe a mulher infiel que arrependida e envergonhada, retorna ao lar. Embora a ira de Deus tenha durado um breve momento, Sua bondade é eterna [v. 4-8].

Deus compara Sua promessa ao juramento que fez a Noé, quando prometeu nunca mais inundar a terra. Sua aliança (pacto) com Israel é permanente e inabalável (v. 9-10). O versículo 10 é um dos mais conhecidos:

          "Pois as montanhas podem se retirar e as colinas serem removidas, mas a minha fidelidade não se retirará de ti, nem a minha aliança de paz será removida" (Is. 54:10).

Jerusalém é descrita como sendo reconstruída com pedras preciosas (safiras, ágatas, rubis), simbolizando valor e beleza. Deus também promete que todos os filhos do povo serão "ensinados pelo Senhor" e terão grande paz [v. 11-13].    

INSTRUÇÃO DE DEUS E SABEDORIA AOS FILHOS

          ¹³ E todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e a paz de teus filhos será abundante. Is. 54:13

O versículo 13 de Isaías 54 é uma promessa bíblica de que os filhos, do povo de Deus - simbolizado por Sião - serão instruídos diretamente por Ele, resultando em grande paz e uma vida de retidão, estabelecendo um lar seguro e longe do medo e da opressão, com uma proteção divina contra inimigos.

Deus dará instrução e sabedoria aos Seus filhos, não apenas através de mestres humanos, mas assegurando a restauração e o futuro glorioso de Sião após o exílio, para o povo testificar da misericórdia de Deus e de Suas bençãos de Deus, as gerações futuras.

A instrução de Deus é Herança aos filhos do povo de Israel, associada a promessa (recompensa): paz abundante, como resultado do compromisso de seus pais em SERVIR a Deus, conforme Josué 24:15; Salmos 127:3; João 6:45; Jeremias 31:34.

PROTEÇÃO CONTRA OS INIMIGOS

          ¹⁷ Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justiça que de mim procede, diz o Senhor - Is. 54:17

O versículo 17 de Isaías 54 é uma promessa de proteção de Deus assegurada aos Seus servos.

Nenhum plano de conspiração ou ataque destinado a prejudicar ou destruir os servos do Senhor, não prosperará, não terá sucesso.

Toda falsa acusação que se levantar em juízo será desmentida e o acusador responsabilizado. Qualquer pessoa que tentar difamar ou julgar iniquamente um servo de Deus será silenciada e derrotada, pois a justiça vem do Senhor. E, a malícia alheia não prevalecerá, pois Deus defenderá o Seu servo e o justificará.

Essa é a herança e a justiça que o Senhor concede aos que Lhe pertencem, garantindo que Suas promessas se cumprirão, mesmo diante de oposição. A proteção e a vitória não são por mérito humano, mas uma dádiva (herança) e uma provisão de Deus (justiça) para aqueles que Lhe servem, confirmando a fidelidade Dele (Deus é fiel).

Autoria do Estudo Bíblico - Elizabeth Nogueira


domingo, 1 de maio de 2011

Operário em Construção


O poema “O operário em construção” escrito por Vinícius de Moraes em 1956, e descreve o trabalho como base da vida humana e o processo de tomada de consciência de valor de um operário, partindo de uma situação de completa alienação: “tudo desconhecia/ de sua grande missão”, sem saber “que a casa que ele fazia/ sendo a sua liberdade/ era a sua escravidão”...

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem
é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

by VINICIUS DE MORAES


A suspensão de sua alienação se inicia, quando o operário começa a tomar consciência, quando acordou foi tomado “de uma súbita emoção” ao constatar que era ele que fazia todas as coisas: garrafa, prato, facão, “gamela/ banco, enxerga, caldeirão,/ vidro, parede, janela,/ casa, cidade, nação”. Não apenas os objetos de uso cotidiano, como roupas, alimentos, casa, mas também instituições (cidade, nação), e o próprio operário, resultam do trabalho.

SUGESTÃO DE FILME: Tempos Modernos (Charlie Chaplin)