O capítulo 19 de Provérbios reúne conselhos práticos sobre caráter, sabedoria financeira e relacionamentos. Sobre a soberania de Deus diz: "Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor" (v. 21).
Destaca a soberania divina sobre as intenções humanas, ensinando que, embora o homem faça planos, o propósito de Deus é o que soberanamente se realiza. A mensagem convida à confiança e ao alinhamento com a vontade de Deus, reconhecendo que Seus planos são superiores. Incentiva a entrega dos planos a Deus e o descanso em Sua vontade, mesmo quando as circunstâncias não saem como o planejado. O homem pode e deve sonhar, traçar caminhos, e reconhecer em Deus o direcionamento, a última palavra, o controle final.
Integridade vs. Riqueza: "Melhor é ser pobre e honesto do que rico e perverso" (v.1).
O versículo de Provérbios 19:1 ensina que a integridade e a honestidade de uma pessoa pobre valem mais do que a riqueza de alguém com lábios perversos e que age como tolo, destacando o valor do caráter justo sobre a riqueza material e a insensatez.
A sabedoria bíblica prioriza a retidão, mostrando que a pobreza íntegra é superior à riqueza que vem acompanhada de falsidade e tolice, um tema que se estende nos versículos seguintes com lições sobre ação precipitada e a irritação do insensato contra Deus.
Prudência e Calma (v. 2,3): ² "Assim como não é bom ficar a alma sem conhecimento, peca aquele que se apressa com seus pés. ³ A estultícia do homem perverterá o seu caminho, e o seu coração se irará contra o Senhor".
A Bíblia diz: "Errais por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus" (Mateus 22:29). A falta de estudo e compreensão profunda da Palavra de Deus causa desvios doutrinários e espirituais. Não conhecer as escrituras torna a fé frágil e propensa a erros, destacando a Bíblia como a verdadeira regra de fé.
"...não é bom ficar a alma sem conhecimento". Salomão estabelece a necessidade de alimentar a alma, de nutri-la por meio de práticas como meditação, oração, leitura inspiradora, estudo da Palavra de Deus, criando espaço para o silêncio e a reflexão, evitando distrações e conteúdos que enfraquecem o espírito, antes priorizando condutas que promovem o amor, gratidão e serviço ao próximo visando o autoconhecimento e a conexão espiritual para encontrar plenitude.
"...peca aquele que se apressa com seus pés". Pecar é errar o alvo. É agir fora dos padrões e mandamentos divinos. A pressa em fazer, decidir, escolher... sem verificar, sem analisar, sem refletir são prejudiciais, pois o descuido leva ao erro. Tornar mais rápido, antecipar o resultado daquilo que tem ciclos, prazos determinados, "pulando" etapas, nos lembra do ditado: "O apressado come cru".
"apressar com seus pés", é te fazer sair no momento errado. É fazer malfeito, apressado. É deixar incompleto ou com resultados ruins, desagradável, de má qualidade.
A história do garimpeiro no livro "Quem Pensa Enriquece" (Pense e Enriqueça) de Napoleon Hill é sobre R.U. Darby, que procurava ouro com seu tio, encontrou um veio, uma área promissora na Corrida do Ouro e começaram a cavar, acreditando ter achado uma mina.
Após um tempo, o ouro parou de aparecer, e eles encontraram apenas terra comum, a estagnação os desanimou, levando a desistir. Algumas semanas depois, venderam o terreno e todo o equipamento por uma quantia irrisória, acreditando que não havia mais ouro ali.
O novo dono, um especialista, ouviu os conselhos de um geólogo e cavou apenas três pés (cerca de um metro) adiante do ponto onde Darby parou e descobriu uma mina milionária, demonstrando que Darby falhou por falta de persistência, parando um metro antes de atingir sua fortuna, ilustrando como muitos desistem perto do sucesso.
Darby não tinha um plano preciso para continuar quando as coisas ficaram difíceis, não tinha o plano para quando tinha que persistir. A história é um exemplo clássico de como a falta de persistência, sair apressadamente, antes da hora é uma das principais causas do fracasso, e que o sucesso muitas vezes está "a um metro" de distância, no ponto onde a maioria desiste.
A tolice corrompe, perverte a vida (seu caminho), e a insensatez leva à raiva e frustração contra o próprio Deus, pois Ele não age como o tolo esperava. A falta de sabedoria leva a decisões erradas, apressadas, que acabam arruinando a própria vida, e essa frustração, essa falha, em vez de ser reconhecida como resultado da própria tolice, acaba gerando raiva e acusação contra Deus, o Senhor.
Relacionamentos e Família (V.4,6-7): A riqueza atrai muitos "amigos", mas o pobre é muitas vezes abandonado. Destaca a fragilidade das relações baseadas apenas em bens materiais.
Provérbios descreve a natureza volúvel das amizades ligadas à riqueza, mostrando que a prosperidade atrai muitos, mas a pobreza afasta até mesmo amigos próximos, revelando uma verdade sobre a falta de lealdade e a prioridade do interesse material nas relações humanas, o que é contrastado com a sabedoria e o amor genuíno que deveriam prevalecer.
O dinheiro e o status social multiplicam o número de "amigos", pois as pessoas são atraídas pela oportunidade de ganho, influência ou benefícios. o texto ressalta que a verdadeira amizade não se compra com dinheiro, e a pobreza muitas vezes revela quem são os amigos verdadeiros, que permanecem, e quem eram apenas aproveitadores, que se vão.
Os versículos 4, 6 e 7 descrevem a natureza interesseira das relações humanas baseadas na riqueza, mostrando que a fortuna atrai muitos "amigos" e favores, enquanto a pobreza leva ao abandono social, inclusive por parte de amigos e parentes, que se afastam e evitam o necessitado, tornando-o isolado e sem apoio, mesmo quando ele busca ajuda com palavras vãs, pois ninguém quer se associar à sua condição.
Sabedoria vs. Tolice (v.8-12): ensina que entendimento e inteligência são valorizados por Deus, levando à prosperidade e bem-estar, enquanto mentiras e falsidade resultam em punição divina, mesmo que não imediata. O texto contrasta a tolice com a sabedoria, mostrando que a prudência (controle da ira e perdão) e a justiça são qualidades nobres, contrastando com a injustiça e a falta de moderação, e que a ira de um rei é como um leão, mas sua misericórdia é como orvalho, ressaltando a importância da temperança.
A falsa testemunha será punida; a mentira não ficará impune, pois Deus julga a verdade. A pessoa sábia controla a raiva e considera glória perdoar ofensas, mostrando maturidade e justiça (v.11).
Herança e Presente (v. 13-14): Casas e bens são herdados, mas uma esposa prudente é um presente direto do Senhor. Um filho tolo causa ruína ao pai.
Provérbios fala sobre as tristezas causadas por um filho tolo (desgraça) e uma esposa briguenta (gotejar contínuo), contrastando com a bênção de uma esposa prudente, que é um presente de Deus, enquanto bens materiais são herança dos pais, enfatizando a sabedoria e a prudência como virtudes divinas e fontes de verdadeira bênção familiar.
Preguiça, Disciplina, Generosidade (v.15-19): esses versículos ensinam sobre as consequências da preguiça (indolência) leva à inação, ao "sono profundo", resultando em privação e "fome" (falta de sustento, espiritual ou material) e da disciplina do filho é necessária enquanto há tempo, mas não se deve deixar a raiva (ira) dominar a ponto de causar dano fatal à criança.
A pessoa irada e impulsiva (de grande indignação) sofrerá as consequências; tentar salvá-la de seu próprio temperamento é inútil, pois ela agirá da mesma forma novamente.
A recompensa da generosidade e a importância de evitar a ira desmedida, contrastando a indolência com o cuidado com o próximo e a busca pela sabedoria, mostrando que a falta de ação leva à fome, que seguir a Deus conduz à vida, que ajudar o pobre traz o benefício, e a ira excessiva causa sofrimento.
Autodomínio, Temor a Deus e Propósito (v. 20-29): Provérbios, oferece lições valiosas sobre sabedoria, planejamento, caráter e consequências, enfatizando que ouvir conselhos leva à sabedoria, o plano de Deus sempre prevalece, a lealdade e o temor do Senhor são mais valiosos que riquezas ou desonestidade, a preguiça é prejudicial, e punições são para escarnecedores e tolos, enquanto o justo aprende com a correção.
Aceitar a correção e instrução é fundamental para se tornar sábio; desviar-se do conhecimento leva à ignorância. Muitos planos surgem no coração humano, mas o propósito de Deus é o que se concretizará.
O respeito a Deus conduz à vida, satisfação e proteção contra o mal, encontrando refúgio e proteção em Deus, mesmo em meio a provações, como visto na história de Jó. Honrar e obedecer a Deus é o caminho para uma vida plena, próspera e com propósito.

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