O Evangelho de Lucas menciona um decreto de recenseamento feito por César Augusto que levou José e Maria a Belém. O relato do decreto de César Augusto que levou José e Maria a Belém está registrado especificamente no Evangelho de Lucas 2:1-7.
Esse texto descreve o censo ordenado em todo o império romano e o cumprimento da profecia do nascimento de Jesus. o autor menciona o édito de César Augusto e o governo de Quirino na Síria.
José saiu da Galileia para a Judeia por pertencer à descendência do rei Davi, exigindo o registro em sua cidade ancestral. Maria acompanhou José para o alistamento enquanto estava grávida, resultando no nascimento de Jesus na manjedoura.
Discussão cronológica: Historiadores discutem a data exata do censo de Quirino e o governo na Síria, visto que registros seculares como os de Flávio Josefo apontam censos fiscais em períodos próximos.
Precisão de Lucas: Eruditos e arqueólogos debatem se o texto aponta para um decreto de alistamento geral iniciado no final do reinado de Herodes ou a fases anteriores de recenseamento sob Augusto.
Detalhes do Contexto Bíblico
Lucas 2:1-7 relata que um decreto de César Augusto ordenou o censo de todo o império romano. Isso obrigou José, por ser da descendência de Davi, a ir de Nazaré para Belém com Maria, onde Jesus nasceu. Esse evento cumpre profecias antigas sobre o local do nascimento do Messias.
- O decreto: César Augusto mandou contar todas as pessoas do império.
- A viagem: José saiu da Galileia (Nazaré) e foi para a Judeia (Belém), pois era da família de Davi.
- O nascimento: Maria foi com ele e deu à luz Jesus em Belém, colocando-o em uma manjedoura.
Segundo o texto de Lucas, o imperador romano César Augusto ordenou que se registrasse todo o mundo habitado. O evangelista complementa que este foi o primeiro recenseamento realizado enquanto Quirino era governador da Síria. Por ser da linhagem de Davi, José precisou ir até Belém, a cidade de Davi, para se alistar com Maria.
Discussão Histórica e Desafios
O governo de Quirino: Lucas menciona que o censo ocorreu quando Quirino geria a Síria.
O Censo de Quirino: Registros históricos indicam que Públio Sulpício Quirino realizou um recenseamento na Judeia por volta do ano 6 d.C., após a deposição de Arquelau (filho de Herodes, o Grande).
Questões de datas: Historiadores discutem a cronologia exata entre o fim do reinado de Herodes e os censos conhecidos de Quirino.
Possíveis soluções: Pesquisadores sugerem que Quirino pode ter exercido cargo de liderança na região em mais de um período, ou que o texto aponta para um registro inicial ordenado por Augusto.
O Evangelho de Lucas menciona o recenseamento de César Augusto no capítulo 2, versículos 1 a 5, explicando o motivo de José e Maria terem viajado de Nazaré para Belém, onde Jesus nasceu.
Esse relato é um dos trechos mais conhecidos do Novo Testamento, mas também é alvo de intensos debates entre historiadores e teólogos.
Abaixo estão os principais pontos sobre esse acontecimento:
A menção a esse censo gera discussões cronológicas devido ao cruzamento de dados bíblicos e registros históricos extraídos de fontes como o historiador judeu Flávio Josefo:
A Morte de Herodes: Tanto o Evangelho de Mateus quanto o próprio Lucas (no capítulo 1) apontam que Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande, que faleceu por volta do ano 4 a.C.
O Impasse: Existe uma lacuna de cerca de 10 anos entre a morte de Herodes (4 a.C.) e o censo conhecido de Quirino (6 d.C.).
Possíveis Explicações Teológicas e Históricas
Para conciliar o relato bíblico com a história secular, estudiosos propõem algumas teorias:
Governo Duplo ou Anterior: Alguns historiadores sugerem que Quirino pode ter servido em uma posição administrativa ou militar na região da Síria em um período anterior, ainda durante o reinado de Herodes, realizando um censo prévio.
Problema de Tradução: O termo grego usado por Lucas (protos) pode ser traduzido como "antes de", sugerindo que o recenseamento ocorreu antes de Quirino ser governador da Síria.
Censo Local vs. Geral: O decreto de César Augusto pode ter sido uma ordem geral para organizar os reinos vassalos (como o de Herodes), cuja execução prática levou anos para ser concluída em cada província.
O decreto de recenseamento de César Augusto
O Decreto funcionou como uma ordem imperial geral para registrar reinos vassalos e províncias, mas a sua execução prática ocorreu de forma descentralizada. Isso fez o processo demorar anos para ser concluído em cada região específica devido à burocracia local.
Detalhes do Processo
- Ordem Imperial: César Augusto exigiu o registro de súditos para fins de imposto e controle político.
- Reinos Vassalos: Regiões como a Judeia (sob Herodes) adaptaram a ordem às suas próprias leis e costumes locais.
- Execução Lenta: A falta de tecnologia e as grandes distâncias atrasaram o censo em várias províncias romanas.
- Ritmo Próprio: Cada governador organizou o alistamento conforme a paz e a estrutura de sua região.
O Contexto Histórico e a Conciliação
- A Autonomia de Herodes: Herodes, o Grande, governava a Judeia como um "rei aliado" (rex socius). Roma geralmente permitia que esses reis administrassem seus próprios impostos.
- O Método de Recenseamento: Um censo romano tradicional causaria grande revolta na Judeia (como de fato causou o censo de Quirínio em 6 d.C.).
- O Fator Quirínio: O evangelho de Lucas (2:2) menciona que o censo ocorreu quando Públio Sulpício Quirínio governava a Síria. Historicamente, Quirínio realizou um censo famoso em 6 d.C., cerca de 10 anos após a morte de Herodes.
Os romanos contavam pessoas onde viviam para cobrar impostos. Os censos de César Augusto serviam para registrar propriedades, rendas e definir tributos ou recrutamento militar.
No Evangelho de Lucas, a viagem de José e Maria de Nazaré para Belém cumpre o propósito teológico de conectar o nascimento de Jesus à linhagem davídica e às profecias messiânicas.
Propósitos Teológicos e Narrativos
- Origem davídica: José era da casa e família de Davi, o que exigia seu alistamento em Belém.
- Profecia messiânica: O local do nascimento cumpre o anúncio profético de Miquéias sobre Belém.
- Autoridade imperial: O decreto de César Augusto mostra a soberania de Deus agindo por meio da história política.
- Identidade de Jesus: Ele é apresentado como o Salvador legítimo e o Rei esperado de Israel.
O principal versículo desta profecia messiânica está registrado em Miquéias 5:2, escrito por volta de 700 anos antes de Cristo. Ele aponta que o Messias nasceria na pequena cidade de Belém Efrata, conectando a origem eterna do Salvador à descendência do Rei Davi.
O Texto da Profecia (Antigo Testamento)
- Miquéias 5:2 — "E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade."
O Cumprimento no Novo Testamento
- Mateus 2:5-6 — Os principais sacerdotes e escribas do povo responderam ao rei Herodes citando diretamente este texto de Miquéias para indicar que o Cristo deveria nascer em Belém da Judeia.
- Lucas 2:4-7 — O registro histórico detalha que José e Maria viajaram de Nazaré para Belém por causa de um recenseamento romano, cumprindo o local exato anunciado pelo profeta no exato momento do nascimento de Jesus.
¹ E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte
de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse
² (Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria).
³ E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
⁴ E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré,
à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém
(porque era da casa e família de Davi),
⁵ A fim de alistar-se com sua mulher Maria, desposada com ele,
a qual estava grávida. ⁶ E aconteceu que, estando eles ali,
se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
⁷ E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos,
e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar
para eles na estalagem.
Lucas 2:1-7 | ACF

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