400 anos! Esse é o tempo que decorre entre o fim do Antigo Testamento e os acontecimentos do Novo Testamento. Esse tempo é conhecido como Período Interbíblico, que marca o silêncio profético de Malaquias até a pregação de João Batista. Durante muito tempo, esse período de silêncio recebeu muita atenção. Contudo, por meio deste livro, o respeitado pastor e professor Enéas Tognini mostra-nos a importância deste período para a compreensão do Novo Testamento, sobretudo os evangelhos. Além de conduzir o leitor a uma viagem de Abraão e Malaquias, O período interbíblico revela as transformações pelas quais o judaísmo passou entre os persas, os gregos e os romanos até se tornar o que nos dias de Jesus. Também como surgiram as principais seitas do judaísmo, como os saduceus, os fariseus e os enigmáticos essênios. E o mais importante: explica como Deus agiu na preparação social e espiritual do mundo para a vinda do Messias.
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Depois da pregação do profeta Malaquias, o cânon sagrado do Antigo Testamento foi concluído. A partir daí haveria 400 anos de silêncio profético até o advento de Cristo, quando a comunicação profética reabriu-se com João Batista, o Precursor do Messias, a “ voz do que clama no deserto” (Mt 3.3).
Durante muito tempo, esse período de silêncio recebeu pouca atenção, o que se refletia na escassez de material publicado a respeito do assunto no vernáculo.
Essa foi a razão por que escrevi este livro em 1951.
Hoje, porém, os estudantes dispõem de várias obras no vernáculo que abordam esse assunto, mas ainda não existe nenhuma que trate especificamente sobre esse tema.
Não é possível prescindir do estudo dessa época; entretanto, não é necessário lhe conferir importância em demasia. Basta pensar que a Providência, que desde o Éden prepara o homem para a redenção, não poderia deixar de agir na preparação social e espiritual do mundo, especialmente dos judeus, para o recebimento de Jesus, o “ Desejado das nações” .
Sem pendores especiais para os assuntos históricos, mas atraído pelos objetivos da cadeira de grego e Novo Testamento, predispus-me à obra por meio do incentivo de meu bom mestre e leal amigo dr. W. E. Allen, que proficientemente regeu aquela cadeira do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.
Estou cônscio de que, apesar da pobreza de recursos bibliográficos, esta obra poderia pelo menos contribuir de forma meritória para despertar pessoas mais bem preparadas a fim de que se sentissem compelidas a oferecer um texto muito mais generoso e informativo.
Comecei a escrever estas páginas visando precipuamente a meus colegas mais novos, a fim de evitar-lhes as canseiras das turmas anteriores, obrigadas a consultar volumes diversos em línguas estrangeiras. Isso explica os limites da obra e seu estilo didático.
Não exaure a matéria; não se detém em minúcias: aponta, sim, um roteiro, e marca as balizas maiores de uma jornada de quase quatro séculos.
É o suficiente para a iniciação; é essencial para o seminarista; quem quiser aprofundar o assunto precisará recorrer a uma bibliografia mais ampla, incluindo livros estrangeiros.
A bibliografia desta obra traz excelentes recursos.
No capítulo 1 apresentamos informações preliminares, como a definição da expressão “ Período Interbíblico” ou “ Intertestamentário” .
Esclareceremos questões sobre o ambiente, ou seja, as condições e as transformações geográficas, econômicas, políticas e sociais da época relacionadas com a vida dos judeus no Período Interbíblico.
Não menos importante é a questão quanto às fontes históricas desse período, pois a Bíblia mantém silêncio desde o último profeta Malaquias, cujo ministério situa-se entre 470 a.C. a 433 a.C. Assim, precisamos recorrer a Flávio Josefo, a fonte principal sobre esse período, além da literatura “ apócrifa” .
No capítulo 2 faremos um resumo da história de Israel até o início do Período Interbíblico.
Esses antecedentes históricos, de Abraão a Malaquias, dão-nos uma visão geral de por que os judeus, na condição de povo de Deus, estiveram por tanto tempo dominados por nações pagãs.
O foco recairá sobre o cativeiro babilônico e por que Deus permitiu a ida do seu povo eleito ao exílio em terras tão distantes. Acompanharemos passo a passo a vida dos judeus na Babilônia e o que mudou na vida deles, em todos os aspectos, durante e depois dessa experiência.
Os capítulos 3 a 6 formam um bloco: o Período Interbíblico propriamente dito. Depois de Malaquias, começou o silêncio profético de 400 anos, que só seria interrompido com a pregação de João Batista.
Nesse período, os judeus continuaram sob o domínio dos persas (capítulo 3), depois vieram os gregos (capítulo 4), incluindo os ptolomeus e os selêucidas, no domínio dos quais ocorre a revolta dos Macabeus (capítulo 5) e, por último, os romanos (capítulo 6), em cuja vigência nasce o Senhor Jesus.
A análise do desenrolar histórico dessa sucessão de nações dominantes contribui muito para a compreensão do ambiente político e religioso em que Jesus nasceu.
Os capítulos 7 a 9 formam outro bloco: o ambiente religioso e político em que Jesus nasceu. Estudaremos sobre as seitas político-religiosas dos dias de Jesus (capítulo 7): escribas, fariseus, saduceus, essênios, herodianos e zelotes. Conheceremos também dois grupos à margem entre os judeus: os publicanos e os samaritanos. Embora não fossem partidos religiosos ou políticos, eram desprezados pela comunidade judaica.
Os acontecimentos do Período Interbíblico explicam essas animosidades. Será igualmente importante conhecer as principais instituições do judaísmo e sua relevância para os israelitas: o templo, a sinagoga e o Sinédrio (capítulo 8).
Não seria possível deixar de fora a filosofia e a teologia judaicas (capítulo 9). Passar pelas mãos de tantas nações deve ter, de algum modo, afetado o modo de o judeu fazer teologia, o que vai nos conduzir para os embates entre Jesus e os líderes religiosos de seus dias. Sobretudo no mundo greco-romano, a filosofia consegue um lugar de destaque na comunidade judaica, mas não sem lutas para se firmar. O capítulo é curto, mas traz informações relevantes.
O último capítulo, 10, faz um apanhado do que fora estudado, levando-nos a perceber como a Providência Divina preparou o mundo para a chegada do Senhor Jesus. Cada acontecimento histórico e cada nação, a seu modo, contribuíram de forma positiva para o ambiente em que Jesus nasceu e, depois, para a expansão do evangelho em todo o mundo. Duas excelentes ajudas são apresentadas em 2 apêndices.
No primeiro, “ Tabelas sinóticas do Período Interbíblico” , com um resumo dos principais acontecimentos desse período para uma rápida consulta.
O segundo apêndice traz um material riquíssimo: “ Hinos de louvor dos essênios” , que mostra como a hinologia dos essênios era vasta e rica.
Para concluir, cumpre advertir que no preparo deste compêndio tivemos diante dos olhos o excelente livreto From Babylon to Bethlehem, de Claudius Lamas McGinty, do qual foram extraídas as tabelas sinóticas do Período Interbíblico.
Também examinamos, entre outros, os seguintes livros de grande valor: Entre los dos Testamentos, de William Smith; História, doutrina e interpretação da Bíblia, de Joseph Angus; e New Testament World, de H. E. Dana.
Entrego este livro nas mãos de meu bendito Salvador Cristo Jesus, rogando-lhe que o abençoe para a glória do seu reino e a salvação das almas em minha querida pátria.
Enéas Tognini
São Paulo, janeiro de 2009.

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