domingo, 25 de outubro de 2020

Você é o adulto, não é a Criança!

Quem de nós não ouviu, e, por diversas, vezes: "Você é Criança, não é o Adulto". Em meus quase 12 anos de criança, mais uns 7 anos que fui adolescente, menos 2 deles que foi quando ingressei no mundo adulto sem ter sido jovem. E, depois de passar dos meus 29 anos de jovem adulto, sendo mãe de 03 filhos antes dos 22 anos, somando pouco mais de 10 anos quando me tornei avó aos 40 anos; foi quando observei que anos atrás eu havia anotado em uma agenda antiga que a frase correta era: "Você é o adulto, não é a Criança!"

E, desabafei no papel. Depois de muitos anos transcrevi o texto para o Blog; e, a data desta análise de "Experiências da Infância", ficou entre 2000' a 2020. Algo assim.

A trilha sonora ficou à cargo da 1ª canção "Família  - Aline Barros (álbum Faithful Men, lançado em 2012). A 2ª música me lembra quando voltei morar em Rondônia, na fase jovem mãe e ouvia no "toca-discos" a canção "Os Filhos são Bençãos" - Armando Filho (álbum Fora Violência, lançado em 1992). A 3ª (tive que pedir a 3ª porque a postagem "ficou muito grande") é a canção "A Benção" ("The Blessing") - Gabriel Guedes feat Julia Vitória, gravado ao vivo em 2020.

Legalmente, no Brasil, a maioridade e o início da vida adulta começam aos 18 anos (eu casei com quase 18 anos). É nesta fase que a pessoa se torna responsável por seus atos. Contudo, cientificamente e socialmente, a fase de jovem adulto se estende até os 24 ou 29 anos, com o cérebro terminando seu desenvolvimento por volta dos 25, e a maturidade plena (definição social) podendo ir até os 30 anos, dependendo do contexto cultural e das responsabilidades assumidas.

Antes de toda esta ciência da matemática social aplicada aos 18+, a pessoa é um adolescente jovem 😁😂😃, porém antes de completar os 12 anos não é jovem, nem adolescente, tão pouco um adulto, é apenas uma criança. 

As necessidades básicas do ser humano em qualquer idade é amor, compreensão, aceitação, cuidados. Ao adulto exige-se que no trato com idosos, outros adultos, com os jovens, com os adolescentes, com as crianças, aja com cortesia: seja amável, gentil, educado, respeitoso.

Quem foi criança sabe o quanto antes do 12 anos a pessoa é carente de amor, compreensão, aceitação, cuidados. Ainda que tenha essas necessidades supridas, a criança sempre está em busca de um pouco mais de "provas", que confirmem e reafirmem, a exaustão, o quanto é amada, importante, admirada, insubstituível...

Os filhos ouvem mais a entonação na voz do adulto que suas palavras, propriamente ditas. Então, na instrução de ordem e disciplina evite o excesso de censura e de proteção, quando o objetivo é evitar que a criança seja egocêntrica, insegura, medrosa. 

A excessiva censura, no ambiente familiar, sempre é desnecessária. A criança frequentemente censurada se sente incapaz, ridicularizada, desanimada, atormentada. Sendo o elo mais fraco e inocente neste tipo de "jogo de azar" a criança é outras vezes, "censurada" e o sentimento derrotista a faz ter medo de novo fracasso. Pouco a pouco "perde" a iniciativa, para qualquer atividade doméstica, educacional, religiosa, esportiva, mesmo recreativa.

A criança em silêncio, se isola. Permanece dentro do quarto ou em outro cômodo da casa, quase o dia todo. "Ocupada", na frente da TV, com filmes, desenhos, jogos ou 'sai pra rua', o máximo de tempo possível, no intuito de evitar contato com o adulto e ser, novamente, avaliada, julgada, criticada, ridicularizada antes mesmo que consiga abrir a boca para pronunciar qualquer palavra.

Existem adultos, que tentam "a qualquer preço" dominar excessivamente a vida de seus familiares. E os filhos quando crianças e adolescentes são os alvos mais fáceis. Este tipo de adulto, sente necessidade em "descontar suas frustrações de inferioridade" em alguém e escolhe "medir forças" logo com a criança porque assim o "jogo tá ganho". Caso a criança ou adolescente reaja, o tal adulto grita, ameaça, castiga, estraga o dia de todos... e satisfeito acredita que assim provou sua teoria de "quem é que manda".

Como se não fosse intolerável o bastante, se aferra a qualquer coisa que a criança (adolescente) faça ou deixe de fazer. Tudo é falha da criança, que segundo o adulto, nada faz de certo. Geralmente, o adulto que nada de bom ensina a criança é o que mas exige que esta seja inteligente, instrumentista, educada, organizada, esportista... Nem bom exemplo é, mas exige a perfeição da criança e do adolescente.

A má conduta do adulto traz prejuízos imensuráveis ao seu ambiente sócio familiarToda a família sofre. E, a criança alvo constante dos conflitos do adulto, sem  conseguir se defender, se decepciona, sente mágoa, raiva,  tristeza profunda,  insegurança, medo. 

E, neste ponto não é possível saber quem sobrevive, sem maiores danos - "apesar de". Não são os experientes idosos, nem outros adultos 'do mesmo tamanho', nem os fortes e resistentes jovens e adolescentes ou mesmo as inocentes crianças. Todos daquele ambiente familiar estão gravemente feridos pelo adulto que é a amabilidade em pessoa "fora de casa", mas dentro de casa age com ira, como se outra pessoa fosse.

Do grupo familiar tem os abatidos que não se recuperam "por inteiro", porque as cicatrizes físicas e emocionais os faz lembrar, ainda que sem querer. Tem o agravante. Muitos dos atingidos pela conduta violenta, agressiva, controladora, desrespeitosa do adulto, reproduzem igual comportamento, dentro e fora de casa, seja durante o ataque ou mesmo depois. Tragicamente, tem os que levam a conduta reprovável para onde forem, como bagagem, como parte de uma herança.

De vítima torna-se agressor, sem nem se dar o tempo de pensar ou raciocinar, o quanto tal conduta doentia não é aceitável, não está autorizada, é antissocial. Outras condutas são crimes e mesmo assim se tornam usual naquela casa, comum aquela pessoa, mesmo após reiterada punição.

É, exatamente na infância que a pessoa espera receber aceitação, acolhimento e disciplina na segurança do lar, do amor paternal, do amor maternal. É dentro de casa que se espera vivenciar uma atmosfera de conforto, proteção, carinho familiar.

Os pais são o exemplo que os filhos vão espelhar. Não se pode deixar de ver o reflexo dos pais na conduta dos filhos. Também são os pais responsáveis por iniciar a instrução de bons modos, de ética, moral, espiritual, social, escolar, profissional aos filhos.

Embora nem todas as crianças enfrente dissabores no ambiente familiar, outras infelizmente sim. É de chorar, por vezes até rir de alguns comandos impostos a algumas crianças, que no intuito de esclarecer a sensação destas aos adultos, sito a seguinte anedota: "uma mulher está tranquilamente fritando um ovo, e o marido começa a gritar instruções: "Cuidado! Abaixa o fogo! Joga mais óleo! Vira agora! Cuidado pra não grudar!". A mulher, estressada, pergunta se ele acha que ela não sabe fritar um ovo. Ele responde: "Eu sei que tu sabes, mas eu só queria te dar uma demonstração de como é quando eu estou dirigindo com você do meu lado".

Geralmente são os pais que fazem o mesmo da piada acima com suas crianças. E o fazem rispidamente, em voz alta. Dão uma ordem atras da outra, sem dar nem tempo a criança "se mexer, ou "respirar". Um verdadeiro atentado a segurança e a ordem pública da INFÂNCIA. Na verdade, um suplicio!

E, não se tem muito o que fazer sem que fique ainda pior a criança, da vez. Resta "não dar palco pr'a maluco" na esperança que aquilo logo acabe. Contudo tente se colocar no lugar da criança que tem todas as suas ações, pausas e falas - desde a hora que acorda até a hora que volta a dormir - sob comandos e instruções de pais, avós, tios, assemelhados, agregados... Suspire e agradeça a Deus por você não ser mais a criança. Caso o fosse, seu dia a dia seria assim:

"Acorda!", "levanta e escova dentes!", "Tome banho, troque de roupas!", "Penteie o cabelo", "Senta!" Abaixa as pernas", "Tire o pé do sofá! sente direito", "Se arrume pra ir a escola", "Fique quieto!", "Se você não obedecer vai ver só!, "Você quer apanhar?", "Sai do sofá", "Vai brincar", "Depois, não diga que eu não avisei!", "Chega de brincar", "Não ande correndo", "Não precisa andar igual uma lesma", "Você vai cair!, "Não mexa, tira a mão!", "perdeu alguma coisa aí?", "Tá sujando tudo que eu limpei", "O que está olhando na geladeira", "Espera que eu pego o que você quer", "Pegue você mesmo, você já é grande", "não é pra pegar nada, não é hora de comer", "De novo, feche a geladeira!', "Não coma nada, espere o almoço!" "Não acredito que você vai comer de novo", "Come tudo, não desperdice, não é pra deixar nada no prato", "Mastigue com a boca fechada", "Engole logo!", "Mastigue antes de engolir", "Não fale com a boca cheia", "Pode sair da mesa", "Sente aí, só sai da mesa quando eu deixar (mandar)", "Troque de roupas", "Coloque o chinelos", "Amarre este tênis", "Escove os dentes", "Tome banho, troque de roupas e vai dormir", "É pra dormir, estou escutando você daqui!", "Vou aí te fazer dormir, já já, e você vai ver o que é bom", "Quer apanhar?" [...]

Passei por coisa semelhante e foi horrível. Já fiz algo muito parecido. E, que Deus me perdoe e tenha misericórdia, permitindo que o que fiz depois que deixei de ser assim, tenha conseguido superar todo mal que causei aos meus filhos em nome da falta de tempo, falta de paciência... Na verdade errei por não saber agir como uma mãe. A vida foi me ensinando ser mãe de crianças e de adolescentes. E, ainda ensina. Sou tia. Agora sou vó. As crianças precisam de amor, compreensão, aceitação, cuidados. Meus filhos e os filhos dos meus filhos são bençãos de Deus na minha vida.

Hoje quando presencio adultos "bombardeando" as crianças penso, não é possível que essa pessoa se tornou pai e mãe pra "criar" os filhos assim. Os avós fazendo isso com os netos, não acredito. Fazendo isso com os sobrinhos, porquê?. Caso questionados (enfrentados), usam a desculpa do cansaço, da falta de tempo, da "malcriação" das crianças...

Não ter tempo é diferente de não saber, falar, educar, instruir, cuidar de uma criança. Inacreditável que um adulto não saiba educar uma criança com carinho. Que não saiba falar com uma criança com educação. Atento as limitações própria da idade e as reações de entendimento, compreensão, aceitação ou de recusa.

Fale, repita, explique com o cuidado, carinho, educação, ordem, disciplina que a situação exija. Não é apenas uma criança, trata-se da pessoa mais importante de sua vida.

O contrário, não é vida pra ninguém! Imagine como a criança se sente sabendo que sua vida será daquele jeito, no mínimo, pelos seus próximos dez anos ou mais. É de chorar. A criança não vê escapatória. Game over! Dorme. Acorda e enfrenta o jogo do novo dia. Pode ser que tudo se repita. Perde. Ganha. Muda de fase. Vai que um dia o adulto acorde com disposição em tentar ser o melhor adulto que o mundo conheceu. Sendo um adulto melhor dentro de casa, a família agradece. A criança terá o que comemorar da infância, por toda a vida.

É preciso melhorar o tratamento dispensado as crianças. Afinal, você é o adulto, não é a criança.

Na linha do "Eu queria ter um filho assim!", os filhos também dizem: "Eu queria ter um pai assim!". "Eu queria ter uma mãe assim!", queria ter irmãos assim, queria ter tios assim, queria ter avós assim...

Lembre-se a família é um projeto fundamental de Deus. A Bíblia, em Gênesis 2:24, estabelece a união do casal como base da família, um plano inicial de Deus para a humanidade. A família é considerada a célula fundamental da sociedade e da humanidade.

O lar é local de amor, comunhão e de formação de caráter. Onde se transmite a fé, ensinando sobre o amor sacrificial de Jesus Cristo, a confiança no direcionamento de Deus na superação de dificuldades, a oração, o louvor, adoração e gratidão a Deus pelas bençãos recebidas.

No livro de Salmo 127:3 diz: "Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão". Os filhos são um presente de Deus, uma recompensa, um tesouro, uma responsabilidade sagrada que representa herança de Deus aos pais, uma esperança de continuidade da família.

Educar os filhos segundo a Bíblia é um compromisso dos pais que deve ter como base a instrução espiritual, o exemplo prático e a disciplina justa e com amor. O versículo central é Provérbios 22:6: "Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele".

Os pais devem ensinar a Palavra de Deus com persistência. A educação bíblica não é apenas falar, mas viver. Pais devem refletir o caráter de Deus, pois são a primeira expressão de autoridade e amor para os filhos.

A Bíblia orienta que a correção é necessária, um ato de amor (Pv 13:24). No entanto, não se deve irritar os filhos: "Pais, não irriteis vossos filhos... mas criai-os na educação e doutrina do Senhor". A instrução bíblica para os filhos é honrar e obedecer aos pais, o que traz a promessa de vida longa e próspera (Ef 6:1-3).

Os Salmos 127:3 - Lembra aos pais que os filhos são uma herança e recompensa do Senhor. Deuteronômio 6:6-7, instrui falar das leis de Deus em todos os momentos do dia (ao sentar, andar, deitar e levantar). e, Provérbios 1:8 - exorta o filho a ouvir a instrução do pai e não abandonar o ensino da mãe.

Cultivar um tempo devocional em família (leitura bíblica, louvor, oração) ajuda a criança a entender quem é Deus e quais os seus propósitos para a sua vida. É missão dos pais, guiar os filhos na retidão, impor limites saudáveis, amar, educar, instruir, cuidar provendo segurança física e emocional. 

** Autoria - Elizabeth Nogueira





domingo, 11 de outubro de 2020

Depois do Deserto

 


As melhores lições da dependência de Deus se aprende no deserto.

Na Bíblia, o deserto é um lugar literal de provação e passagem (como o do Êxodo). Figurativamente, o deserto simboliza momentos de solidão, dificuldade, tentação, esterilidade (prostração) que exige a reflexão e os ajustes que levam:

1) à intimidade com Deus;
2) à dependência Dele (Deus);
3) à renovação espiritual.

A experiência promove transformação, evidenciando Seus milagres e providências. É um espaço para ouvir a voz de Deus, vencer o orgulho e descobrir o essencial da fé, como visto nas experiências de Jesus, João Batista, Moisés e Elias, e do povo de Israel.

Moisés passou 40 anos no deserto, antes de seu confronto com o Faraó. Israel precisou de 40 anos no Deserto para tirar o Egito do coração. Elias, se refugiou no deserto, após fugir de Jezabel, e foi restaurado por Deus em um momento de desespero (1 Reis 19). Jacó, lutou com Deus no deserto (ou à beira do rio) após fugir de Esaú, resultando em sua transformação (Gênesis 32).

A Palavra de Deus veio a João, o batista, quando este pregava no deserto, se cumprindo a profecia em Isaías 40:3: "Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus". João Batista era a voz que anunciava a vinda de Jesus Cristo e convocava as pessoas ao arrependimento e ao batismo para purificação (Mateus 3:3, Marcos 1:3, João 1:23).

Jesus passou 40 dias no deserto, jejuando antes de iniciar seu ministério público. Após o batismo o Espírito Santo levou Jesus ao deserto. E, Jesus Venceu o tentador no deserto, conforme descrito em Lucas 4:1-4.

Na primeira das três tentações, o tentador sugeriu que Jesus transformasse pedras em pão, ao que Jesus responde: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus" (Lucas 4:4). Desafiou Jesus a provar ser o Filho de Deus, lançando-se do pináculo do Templo. Jesus respondeu: "Não porás à prova o Senhor, teu Deus". Ofereceu os reinos do mundo em troca de adoração e Jesus respondeu: "Adora o Senhor, teu Deus, e só a ele prestarás culto".

Esse período no deserto é frequentemente interpretado como um tempo de preparação, provação e triunfo sobre a tentação, demonstrando a dependência de Jesus em relação a Deus e a força para resistir ao mal antes de começar Sua obra de pregação sobre o Reino de Deus, libertação, cura...

O Deserto é onde é possível afastar-se do barulho do mundo para falar com Deus, para ouvir a voz de Deus. A dependência é aprendida no deserto, pois é onde tudo ensina que não se é autossuficiente, mas que Deus supre todas as necessidades (água, alimento, abrigo).

É onde o eu (ego), o orgulho, a vaidade, são quebrados, deixando de serem alimentados para focar no que é essencial: um relacionamento profundo e pessoal com Deus.

É onde Deus faz caminhos (Isaías 35:1-2, 41:18). A presença de Deus opera milagres; faz brotar água, fontes, mananciais; faz cair o maná do céu; transforma a terra seca e árida em fértil e florida; transforma histórias, mudando destinos, restaurando e fortalecendo a fé. 

sábado, 22 de agosto de 2020

Palavra Liberada


Isaías exerceu seu ministério no Reino de Judá entre aproximadamente 740 e 687 a.C.. o profeta Isaías é amplamente reconhecido como o "profeta messiânico" por ter anunciado com detalhes a vinda e o sofrimento do Messias séculos antes do nascimento de Jesus.

Isaías, iniciou seu ministério no ano da morte do rei Uzias (c. 740 a.C.) após uma visão majestosa de Deus no templo. Era casado com uma mulher referida como "a profetisa" e teve pelo menos dois filhos com nomes simbólicos: Sear-Jasube (um Remanescente retornará/esperança) e Maer-Salal-Hás-Baz (rápido despojo/presa segura - uma profecia (sentença) contra Damasco e Samaria, significando que em breve a Síria e Israel seriam saqueadas pela Assíria). Atuou como conselheiro influente de quatro reis de Judá: Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias.

O livro é composto por 66 capítulos e costuma ser dividido em três grandes partes pelos estudiosos: 1ª Parte - Isaías / Proto-Isaías (antes do exílio babilônico) - do capítulo 1 ao 39: Mensagens de juízo contra Judá e as nações vizinhas, focadas no contexto do império assírio. 2ª Parte - Isaías / Dêutero-Isaías (consolo aos exilados)  do capítulo 40 ao 55: Mensagens de consolo dirigidas aos exilados na Babilônia, destacando a soberania de Deus. 3ª Parte - Isaías / Trito-Isaías (voz dos que voltaram do exílio) do capítulo 56 ao 66: Focado na restauração de Jerusalém e nas promessas futuras.

Principais Temas e Profecias:

Santidade de Deus: O título "O Santo de Israel" é recorrente em seus escritos.

O Messias: Profetizou sobre o nascimento (Isaías 7:14), os títulos do Messias ("Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte") e seu sacrifício vicário (Isaías 53) - substituição de uma pessoa por outra em um sacrifício ou punição. Cristo foi nosso substituto (2 Coríntios 5:21; Hebreus 10:10; João 3:16).

Justiça Social: Confrontou a corrupção e a hipocrisia religiosa, exigindo justiça para os oprimidos.

Neste estudo bíblico escolhi Isaías 55 - Vamos iniciar pelo versículo 11 que diz que "...a PALAVRA DE DEUS, ao sair de Sua boca, não retornará vazia, mas cumprirá o propósito para o qual foi enviada, prosperando e fazendo o que agrada a Ele, sendo uma promessa de que a Palavra divina é eficaz e sempre produzirá resultados.

¹¹ Assim será a minha palavra, que sair da minha boca;
ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz,
e prosperará naquilo para que a enviei. Isaías 55:11

Não é a palavra que sair da MINHA BOCA e sim a palavra que SAIR DA BOCA DE DEUS. Isaías 55:11, é um versículo chave que destaca o poder e a fidelidade de Deus em cumprir Suas promessas e propósitos através de Sua Palavra.

Á exemplo de Gênesis 1:3: "E disse Deus: Haja luz. E houve luz". A frase "E disse Deus: Haja luz" marca o primeiro ato criativo de Deus, onde Ele, através de Sua palavra, traz a existência a luz, separando-a das trevas, o que estabelece o primeiro dia da criação: "Então Deus disse: — Que haja luz! E a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa e a separou da escuridão. Deus pôs na luz o nome de 'dia' e na escuridão pôs o nome de 'noite'. A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o primeiro dia." (Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje).

Em Gênesis, capítulo 1, a expressão "E disse Deus" aparece 10 vezes, marcando os momentos da criação, enquanto a palavra "Deus" (Elohim) é mencionada cerca de 32 vezes no capítulo, destacando a soberania divina e a criação do mundo através de Sua palavra, representando a ordem e plenitude da criação.

Neste mesmo propósito de criar, de "trazer a existência, Isaías 55:11: descreve a eficácia da comunicação de Deus: "assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.

A "palavra que sai da boca do homem" é frequentemente citada na Bíblia, especialmente em Mateus 15:18-20, como o que contamina o homem, vindo do coração, incluindo maus pensamentos, homicídios, adultérios, falsos testemunhos e blasfêmias, enquanto o que entra pela boca não é o que contamina.

A boca revela o estado do coração, sendo que palavras boas vêm de um coração bom e palavras más de um coração mau, como em Provérbios 10:11-12: "A boca do justo é fonte de vida, mas a boca dos ímpios oculta a violência." "O ódio incita a dissensão, mas o amor encobre todas as ofensas". As palavras têm poder de trazer vida ou morte, edificação ou maldição, sendo um reflexo do caráter.

A frase aponta para a ideia de que a verdadeira essência de uma pessoa, suas intenções e pensamentos mais íntimos, se manifestam através de suas palavras, sendo estas um espelho de sua alma.

Em Mateus 4:4, Jesus afirma que o homem não vive só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Jesus usa essa ideia para enfatizar que a orientação espiritual e a verdade de Deus são mais essenciais para a vida do que o alimento físico.

Isaías 55:11, descreve o poder e a eficácia da palavra de Deus, que sempre alcança seu objetivo, prospera naquilo para que foi enviada, seja para abençoar ou direcionar. Portanto, a "palavra que sai da boca de Deus" é a Vontade de Deus revelada, a Lei divina, o Evangelho, e a inspiração espiritual para a vida de todo aquele que crê.

Este versículo é um convite à confiança, mostrando que a Palavra de Deus é ativa e poderosa, cumprindo Seus planos e bênçãos na vida daqueles que a ouvem e a vivem.

A análise do capítulo 55 do livro de Isaías revela uma mensagem central de graça como presente de Deus em providenciar a redenção; convite à salvação e a soberania da Palavra e dos pensamentos de Deus.

Efésios 2:8-9: - "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie." Somos salvos porque Deus, em Seu amor e misericórdia, nos oferece o perdão e a vida eterna através de Jesus, e nós respondemos com fé, um ato possibilitado por Ele mesmo, não por nossa própria capacidade ou virtude.

O capítulo 55 de Isaías é estruturado em torno de três temas principais:

1. Convite à Salvação (Isaías 55:1-5)

O capítulo começa com um convite universal de Deus, direcionado a todos que têm necessidades físicas e espirituais:

"Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei".

Deus oferece a salvação e a vida plena sem custo financeiro, simbolizadas por "vinho e leite", que representam alegria, nutrição espiritual e bênçãos.

Na Bíblia, vinho e leite aparecem principalmente em Isaías 55:1 como símbolos das bênçãos espirituais gratuitas de Deus, representando alimento e alegria que satisfazem a alma sem custo, sendo um convite divino à salvação e comunhão, contrastando com gastos vãos em coisas passageiras.

O leite também simboliza nutrição, pureza e a Terra Prometida ("terra que mana leite e mel"), enquanto o vinho representa celebração e o sangue de Cristo em um contexto litúrgico.

Importante observar que a profecia em forma de convite com promessa está relacionado a vinda de Jesus, o Messias: o PÃO DA VIDA.

O versículo principal sobre Jesus ser o Pão da Vida é João 6:35, onde Ele declara: "Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede". Em João 6:51, diz: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo".

Jesus não oferece apenas alimento físico, mas supre as necessidades mais profundas da alma, provendo vida eterna e plenitude espiritual para quem n'Ele crê. Essa declaração veio após o milagre da multiplicação dos pães e peixes, onde a multidão buscava Jesus por alimento físico, mas Ele os direcionou para o alimento espiritual que Ele mesmo oferece, como o verdadeiro Maná.

Significados Principais:

Em Isaías 55:1-2 (Convite de Deus). Em Isaías 55:2: Deus questiona por que as pessoas gastam dinheiro com o que não alimenta e as exorta a ouvi-lo: "Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura"Isaías 55:3: O convite é reforçado: "Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá".

Vinho e Leite: Representam as bênçãos da salvação, a Palavra de Deus, e o sustento espiritual oferecidos gratuitamente. "Sem dinheiro e sem preço": Destaca a graça de Deus e a inutilidade de buscar satisfação em coisas vãs e passageiras.

- Leite como Símbolo: Terra Prometida: Êxodo 3:8 descreve a Terra como "terra que mana leite e mel" (Abundância). Em 1 Pedro 2:2 fala do "leite espiritual" para o crescimento na fé, e Cantares 4:11 usa leite e mel para acolhimento e afeto.

- Vinho como Símbolo: Alegria e Celebração: Alegria espiritual em Deus (Isaías 55:1). O vinho também representa o sangue de Jesus (Ceia).

O texto questiona por que as pessoas gastam tempo e esforço em coisas que não satisfazem verdadeiramente: "por que gastais o vosso dinheiro naquilo que não é pão?".

Em Isaías, a certeza das promessas é fundamentada na aliança de Deus com Davi, apontando para o Messias (Jesus Cristo), que é oferecido como líder e testemunha aos povos.

2. Chamado ao Arrependimento (Isaías 55:6-9)

Estes versículos enfatizam a necessidade de uma resposta imediata ao convite de Deus: "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto", indica que há um tempo oportuno, o "tempo da graça", para se voltar para Deus.

"Tempo da Graça" é um conceito teológico cristão que se refere ao período atual, pós-Cristo, em que Deus oferece perdão, misericórdia e salvação a todos que se arrependem, sendo um convite à reconciliação e um tempo de oportunidade para se aproximar de Deus antes do fim, marcado pela chamada à fé e à transformação.

Este tempo, que teve início com a morte de Cristo, é limitado e termina antes da volta de Jesus ou do selamento final, como ocorreu no Dilúvio (Arca de Noé): houve o convite e o limite para a salvação. Após o convite, Deus deu tempo para o arrependimento antes do Dilúvio, mas depois que Noé entrou na arca, a porta se fechou, simbolizando o fim da oportunidade. O Dilúvio marcou o fim do tempo de graça as pessoas que ignorando as advertências divinas, perderam a chance de salvação.

Gênesis 7:16, diz: "Entraram, pois, macho e fêmea de toda carne, como Deus lhe havia ordenado; e o SENHOR fechou a porta após ele". Esse evento marca o fim do período de oportunidade para entrar na arca e o início do Dilúvio, um tempo de juízo, simbolizando que Deus fecha portas quando termina o tempo de graça; dando início a novo propósito, um novo começo (nova terra).

Em Isaías 55:7, o ímpio e o maligno são exortados a abandonar seus maus caminhos e pensamentos, convertendo-se ao Senhor. O versículo conclui torne-se para Deus que é "grandioso em perdoar".

Os pensamentos e caminhos de Deus são incomparavelmente superiores aos humanos ("Assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos").

A exortação enfatiza que mesmo quando os eventos da vida parecem confusos ou injustos, a superioridade dos planos (caminhos) de Deus implica que há um propósito subjacente que escapam à nossa percepção limitada sendo necessário ampliar a fé através do conhecimento da Palavra (Bíblia) a confiança na soberania do amor e da justiça de Deus (salvação). 

3. Eficácia da Palavra de Deus (Isaías 55:10-13)

O capítulo termina com uma metáfora sobre a eficácia e o propósito da Palavra de Deus. Assim como a chuva e a neve descem e regam a terra, a Palavra que sai da boca de Deus "não voltará vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei".

A obediência a essa Palavra resulta em uma vida de alegria, paz e transformação, com a criação inanimada se juntando na celebração da glória de Deus.

Em resumo, Isaías 55 é um convite atemporal para que as pessoas deixem de buscar satisfação em coisas vãs e aceitem a salvação gratuita oferecida por Deus, aproveitando a oportunidade de se arrepender e confiar na soberania e eficácia da Palavra de Deus (Bíblia) e de Seus planos para as nossas vidas.

Outros versículos relevantes:

Jó 42:2"Eu sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado", expressa a fé de Jó na onipotência e soberania de Deus, mesmo após grandes provações, significando que os propósitos divinos são perfeitos e se cumprirão, apesar das dificuldades, sendo uma mensagem de esperança e confiança na fidelidade de Deus, que trabalha em todos os detalhes para o bem daqueles que o amam.

Em Jeremias 29:11, Deus declara: "Eu é que sei os planos que tenho para vocês, diz o SENHOR, planos de paz e não de mal, para dar-lhes um futuro e esperança". A mensagem foi dada ao povo de Israel exilado na Babilônia, prometendo que, apesar do sofrimento temporário, Deus tinha planos de bem-estar, prosperidade e um futuro esperançoso, e não de destruição, encorajando-os a buscar a Deus de coração e ter fé em Seus propósitos.

Provérbios 19:21, diz: "Muitos planos há no coração do homem, porém o conselho do Senhor permanecerá." O versículo é um convite a prudência na elaboração e execução de nossos planos, mas, acima de tudo, a ter fé na soberania de Deus, entendendo que Ele, em Sua sabedoria, conduz os eventos e propósitos de nossa vida, e Sua vontade é sempre a melhor.

Provérbios 16:9: "O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor firma os seus passos." O versículo não desencoraja o planejamento, antes pelo contrário. A mensagem central é um convite à confiança em Deus, mesmo quando os planos mudam ou não são entendidos. É um chamado para entregar a Ele o controle, aceitando que Seus planos (DEUS) são melhores e nos levam a propósitos maiores.

***Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira



domingo, 9 de agosto de 2020

Neuroplasticidade na Bíblia



A Bíblia e a neurociência se conectam através da neuroplasticidade, mostrando que a renovação da mente é possível, com versículos como Romanos 12:2 - "transformem-se pela renovação da vossa mente"; e Efésios 4:23-24 - "renovai-vos no espírito da vossa mente e revesti-vos do novo homem"; descrevendo o processo que a ciência chama de capacidade do cérebro de mudar e criar novas conexões neurais.

Práticas espirituais como oração, gratidão e foco no presente (Mt 6:34) reforçam essa transformação, diminuindo ansiedade e promovendo bem-estar, o que a neurociência agora comprova, ativando centros de recompensa e reduzindo a atividade da amígdala, provando que a fé pode "religar" o cérebro.

"Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades." (Mateus 6:34 - NTLH)

Jesus aconselha a não se preocupar com o futuro, pois cada dia tem suas próprias preocupações e desafios ("mal"), incentivando a confiança em Deus para o dia a dia e a busca primeiro pelo Reino de Deus.

A passagem instrui a focar no presente, confiando que Deus proverá e cuidará das necessidades futuras, sem se deixar dominar pela ansiedade ou planejamento excessivo para o amanhã.

Passagens Bíblicas e seus Correlatos na Neurociência

Romanos 12:2 e Efésios 4:23-24 (Renovação da Mente): A ciência da neuroplasticidade explica como o cérebro pode ser "reconfigurado" ao substituir padrões de pensamento antigos por novos, algo que a leitura e meditação na Palavra de Deus promovem.

Provérbios 18:21 (Poder da Língua): O que declaramos e repetimos (linguagem interna) molda nossa identidade e comportamento, reforçando vias neurais, um conceito central na neuroplasticidade.

1 Tessalonicenses 5:18 (Gratidão): A gratidão ativa o núcleo accumbens (centro de recompensa) e libera dopamina e serotonina, o que a Bíblia já apontava como um caminho para a paz e a alegria, reduzindo a ansiedade. A Bíblia ensina a agradecer, e a neurociência confirma que isso libera dopamina e serotonina, gerando bem-estar.

Mateus 6:34 (Foco no Presente): Jesus ensinava o mindfulness ao aconselhar a não se preocupar com o amanhã, focando no agora, o que a ciência mostra ser crucial para diminuir a ansiedade, que surge da ruminação sobre o futuro.

Provérbios 17:22 (Coração Alegre): Emoções positivas influenciam a saúde física, com um espírito alegre sendo um bom remédio, ativando processos que beneficiam o corpo.

Como a Bíblia e a Neuroplasticidade se Unem

Transformação Real: A fé e as disciplinas espirituais (oração, perdão, meditação) atuam como "neuroplasticidade autodirigida", remodelando circuitos cerebrais para sermos mais receptivos a Deus e ao Seu plano, como descrito por.

Cura e Esperança: A capacidade de mudar o cérebro permite que ninguém esteja condenado ao passado ou a traumas; a fé oferece um caminho para a cura e o renovação.

Renovação da Mente: Romanos 12:2 fala em transformar-se pela renovação da mente. A neurociência chama isso de neuroplasticidade, mostrando que pensamentos e palavras repetidas moldam o cérebro.

Oração e Silêncio: A prática bíblica de orar e buscar o silêncio (Salmo 46:10) ativa áreas cerebrais ligadas à calma, reduzindo o cortisol e o estresse, promovendo autocontrole.

Coragem e Fé: A Bíblia (Hebreus 11:6) fala da fé. A neurociência mostra que a coragem e a fé ativam redes de superação, aumentando a resiliência e o sistema imunológico.

Cuidado com Pensamentos: A instrução bíblica de focar em coisas verdadeiras e puras (Filipenses 4:8) é um treino mental que, segundo a ciência, fortalece circuitos neurais positivos.

Educação e Desenvolvimento: A Bíblia (Provérbios) e a neurociência concordam que os primeiros anos são essenciais para moldar o cérebro, e práticas como o "reparo relacional" (perdão após conflito) liberam hormônios de segurança

Como a fé e a ciência se conectam

A neurociência não anula a fé, mas oferece uma compreensão de como as práticas espirituais atuam no cérebro e no corpo, complementando os ensinamentos bíblicos.

A Bíblia oferece um "manual" para a saúde mental e emocional, e a neurociência explica os mecanismos biológicos por trás desses resultados.

A neurociência atualiza e confirma, em termos biológicos, os princípios de sabedoria e transformação espiritual presentes nas escrituras há milênios, mostrando que cuidar da mente e do espírito é cuidar do próprio cérebro.

A Bíblia não apenas descreve princípios para uma vida transformada, mas esses princípios alinham-se com os mecanismos cerebrais da neuroplasticidade, permitindo que a fé, a oração e a renovação mental concretizem mudanças profundas e duradouras.


Neuroplasticidade na Leitura da Bíblia

A neuroplasticidade, definida como a capacidade do cérebro de se remodelar e criar novas conexões neuronais em resposta a experiências e aprendizados, encontra paralelos significativos com a prática da leitura da Bíblia.

Pesquisas indicam que a leitura frequente da Bíblia não apenas fortalece a fé, mas também atua como um estímulo cognitivo que "religa" as respostas cerebrais, reduzindo padrões de pensamentos negativos e promovendo bem-estar emocional.

Conexão entre Bíblia e Neurociência

O conceito bíblico de "transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Romanos 12:2) é considerado um princípio de auto-direcionamento da neuroplasticidade, onde a repetição de pensamentos positivos e espirituais altera a estrutura cerebral.

"Religando" o Cérebro, pois o engajamento regular com as Escrituras ajuda a diminuir comportamentos destrutivos e vícios, alterando as conexões neuronais responsáveis por respostas comportamentais.

A leitura consistente é associada à diminuição de sentimentos negativos, como a solidão, a raiva, o estresse.

Impactos Específicos da Leitura Bíblica

Fortalecimento de Áreas de Esperança: A leitura constante da Bíblia reorganiza pensamentos e fortalece áreas do cérebro responsáveis pela paz e esperança.

Aumento da Empatia: A leitura regular da Bíblia está associada a um aumento na empatia e compaixão.

"Pensar como Cristo": A prática contínua da leitura bíblica torna o processo de renovação da mente mais fácil e automático, mudando a forma como o indivíduo processa o mundo.

Mecanismos Envolvidos - Ativa a neuroplasticidade

Leitura e Meditação: Meditar nas escrituras fortalece novas vias neurais.

Memorização: A memorização de versículos, como sugerido em Salmos 119:11, cria "trilhas" de pensamento mais profundas e duradouras.

O Salmo 119:11 da Bíblia diz: "Guardo no coração a tua palavra para não pecar contra ti", uma afirmação do salmista sobre a importância de internalizar os ensinamentos de Deus para evitar o pecado, sendo um lembrete poderoso para os fiéis manterem a Palavra de Deus como seu guia e tesouro para viver em santidade.

Frequência: A constância é a chave para a neuroplasticidade, transformando o "olhar" para a palavra em uma mudança estrutural no cérebro.

A neurociência, portanto, alinha-se com a ideia de que a leitura bíblica diária molda ativamente o cérebro, promovendo saúde mental e espiritual ao substituir padrões de pensamento antigos por novos caminhos neurais.


Neuroplasticidade na música

A música gospel, por suas características de ritmo, harmonia e, principalmente, letras focadas em fé, esperança e espiritualidade, tem um impacto positivo significativo no cérebro, promovendo a neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões neurais.

Principais efeitos da música gospel no cérebro com base em estudos de neurociência:

Ativação do Sistema de Recompensa (Dopamina): Músicas de louvor ativam áreas profundas do cérebro, liberando dopamina, o que gera sensações de prazer, motivação, alegria e bem-estar.

Redução do Estresse (Cortisol): O ritmo calmo de muitas músicas de adoração ajuda a reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, promovendo relaxamento e paz interior.

Regulação Emocional e Cognitiva: A música gospel estimula o sistema límbico (responsável pelas emoções) e o hipocampo (memória), ajudando a regular o humor e processar emoções difíceis.

Fortalecimento de Conexões Neurais (Neuroplasticidade): Ouvir ou cantar música gospel com frequência treina o cérebro, moldando-o de forma positiva. Isso é especialmente útil para reabilitação cognitiva e manutenção da saúde mental.

Conexão Social e Pertencimento: A música no contexto religioso (como cultos) facilita a oxitocina, promovendo sentimentos de união, confiança e pertencimento a um grupo.

Conclui-se assim que o impacto da música gospel vai além do emocional, atuando diretamente na estrutura cerebral. Ela é considerada uma ferramenta poderosa para "treinar" a mente para pensamentos de esperança, reduzindo ansiedade e melhorando a qualidade de vida.

Neuroplasticidade na Oração

A oração ativa a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar, fortalecendo áreas ligadas à atenção (córtex pré-frontal), cognição e regulação emocional, promovendo melhor foco, clareza mental, redução de estresse e melhor tomada de decisões, ao criar novas conexões neurais e aumentar o fluxo sanguíneo e a espessura cortical nessas regiões, funcionando como um treino que melhora a saúde mental e espiritual.

Como a Oração Atua no Cérebro

Ativa o Córtex Pré-Frontal: Esta área, vital para atenção, foco, tomada de decisões e comportamento, é ativada e pode até aumentar de espessura, resultando em maior clareza e autocontrole, segundo pesquisadores.

Aumenta Neuroplasticidade: A prática cria novas sinapses (conexões) entre os neurônios, permitindo que o cérebro se regenere e se adapte, como um "treino" para a mente.

Libera Neurotransmissores: A oração pode aumentar a liberação de neurotransmissores que melhoram o humor e combatem a ansiedade, como dopamina e ocitocina, promovendo bem-estar.

Reduz o Estresse: A prática acalma o corpo, diminui a atividade da amígdala (centro do medo) e ativa o nervo vago, levando a um estado de calma profunda.

Melhora a Cognição: Aumenta o foco, a atenção e a capacidade cognitiva, podendo até auxiliar na prevenção de doenças como Alzheimer.

Benefícios Práticos: Maior Clareza e Foco: Ajuda a centralizar a atenção, mesmo em leituras complexas.

Melhor Tomada de Decisão: O fortalecimento do córtex pré-frontal leva a escolhas mais assertivas.

Redução da Reatividade: Diminui a resposta ao medo e ao estresse, promovendo uma verdadeira regulação emocional.

Sentimento de Paz e Conexão: Transforma a experiência do sofrimento em superação, criando um "porto seguro" mental e emocional.

A neurociência mostra que a oração é uma poderosa ferramenta de neuroterapia, que usa a neuroplasticidade para remodelar positivamente o cérebro, integrando os aspectos espirituais e biológicos para a saúde e o bem-estar.