quarta-feira, 3 de março de 2010

O reino da mentira


“Da vitória do bem não duvidei jamais, porque nunca me vacilou a crença na vossa justiça.” – Rui Barbosa, em discurso “A mão do Senhor” -

(5). (5) Rui Barbosa, Discurso de 11 de agosto de 1918, agradecendo as festas do jubileu, após a missa campal na praça de S. Cristóvão. (Estante Clássica da Rev. de Língua Port., Rio, 1920, p. 198, vol. I)
Do livro “Antologia – Rui Barbosa”. [seleção, prefácio e notas de Luís Viana Filho]. Ed. especial/Saraiva de bolso. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

O reino da mentira

Mentira toda ela. Mentira de tudo, em tudo e por tudo. Mentira na terra, no ar, até no céu, onde, segundo o padre Vieira (que não chegou a conhecer o sr. Urbano Santos), o próprio sol mentia ao Maranhão, e direis que hoje mente ao Brasil inteiro.

Mentira nos protestos. Mentira nas promessas. Mentira nos programas. Mentira nos projetos. Mentira nos progressos. Mentira nas reformas. Mentira nas convicções. Mentira nas transmutações. Mentira nas soluções. Mentira nos homens, nos atos e nas coisas. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita.

Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. Mentira dos caudilhos aos seus apaniguados, mentira dos seus apaniguados à nação. Mentira nas instituições. Mentira nas eleições. Mentira nas apurações. Mentira nas mensagens. Mentira nos relatórios. Mentira nos inquéritos. Mentira nos concursos. Mentira nas embaixadas. Mentira nas candidaturas. Mentira nas garantias. Mentira nas responsabilidades. Mentira nos desmentidos. A mentira geral.

O monopólio da mentira. Uma impregnação tal das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos, e os indenes, ao cabo, muitas vezes não sabem se estão, ou não estão mentindo.

Um ambiente, em suma, de mentiraria, que, depois de ter iludido ou desesperado os contemporâneos, corre o risco de lograr ou desesperar os vindouros, a posteridade, a história, no exame de uma época, em que à força de se intrujarem uns aos outros, os políticos, afinal, se encontram burlados pelas suas próprias burlas, e colhidos nas malhas da sua própria intrujice, como é precisamente agora o caso. -

(2). (2) Rui Barbosa, Conferência proferida na Associação Comercial do Rio de Janeiro, em 8 de março de 1919, por ocasião da campanha presidencial em que teve como antagonista o senador Epitácio Pessoa. Rui venceu em todas as grandes capitais e cidades do Brasil. (Campanha presidencial, Bahia, 1921, p. 77-78).

O bem e o mal

O mal nunca venceu o bem, senão usurpando a este o necessário para o iludir, o arredar, o adormecer, o fraudar, o substituir, o vencer.

Se a injustiça, a mentira, o egoísmo, a cobiça, a rapacidade, a grosseria d’alma, a baixeza moral, a inveja, o rancor, a vingança, a traição, aparecessem nus e desnudos aos olhos do indivíduo, aos olhos do povo, aos olhos da sociedade, aos olhos do mundo, ninguém preferiria o mal ao bem, e o bem não se veria jamais desterrado pelo mal.

Mas o mal, e sobretudo o mal político, a terrível avariose brasileira, é essencialmente falso, falsídico, falsificador e refalsado.

Sutil, sonso e sotrancão, alonga a cara triste e severa, baixa o olhar incerto e divergente, engrossa o falsete, azeita a rispidez, varia o furta-cor da palavra insidiosa, fala todos os idiomas da mentira, pratica a sedução com os pequenos, com os grandes a baixeza, a arrogância com os humildes, com os poderosos a servilidade, envolve nas atitudes da nobreza os sentimentos da prostituição, e, professando não denotar nunca o que sente, não mostrar jamais o que faz, o chocalho nas mãos para a impostura, nos ombros, até a barba, a capa da traição, na cabeça, desabado para o rosto, o feltro das aventuras, com botas de sete léguas, foge do merecimento, da justiça, da honra, da lealdade; e, se pudera vender-se a si mesmo, atraiçoando a própria natureza, a si mesmo se vendera, como vendeu o Cristo para não desmentir a fatalidade da sua sina. -

(1). (1) Rui Barbosa, Conferência na Associação Comercial do Rio de Janeiro, em 8 de março de 1919, e que se intitula Às classes conservadoras (Rui Barbosa, Campanha presidencial, 1919, p. 60-61).

A lei de Caim

A lei de Caim é a lei do fratricídio. A lei do fratricídio é a lei da guerra. A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, a lei da pilhagem, a lei da bestialidade.

Lei que nega a noção de todas as leis, lei de inconsciência, que autoriza a perfídia, consagra a brutalidade, agaloa a insolência, eterniza o ódio, premeia o roubo, coroa a matança, organiza a devastação, semeia a barbaria, assenta o direito, a sociedade, o Estado no princípio da opressão, na onipotência do mal.

Lei de anarquia, que se opõe à essência de toda a legalidade substituindo a regra pelo arbítrio, a ordem pela violência, a autoridade pela tirania, o título jurídico pela extorsão armada.

Lei animal, que se insurge contra a existência de toda a humanidade, ensinando o homicídio, propagando a crueza, destruindo lares, bombardeando templos, envolvendo na chacina universal velhos, mulheres e crianças.

Lei de torpeza, que proscreve o coração, a moral e a honra, misturando a morte com o estupro, a viuvez com a prostituição, a ignomínia com a orfandade.

Lei da mentira, na falsa história que escreve, nos falsos pretextos que invoca, na falsa ciência que explora, na falsa dignidade que ostenta, na falsa bravura que assoalha, nas falsas liberdades que reivindica, fuzilando enfermeiras, atacando hospitais, metralhando povoações desarmadas, incendiando aldeias, bombardeando cidades abertas, minando as estradas navais do comércio, submergindo navios mercantes, canhoneando tripulações e passageiros refugiados nas lanchas de salvamento, abandonando as vítimas da cobardia das suas proezas marítimas aos mares revoltos e aos frios dos invernos boreais.

Lei do sofisma, lei da inveja, lei da carniçaria, lei do instinto sanguinário, lei do homem brutificado, lei de Caim -

(3). (3) Rui Barbosa, Conferência em benefício da Cruz Vermelha dos Aliados, em 17 de março de 1917, no Teatro Petrópolis. (Conferência do senhor Rui Barbosa no Teatro Petrópolis, Londres, 1917, p. 5).

A paixão da verdade

A paixão da verdade semelha, por vezes, as cachoeiras da serra. Aqueles borbotões d’água, que rebentam e espadanam, marulhando, eram, pouco atrás, o regato que serpeia, cantando pela encosta, e vão ser, daí a pouco, o fio de prata que se desdobra, sussurrando, na esplanada.

Corria murmuroso e descuidado; encontrou o obstáculo: cresceu, afrontou-o, envolveu-o, cobriu-o e, afinal, o transpõe, desfazendo-se em pedaços de cristal e flocos de espuma.

A convicção do bem, quando contrariada pelas hostilidades pertinazes do erro, do sofisma ou do crime, é como essas catadupas da montanha. Vinha deslizando, quando topou na barreira, que se lhe atravessa ao caminho.

Então remoinhou arrebatada, ferveu, avultando, empinou-se, e agora brame na voz do orador, arrebata-lhe em rajadas a palavra, sacode, estremece a tribuna, e despenha-se-lhe em torno, borbulhando.

Mas o que ela contém, e a impele, e a revolta, não é cólera, não é destruição, não é maldade: é o poder do pensamento, a vibração da fé, a energia motriz das almas, esse fluido impalpável que se transporta nas ondas invisíveis do ambiente, e vai, por outras regiões, arder nos espíritos, fulgurar nas trevas humanas, abalar vontades, agitar indivíduos e povos, reanimados ao seu contacto, como os mais maravilhosos instrumentos da indústria, os teares, as forjas, os estaleiros, acordam ao influxo dessa eletricidade silenciosamente bebida, léguas e léguas daí, por um fio de cobre aéreo, nas quedas sonoras do rio.

Enquanto, porém, essa transmissão imperceptível opera ao longe maravilhas, renovando a atividade às civilizações, derramando vida pela superfície da Terra, a correnteza precipitada, que acabou de enviar à distância essas descargas da grande força, volve, pouco adiante, ao remanso ordinário do curso, perdendo-se entre as devesas do monte e as alfombras da pradaria.

As revoltas da consciência contra as más causas, ainda contra as piores, não azedam um coração desinteressado. O meu tem atravessado as maiores procelas políticas, às vezes soçobrado, ferido, sangrando no entusiasmo e na esperança, mas sem fel.

Não seria este novo encontro, embora duro e violento, com a mentira política, a velha corrutora dos nossos costumes, a sabida arruadeira das cercanias do poder, a pimpona rixadora do grande mercado, que me induzisse a esquecer, para com as pobres criaturas por ela contaminadas, a lição divina da caridade.

Antes de político me prezo eu de ser cristão. Não sei odiar os homens, por mais que deles me desiluda. O mal é inexorável, pela consciência de ser caduco. O bem, paciente e compassivo, pela certeza da sua eternidade. -

(4). (4) Rui Barbosa, (Discurso no Cassino de São Paulo, em 16 de dezembro de 1909, por ocasião da campanha civilista. (Excursão Eleitoral ao Est. de S. Paulo, 1909, p 93).

Sobre o autor

Rui Barbosa (Rui Barbosa de Oliveira), advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta e orador, nasceu em Salvador, BA, em 5 de novembro de 1849, e faleceu em Petrópolis, RJ, em 10 de março de 1923. Membro fundador, escolheu Evaristo da Veiga como patrono da cadeira nº. 10 da Academia Brasileira de Letras.

Em 1870, formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo. Eleito deputado geral, fixou-se em 1879 no Rio de Janeiro, onde, a partir da proclamação da República, se tornou uma das figuras preeminentes da vida política do país. Foi o autor do projeto da constituição republicana apresentado à Assembleia Constituinte em 1890.

Exilou-se na Inglaterra quando se instalou o governo ditatorial de Floriano Peixoto, e de lá enviou para o Brasil os artigos reunidos nas Cartas de Inglaterra (1896). De volta ao país, em 1895, foi eleito senador pelo estado da Bahia, cargo que ocupou até ao fim da vida.

Por sua brilhante atuação na Segunda Conferência Internacional da Paz, em 1907, ficou conhecido como “Águia de Haia”. Fundador da cadeira nº 10 da Academia Brasileira de Letras, distinguiu-se como grande orador e escritor prolífico.

Escreveu um dos seus mais famosos discursos — Oração aos moços (1920) — como paraninfo dos formandos da Faculdade de Direito de São Paulo.

Suas Obras completas, organizadas pela Casa de Rui Barbosa, chegam a 137 tomos (divisão editorial de uma obra).

Não Era o Fim


O capítulo 3 de Lamentações é o centro teológico do livro, conhecido por transitar do desespero profundo para uma das mais belas declarações de esperança na Bíblia.

1. O Sofrimento do Profeta (v. 1-20)
O autor (tradicionalmente identificado como Jeremias) descreve sua dor pessoal e a de seu povo após a destruição de Jerusalém. Ele usa metáforas fortes, dizendo que Deus o cercou de trevas, quebrou seus ossos e fechou o caminho com pedras lavradas. É um retrato da angústia extrema.

2. A Virada da Esperança (v. 21-26)
No auge da dor, o texto sofre uma mudança súbita. O profeta decide focar no que pode lhe dar esperança:

"Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade." (Lamentações 3:21-23)

3. A Importância da Paciência (v. 27-33)
O texto ensina que é bom esperar silenciosamente pela salvação do Senhor. Ele afirma que Deus não rejeita o homem para sempre e que, embora cause tristeza, Ele terá compaixão, pois não aflige o ser humano de bom grado.

4. O Chamado ao Arrependimento (v. 40-42)
O profeta exorta o povo a examinar seus caminhos e voltar-se para o Senhor, reconhecendo que o pecado foi a causa daquela situação.

Lamentações 3 ensina que o sofrimento não é o fim da história. Mesmo em meio ao caos, a fidelidade de Deus permanece constante. 

Outros versículos bíblicos que abordam a ideia de que "ainda não era o fim", especificamente no contexto de sinais e eventos futuros - e transmitem uma mensagem de esperança e perseverança, indicando que as dificuldades atuais não são o ponto final:

Mateus 24:6 -"E vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras. Fiquem atentos e não se assustem, porque é necessário que isso aconteça, mas ainda não é o fim."

Jeremias 29:11 - "Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais."

Miquéias 7:8 (Interpretação): "Eu caí e achei que era o fim, mas Deus me levantou e disse: 'Ainda não acabou'." (Esta é uma interpretação comum do versículo, não a citação literal, que diz: "Não te alegres, minha inimiga, por causa de mim; ainda que eu tenha caído, levantar-me-ei; ainda que eu esteja assentado nas trevas, o Senhor será a minha luz.")

Eclesiastes 7:8 - "O fim das coisas é melhor que o seu princípio..."

Jó 14:7: "Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos."

Romanos 15:13 (NVI): "Que o Deus da esperança os encha de toda a alegria e paz na fé, para que abundem em esperança pelo poder do Espírito Santo."

Esses versículos, em diferentes contextos, incentivam a perseverança, a esperança e a confiança de que Deus tem um plano e que as provações não são o desfecho final.

Lamentações 3:21-23 fala sobre encontrar esperança na fidelidade e misericórdia de Deus, que se renovam a cada manhã, sendo a razão para não sermos consumidos.

Versículos semelhantes que expressam essa mesma verdade incluem Salmos 103:11-13 (grande amor e misericórdia), Salmos 30:5 (o choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã), e 2 Coríntios 4:16-18 (o exterior se desgasta, mas o interior é renovado).

Sobre a Misericórdia e Fidelidade de Deus:

Salmos 103:11-13: "Pois tão alto quanto o céu está acima da terra, tão grande é o seu amor leal para aqueles que o temem; tão distante quanto o leste está do oeste, tão longínquo ele afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o SENHOR tem compaixão daqueles que o temem".

Salmos 145:9: "O SENHOR é bom para com todos; as suas misericórdias permeiam todas as suas obras".

Sobre a Renovação e Esperança Matinal:

Salmos 30:5: "Pois a sua ira dura só um instante, mas o seu favor, uma vida inteira; o choro pode persistir uma noite, mas a alegria vem de manhã".

Provérbios 24:16: "Pois o justo cai sete vezes e se levanta, mas os ímpios tropeçam na desgraça".

Sobre a Renovação Interior e o Novo Dia:

2 Coríntios 4:16-18: "Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desfazer-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia. Pois as nossas aflições leves e temporárias estão produzindo para nós uma glória eterna de peso incomparável. Assim, fixamos os olhos não nas coisas que se veem, mas nas que não se veem, pois as que se veem são temporárias, mas as que não se veem são eternas".

Isaías 43:18-19: "Esqueçam o que o passado foi; não relembrem as coisas de antes. Vejam, estou fazendo uma coisa nova! Agora ela está surgindo; vocês não a perceberão? Farei um caminho no deserto e rios no ermo".

"Quero trazer à memória o que me pode dar esperança", pois "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade" (Lamentações 3:21-23).

Estes versículos ensinam que, mesmo em tempos difíceis a nossa fé, não se guia pelas circunstâncias, podendo escolher lembrar das promessas de Deus, suas bençãos, sua bondade e fidelidade que se renovam a cada novo dia, independentemente de nossas falhas, sendo um fundamento para nossa esperança.


Convites Entregues por Isaías e Mateus


O livro de Isaías contém vários "Convites Graciosos de Deus ao Seu povo", - frequentemente apelando ao arrependimento, à obediência e à aceitação da salvação gratuita.

O que são "Convites Graciosos de Deus"?! São chamados (convites) de Deus ao seu povo lhes oferecendo nova oportunidade para restaurar a comunhão com Ele. Neste estudo destaca-se cinco CONVITES equivalentes encontrados em Isaías, no Antigo Testamento e em Mateus, no Novo Testamento.

1. Convite ao Arrependimento Sincero

       "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã" (Is. 1:18).

Em Isaías 1:19-20, "ARRAZOEMOS", tem o sentido de repreensão (correção e disciplina) e diálogo (aprendizado e acordo). Deus convida o povo a "arrazoar" com Ele. Era para o povo dialogar, argumentar, questionar e se defender, expondo argumentos lógicos e razoáveis por:
  • se rebelar contra Deus que os criou, como se não soubessem, não tivessem conhecimento ou não fizessem conta disso - Is. 1:2-3;
  • deixar ao Senhor, blasfemar (amaldiçoar) o Santo de Israel, voltando para trás (descumprindo a aliança, o compromisso), tendo condutas comuns a uma nação pecadora, um povo carregado de iniquidade, uma descendência de malfeitores, a filhos corruptores - Is. 1:4;
E, para que "aprofundassem" em suas justificativas Deus os questiona: ⁵ "Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco". Is. 1:5

Em Isaías 1:5-6, Deus expressa sua frustração com a rebeldia persistente de Israel, questionando por que o povo continuaria a sofrer castigos, visto que desde a liderança de Israel toda a nação estava corrompida, não havia parte saudável.

A terra devastada, sitiada e subvertida por estranhos (v. 6) e, toda Israel resignada, apática, passiva, aceitando a desobediência a Deus com "naturalidade": desobedeceu oferece sacrifício. Então, peca, sacrifício; peca, sacrifício, peca...

Ir ao templo oferecer sacrifícios, não significava arrependimento com mudança de pensamentos, escolhas, reações, atitudes. O povo estava espiritualmente doente do raciocínio (cabeça), da vontade e da emoção (coração). E, sendo incapaz de agir corretamente, necessitava de cura espiritual para arrependimento sincero.

Isaías esclarece ao povo a necessidade da intervenção de Deus: ⁹ "Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra! Is. 1:9

A sobrevivência de Judá (Israel) não se deu por mérito próprio, mas porque o "Senhor dos Exércitos" interveio para evitar a aniquilação total - Is 1:9. O "remanescente" refere-se a um pequeno grupo de pessoas que permanece fiel a Deus em meio à corrupção e ao julgamento do Senhor, permitindo a continuidade da linhagem e das promessas divinas.

A comparação com as cidades de Sodoma e Gomorra (Is. 1:9-10), é usada como o exemplo máximo de destruição total e repentina devido ao pecado. Sem a graça de Deus, o destino do povo seria o mesmo desaparecimento completo.

Este versículo é citado pelo apóstolo Paulo em Romanos 9:29: "E, como Isaías tinha dito em outra passagem: 'Se o Senhor dos Exércitos não houvesse poupado alguns de nossos filhos, teríamos sido exterminados como Sodoma e destruídos como Gomorra", para explicar como Deus mantém um plano para o Seu povo através da graça, mesmo em tempos de rebelião generalizada.

Então, disse Deus ao povo "arrazoemos", vamos raciocinar: ¹¹ "De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor?" Is. 1:11-A.

Deus não se agrada de rituais vazios, mas de justiça e arrependimento verdadeiro, rejeitando a hipocrisia religiosa. "Quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?" - Is. 1:12.

E questiona, por que o povo de Israel insiste em vir ao templo para adoração formal (pisar os átrios) quando suas ações e corações estão cheios de maldade e a presença física ali não significa adoração sincera.

        ¹³ "Não continueis a trazer ofertas vãs"; Is. 1:13-A. Deus demonstra Sua aversão às celebrações religiosas (luas novas, festas) do povo de Israel, não por causa das festas em si, mas porque eram acompanhadas de iniquidade e hipocrisia, tornando-se um fardo pesado e sem sentido, um ritual vazio sem arrependimento ou justiça (1:15-17).

        ¹⁶ "Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. ¹⁷ Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.¹⁹ Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra Is. 1:16,17,19.

Deus convida o povo ao arrependimento prometendo perdão dos pecados, por mais graves que fossem os seus pecados. Deus promete purificação, perdão, bênçãos e prosperidade, a quem O ouvir escolhendo se arrepender de seus pecados e transgressões e estiver disposto a mudar de vida firmando um compromisso (aliança) com o Senhor.

Mateus, diz: ²⁶ "E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. ²⁷ E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lhes, dizendo: Bebei dele todos; ²⁸ Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados" - Mt. 26:26-28.

Em Jesus se cumpriu a nova aliança para perdão dos pecados: pão (corpo) e vinho (sangue) simbolizando Seu sacrifício para selar um novo pacto com a humanidade, oferecendo redenção e purificação dos pecados através de Sua vida entregue em nosso resgate. E, a promessa de de remissão dos pecados, nova vida e de vida eterna (v. 29).

2. Convite para Andar na Luz do Senhor

         ⁵ "Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor". Is. 2:5. A frase dita pelo Profeta Isaías é uma exortação ao povo de Judá e Jerusalém para que deixem a idolatria e os costumes estrangeiros e sigam os caminhos de Deus, caminhando na Sua luz e verdade, conforme revelado na visão que teve sobre os últimos dias.

Isaías teve uma visão sobre o futuro glorioso de Sião (Jerusalém), e o monte da casa do Senhor seria o mais alto, atraindo todas as nações e que estas diriam: "Venham, vamos subir ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó", para aprender os caminhos de Deus.

Após descrever a visão, Isaías se volta para o povo de Jacó (Israel/Judá) com o convite: "Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor". "Casa de Jacó", referindo-se a Israel, aos descendentes de Jacó. "Luz do Senhor", simbolizando a verdade, a presença, os ensinamentos e os caminhos de Deus.

Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" (João 8:12). Em Mateus 5:14-16, Jesus diz aos Seus seguidores: 

      “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos os que estão na casa; assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”

3. Convite aos que tem sede e fome (alimento espiritual)

          "Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite" (Is. 55:1).

A "sede" e a "fome" não são literais, mas metáforas para a carência espiritual e a busca por um propósito de vida. A água representa o Espírito Santo, que sacia essa sede profunda, conforme João 4:14.

A ênfase em "sem dinheiro e sem preço" destaca a natureza da graça divina, ou seja, salvação, perdão, vida eterna, não podem ser compradas ou merecidas por obras humanas. O preço foi pago por Cristo na Sua morte, e morte de cruz. "Vinho e leite" simbolizam o alimento espiritual que nutre e fortalece a fé, restaurando a alegria, força e vigor.

Em Mateus 5:6 Jesus afirma: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" - serão plenamente saciados, aqueles que vivem conforme a vontade de Deus.

Durante a tentação de Jesus no deserto, Ele responde: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”, Mt. 4:4, nos ensinando que a vida não depende apenas do alimento físico, mas do sustento espiritual proveniente de Deus.

Depois da multiplicação de pães e peixes para alimentar a multidão (Mt. 14 e 15), Jesus afirma: "Eu sou o pão da vida; quem vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede", Mt. 15:21. Essa declaração é um convite à fé e à comunhão com Jesus, simbolizando a fonte de vida eterna que Ele oferece aos que creem Nele, destacando a importância da fé genuína e da relação pessoal com Deus.

4. Convite para Ouvir e Obedecer a Deus

          "Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; e farei convosco um concerto perpétuo, a saber, as firmes beneficências de Davi" (Is.55:3).

Um convite para ouvir e obedecer a Deus, para conquistar vida abundante e vida eterna. Um chamado para estar atento aos ensinamentos de Deus; para aprender e obedecer; para cumprir o compromisso firmado (aliança), e desfrutar de suas promessas (bençãos); para instruir os filhos o "caminho que devem andar". E os filhos instruir aos seus filhos...

Os termos "concerto perpétuo", "firmes benevolências de Davi", referem-se as promessas de Deus à linhagem e ao reino de Davi (2 Sm. 7), apontando para o Messias e o cumprimento da promessa em Jesus Cristo), trazendo vida e salvação a todos que creem.

O convite de Jesus em Mateus 11:28:"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei". é o cumprimento do convite profetizado em Isaías "vinde a mim, ouvi", e a promessa de alívio e descanso, Mt. 11:28-30.

Em Mateus 26:28: Jesus fala do "sangue da nova aliança", que derramaria para a remissão dos pecados, cumprindo a referência de "concerto perpétuo" (Nova Aliança) mencionada em Isaías, sendo Jesus o Mediador dessa aliança eterna.

5. Convite para Buscar a Deus em Oração, Louvor e Súplica

         "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto". (Is. 55:6).

Mateus 6:33, diz: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas", significando priorizar a vida espiritual e os valores divinos, sem que haja preocupação excessiva com o futuro, pois Deus proverá as necessidades materiais e espirituais.

O convite é para ouvir e obedecer a Palavra de Deus, arrependido das desobediências ao seguir sua própria vontade. Arrependido das transgressões ao violar (descumprir) o limite ou a lei conhecida. Buscar ao Senhor para obter misericórdia e perdão. Buscar ao Senhor para firmar nova aliança (compromisso).

Invocar o nome do Senhor significa clamar, gritar, buscar a Deus em oração, louvor e súplica, reconhecendo-O como Salvador, identificando a Sua presença, em momentos de perigo e adversidades ou para uma comunhão contínua, expressando fé ao depender das providências de Deus, Sua ajuda, auxílio, salvação...

É um chamado a oração sincera de resgate e restauração, de conexão espiritual. Buscar a Deus AGORA. Não deixando para depois. Aproveitando  o tempo da graça e da oportunidade para INVOCAR a Deus pela salvação.

Conforme 2 Pedro 3:9, Deus não quer que ninguém se perca: "O Senhor não retarda a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento". Outro versículo relevante é 1 Timóteo 2:4, que diz que Deus "deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade".

Autoria do Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira ********




Onde está o Homem?

#Essa é demais vc tem que fazer, é interessante... mas é muito legal!
Tente achar o homem nessa foto em três segundos?


De acordo com experimentos médicos, se vc conseguir achar o homem em:
*três segundos, o seu cérebro direito é mais desenvolvido do que o cérebro de pessoas normais.

*1 minuto, o seu cérebro direito é normalmente desenvolvido.

*1 a 3 minutos, o seu cérebro direito está reagindo lentamente, e vc deveria ingerir mais proteína.

*depois de 3 minutos, o seu cérebro direito é um desastre, extremamente lento, e a única sugestão é: Assista a mais desenhos para ajudar a desenvolver o seu cérebro direito!

Isso não é piada, o homem está realmente na foto entre os grãos de café!

Promessa de Restauração


O livro de Isaías - capítulo 43, é uma mensagem de consolo, redenção e esperança de Deus para o povo de Israel. Ele destaca o amor incondicional de Deus e Sua promessa de restauração.

          ¹ Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. - v. 1 - ¹⁰ Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. v. 10 - ¹³ Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? v. 13 - ¹⁵ Eu sou o Senhor, vosso Santo, o Criador de Israel, vosso Rei. v. 15 -

1. Proteção Divina (V. 1–3)
Deus afirma que criou e resgatou Seu povo. A promessa mais famosa está no versículo 2: "² Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti."

Deus estará presente durante as tuas provações, a te dar discernimento e coragem, te dando ânimo, protegendo, fortalecendo, direcionando; e, as adversidades não terão "a última palavra".

2. O Valor do Povo para Deus (V. 4–7)
Deus declara que Seu povo é precioso e amado. Ele promete reunir os exilados de todos os cantos da terra (norte, sul, leste e oeste), trazendo-os de volta para sua identidade nEle.

A identidade em Isaías 43, significa abandonar o medo, a culpa, confiar que é criado e formado (v. 1), redimido e chamado pelo nome (v. 1); precioso e honrado (v. 4); Deus Presente (v.4); que é amado, perdoado e protegido por um Deus soberano.

O propósito final dessa identidade restaurada é que o povo viva para a glória de Deus: "Ao povo que formei para mim, para que me dê louvor" (Is. 43:21).

3. A Unicidade de Deus (V. 10–13)
Israel é chamado para ser testemunha de que não há outro Deus além do Senhor. Ele afirma: "¹¹ Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador" (v. 11). Ele ressalta Sua soberania eterna.

4. "Uma Coisa Nova" (V. 18–19)
Deus exorta o povo a não ficar preso ao passado, pois Ele está prestes a realizar algo inédito: "Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo."

5. O Perdão por Graça (V. 25)
Mesmo diante das falhas e pecados do povo, Deus oferece misericórdia: ²⁵ Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro". v. 25.


Nova Aliança em Cristo


O profeta Jeremias e suas profecias são citados e referenciados várias vezes no Novo Testamento, especialmente por Mateus, que vê em Jesus o cumprimento das profecias de Jeremias sobre a Nova Aliança e eventos relacionados, como o lamento de Raquel e a destruição de Jerusalém, mostrando a continuidade da mensagem de Deus entre o Antigo e o Novo Testamento.

Exemplos de Citações e Referências:

1. Apocalipse 18: Contém várias referências e ecos das profecias de Jeremias sobre a destruição de Babilônia (ou Jerusalém), usando a linguagem do profeta para descrever a queda da "grande cidade".

Jeremias profetizou a queda da Babilônia como juízo divino por sua arrogância e maldade contra Jerusalém, descrevendo uma destruição total por um "vento destruidor" e nações do norte (Medos/Persas), culminando em desolação e ruína, com mensagens de fuga para o povo de Deus e o fim de sua hegemonia, cumprindo-se com a ação de Ciro, o Persa, que tomou a cidade, conforme relatado nos capítulos 50 e 51 de Jeremias.

As Profecias de Jeremias sobre a Babilônia eram de que Deus usaria "ventos destruidores" e nações estrangeiras (como os Medos, que atacariam do Norte) para peneirar e destruir Babilônia, que havia se tornado um "copo de ouro" embriagando as nações (Jr. 51:1-2; 51:48-52).

A cidade seria saqueada, seus muros derrubados e seus portões queimados, tornando-se um deserto eterno e morada de animais selvagens, sem mais habitantes.

A destruição seria uma retribuição pela violência e maldade que Babilônia praticou contra Sião (Jerusalém) e o povo de Deus, culminando na vingança divina.

Jeremias instruiu o povo de Judá a fugir da Babilônia para salvar suas vidas, pois o tempo do castigo divino havia chegado.

O Evento Histórico da Queda

A Babilônia foi conquistada pelo exército de Ciro, o Grande (persa), que usou uma estratégia de desviar o rio Eufrates, permitindo a entrada de suas tropas na cidade sem grande resistência, como descrito metaforicamente por Jeremias.

A queda babilônica abriu caminho para o retorno dos judeus do exílio, conforme profetizado, pois Deus usaria Ciro para libertar Seu povo.

De modo que a queda da Babilônia simboliza o juízo final de Deus sobre toda nação que se opõe a Ele e o colapso de toda glória humana e falsa segurança sem Deus, uma lição de humildade e dependência divina.

Os capítulos 50 e 51 de Jeremias são o cerne das profecias contra a Babilônia, detalhando sua futura ruína como um ato de justiça de Deus, que se cumpriu historicamente com a conquista persa.

2. O Campo do Oleiro: Mateus no capítulo 27:9, atribui a Jeremias a profecia sobre a compra e o uso do campo do oleiro, embora combine elementos de Jeremias (Jr 19:1-11) e Zacarias (Zc 11:12-13) para ilustrar o cumprimento profético na traição de Judas.

O "Campo do Oleiro" em Jeremias refere-se a uma experiência profética onde Deus instrui Jeremias a observar um oleiro moldando o barro, simbolizando como Deus pode remodelar Israel, Seu povo, assim como um vaso quebrado é refeito, ensinando sobre a soberania de Deus e a necessidade de Israel se arrepender para não ser destruído.

Esse campo também é mencionado em Mateus 27, onde as 30 moedas de prata da traição de Judas são usadas para comprar o Campo do Oleiro, transformando-o no "Campo de Sangue", um cemitério para estrangeiros, cumprindo profecias de Jeremias e Zacarias.

O Significado em Jeremias (Jeremias 18)

Deus manda Jeremias ir à casa de um oleiro e observar o trabalho no barro. O vaso se estraga, e o oleiro o refaz em outro, conforme sua vontade. Deus pergunta a Jeremias se Ele não pode fazer com a casa de Israel como o oleiro fez com o barro. Isso significa que Deus tem o direito de julgar ou restaurar Seu povo, dependendo da resposta deles.

O barro representa Israel, e o oleiro, Deus. O barro nas mãos do oleiro simboliza a capacidade de Deus de moldar, destruir ou refazer Seu povo, destacando a soberania e o julgamento divino.

A Conexão com Jesus (Mateus 27:7-10)

Judas, após trair Jesus por 30 moedas de prata, devolve o dinheiro aos sacerdotes, que compram o Campo do Oleiro para sepultar estrangeiros, chamando-o de "Campo de Sangue" (Akeldamá).

Mateus cita Jeremias, dizendo que o campo foi comprado "conforme o Senhor ordenou", cumprindo uma profecia messiânica.

A citação de Mateus combina elementos de Jeremias (o campo do oleiro) e Zacarias (as 30 moedas de prata).

O Campo do Oleiro em Jeremias é uma metáfora da relação de Deus com Seu povo, enquanto a menção em Mateus o conecta a um local físico (o Campo de Sangue) que simboliza a traição de Jesus e o julgamento, transformando barro em lugar de sepultamento.

3. O Lamento de Raquel: Mateus 2(31:15) cita Jeremias 31:15 sobre Raquel chorando por seus filhos, aplicando a profecia à matança de meninos em Belém por Herodes.

Jeremias 31:15 descreve um lamento em Ramá, onde Raquel chora por seus filhos, símbolo do luto de Israel pelo exílio e perda, recusando consolo porque eles "já não existem".

Este versículo é uma poderosa imagem de dor e desolação, mas o contexto posterior (versículos 16-17) oferece esperança, com Deus prometendo o retorno e a restauração dos filhos de Israel.

"Assim diz o SENHOR: 'Ouve-se uma voz em Ramá, lamentação e amargo choro; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem'."

Raquel, a matriarca de Israel, mãe de José e Benjamim, representa simbolicamente as mães de Israel. Ramá, é uma cidade próxima ao túmulo de Raquel, tornando a imagem mais vívida. O "lamento", expressa a dor profunda das tribos de Israel (Efraim e Benjamim) levadas cativas, principalmente pelos assírios e babilônios. Raquel não aceita consolo, refletindo a profundidade do sofrimento do povo.

Embora comece com dor, a passagem de Jeremias 31:15-17 é uma promessa de restauração, onde Deus assegura que o lamento cessará e os filhos de Israel retornarão do cativeiro, encontrando esperança e um futuro.

4. Nova Aliança - Hebreus 8:8, cita diretamente Jeremias 31:31-34 para falar da Nova Aliança que Deus faria com Seu povo, colocando Sua lei em seus corações, um conceito central no Cristianismo.

Jeremias 31:31-34 é uma das passagens mais significativas do Antigo Testamento, pois contém a promessa da Nova Aliança.

          "³¹ Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. ³² Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu ter sido seu esposo, diz o Senhor. ³³ Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. ³⁴ Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei."

A Mudança da Lei, seria que diferente da aliança feita no Sinai (escrita em tábuas de pedra), a Nova Aliança é interna. Assim, a lei de Deus é escrita na mente e no coração do cristão.

A promessa estabelece uma comunhão íntima e direta com Deus ("todos me conhecerão"), sem a necessidade exclusiva de mediadores humanos para o conhecimento básico do Senhor.

A base dessa aliança é a graça de Deus, que promete perdoar as iniquidades e não mais se lembrar dos pecados.

Essa profecia se cumpre em Jesus Cristo. Na Última Ceia, Jesus utiliza essas exatas palavras ao dizer: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue" (Lucas 22:20). O livro de Hebreus (capítulos 8 e 10) cita integralmente esta passagem de Jeremias para explicar a superioridade do sacrifício de Cristo.

A Nova Aliança em Cristo é o novo e superior pacto de Deus com a humanidade, mediado por Jesus, que substitui a Antiga Aliança (Lei de Moisés) e se baseia no perdão dos pecados e na reconciliação através do sacrifício de Cristo, com Suas leis sendo escritas nos corações, prometendo uma relação direta e transformadora com Deus, selada pelo Espírito Santo e vivida pela fé.

Jesus Cristo é o fiador e mediador dessa aliança superior, garantindo salvação e uma comunhão plena com Deus. Diferente dos sacrifícios repetidos da Antiga Aliança, o sangue de Cristo na cruz selou essa aliança de uma vez por todas, purificando a consciência.

Em vez de leis externas, Deus promete colocar Sua lei na mente e no coração dos cristãos, transformando-os de dentro para fora.

Garante o perdão dos pecados e a graça para viver uma vida vitoriosa, pois tudo depende da obra de Deus, não da capacidade humana. Permite que as pessoas se aproximem de Deus diretamente através de Cristo, sem a necessidade de intermediários humanos. Traz judeus e gentios para a mesma bênção, cumprindo a promessa de que todas as famílias da terra seriam abençoadas.

Instituída por Jesus na Última Ceia, o pão e o cálice representam Seu corpo e sangue, que selaram a Nova Aliança para a comunhão eterna.

Diferente da Antiga Aliança, baseada na Lei Mosaica, dependente da obediência humana, com sacrifícios periódicos para expiação, a Nova Aliança é baseada na fé em Cristo, no Seu sacrifício, com o Espírito Santo agindo no coração, oferecendo um relacionamento perfeito e eterno.

A Nova Aliança é o cumprimento final do plano de Deus, onde o relacionamento com Ele é renovado, perdoado e eternamente selado em Jesus Cristo.

O Novo Testamento refere-se a Jeremias como um profeta que anunciou o juízo, a esperança da restauração e de um relacionamento mais profundo com Deus, que se concretizaria em Jesus Cristo, tornando-o essencial para entender a continuidade da revelação divina.


O Teu Deus Reina



Isaías 52 é um dos textos mais vibrantes do Antigo Testamento, focado na redenção de Jerusalém e na transição para a profecia do "Servo Sofredor".

1. O Despertar de Sião (V. 1-6)

Deus convoca Jerusalém:

a) "Desperta, desperta" - saia de seu estado de prostração, de inércia, desânimo, servidão.

b) Veste-se da tua força - Significa revestir-se da Palavra de Deus, do Espírito Santo, e de uma atitude de vitória e fé, deixando para trás o cativeiro e o espírito de derrota. Colocar a "roupa" da fortaleza divina, que é a presença de Deus, Sua Palavra, e o poder do Espírito Santo, para combater o mal e as adversidades.

c) Veste-te das tuas roupas formosas;

Usar as vestes de festa e santidade, indicando restauração e alegria, não mais a sujeira do cativeiro. É um chamado para Jerusalém (Sião) se revestir de glória, pureza e força espiritual, simbolizando sua restauração e libertação, abandonando o luto e a impureza, e se preparando para o retorno de Deus, com pés formosos anunciando paz e salvação, e a promessa de redenção sem custo.

d) Sacode-te do pó:

Sacudir o pó, levantar-se e soltar as correntes do pescoço, simbolizando a libertação da escravidão e da opressão. A ordem para "sacudir o pó" e "assentar-se" significa deixar a condição de subjugação e retomar seu lugar de honra, como uma cidade santa.

Promessa de Salvação: Esta passagem é uma mensagem de esperança, anunciando a volta da glória e a salvação de Deus para Sião, preparando o caminho para a chegada de boas novas e a restauração do seu pov0.

e) Levanta-te e assenta-te

É uma exortação divina para Jerusalém (Sião) se libertar da opressão e do cativeiro, sacudindo o pó da escravidão, se vestindo de fortaleza e reassumindo seu lugar de honra, pois Deus irá resgatá-la sem pagamento, anunciando a redenção e a restauração de Seu povo. É um chamado à renovação, à libertação das correntes e à celebração do retorno de Deus, que é poderoso e fiel.

Deus promete que o povo será resgatado, não por um preço pago, mas pela ação divina, como um ato de libertação

f) Solta-te das cadeias de teu pescoço

O versículo é um convite para Jerusalém despertar e se livrar das marcas da escravidão, simbolizadas pelas "cadeias do pescoço".

A cidade, que estava cativa e humilhada, recebe a promessa de que não será mais invadida por impuros. O Senhor afirma que seu povo foi levado sem preço e será resgatado sem dinheiro, restaurando a honra do Seu nome. 

          ⁵ E agora, que tenho eu que fazer aqui, diz o Senhor, pois o meu povo foi tomado sem nenhuma razão? Os que dominam sobre ele dão uivos, diz o Senhor; e o meu nome é blasfemado incessantemente o dia todo. ⁶ Portanto o meu povo saberá o meu nome; pois, naquele dia, saberá que sou eu mesmo o que falo: Eis-me aqui. Is. 52:5,6

2. As Boas Novas da Libertação (V. 7-10)
Este trecho contém o famoso versículo: "Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas" [7].

A Mensagem: O anúncio de que "O teu Deus reina".

A Alegria: As sentinelas e as ruínas de Jerusalém são exortadas a cantar, pois o Senhor consolou seu povo.

Alcance Universal: A salvação de Deus será vista por "todas as extremidades da terra".

3. A Exortação à Pureza (V. 11-12)
Deus ordena que o povo saia da Babilônia (do meio da impureza) sem pressa ou fuga desesperada, pois o próprio Senhor irá adiante deles e será a sua retaguarda.

4. O Triunfo do Servo (V. 13-15)
Estes versículos servem como introdução ao famoso capítulo 53. Eles descrevem o "Servo" (Messias): Ele agirá com sabedoria e será grandemente exaltado [13].

Sua aparência seria tão desfigurada que chocaria a muitos [14]. No entanto, ele "borrifará" (purificará) muitas nações, e reis se calarão diante da sua autoridade e da revelação de sua obra [15].

Este capítulo é uma profecia direta sobre Jesus Cristo. A transição do libertador de Israel para o Servo que sofre pelas nações conecta a libertação física do exílio babilônico à libertação espiritual do pecado.


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