O profeta Jeremias e suas profecias são citados e referenciados várias vezes no Novo Testamento, especialmente por Mateus, que vê em Jesus o cumprimento das profecias de Jeremias sobre a Nova Aliança e eventos relacionados, como o lamento de Raquel e a destruição de Jerusalém, mostrando a continuidade da mensagem de Deus entre o Antigo e o Novo Testamento.
Exemplos de Citações e Referências:
1. Apocalipse 18: Contém várias referências e ecos das profecias de Jeremias sobre a destruição de Babilônia (ou Jerusalém), usando a linguagem do profeta para descrever a queda da "grande cidade".
Jeremias profetizou a queda da Babilônia como juízo divino por sua arrogância e maldade contra Jerusalém, descrevendo uma destruição total por um "vento destruidor" e nações do norte (Medos/Persas), culminando em desolação e ruína, com mensagens de fuga para o povo de Deus e o fim de sua hegemonia, cumprindo-se com a ação de Ciro, o Persa, que tomou a cidade, conforme relatado nos capítulos 50 e 51 de Jeremias.
As Profecias de Jeremias sobre a Babilônia eram de que Deus usaria "ventos destruidores" e nações estrangeiras (como os Medos, que atacariam do Norte) para peneirar e destruir Babilônia, que havia se tornado um "copo de ouro" embriagando as nações (Jr. 51:1-2; 51:48-52).
A cidade seria saqueada, seus muros derrubados e seus portões queimados, tornando-se um deserto eterno e morada de animais selvagens, sem mais habitantes.
A destruição seria uma retribuição pela violência e maldade que Babilônia praticou contra Sião (Jerusalém) e o povo de Deus, culminando na vingança divina.
Jeremias instruiu o povo de Judá a fugir da Babilônia para salvar suas vidas, pois o tempo do castigo divino havia chegado.
O Evento Histórico da Queda
A Babilônia foi conquistada pelo exército de Ciro, o Grande (persa), que usou uma estratégia de desviar o rio Eufrates, permitindo a entrada de suas tropas na cidade sem grande resistência, como descrito metaforicamente por Jeremias.
A queda babilônica abriu caminho para o retorno dos judeus do exílio, conforme profetizado, pois Deus usaria Ciro para libertar Seu povo.
De modo que a queda da Babilônia simboliza o juízo final de Deus sobre toda nação que se opõe a Ele e o colapso de toda glória humana e falsa segurança sem Deus, uma lição de humildade e dependência divina.
Os capítulos 50 e 51 de Jeremias são o cerne das profecias contra a Babilônia, detalhando sua futura ruína como um ato de justiça de Deus, que se cumpriu historicamente com a conquista persa.
2. O Campo do Oleiro: Mateus no capítulo 27:9, atribui a Jeremias a profecia sobre a compra e o uso do campo do oleiro, embora combine elementos de Jeremias (Jr 19:1-11) e Zacarias (Zc 11:12-13) para ilustrar o cumprimento profético na traição de Judas.
O "Campo do Oleiro" em Jeremias refere-se a uma experiência profética onde Deus instrui Jeremias a observar um oleiro moldando o barro, simbolizando como Deus pode remodelar Israel, Seu povo, assim como um vaso quebrado é refeito, ensinando sobre a soberania de Deus e a necessidade de Israel se arrepender para não ser destruído.
Esse campo também é mencionado em Mateus 27, onde as 30 moedas de prata da traição de Judas são usadas para comprar o Campo do Oleiro, transformando-o no "Campo de Sangue", um cemitério para estrangeiros, cumprindo profecias de Jeremias e Zacarias.
O Significado em Jeremias (Jeremias 18)
Deus manda Jeremias ir à casa de um oleiro e observar o trabalho no barro. O vaso se estraga, e o oleiro o refaz em outro, conforme sua vontade. Deus pergunta a Jeremias se Ele não pode fazer com a casa de Israel como o oleiro fez com o barro. Isso significa que Deus tem o direito de julgar ou restaurar Seu povo, dependendo da resposta deles.
O barro representa Israel, e o oleiro, Deus. O barro nas mãos do oleiro simboliza a capacidade de Deus de moldar, destruir ou refazer Seu povo, destacando a soberania e o julgamento divino.
A Conexão com Jesus (Mateus 27:7-10)
Judas, após trair Jesus por 30 moedas de prata, devolve o dinheiro aos sacerdotes, que compram o Campo do Oleiro para sepultar estrangeiros, chamando-o de "Campo de Sangue" (Akeldamá).
Mateus cita Jeremias, dizendo que o campo foi comprado "conforme o Senhor ordenou", cumprindo uma profecia messiânica.
A citação de Mateus combina elementos de Jeremias (o campo do oleiro) e Zacarias (as 30 moedas de prata).
O Campo do Oleiro em Jeremias é uma metáfora da relação de Deus com Seu povo, enquanto a menção em Mateus o conecta a um local físico (o Campo de Sangue) que simboliza a traição de Jesus e o julgamento, transformando barro em lugar de sepultamento.
3. O Lamento de Raquel: Mateus 2(31:15) cita Jeremias 31:15 sobre Raquel chorando por seus filhos, aplicando a profecia à matança de meninos em Belém por Herodes.
Jeremias 31:15 descreve um lamento em Ramá, onde Raquel chora por seus filhos, símbolo do luto de Israel pelo exílio e perda, recusando consolo porque eles "já não existem".
Este versículo é uma poderosa imagem de dor e desolação, mas o contexto posterior (versículos 16-17) oferece esperança, com Deus prometendo o retorno e a restauração dos filhos de Israel.
"Assim diz o SENHOR: 'Ouve-se uma voz em Ramá, lamentação e amargo choro; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque os seus filhos já não existem'."
Raquel, a matriarca de Israel, mãe de José e Benjamim, representa simbolicamente as mães de Israel. Ramá, é uma cidade próxima ao túmulo de Raquel, tornando a imagem mais vívida. O "lamento", expressa a dor profunda das tribos de Israel (Efraim e Benjamim) levadas cativas, principalmente pelos assírios e babilônios. Raquel não aceita consolo, refletindo a profundidade do sofrimento do povo.
Embora comece com dor, a passagem de Jeremias 31:15-17 é uma promessa de restauração, onde Deus assegura que o lamento cessará e os filhos de Israel retornarão do cativeiro, encontrando esperança e um futuro.
4. Nova Aliança - Hebreus 8:8, cita diretamente Jeremias 31:31-34 para falar da Nova Aliança que Deus faria com Seu povo, colocando Sua lei em seus corações, um conceito central no Cristianismo.
Jeremias 31:31-34 é uma das passagens mais significativas do Antigo Testamento, pois contém a promessa da Nova Aliança.
"³¹ Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. ³² Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu ter sido seu esposo, diz o Senhor. ³³ Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. ³⁴ Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei."
A Mudança da Lei, seria que diferente da aliança feita no Sinai (escrita em tábuas de pedra), a Nova Aliança é interna. Assim, a lei de Deus é escrita na mente e no coração do cristão.
A promessa estabelece uma comunhão íntima e direta com Deus ("todos me conhecerão"), sem a necessidade exclusiva de mediadores humanos para o conhecimento básico do Senhor.
A base dessa aliança é a graça de Deus, que promete perdoar as iniquidades e não mais se lembrar dos pecados.
Essa profecia se cumpre em Jesus Cristo. Na Última Ceia, Jesus utiliza essas exatas palavras ao dizer: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue" (Lucas 22:20). O livro de Hebreus (capítulos 8 e 10) cita integralmente esta passagem de Jeremias para explicar a superioridade do sacrifício de Cristo.
A Nova Aliança em Cristo é o novo e superior pacto de Deus com a humanidade, mediado por Jesus, que substitui a Antiga Aliança (Lei de Moisés) e se baseia no perdão dos pecados e na reconciliação através do sacrifício de Cristo, com Suas leis sendo escritas nos corações, prometendo uma relação direta e transformadora com Deus, selada pelo Espírito Santo e vivida pela fé.
Jesus Cristo é o fiador e mediador dessa aliança superior, garantindo salvação e uma comunhão plena com Deus. Diferente dos sacrifícios repetidos da Antiga Aliança, o sangue de Cristo na cruz selou essa aliança de uma vez por todas, purificando a consciência.
Em vez de leis externas, Deus promete colocar Sua lei na mente e no coração dos cristãos, transformando-os de dentro para fora.
Garante o perdão dos pecados e a graça para viver uma vida vitoriosa, pois tudo depende da obra de Deus, não da capacidade humana. Permite que as pessoas se aproximem de Deus diretamente através de Cristo, sem a necessidade de intermediários humanos. Traz judeus e gentios para a mesma bênção, cumprindo a promessa de que todas as famílias da terra seriam abençoadas.
Instituída por Jesus na Última Ceia, o pão e o cálice representam Seu corpo e sangue, que selaram a Nova Aliança para a comunhão eterna.
Diferente da Antiga Aliança, baseada na Lei Mosaica, dependente da obediência humana, com sacrifícios periódicos para expiação, a Nova Aliança é baseada na fé em Cristo, no Seu sacrifício, com o Espírito Santo agindo no coração, oferecendo um relacionamento perfeito e eterno.
A Nova Aliança é o cumprimento final do plano de Deus, onde o relacionamento com Ele é renovado, perdoado e eternamente selado em Jesus Cristo.
O Novo Testamento refere-se a Jeremias como um profeta que anunciou o juízo, a esperança da restauração e de um relacionamento mais profundo com Deus, que se concretizaria em Jesus Cristo, tornando-o essencial para entender a continuidade da revelação divina.

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