quarta-feira, 3 de março de 2010

Rompendo em Fé


O capítulo 50 de Isaías aborda a relação de Deus com Israel, questionando o porquê do abandono e afirmando que o povo se afastou por causa de seus pecados, não por um divórcio ou venda por dívidas.

O texto introduz um "Servo do Senhor" (que aponta para Jesus), que tem uma língua instruída para consolar os cansados, obedece a Deus mesmo sob humilhação e provê esperança e salvação, contrastando com a infidelidade do povo.

Conhece aquela pessoa errada, com cara de culpada, sorriso "amarelo", andado torto tipo de quem ainda "não pegou o jeito", cheiro de algo malfeito, voz toda trabalhada na lábia, tentando te fazer responsável por algo, que na verdade, foi culpa da própria pessoa?

Israel era assim. Estava murmurando se dizendo que Deus havia se divorciado da nação (Israel). Que Deus os havia entregue como escravos, a troco de uma dívida... e Deus pergunta ao povo:

         ¹ Assim diz o Senhor: Onde está a carta de divórcio de vossa mãe, pela qual eu a repudiei? Ou quem é o meu credor a quem eu vos tenha vendido? Eis que por vossas maldades "fostes vendidos", e por vossas transgressões vossa mãe "foi repudiada". Is. 50:1

O povo sentia-se abandonado por Deus, como se Ele tivesse se "divorciado" deles ou os vendido como escravos para pagar uma dívida. Respondendo ao povo Deus disse que o sentimento de terem sido repudiados e feito escravos era real. Todavia, Deus rebate as reclamações do povo com uma série de perguntas retóricas pra causar impacto e estimular a reflexão, perguntando:

- "Onde está o documento legal, a carta de divórcio"? - "Quem seria o credor a quem ele teria vendido Israel"?

Deus esclarece que a separação não foi iniciativa d'Ele, mas sim consequência direta das maldades e transgressões do próprio povo. Não foi Deus quem mudou; foram as escolhas de Israel que os afastaram da proteção divina; e, que Israel estava no exílio por seus próprios pecados e desobediência, não por uma ação divina de repúdio ou de venda.

O capítulo segue apresentando o "Servo Sofredor" (v. 4-9), contrastando a infidelidade de Israel com a obediência perfeita dAquele que viria para restaurar a comunhão com Deus.

        ² Por que razão vim eu, e ninguém apareceu? Chamei, e ninguém respondeu? Porventura tanto se encolheu a minha mão, que já não possa remir? Ou não há mais força em mim para livrar? Eis que com a minha repreensão faço secar o mar, torno os rios em deserto, até que cheirem mal os seus peixes, porquanto não têm água e morrem de sede.³ Eu visto os céus de negridão, pôr-lhes-ei um saco para a sua cobertura. Is. 50:2,3.

Deus demonstra seu poder ao secar o mar e rios, mostrando que é Soberano, Poderoso e está pronto para agir em favor de seu povo.

Um servo fiel é descrito, com ouvidos abertos para aprender de Deus e uma língua instruída para falar a palavra certa aos cansados. Jesus Cristo, sendo Deus, "esvaziou-se de si mesmo", suportando a humilhação (bofetadas, cuspidas), desprezando a afronta com firmeza, confiante no propósito de Deus, sendo obediente até a morte, e morte de cruz - v.4-7, conforme 1 Pe. 2:21-23; Fil. 2:5-8; Heb. 12:2-3).

O capítulo conclui com um chamado à fé, incentivando aqueles que temem ao Senhor a confiar Nele mesmo em tempos de escuridão, pois Ele é seu ajudador e justificante, e ninguém poderá condená-los ou confundi-los.

Isaías 50 mostra Deus lamentando o afastamento de Israel devido à sua infidelidade, mas também apresenta um modelo de obediência e confiança no Servo que, por meio de sua submissão e palavra, oferece esperança e libertação, prefigurando a obra de Cristo.


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