quarta-feira, 14 de julho de 2010

A oração de Ezequias


A oração do Rei Ezequias encontra-se em Isaías 37:14-21. Ele a proferiu após receber uma carta de ameaça de Senaqueribe, Rei da Assíria, que afrontava o Deus vivo. Ele rasgou as vestes normais, cobriu-se de saco, uma roupa feita de tecido rústico (simbolizando humilhação, tristeza profunda)... e foi ao Templo orar, colocando a carta diante de Deus e pedindo-lhe para intervir para a glória do Seu nome.

Senaqueribe, na Bíblia, era um poderoso e cruel rei assírio (século VIII-VII a.C.) conhecido por seu ataque ao Reino de Judá, cercando Jerusalém e confrontando o rei Ezequias, que se recusou a pagar tributo, resultando na derrota milagrosa de seu exército por um anjo do Senhor, e terminou sendo assassinado por seus próprios filhos em Nínive, conforme relatos em 2 Reis 18-19 e Is. 36-37.

A oração é um clamor poderoso a Deus diante da ameaça assíria, reconhecendo o Senhor como o único Deus dos céus e da terra, que governa sobre todos os reinos, e pedindo que Ele salve Judá para que todas as nações saibam que só Ele é Deus, contrastando a impotência dos ídolos destruídos com o poder do Deus vivo.

Texto da Oração (Isaías 37:16-20)

"Ó Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, que estás entronizado acima dos querubins, tu só és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra. Inclina, ó Senhor, o teu ouvido e ouve; abre, Senhor, os teus olhos e vê; e ouve todas as palavras de Senaqueribe, as quais ele enviou para afrontar o Deus vivo. Verdade é, Senhor, que os reis da Assíria assolaram todas as nações e as suas terras, e lançaram os seus deuses no fogo; porque não eram deuses, mas obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, livra-nos da sua mão, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o Senhor."

Pontos principais da oração

Ezequias recebe a carta blasfemadora de Senaqueribe ao Deus vivo, rasga as vestes e vai ao Templo, onde exalta a Deus como o único Criador e Senhor de todos os reinos;
  1. Apresenta a carta e a afronta diante de Deus, pedindo que o Senhor "olhe e ouça" a situação;
  2. Reconhece que outras nações caíram porque serviam a deuses feitos por mãos humanas, ao contrário do Deus de Israel;
  3. O pedido de socorro não é apenas por sobrevivência, mas para que a glória de Deus seja manifestada a todas as nações.
Deus respondeu a oração de Ezequias através do profeta Isaías, prometendo proteção a Jerusalém. Naquela mesma noite, o anjo do Senhor derrotou o exército assírio (Isaías 37:33-36).

A oração de Ezequias em Isaías 37:15-19, após receber a ameaça de Senaqueribe, é um clamor humilde a Deus, reconhecendo Sua soberania, o único Deus verdadeiro, que fez o céu e a terra. Ezequias abre a carta diante do Senhor e ora a Deus, pedindo livramento para que todos saibam que somente o Senhor é Deus.

"Ó SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, tu somente és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra" (Is. 37:16). "Inclina, ó SENHOR, o teu ouvido e ouve; e abre os teus olhos e vê as palavras afrontosas de Senaqueribe (Is. 37:17).

Ezequias lembra que os reis assírios destruíram outras nações e seus deuses, pois eram apenas obras de madeira e pedra, não Deus: "Agora, pois, ó SENHOR nosso Deus, salva-nos da sua mão, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR Deus" (Is. 37:19); contrastando a fragilidade dos ídolos com o poder do Deus de Israel, que defende Seu povo.

A Resposta de Deus (Isaías 37:20-38)

Deus responde Ezequias através de Isaías, afirmando que ouviu sua oração e do povo de Judá - pedindo por livramento; e, promete defender Jerusalém. Não permitiria o exército assírio entrar na cidade, por amor a Si mesmo e de Seu servo Davi. E, que faria Senaqueribe voltar pelo mesmo caminho.

Em resposta às orações, o Anjo do Senhor intervém, aniquilando cento e oitenta e cinco mil do exército assírio de forma milagrosa e rápida, demonstrando o poder de Deus sobre os inimigos. O rei assírio se retirou (fugiu) para Nínive, sua capital (Is. 37:36-38).

A oração de Ezequias é um exemplo de fé e confiança no poder de Deus diante da adversidade, e Deus respondeu com um milagroso livramento.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Salmos


O Livro de Salmos não tem um único autor, mas é uma coleção de poemas de múltiplos escritores ao longo de séculos, com o Rei Davi sendo o mais proeminente (atribuído a ele cerca de 73 salmos).

Outros autores incluem os filhos de Coré, Asafe, Salomão, Moisés, Hemã e Etã, além de salmos sem atribuição conhecida, compilados por outros.

Principais Autores e Contribuições

Rei Davi: Atribui-se a ele a autoria da maioria dos salmos, muitos deles expressando louvor, lamento e confiança em Deus.

Filhos de Coré: Um grupo de levitas que contribuiu com vários salmos.

Asafe: Outro líder levítico com salmos de louvor e adoração.

Salomão: Filho de Davi, escreveu pelo menos dois salmos (Salmos 72 e 127).

Moisés: É creditado com um salmo (Salmo 90).

Outros Salmistas: Hemã, Etã, Ageu, Zacarias, Esdras e outros.

Como o Livro Foi Formado

Os salmos foram escritos em diferentes épocas e, eventualmente, foram compilados e organizados em cinco livros por um compilador, possivelmente Esdras, após o exílio babilônico.

O Livro de Salmos é um tesouro de poesia religiosa de vários autores, destacando-se Davi, mas incluindo outros profetas, levitas e reis, refletindo diferentes momentos da história e da fé de Israel.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

Provérbios: coleção de sabedoria


O Livro de Provérbios na Bíblia é uma coleção de sabedoria prática e moral, majoritariamente atribuída ao Rei Salomão, focada em ensinar sobre conduta correta, a importância do temor a Deus como princípio da sabedoria e como viver uma vida íntegra e virtuosa, sendo um guia de como viver bem no mundo, abordando temas como justiça, prudência, relacionamentos e a busca pela sabedoria divina através de curtos ditados poéticos.

Principais Características e Temas

Sabedoria e Temor a Deus: A ideia central é que o "temor do Senhor é o princípio do conhecimento" (Provérbios 1:7), mostrando que o respeito e reverência a Deus são a base para uma vida sábia.

Literatura Sapiencial: Faz parte dos livros poéticos e sapienciais, oferecendo discernimento para a vida diária, não sendo lei ou profecia, mas sim experiência e reflexão sobre como honrar a Deus e aos outros.
Autoria: Embora Salomão seja o principal autor, o livro contém coleções de diferentes épocas e autores, incluindo Agur e Lemuel, com sábios compilando ditados populares.

Conteúdo: Abrange diversos aspectos da vida, como conduta pessoal, relacionamentos, natureza humana e a busca por uma vida virtuosa, utilizando paralelismos e imagens vívidas.

Personificação da Sabedoria: Apresenta a Sabedoria como uma figura feminina, que chama as pessoas à razão e à vida correta.

Estrutura: Dividido em vários capítulos (31), com seções que incluem ensinamentos paternos, poemas de Sabedoria e um famoso poema sobre a mulher de valor (Provérbios 31:10-31).

Onde Encontrar: Está localizado entre os livros de Salmos e Eclesiastes, no Antigo Testamento.

Guiar o leitor a desenvolver a habilidade de viver bem, tomando decisões que reflitam a ordem moral de Deus e desfrutando de Suas bênçãos, contrastando a vida sábia com a insensatez.

sábado, 5 de junho de 2010

Vida do Pregador


"Nunca pregue sobre um texto,
se este primeiro
não puser em vibração
as cordas de sua própria alma"
*citação atribuída a Spurgeon (1834–1892)

Inicio a postagem de hoje com esta citação atribuída, frequentemente, ao teólogo inglês e pastor Batista Charles Haddon Spurgeon (1834–1892), conhecido como o "Príncipe dos Pregadores". Tenho esta frase escrita na contracapa da minha Bíblia. Eu a ouvi certa vez, outro dia (2000') e a escrevi com as palavras que consegui lembrar e ainda que não tenha ficado completa, à época, por vezes reflito sobre seu valor, seu significado e aplicação na Vida do Pregador.

A citação enfatizava a importância da experiência pessoal e da apropriação espiritual da Palavra de Deus antes de a pregar a outros. Ele acreditava que a pregação deveria vir do coração e da vida do pregador, não apenas de um estudo intelectual ou acadêmico.

Embora a formulação exata possa ser uma paráfrase ou uma citação que se tornou popularmente associada a ele, ela encapsula seu princípio de que o pregador deve sentir o poder e a verdade do texto bíblico em sua própria alma antes de poder comunicá-lo eficazmente à congregação.

A Bíblia ensina que Deus usa pessoas imperfeitas, falhas e "quebradas" – ou, na analogia, "vasos rotos" ou de barro – para cumprir Seus propósitos. A ideia central é que o poder e a glória vêm de Deus, não da pessoa, que é apenas o instrumento (o vaso).

O apóstolo Paulo usa a metáfora dos vasos em 2 Coríntios 4:7 - "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós". Embora sejamos frágeis, limitados e cheios de falhas (como vasos de barro comuns), carregamos o tesouro da presença e do poder de Deus.

A passagem do "Oleiro e o Barro" em Jeremias 18 descreve Deus como o oleiro e nós como o barro. Se o vaso se quebra ou se deforma em Suas mãos, Ele não o descarta; Ele o refaz, moldando-o novamente conforme a Sua vontade. Isso ilustra a misericórdia e a capacidade de Deus de restaurar e dar um novo propósito a quem se entrega a Ele.

A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas falhas que Deus usou poderosamente: Moisés, tinha dificuldades na fala e hesitou em aceitar seu chamado. Davi, cometeu adultério e depois o assassinato no intuito de esconder o seu pecado. Pedro, temendo a perseguição, negou Jesus por três vezes. Paulo, perseguiu cristãos antes de sua conversão.

Deus usa os "vasos rotos" para que a glória seja exclusivamente Dele, e não haja espaço para o orgulho humano. A fraqueza humana, quando reconhecida e entregue a Deus, torna-se o cenário perfeito para a manifestação do poder de Deus.

O pregador é uma testemunha que fala daquilo que viveu, viu e experimentou, e sua vida deve estar em conformidade com a mensagem para ter credibilidade.

Antes de subir ao púlpito, o pregador precisa primeiro viver o que vai pregar, permitir que a Palavra de Deus fale com ele primeiro, "que coloque antes a vibrar as cordas de seu próprio coração", que a mensagem da Palavra (Bíblia) o molde e o transforme..

A pregação eficaz nasce da experiência pessoal e da credibilidade do pregador. É um processo de vida antes da proclamação, onde a conduta e o testemunho pessoal validam a mensagem, pois as pessoas veem o pregador antes de ouvirem a mensagem. Somente após essa vivência e transformação é que o pregador está apto a comunicar a mensagem, não apenas com palavras, mas com o testemunho de sua própria vida.

Contudo, convém ressaltar, que uma vida inconsistente com a mensagem rouba a autoridade do pregador, não da mensagem. A mensagem, é sempre entregue, ainda que o vaso esteja sujo, quebrado ou vazio.

Vaso vazio me incomoda e muito. Estar na igreja, louvar, adorar, orar e então vem o pregador e está vazio, não consegue falar meia dúzia de palavras sem ler suas anotações... ou repetir a mesma coisa, falada de várias maneiras. Desconhece o contexto... é desanimador. A pessoa está ali exatamente para fazer isso: pregar. Foi colocado ali porque é o pastor. Está como pastor, porém não é pastor a maioria das vezes que é colocado "à prova".

Na poderosa metáfora bíblica do oleiro (Jeremias 18) onde Deus é o Oleiro que molda o barro (humanidade) em Sua roda, transformando-nos para Seus propósitos; mesmo que um vaso se quebre, Ele o refaz com amor, mostrando que somos frágeis, mas Ele pode nos reconstruir e dar propósito, sendo um convite à entrega e renovação da vida...

A Vida do Pregador, "Como um vaso nas mãos do oleiro", significa rendição, transformação e propósito divino, onde Deus (o Oleiro) molda a vida da pessoa (o barro) para um propósito específico, oferecendo novas chances e moldando o interior, exigindo humildade e receptividade para ser refeito, cheio do Espirito Santo (azeite) e usado para a glória de Deus. Exige disposição, dedicação, leitura, meditação, interpretação da Palavra de Deus, e, principalmente, se deixar moldar nas mãos do oleiro, para então ser colocado para uso na Obra de Deus.

Em 2 Timóteo 4:2, diz: "Pregue a Palavra, esteja PREPARADO a tempo e fora de tempo, ...".

****Autoria: Elizabeth Nogueira


Vaso nas Mãos do Oleiro - Luiz de Carvalho & Denise (1980)


Mão no Arado - Logos (1985)


Rede Ao Mar - Ministério Adoração e Adoradores (2005)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Pessoas de bem com a vida vivem mais e melhor

Pessoas de bem com a vida vivem mais e melhor, indica estudo estudo...
Estudo divulgado em 17 de fevereiro (2010), pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, comprova que pessoas felizes e entusiasmadas têm menos chances de desenvolver doenças do coração do que aquelas que vivem em estado permanente de contrariedade. Pesquisadores liderados pela cardiologista Karina Davidson - diretora do Columbia's Center for Behavioral Cardiovascular Health - concluíram que aqueles que procuram fazer o que os deixam felizes dormem melhor, têm maior controle sobre o estresse e têm chances reduzidas de sofrer de angina ou infarto.

Estressados têm mais chances de desenvolver síndrome metabólica

O especialista diz que pessoas de bem com a vida costumam cuidar mais da saúde e gerenciar os problemas sem sobrecarregar o organismo. Já os estressados e em estado permanente de contrariedade têm mais chance de desenvolver a síndrome metabólica, que é uma reunião de disfunções – como pressão alta, excesso de gordura abdominal, níveis anormais de colesterol e elevada taxa de açúcar no sangue – fatores que aumentam o risco de diabetes, cardiopatias e infarto.

“Pessoas mais felizes liberam menores quantidades de cortisol, substância que participa no desenvolvimento de hipertensão e aterosclerose. Essas duas doenças são as responsáveis pela maioria das mortes em todo o mundo”, explica o cardiologista, que ainda adverte: “Não basta apenas querer ficar feliz para escapar do problema. O que se sabe é que algumas atividades, como a meditação e o relaxamento, liberam na circulação *substâncias protetoras e diminuem os hormônios ligados ao estresse, como o cortisol e a adrenalina”.

*Um exemplo dessa substância é a endorfina, que promove bem-estar e contentamento. Meditar promove o aumento da produção de endorfina, que é um neurotransmissor e também hormônio – composto de 31 aminoácidos –, descoberto em 1975, produzido durante a prática de exercícios físicos, do Yoga, de relaxamento neuropsíquico e muscular – Yoganidrá – e de atividades prazerosas, cujos efeitos principais no organismo são: melhoria da memória e do estado de espírito – bom humor, elemento terapêutico indispensável para melhorar a saúde física, emocional e mental –; aumento da resistência e da disposição física e mental; estimula a imunidade; apresenta efeito antienvelhecimento, pois combate os radicais livres; apresenta propriedades analgésicas; e bloqueia possíveis lesões dos vasos sangüíneos.  http://news.yahoo.com/s/hsn/20100219/hl_hsn/happinessprotectsyourheart

Fonte: Portal UOL

sábado, 24 de abril de 2010

1 Coríntios 13: Hino ao Amor

O famoso "Hino ao Amor", descreve o amor (ágape) como a virtude suprema, essencial e duradoura, superior a dons espirituais como a fé e o conhecimento, mostrando que sem amor, tudo é vão; e a sua essência é vivida por meio de qualidades como paciência, bondade, verdade, e perseverança, com Jesus Cristo sendo o maior exemplo desse amor perfeito que tudo suporta e o destino final da fé é vê-Lo face a face, pois Ele é o Amor que permanece para sempre.

1 Coríntios 13 é conhecido como o "Hino ao Amor", descrevendo o amor como paciente, bondoso, não invejoso, não orgulhoso, e que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, sendo maior que a fé e a esperança, e que nunca falha, ensinando a supremacia do amor sobre os dons espirituais, mesmo profecias e línguas.

O texto destaca que, sem o amor, todos os dons espirituais e sacrifícios perdem o seu valor. Os versículos descrevem as características do amor, como paciência, bondade e não se orgulhar. Também contrasta a imperfeição do conhecimento e profecia atuais com a perfeição futura, e conclui que o maior entre fé, esperança e amor é o amor.

O versículo de 1 Coríntios 13:1, "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine", enfatiza que sem amor, todas as habilidades e dons espirituais, por mais impressionantes que sejam, são vazios e sem valor, soando apenas como barulho sem propósito ou significado real, como instrumentos musicais que fazem barulho sem melodia ou mensagem, como um sino que ressoa ou um prato que retine.

Em 1 Coríntios 13:2, o Apóstolo Paulo, ensina que mesmo os dons espirituais mais impressionantes – como profecia, conhecimento profundo e fé para mover montanhas – são inúteis e vazios sem o amor, que é o atributo supremo, mostrando que o amor é essencial para dar valor e propósito a qualquer capacidade ou realização espiritual.

1 Coríntios 13:3, ressalta que grandes atos de caridade e sacrifício pessoal perdem seu valor espiritual se não forem motivados pelo amor (ágape), destacando que, sem amor, não há benefício real ou duradouro, mesmo que se doe tudo ou se sacrifique o corpo, pois o amor é a essência e o propósito de todas as boas obras.

O versículo 4 de Coríntios 13, descreve as qualidades do amor verdadeiro como sendo paciente e bondoso, não invejoso, vanglorioso ou orgulhoso, ressaltando que o amor é uma ação e não apenas um sentimento, sendo um princípio fundamental para relacionamentos duradouros, como os de casamento, segundo ensina o apóstolo Paulo.

1 Coríntios 13:5 descreve características do amor verdadeiro, enfatizando que ele não maltrata (não é rude ou indecente), não busca seus próprios interesses (é altruísta), não se ira facilmente (não é irritável) e não guarda rancor (não guarda mágoas ou ressentimentos), contrastando com atitudes egoístas e destrutivas. Ele faz parte do famoso capítulo sobre o amor (ou caridade), que continua explicando que o amor é paciente, bondoso, não inveja, não se vangloria, não se orgulha, se alegra com a verdade e tudo sofre, crê, espera e suporta.

"O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade", 1 Coríntios 13:6, esse versículo destaca que o verdadeiro amor possui um compromisso ético e moral inabalável:

"Não se alegra com a injustiça": O amor não é conivente com o erro, com a corrupção ou com o sofrimento alheio para benefício próprio. Ele sente dor diante do que é errado.

"Se alegra com a verdade": O amor floresce na transparência e na honestidade. Ele celebra quando a integridade prevalece, pois não há amor real onde existe mentira ou engano.

O versículo 7 de 1 Coríntios 13, descreve as qualidades do amor verdadeiro, afirmando que ele "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta", significando que o amor é resiliente, confiante, paciente e perseverante diante das dificuldades, nunca falhando ou desistindo.

1 Coríntios 13:8, destaca a eternidade do amor em contraste com a natureza temporária de dons espirituais como profecias, línguas e conhecimento, que um dia cessarão, pois o que é parcial dará lugar ao que é completo, simbolizando a transição de uma compreensão incompleta para a plenitude da revelação de Deus, como explicado nos versículos seguintes, que falam da fé, esperança e amor, sendo o amor o maior deles.

1 Coríntios 13:9, diz: "Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos", destaca a natureza incompleta do nosso conhecimento e das profecias no presente, contrastando com a plenitude que virá quando "o que é perfeito" (a vinda de Cristo e a eternidade) se manifestar, quando o conhecimento parcial será substituído pela visão face a face e compreensão total.

O versículo 1 Coríntios 13:10 significa que os dons espirituais e o conhecimento parcial que temos hoje (o "imperfeito") cessarão quando a plenitude de Deus se manifestar, ou seja, quando Cristo retornar e a igreja for aperfeiçoada, revelando a visão "face a face", substituindo a nossa compreensão atual "em espelho".

A passagem contrasta o estado presente de conhecimento parcial com um futuro de conhecimento completo e perfeito, que virá com a vinda de "o perfeito" (a plenitude de Deus ou Cristo).

O versículo 11 de 1 Coríntios 13, significa a transição da imaturidade da infância para a maturidade adulta, simbolizando o deixar para trás a compreensão limitada e os pensamentos infantis em favor de uma perspectiva mais desenvolvida e plena, especialmente no contexto do amor e do conhecimento espiritual, como explicado em uma passagem bíblica que o segue, comparando-a a ver "apenas um reflexo obscuro" agora e "face a face" no futuro.

1 Coríntios 13:12, descreve a transição da compreensão imperfeita (um "reflexo obscuro") para o conhecimento pleno e direto ("face a face") de Deus, que atualmente é parcial, mas se tornará completo, assim como somos plenamente conhecidos por Ele, destacando a natureza temporária do conhecimento atual e a revelação futura em contraste com a fé, esperança e o amor duradouros, sendo o amor o maior.

"Permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o AMOR" 1 Coríntios 13:13, um versículo bíblico famoso, destaca o amor como o maior e mais duradouro dos dons espirituais, mesmo quando os outros cessam. Este versículo é o clímax do capítulo sobre o amor, mostrando sua supremacia sobre profecias e línguas, pois o amor é eterno e a essência de Deus.

Também descrevem a essência do amor:

Gálatas 5:22-23 (o FRUTO do Espírito): "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio";

1 João 4:7-8 (Deus é amor): "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor".

Colossenses 3:12-14: "Vistam-se, pois, os eleitos de Deus, santos e amados, de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente... E, acima de tudo, vistam-se de amor, que é o vínculo da perfeição";

Provérbios 10:12: "O ódio provoca brigas, mas o amor perdoa todas as ofensas".

Esses versículos reforçam os atributos do amor de 1 Coríntios 13, mostrando que o amor é a base das virtudes cristãs, paciente, altruísta e duradouro, mesmo quando outros dons cessam.



domingo, 18 de abril de 2010

Fazer a Obra de Deus




Fazer a "Obra de Deus" é um conceito espiritual que varia conforme a interpretação religiosa, mas geralmente se divide em três pilares principais baseados em ensinamentos bíblicos e teológicos:

1. O Cultivo do Caráter (A Obra Interna)

Antes de "fazer", a Obra de Deus a Bíblia enfatiza que é preciso "ser" a Obra de Deus. Tudo tem início com a transformação pessoal:

Ter Fé/Viver pela Fé: Em João 6:29, Jesus afirma que a obra de Deus é crer naquele que Ele enviou.

Fruto do Espírito: Tudo bem explicadinho e nos mínimos detalhes está à mão, bem ali em Gálatas 5:22-26. "Mas quando o Espírito Santo controlar as nossas vidas, Ele produzirá em nós esta espécie de fruto: amor, alegria, paz, paciência, bondade, retidão, fidelidade, 23 mansidão e domínio próprio; e aqui não há conflito algum com as leis judaicas. 24 Aqueles que pertencem a Cristo pregaram seus maus desejos naturais na sua cruz e os crucificaram ali. 25 Se agora, estamos vivendo pelo poder do Espírito Santo, sigamos a liderança do Espírito Santo em todos os aspectos da nossa vida. 26 Então não precisaremos mais andar em busca de honras e de popularidade, que levam à inveja e a maus sentimentos.

2. O Serviço ao Próximo (A Obra Social)

A prática da fé através do auxílio aos necessitados é considerada o núcleo da vontade divina:

Praticar a Justiça: Ajudar os vulneráveis, como órfãos, viúvas e pobres.

Amor em Ação: Servir sem esperar nada em troca, usando seus talentos e recursos para melhorar a vida de outras pessoas.

3. A Grande Comissão (A Obra de Evangelização)

Refere-se ao compartilhamento da mensagem bíblica:

Pregar o Evangelho: Compartilhar as "boas novas" e os ensinamentos de Jesus (Mateus 28:19-20).

Discipulado: Ajudar outros a crescerem em sua jornada espiritual.

Como começar (prática) :

Identifique seus talentos: Use suas habilidades profissionais ou artísticas para ajudar sua comunidade ou igreja. Seja voluntário.

Aja com integridade: Fazer a obra de Deus também significa ser honesto no trabalho e justo em seus relacionamentos diários.

Fazer a obra de Deus exige:

1. Agir;

Participar ativamente do propósito de Deus, que vai além das atividades da igreja, envolve amar, servir, perdoar, ajudar o próximo (como visitar, alimentar, cuidar dos doentes), pregar o Evangelho e ser exemplo de conduta em todas as áreas da vida, com motivação de amor, sendo transformado e moldado por Ele, dia a dia, para refletir Cristo, mesmo em momentos difíceis.

2. Relacionamento (real e pessoal);

Evolui de servo para amigo e, finalmente, para filho, com cada nível aprofundando a intimidade e a natureza da conexão, conforme descrito na Bíblia e em ensinamentos cristãos.

3. Convite (envolvimento);

Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Marcos 16:15). Esta é uma ordem clara para os seguidores de Jesus, que serve como base para todo esforço evangelístico.

4. Deus Fala (através da Bíblia, da Oração, das circunstâncias;

A Bíblia é a principal ferramenta para conhecermos a vontade de Deus, pois é inspirada por Ele. A Bíblia É usada para ensinar, repreender, corrigir e instruir na justiça, tornando o homem de Deus completo para boas obras, conforme 2 Timóteo 3:16-17.

A oração é um diálogo de Duas Vias, não é só falar, mas também ouvir a Deus. É um momento de comunhão onde Deus responde e revela coisas grandiosas, como diz Jeremias 33:3. Tipos de oração: Incluem súplicas, orações (conversas), intercessões (por outros), ações de graças (agradecer)...

Deus usa situações diárias e o que vivemos para trabalhar em nós e nos ensinar.. "Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus", segundo Romanos 8:28.

5. Crise na Fé (identificação/ajustes) e 6. Ajustes (em sua vida e no ministério que está desenvolvendo);

A "Crise na Fé" envolve a identificação das causas subjacentes (dúvidas e frustrações) e a implementação de ajustes práticos e espirituais para fortalecer a crença e a identidade em Deus. A identificação eficaz da crise requer um exame honesto das fontes de dúvida e desconexão espiritual.

As causas podem ser variadas. Uma vez identificadas as causas, vários ajustes podem ajudar a navegar e superar a crise. Assegure-se de que a sua compreensão da fé e de Deus provém de fontes confiáveis, como textos sagrados (a Bíblia, por exemplo) e não apenas de opiniões alheias.

7. Obediência (experiência).

É uma experiência de fé profunda, que vai além de seguir regras. É uma entrega total. Escuta atenta. Submissão à vontade de Deus, como um ato de amor, confiança que resulta em crescimento pessoal.

8. Inicie outra atividade da OBRA de Deus.

Em resumo, fazer a obra de Deus não se limita ao ambiente de um templo, mas sim a qualquer ação feita com amor, verdade e dedicação ao bem comum.

*** Autoria: Elizabeth Nogueira

Usa-me Senhor - Aline Barros (2005) 


Prega o Evangelho - Adhemar de Campos
(álbum lançado: 2005/Ao Vivo: 2018)


segunda-feira, 8 de março de 2010

Convite a Obediência


Em Isaías 48, Deus repreende Israel por sua infidelidade e hipocrisia, apesar de serem chamados de "povo do Senhor", "povo de Deus". E anuncia coisas novas, revelando-se como o único Deus que prediz o futuro para provar Sua soberania, e prometendo libertação de Babilônia, mostrando que Sua honra e Seu nome são primordiais. E, que guiará o Seu povo para a paz se eles O ouvirem.

Deus adverte a "Casa de Jacó" (Israel) que invoca Seu nome, mas age sem sinceridade ou justiça, usando Seu nome para si mesmos, mas não O honrando de coração.

"Casa de Jacó" (ou "Bet Jacob") é uma expressão bíblica que se refere coletivamente ao povo de Israel, descendentes do patriarca Jacó, enfatizando sua unidade, herança e aliança com Deus. É a referência em Isaías 46:3-4, onde Deus promete carregar e salvar a "casa de Jacó" e "todo o restante da casa de Israel".

Destaca a descendência de Jacó, que recebeu o nome de Israel, e os laços especiais com Deus, sendo os destinatários das promessas divinas. A expressão une as doze tribos, os descendentes de Jacó, como uma única entidade. Também é usado para se referir a locais ligados a Jacó, como Betel onde construiu um altar (Gn. 35), ou Sucote, onde fez casas (Gn. 33:17)

Em Isaías 48, Deus revela que, por saber da teimosia do povo (cerviz de ferro, testa de bronze), - ⁴ "Porque eu sabia que eras duro, e a tua cerviz um nervo de ferro, e a tua testa de bronze". Is. 48:4

Descrevendo a teimosia e obstinação de Israel, usando a imagem de um pescoço rígido como ferro e uma testa dura como bronze para simbolizar a recusa em se curvar à vontade de Deus e a resistência a ouvir e obedecer, representando uma grande dureza espiritual e inflexibilidade.

Semelhante a expressão: "cabeça dura" que usamos para nos referir a nós mesmos ou a outras pessoas.

Deus havia anunciado as coisas passadas e agora anuncia coisas novas, para que não atribuam sua salvação a ídolos. O Primeiro e o Último, o Deus Criador dos céus e da terra, o único que pode prever e realizar o futuro, e por quem a libertação acontecerá.

Os versículos 3 a 5 destacam que Deus previu eventos passados, como a queda da Babilônia, para que Seu povo não atribuísse glória a ídolos. Nos versículos 6 a 8, Deus anuncia "coisas novas, e ocultas, que não sabias", reafirmando Seu poder de revelar o futuro. Nos versículos 14 e 20, o Senhor conclama Seu povo a sair da Babilônia, declarando que Ele realizará a Sua vontade contra a Babilônia e que "o Senhor remiu a Jacó, seu servo".

Em Isaías 48:10, Deus diz: "Eis que te purifiquei, mas não como a prata; provei-te na fornalha da aflição", Deus permitiu o sofrimento ("fornalha da aflição") com propósito purificador, de disciplina e ensino - vou permitir para que o povo aprenda - para refinar o povo, não para destruí-los, mas para proteger Seu nome e Sua glória, pois Ele não a dá a outros. A aflição e adversidades como meio de fortalecer a fé e fazer com que o povo confiasse na providências de Deus em qualquer circunstância.

A paz e a retidão de Israel seriam como um rio e ondas do mar se tivessem ouvido Seus mandamentos, recebendo Dele o que é útil e o caminho em que devem andar. Deus se apresenta como aquele que ensina o que é proveitoso, útil, ou seja, aquilo que é correto e, portanto, melhor, para seu povo. 

Eu aprendo muita coisa útil com meus pais, avós, tios... e de cada um deles tenho a grata lembrança do que me foi ensinado. No intuito de me limitar a referência neste estudo, vou citar o que tenho aprendido apenas com o meu avô Jair (lado materno da família).

Com meu avô Jair aprendi vários cânticos e como estudar a Bíblia, nos cultos domésticos realizados quando morávamos em Guaraci/PR; e, posteriormente, quando ele em visita a nossa casa em Jateí/MS e em Ji-Paraná/RO. Meus avós se mudaram para Ponta Grossa/PR. Fomos crescendo e o formato de culto doméstico foi sendo alterado. E, logo "aprende" da sabedoria bíblica do meu avô, quem visita a sua biblioteca (particular), como eu.

Da ocasião quando eu era adolescente, lembro do meu avô Jair preocupado que a ordem dos livros fossem alterada ou que os livros fosses estragados, eu disse que queria ler e ele ressabiado me deu um caderno aberto e uma caneta dizendo: "se quiser escrever algo faça aqui; e, não nos livros". Tenho prazer na leitura e escrita. Meu interesse pela "descoberta" das anotações do meu avô, era genuíno. Mesmo a lembrança daquele momento, ainda hoje, são vívidas (alegre, intenso).

Meu avô, lê, anota, busca referências bíblicas (sem o google), anota. Questiona-se. Aprende. Anota. Ensina. Exímio leitor, adquiriu uma notável biblioteca para o seu lar. Escritor de seus estudos bíblicos, tem vários e vários cadernos. Eu admiro a lembrança da simplicidade daquela biblioteca.

Um pequeno cômodo para os seus livros, seus cadernos, suas anotações. Com curiosidade, li algumas das anotações "anexadas", coladas ao livro lido pelo meu avô, como se fosse um encarte, um suplemento, uma nova página para o livro, lido e comentado.

Também aprende com o meu avô Jair, quem se assenta ao seu lado para conversar. Idoso enfrenta um problema de perda gradual da audição, sem perder o hábito de discorrer sobre o passado e sobre a Bíblia, horas e horas a fio. E, se a gente se cansa. Ele não. Meu avô tem assunto bíblico pra discorrer a vida toda. E, sempre ensina o que é útil.

Estudando o livro de Isaías "me deparei", com esta hipótese: "...então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar", era preciso analisar isso "a fundo", da obediência aos mandamentos, dependiam a conduta que resultaria no sentimento de paz e de justiça que Israel, experimentaria.

   "¹⁷ Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. Is. 48:17

    "¹⁸ Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar! Is. 48:18"

Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria... - SERIA na forma do futuro do pretérito, indicando uma ação hipotética, condicional, desejada. São ações que acontecem depois do agora, ou seja, acontecem sob uma condição.

Deus disse a Israel se você fosse obediente:

"Tua paz" SERIA abundante e constante, como um rio que flui sem parar, escorre, jorra naturalmente e sem impedimentos, contrastando a falta, a ausência de paz dos ímpios; e, exortando Israel a seguir os caminhos de Deus para experimentar a tranquilidade, o bem-estar, a harmonia, a plenitude interior como bênção.

"Tua justiça", SERIA contínua, como as ondas do mar que nunca param de voltar a praia, não retendo "o lixo" e trazendo bênçãos (material orgânico) e prosperidade duradouras (alimento espiritual), contrastando com o sentimento de injustiça e de insegurança dos ímpios, que desconhecem as leis, ordenamentos e as promessas de Deus. Vivem sem bons exemplos do passado, sem a interpretação correta de como servir a Deus e sem a perspectiva e previsibilidade do futuro.

Os ímpios erram por desconhecer as Escrituras (Bíblia). Por interpretação incorreta da Palavra de Deus. Israel erra por desobediência. (Mt. 22:29; Mt. 12:24; Jo. 5:39; Rm. 15:4).

As ondas e marés, um fenômeno natural para trazer a costa materiais orgânicos, como algas, conchas e restos de animais. Esse material, parte do ecossistema, serve de alimento e abrigo para outros animais. Ventos e correntes marítimas mais intensos, especialmente durante ressacas, transferem mais energia para a superfície do oceano, formando ondas mais fortes que arrastam para a costa tudo o que está flutuando ou próximo da superfície.

O lixo no mar, que representa uma quantidade significativa do que é devolvido à praia, é oriundo do lixo descartado incorretamente, principalmente plástico, que chega ao mar por meio de rios, vento, chuva e inundações. O mar agitado apenas expõe a extensão desse problema, que afeta as praias, causando transtorno e problemas ambientais.

A presença de peixes mortos em grande quantidade pode indicar problemas com a pesca ou poluição da água. E, aqui não quero explorar os sistemas de pescas permitidos e proibidos ou quais são os principais poluentes da água, mas voltando para Isaías quando se está comparando o rio e o mar a paz e a justiça, "peixe morto" por problemas com a pesca e da água poluída nos leva a refletir sobre problemas para "reter" a paz e a justiça e, consequentemente, para testificar das bençãos.

Para reter o conquistado (paz, justiça, bençãos) é preciso aprender organização (ordem e planejamento) e disciplina (ter disciplina e seguir instruções) e, antes ainda sobre aquisição, gratidão, distribuição, reserva do alimento espiritual, conforme ensinado por Jesus na  Parábola da multiplicação do pão e peixe e na Parábola do Semeador: gestão e gerenciamento de recursos e pessoas (atitude, organização, gratidão).

A paz e a justiça de Israel depende do povo "não reter o lixo" das nações pagãs. O sentimento de justiça e de paz de Israel advêm da obediência a Deus, de testificar suas bênçãos (material orgânico), e a prosperidade duradoura (alimento espiritual), as outras nações, para que estas reconheçam a Deus como Senhor e o Santo de Israel.

O capítulo culmina com o chamado para o povo sair da Babilônia, anunciando uma libertação através de Ciro, um rei pagão, uma "coisa nova" para a honra de Deus.

          "Saí da Babilônia, fugi de entre os caldeus! Anunciai isso com voz de júbilo, fazei-o ouvir, levai-o até ao fim da terra; dizei: O Senhor remiu a seu servo Jacó." (Is. 48:20)

Esta ordem simboliza a libertação física do exílio e, espiritualmente, um chamado para abandonar práticas pecaminosas e confiar na provisão de Deus. Deus revela que Ele próprio levantou Ciro, um rei pagão, para cumprir a Sua vontade:

Deus amou e chamou Ciro para um propósito específico. Ciro conquistaria a Babilónia e emitiria o decreto que permitiria aos judeus regressar à sua terra e reconstruir o templo. Deus faria o caminho de Ciro próspero, garantindo o sucesso de sua missão.

A menção explícita de Ciro, muito antes de ele se tornar uma figura proeminente, serviu como uma prova irrefutável da soberania e presciência de Deus, para que Israel não atribuísse a libertação aos seus ídolos.

Isaías 48 é um chamado ao arrependimento e à fé em um Deus que é fiel em Suas promessas, mesmo quando Seu povo falha, e que age para manifestar Sua glória e poder.


Autoria do Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira



quarta-feira, 3 de março de 2010

Missão do Servo do Senhor


Um dos textos mais significativos do Antigo Testamento, está no capítulo 49 de Isaías, conhecido por conter o segundo dos quatro "Cânticos do Servo" (Is. 49:1-6).

1. A Missão do Servo do Senhor

O capítulo começa com o Servo falando diretamente às nações e ilhas distantes. Ele revela que foi chamado por Deus desde o ventre materno para uma missão dupla:

Restaurar Israel: Trazer as tribos de Jacó de volta para Deus.


Essa restauração abrange um retorno físico à terra e um retorno espiritual à fé, prometendo cura, prosperidade e a salvação de Deus para o Seu povo, com Jeremias 33:6-8 também reforçando a restauração de Judá e Israel.

      ⁶Eis que eu trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei abundância de paz e de verdade. ⁷E removerei o cativeiro de Judá e o cativeiro de Israel, e os edificarei como ao princípio. ⁸E os purificarei de toda a sua maldade com que pecaram contra mim; e perdoarei todas as suas maldades, com que pecaram e transgrediram contra mim; Jer. 33:6-8

O povo é encorajado a esperar no Senhor, pois aqueles que esperam não serão decepcionados; Deus lutará por eles e os salvará. Deus promete uma nova aliança e um novo tempo de salvação, onde o Seu povo seria levado à luz e à liberdade.

Luz para os Gentios: Deus declara que a missão do Servo é grande demais para ser limitada a Israel; Ele deve ser "luz para as nações" para que a salvação alcance os confins da terra (Is. 49:6).


2. O Encorajamento ao Servo

O Servo expressa um momento de cansaço, dizendo: "Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças" (v. 4). No entanto, ele reafirma sua confiança de que sua recompensa e sua causa estão nas mãos do Senhor.

          ⁴ Porém eu disse: Em vão tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças; todavia o meu direito está perante o Senhor, e o meu galardão perante o meu Deus. Is. 49:4.

3. A Restauração de Sião

A partir do versículo 14, o foco muda para Sião (Jerusalém), que se sente abandonada e esquecida por Deus. O Senhor responde com uma das metáforas mais ternas da Bíblia:

Amor Incondicional: "Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama? (...) Ainda que ela se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti" (v. 15).

O questionamento reconhece a profundidade do vínculo natural entre mãe e filho, sugerindo que o esquecimento materno é quase impensável. A promessa central é que, mesmo na hipótese improvável de tal amor materno falhar, o amor e a memória de Deus por Seu povo jamais cessarão. A garantia "eu, todavia, não me esquecerei de ti" enfatiza a natureza eterna e incondicional da aliança de Deus.

Deus afirma que gravou o nome de Seu povo nas palmas de Suas mãos (v. 16).

Em Isaías 49:16, Deus afirma que gravou o nome do Seu povo nas palmas das Suas mãos para demonstrar um amor, cuidado e compromisso eternos e inabaláveis, significando que Ele nunca os esquece, os vê constantemente e os carrega consigo, um símbolo de proteção e segurança, com as marcas na cruz de Jesus sendo a prova viva desse amor redentor.

As marcas nas mãos de Jesus na cruz são vistas como a concretização dessa promessa, onde Ele sofreu para que o nome do Seu povo pudesse ser verdadeiramente gravado em Suas mãos, pagando o preço da redenção.

4. O Retorno dos Exilados

Deus promete que os filhos de Israel retornarão de todos os cantos do mundo e que a terra, antes desolada, será pequena demais para a multidão que a habitará. Reis e rainhas servirão ao povo de Deus e reconhecerão a soberania do Senhor.

Para os cristãos, o Servo descrito em Isaías 49 é identificado como Jesus Cristo. A passagem de Isaías 49:6 é citada no Novo Testamento em Atos 13:47, para justificar a pregação do Evangelho aos não judeus, confirmando Jesus como a luz que traz a salvação a toda a humanidade.

          Atos 13:47 - é um versículo chave onde Deus estabelece o propósito de Paulo e Barnabé: "Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra", mostrando que a mensagem do Evangelho não era exclusiva aos judeus, conforme referida em Isaías 49:6, mas destinada a alcançar o mundo inteiro, uma ordem divina para levar esperança e salvação a todos os povos, como relatado durante a primeira viagem missionária de Paulo.

          ⁶ Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. Is. 49:6.