O Livro de Obadias, o menor do Antigo Testamento, apenas 21 versículos, foca no julgamento divino contra Edom por sua arrogância e crueldade contra Judá após a queda de Jerusalém, alertando sobre soberba e a importância da fraternidade, com a promessa de restauração para Sião e o estabelecimento do reino de Deus.
Obadias 1:1 afirma que esse livro registra uma visão que o Senhor mostrou a um profeta chamado Obadias.
Embora várias pessoas chamadas Obadias sejam mencionadas em I Reis, I–II Crônicas, Esdras e Neemias, essas são referências a outras pessoas. Com exceção do fato de que Obadias era um profeta no reino do sul (Judá), não sabemos nada sobre seu passado ou ministério. O nome Obadias significa “servo do Senhor”, bem apropriado para esse profeta (ver Bible Dictionary, na Bíblia SUD em inglês, “Obadiah”).
Obadias dirigiu suas profecias aos edomitas, que eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó (ver Gênesis 25:30), e moravam no território ao sul de Judá.
Embora os edomitas não fossem da casa de Israel, ainda assim pertenciam à família de Abraão. Infelizmente, o relacionamento entre Judá e Edom era conturbado, e cada nação via a outra como inimiga.
Quando Jerusalém foi capturada, o povo de Edom se recusou a ajudar o povo de Judá e regozijou-se com seu infortúnio, pilhou seus bens deixados para trás e entregou o povo aos babilônios (Obadias 1:11–14).
Obadias previu a ruína que aguardava o povo de Edom devido à sua crueldade com Judá. Ele também profetizou a futura restauração de Sião e a importância do trabalho no templo nos últimos dias, descrevendo aqueles que participassem dele como “salvadores” (Obadias 1:17–21).
Estudos destacam sua mensagem de justiça, advertência contra o orgulho e esperança na fidelidade de Deus.
O Orgulho de Edom
Os edomitas (descendentes de Esaú) se alegraram com a queda de Judá (descendentes de Jacó) e participaram de sua pilhagem, refletindo soberba e falta de amor fraternal.
O Juízo de Deus
A "semente do mal" de Edom resultará em sua própria ruína, mostrando que a maldade volta para quem a semeia (Obadias 1:10-16).
A Restauração de Sião
Deus promete restaurar Seu povo, que herdará a terra e o Monte Sião, onde haverá santidade e o reino será do Senhor (Obadias 1:17-21).
O Dia do Senhor
A passagem de Obadias 1:15 fala do dia do Senhor, quando todas as nações serão julgadas por suas ações.
O livro do profeta Obadias serve como um alerta contra a soberba, a vingança e a indiferença, enfatizando a justiça divina e a esperança na fidelidade de Deus.
Obadias profetizou após a destruição de Jerusalém pelos babilônios (c. 586 a.C.), detalhando a reação dos edomitas. O livro é dividido em julgamento contra Edom (vv. 1-16) e restauração de Sião (vv. 17-21). Ensina sobre a justiça de Deus contra os que se opõem a Ele e Sua fidelidade em restaurar Seu povo.
As profecias de Obadias contra Edom são semelhantes àquelas encontradas em outros livros do Velho Testamento (Isaías 34:5–8; Jeremias 49:7–22; Ezequiel 25:12–14; 35:1–15; 36:5; Joel 3:19).
No entanto, dentre essas profecias, as profecias de Obadias são incomparáveis ao afirmarem que a razão de a crueldade de Edom contra Judá ter sido tão ofensiva foi porque os povos das duas nações eram parentes. Foi particularmente cruel a decisão de Edom de ficar de lado enquanto seus irmãos e suas irmãs israelitas estavam sendo destruídos, e regozijar-se com o infortúnio deles.
Obadias declarou que o povo de Edom não deveria ter se “[alegrado] sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína” (Obadias 1:12).
Além disso, a visão de Obadias sobre a futura restauração de Sião e os “salvadores" (Obadias 1:21) se aplica não somente a Jerusalém, mas também à Igreja nos últimos dias.
As passagens em Obadias 1:4, 1:6, 1:8, 1:9, 1:10 e 1:14-16 ecoam o julgamento divino contra Edom encontrado em Salmo 137 e Ezequiel 35.
Obadias e Jeremias profetizaram contra Edom, com mensagens semelhantes de julgamento e destruição, indicando uma possível influência mútua ou contemporaneidade.
Ezequiel 35, assim como Obadias, descreve a punição de Edom por sua hostilidade e alegria com a desgraça de Israel, sendo ambas as profecias datadas do período do exílio babilônico.
O Salmo 137, lamenta a destruição de Jerusalém e condena Edom, que exultou com o sofrimento de Judá, um tema central em Obadias. O lamento coletivo expressa a dor e a angústia dos exilados judeus forçados a viver na Babilônia após a destruição de Jerusalém (Sl. 137).
O povo estava sentado às margens dos rios da Babilônia, chorando ao se lembrar de Sião (nome poético de Jerusalém). Seus captores zombavam deles, pedindo que cantassem os cânticos de Sião para seu entretenimento.
O salmo aborda a nostalgia, a perda da liberdade e a recusa em profanar o louvor a Deus em terra estrangeira: "Como cantaremos o cântico do Senhor em terra estranha?".
O salmo termina com um desejo intenso de justiça contra a Babilônia e, especificamente, clama a Deus para que se lembre do papel cruel dos edomitas na queda de Jerusalém: "Lembra-te, Senhor, contra os filhos de Edom, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces!"
"Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces!" é uma citação bíblica do Salmo 137, versículo 7, onde os filhos de Edom exortam à destruição total de Jerusalém após sua queda pela Babilônia, um ato de maldade que o salmista pede a Deus para lembrar e cobrar...
Os edomitas (descendentes de Esaú) foram inimigos históricos de Israel e Edom é lembrado por sua participação ou regozijo na destruição de Jerusalém, incentivando os babilônios a arrasar a cidade completamente, até seus fundamentos.
Em resumo, enquanto Obadias é uma profecia de julgamento contra Edom por sua traição, o Salmo 137 é um lamento e uma oração do povo que sofreu essa traição, expressando sua dor e clamando por justiça divina.
Os Doze Profetas Menores: Obadias faz parte da coletânea dos Doze Profetas Menores, o que o associa tematicamente a outros profetas, refletindo uma tradição profética maior sobre a justiça divina.