quinta-feira, 2 de junho de 2016

Manancial de Águas Vivas


Em Jeremias 2:6-13, Deus acusa Israel de infidelidade, relembrando como eles abandonaram a Deus o "manancial de águas vivas" para seguirem "ídolos sem valor", tornando-se eles mesmos sem valor, ao cavarem, para si, "cisternas rotas" que não retêm água.

Deixaram de buscar e servir a Deus, a verdadeira fonte de vida, demostrando ingratidão e idolatria, agindo como se desconhecessem que Deus os havia tirado da situação de escravos no Egito e os guiado pelo deserto até a Terra Prometida, Canaã, cumprindo a promessa feita aos patriarcas: conquistas e divisão de terras férteis as doze tribos de Israel.


1 - A palavra do Senhor veio a mim: 2 ― Vá proclamar aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: “Assim diz o Senhor: “ ‘Eu me lembro da sua fidelidade quando você era jovem: como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada. 3 - Israel, o meu povo, era santo para o Senhor, os primeiros frutos da sua colheita; todos os que o devoravam eram considerados culpados, e a desgraça os alcançava’ ”, declara o Senhor. 4 - Ouça a palavra do Senhor, ó povo de Jacó, todos os clãs do povo de Israel. 5 - Assim diz o Senhor: “Que falta os seus antepassados encontraram em mim, para que me deixassem e se afastassem de mim? Eles seguiram ídolos inúteis, tornando‑se eles mesmos inúteis6 - Eles não perguntaram: ‘Onde está o Senhor, que nos trouxe da terra do Egito e que nos conduziu pelo deserto, por uma terra árida e cheia de covas, por terra seca e de densas trevas, terra pela qual ninguém passa e onde ninguém vive?’. 7 - Eu trouxe vocês a uma terra fértil, para que comessem dos seus frutos e dos seus bons produtos. Entretanto, vocês entraram na minha terra e a contaminaram e tornaram a minha herança detestável. 8 - Os sacerdotes não perguntavam: ‘Onde está o Senhor?’. Os que tratavam da lei não me conheciam; os líderes do povo se rebelaram contra mim. Os profetas profetizavam em nome de Baal, seguindo deuses inúteis. 9 - “Por isso, eu ainda faço denúncias contra vocês”, declara o Senhor, “e farei denúncias contra os seus descendentes. 10 - Atravessem o mar até o litoral de Chipre e vejam; mandem mensageiros a Quedar e reparem de perto; vejam se alguma vez aconteceu algo assim: 11 - alguma nação já trocou os seus deuses, apesar de eles nem sequer serem deuses? O meu povo, porém, trocou a sua Glória por deuses inúteis. 12 - Espantem‑se diante disso, ó céus! Fiquem horrorizados e abismados”, declara o Senhor. 13 - “O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva, e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água. 14 - Acaso Israel, o meu povo, é servo? O meu povo nasceu escravo? Por que, então, se tornou presa? - Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®© 1993, 2000, 2011, 2023 por Biblica, Inc.

Resumo da Passagem (Jeremias 2:6-13)

Deus pergunta: Que mal encontraram em mim, seus antepassados, para me deixarem e se afastarem?

Eles seguiram a vaidade (ídolos): Tornaram-se eles próprios vãos, sem valor, adorando o que não tem substância.

Deus os tirou do Egito: Ele os tirou da escravidão, os guiou pelo deserto e os levou para uma terra fértil, mas eles o desprezaram.

O povo cometeu dois males:
  1. abandonaram a Deus, a fonte de água viva;
  2. cavaram suas próprias cisternas, que são rachadas e não retêm água.

É uma metáfora para rejeitar a Deus (a verdadeira fonte de sustento e vida) e buscar soluções e segurança em sistemas humanos vazios e falhos (ídolos, outros deuses).

Deus chama Seu povo à reflexão, questionando a razão de sua infidelidade. A passagem destaca a ingratidão de Israel por trocar o relacionamento com o Deus que os salvou por ídolos inúteis, um ato de autodestruição espiritual, pois abandonaram a única fonte de verdadeira vida e satisfação.



Jeremias 2:13 no Antigo Testamento fala de Deus como a "fonte de água viva" que o povo de Israel abandonou para cavar cisternas rachadas, simbolizando a busca por satisfação em ídolos e caminhos próprios em vez de Deus, que é a verdadeira fonte de vida.

No Novo Testamento, Jesus se identifica com essa "água viva" (João 4:10-14; João 7:37-38), oferecendo a si mesmo como a fonte que sacia a sede espiritual eterna, o que é a realização plena do que Jeremias profetizou, sendo Ele a personificação da presença e da vida de Deus.

Jeremias 2:13 - Contexto:

Deus acusa Seu povo por dois grandes pecados: tê-Lo abandonado (a fonte de água viva) e ter construído cisternas (soluções humanas e falhas) para si mesmos, que não retêm água.

A "fonte de água viva" é Deus, que oferece vida abundante e perene. As "cisternas rachadas" são as religiões, filosofias, ídolos ou bens materiais que as pessoas buscam, mas que não conseguem saciar a sede espiritual verdadeira.

Jesus e a Água Viva - Identificação: Jesus, no Evangelho de João, usa a metáfora da água viva para se apresentar como a fonte definitiva. Na conversa com a mulher samaritana (João 4:10-14) e no último dia da Festa dos Tabernáculos (João 7:37-38), Ele declara que quem beber da água que Ele dá nunca mais terá sede e que rios de água viva fluirão de dentro dos que creem nEle.

Jesus é a personificação da "fonte de água viva" mencionada por Jeremias. Ele não é apenas quem aponta para a fonte, mas Ele é a própria fonte, o Espírito Santo que jorra vida eterna, cumprindo a mensagem do profeta.

Jeremias aponta para Deus como a fonte da vida. Jesus se revela como essa fonte, prometendo e oferecendo a vida abundante que o povo de Israel, e toda a humanidade, buscava em lugares errados, tornando-se Ele mesmo o manancial que sacia a sede da alma.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

EU, ETIQUETA



EU, ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comparo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar
cada vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.


ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6.
Lisboa: Publicações Europa-América, 1989.