Durante a Segunda Guerra Mundial, os engenheiros militares analisavam os aviões que retornavam das missões cravejados de balas e notavam que a maioria dos danos por balas e fogo antiaéreo estava concentrada nas asas, na cauda e na fuselagem (partes que não continham componentes críticos para o voo). A recomendação inicial parecia obvia: reforçar essas áreas mais atingidas (onde tinham mais buracos).
Estavam errados.
Abraham Wald, membro do Grupo de Pesquisa Estatística da Universidade de Columbia, argumentou de forma diferente: Os aviões que voltaram sobreviveram aos danos nessas áreas. E, os aviões que não voltaram?
As marcas dos aviões abatidos identificava onde um avião podia ser atingido e ainda assim retornar a base. Os aviões "abatidos" foram atingidos onde não havia marcas nos aviões que retornaram.
Portanto, os pontos de impacto críticos eram aqueles que, se atingidos, resultavam na perda total do avião, impedindo seu retorno à base. Wald concluiu que as áreas que deveriam receber blindagem extra eram aquelas que estavam intactas nos aviões que retornaram: o motor, o tanque de combustível e a cabine do piloto.
Os aviões atingidos nessas áreas vitais simplesmente não sobreviviam para serem contados na análise inicial.
Essa história é um exemplo clássico de como o viés de sobrevivência pode levar a conclusões erradas, destacando a importância de considerar os dados ausentes (os aviões perdidos) para uma análise completa.
O "ponto fraco" dos aviões que não voltaram durante a Segunda Guerra Mundial eram as áreas onde os aviões sobreviventes não apresentavam danos. Esta conclusão foi alcançada pelo estatístico húngaro Abraham Wald, que identificou o viés de sobrevivência na análise inicial dos dados.
Blindem, reforcem o que parece intacto. Não analise apenas quem sobreviveu. Isso faz com que aquele que desapareceu, falhou, não retornou, sumiu, suma da estatística, caia no esquecimento.
O que faltou? Qual foi o erro que atraiu o erro fatal? Para se ter o diagnóstico coerente não basta analisar apenas os erros e acertos de quem retornou é preciso também identificar e classificar os erros e acertos dos que não retornaram.
Eu morava em Natividade/TO (1986/87), quando alguém me indicou a leitura do Livro: "O Homem que não podia errar". Anotei na minha agenda, contudo esqueci de quem recebi a sugestão. A narrativa conta a história interna do colapso de um império religioso. O caminho para o desastre foi pavimentado com o tipo de boas intenções que todos nós reconhecemos: a Armadilha do Ego. Agora como sair daqui?
Por vezes, nosso maior perigo são nossos pontos fortes; não nossas fraquezas! Descuidamos naquilo que nos achamos bons, que não vamos errar. Que fazemos até de olhos fechados. Como Deus pode usar os próprios erros para mudar quem os comete. Como identificar a diferença entre a voz de Deus e o nosso próprio subconsciente.
No livro de Lucas 15:4-7 na Bíblia, Jesus narra a história de um pastor que deixou 99 ovelhas para procurar uma ovelha que estava perdida, encontrando-a e celebrando com alegria, simbolizando a busca de Deus por cada pecador que se arrepende, com mais festa no céu por ele do que pelos justos.
Assim como o pastor valoriza a única ovelha perdida, Deus valoriza cada pessoa, mesmo quando se desvia. Deus não desiste de ninguém; Ele vai atrás do que se perdeu. Há grande alegria no céu quando um pecador se volta para Deus, mais do que por muitos que já estão no caminho certo.
Essa parábola faz parte de um capítulo (Lucas 15) que inclui outras histórias sobre coisas perdidas e encontradas, como a das Dez Moedas (uma moeda se perdeu) e a dos Dois Filhos (filho pródigo), todas mostrando o amor e a misericórdia de Deus em buscar, o que se havia perdido; de se regozijar, pois: "Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e achou-se (Lc. 15:32)."
O livro "The Man Who Could Do No Wrong" (O Homem que Não Podia Errar), publicado em 1981, é uma autobiografia de Charles E. Blair, escrita em colaboração com John e Elizabeth Sherrill.
Sinopse
A obra narra a ascensão e a queda dramática de um "império religioso" construído sobre boas intenções. Charles Blair foi um evangelista e pastor da Calvary Temple em Denver, que viu sua pequena congregação se transformar em uma das maiores igrejas dos Estados Unidos.
O Sucesso e a Expansão: A jornada de Blair desde suas origens humildes até se tornar um líder influente, focando em sua conversão e no crescimento exponencial de seu ministério.
O Colapso: Os bastidores de decisões financeiras e espirituais equivocadas que levaram a um escândalo público, acusações de fraude e ao quase colapso de suas organizações.
Temas Centrais: O autor discute a "armadilha do ego", o perigo de confiar apenas nas próprias forças e como distinguir a voz de Deus dos desejos subconscientes.
Redenção: Relata sua transição da derrota e do orgulho para uma redescoberta da humildade e do amor de Deus através de seus próprios erros.
Sobre os autores de "The Man Who Could Do No Wrong"
Detalhes da Publicação:
Autor: Charles E. Blair (com John e Elizabeth Sherrill).
Editora: Chosen Books (originalmente).
Páginas: Aproximadamente 233 páginas.
John L. Sherrill (nascido em 1923, Covington, Tennessee) e Elizabeth "Tib" Sherrill (nascida em 1928, Hollywood, Califórnia) são escritores cristãos. Coautores de vários livros best-sellers, incluindo:
1. O Contrabandista de Deus (com o Irmão Andrew)
2. O Esconderijo (com Corrie ten Boom)
3. A Cruz e o Canivete (com David Wilkerson)
De 1944 a 1951, John Sherrill foi escritor freelancer na Europa. John e Elizabeth Sherrill se conheceram a bordo de um navio a caminho da Europa e se casaram na Suíça em 1947. De 1947 a 1963, Elizabeth foi escritora freelancer para revistas. Em 1970, fundaram uma editora, a Chosen Books, dedicada a buscar "pelo mundo livros que tivessem dois critérios. Eles seriam interessantes. Eles seriam úteis." O primeiro título deles foi The Hiding Place".
Elizabeth é autora de mais de 30 livros – muitos coescritos com seu marido. Alguns desses livros foram traduzidos para mais de 40 idiomas.
Os Sherrill têm três filhos: John Scott Sherrill, Donn Sherrill e Elizabeth Flint. Moram em Chappaqua, Nova York.


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