domingo, 29 de novembro de 2009

"Dois pesos e duas medidas"




Como que um mesmo assunto pode ser encarado de duas formas? E de um modo tão desumano com uma parte e tão 'humano' com a outra?

A uma dada situação chamam de T R A G É D I A.
A outra de V I T Ó R I A.
Beira a hipocrisia... e o que é pior dói!

Aplicar "Dois pesos e duas medidas" na criação dos filhos significa ter regras ou julgamentos diferentes para situações semelhantes, dependendo de quem é o filho ou de quem julga (pais, avós, sociedade)

Viver a injustiça e inconsistência no ambiente familiar é algo que gera conflito entre idosos, adultos, jovens, adolescentes e crianças.

Confunde os pais. Confunde os filhos.

Muitas vezes são as mães que enfrentam cobranças sociais e familiares, bem maiores que os pais em igual situação.

Muitas vezes são os pais que enfrentam cobranças sociais e familiares, bem maiores que as mães em igual situação.

Muitas vezes o pai e a mãe enfrentam cobranças sociais e familiares, bem maiores que outras pessoas de sua família em igual situação.

Igual injustiça enfrentam os filhos de uma mesma casa, quando enfrentam cobranças sociais e familiares, bem maiores que outros irmãos em igual situação.

O que significa na prática:

Inconsistência nas regras: Um filho é punido por algo que o outro fez impunemente, ou as mesmas atitudes são vistas de formas diferentes dependendo do gênero e idade da pessoa sob crivo do julgamento que usa: Um peso, duas medidas.

Cobranças desiguais:

Mulheres, e principalmente as mães são julgadas mais severamente por se afastarem do lar ou trabalharem "fora de casa", quando, os homens, mesmo os pais recebem elogios por fazerem o mesmo. Talvez, reflexo de construções sociais históricas.

Expectativas diferentes:

A sociedade espera e cobra a perfeição da mãe; e, por vezes valoriza o menor esforço do pai, criando um fardo emocional desproporcional. O contrário também ocorre. A sociedade espera e cobra a perfeição do pai; e, por vezes valoriza o menor esforço da mãe, criando um fardo emocional desproporcional.

Julgamento de terceiros: Avós, professores e outros familiares também podem adotar esses padrões duplos, aumentando o estresse familiar. E, talvez essa interferência seja a que causa maior dano no grupo familiar. Quando todos tem o mesmo alvo, seja criança, jovem, adulto ou idoso, para analisar, criticar, julgar e sentenciar usando "Dois pesos e duas medidas"

"Dois pesos e duas medidas" é uma expressão idiomática que descreve a injustiça de julgar situações ou pessoas de forma diferente, aplicando critérios variados e contraditórios a casos semelhantes, geralmente favorecendo uns em detrimento de outros, como um comerciante desonesto usava pesos e medidas diferentes para enganar clientes, uma prática denunciada na Bíblia em Deuteronômio.

Significa a falta de imparcialidade, isenção ou equidade em juízos e decisões. Denuncia a aplicação de padrões distintos para o mesmo tipo de ato ou situação, dependendo da simpatia ou interesse de quem julga.

É frequentemente usada para criticar a hipocrisia, a discriminação e o favoritismo em diversas áreas, desde relações pessoais sociais, familiares até políticas públicas, mostrando que as regras não são as mesmas para todos.

A expressão é uma crítica à incoerência e à falta de justiça, onde o mesmo ato é avaliado de maneiras opostas por interesses ou conveniências, e não por princípios de igualdade.


Origem da Expressão:

A expressão "Dois pesos e duas medidas" é usada na Bíblia condenando o uso de pesos e medidas desonestos no comércio para enganar os outros, buscando justiça e honestidade através de uma única régua.

Em Levíticos 19,35-36, diz: “Não dareis sentenças injustas nem cometereis injustiças em pesos e medidas. Tende balança, pesos e medidas exatos”. Também em Provérbios 20,23: “O Senhor detesta pesos desiguais, não é justa a balança com fraude”.

Mas a principal explicação vem em Deuteronômio 25, 13-15: “Não terás em tua bolsa dois tipos de peso: um pesado e outro leve. Não terás em tua casa dois tipos de medida: uma grande e outra pequena. Terás um peso íntegro e justo, medida íntegra e justa”.

No âmbito jurídico, o ditado “dois pesos e duas medidas” não deve ser aplicado. Todos os cidadãos devem ser tratados da mesma forma perante a justiça.

A expressão se refere a dois pesos e dois metros, - um mais leve ou mais curto que o outro, sendo ambos usados como se fosse o equivalente ao mesmo peso padrão - artimanhas de comerciante desonesto; e denuncia, a injustiça e desonestidade – do julgamento de atos semelhantes segundo critérios diversos, conforme seus autores sejam mais ou menos simpáticos a quem julga.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Perder para ganhar


É preciso aprender a perder, para não perder a alma no meio das decepções e o coração ante a dor. Transforme realidades. Antecipe-se às circunstâncias; seja inteligente. Não seja pessimista, tampouco um otimista exacerbado, mas, suficientemente inteligente para entender que perder faz parte do jogo da vida.

É preciso aprender a perder, para não viver iludido; boa e transformadora é a desilusão. Pense e repense. Julgue, reconsidere. Melhor acordar mo meio de um pesadelo do que permanecer envolvido num sonho sem sentido e depois acreditar que este, pode tornar-se útil.

É preciso aprender a perder, para não se perder de si mesmo. A vida é um grande labirinto, cheia de entradas e saídas, direitas e esquerdas. Redobre o cuidado, no meio da sanha de conquistar e alcançar, corremos o risco de amar coisas e usar as pessoas - às vezes a nós mesmos.

É preciso aprender a perder, antes que chegue a morte. Morrer é deixar de existir completamente do lado de cá do céu. Preocupe-se em viver, considerando que perder é parte do existir; uma aventura de caça ao tesouro. Só achamos o que perdemos. Recomeçar dói, mas é mais saboroso do que simplesmente começar.

É preciso aprender a perder, para experimentar sentimentos, viver sensações, desfrutar emoções. Chore. Sorria. Viva.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Foi por Amor


O capítulo Isaías 53 é um dos textos mais conhecidos da Bíblia, frequentemente chamado de "O Quarto Canto do Servo Sofredor".

Escrito centenas de anos antes do nascimento de Jesus, o texto descreve um servo que sofre vicariamente pelos pecados da humanidade [1, 2].

          ¹ Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor? Is. 53:1

O servo é descrito como alguém "desprezado e o mais rejeitado entre os homens", que não possuía beleza física para atrair os outros (v. 2-3).

Quem acreditou na mensagem? (a "nossa pregação") e a quem o poder e a revelação de Deus se mostraram?, profetizando o desprezo e a rejeição do Servo Sofredor (Jesus Cristo), que seria ferido por nossas transgressões e, apesar de não ter beleza aparente, realizaria a salvação.

A fé na pregação do evangelho é o caminho para que o "braço do Senhor" (seu poder salvador) se manifeste.

O "Servo Sofredor" em Isaías 53, especialmente no versículo 1, é uma figura profética central que, na teologia cristã, aponta para Jesus Cristo, descrevendo-o como o SERVO do SENHOR que SOFRERIA.

Aquele que seria rejeitado, sofreria e morreria para expiar os pecados da humanidade, carregando suas dores e enfermidades, e trazendo salvação e paz através de seu sacrifício vicário.

O Servo do Senhor que sofreria (v. 1-3) não teria beleza ou majestade para chamar atenção, sendo desprezado e rejeitado pelos homens, como alguém que não se encaixava nas expectativas humanas de poder e glória (O Messias, o Salvador, o Filho de Deus).

O seu sofrimento vicário (v. 4-6), está em que ele carregou as dores, enfermidades e pecados do povo, sendo moído pelas iniquidades alheias para que a humanidade recebesse paz e cura.

O ponto central é que ele carregou as dores e transgressões de terceiros. "Ele foi ferido por causa das nossas transgressões" e "pelas suas pisaduras fomos sarados" (v. 4-5).

Mesmo sendo justo, foi afligido e agredido, mas não abriu a boca para se defender, como um cordeiro mudo diante dos tosquiadores, aceitando passivamente seu destino (v. 7-9).

Diante da opressão, o servo não abriu a boca, sendo comparado a um cordeiro levado ao matadouro (v. 7).

Morreu como se fosse um criminoso (v. 8-10), mas foi sepultado com os ricos. Sua alma foi oferecida como expiação pelo pecado de todo aquele que nEle crê.

Após o sofrimento, o texto profetiza que ele verá o fruto de seu trabalho, justificará a muitos e será exaltado por Deus (v. 11-12).

Este capítulo relata a profecia detalhada da vida, paixão e morte de Jesus Cristo, sendo amplamente citado no Novo Testamento para explicar o significado da crucificação [1, 2].

A pergunta "Quem creu em nossa pregação?" (Isaías 53:1) é fundamental, pois aponta para a rejeição do Messias, que veio como um servo humilde e não como um rei glorioso, o que explica por que muitos não reconheceram Jesus.

O Novo Testamento faz referências diretas e indiretas a Isaías 53:1, aplicando-o a Jesus Cristo, especialmente em passagens como Romanos 10:16-17, onde Paulo cita a pergunta: "Senhor, quem creu em nossa pregação?", conectando-a com a fé em Cristo.

Paulo usa a pergunta de Isaías para mostrar que a fé vem da mensagem (o Evangelho) e que muitos não acreditaram nela, assim como não acreditaram no servo profetizado.

Em João 12:38, a mesma pergunta é citada para explicar a incredulidade de muitos em Jesus, cumprindo a profecia do servo sofredor que seria desprezado: "Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?".

Outros Exemplos de Referências:

Em Atos 8:32-33: Filipe explica o Evangelho a um etíope, lendo Isaías 53:7-8, que descreve o servo sendo levado ao matadouro e silenciado, relacionando isso diretamente ao sofrimento de Jesus.

Isaías 53 descreve um "Servo do Senhor" que sofreria, seria desprezado e levaria sobre si as iniquidades do povo, sendo ferido por suas transgressões, o que o Novo Testamento interpreta como Jesus Cristo.

A profecia de que "pelas suas pisaduras fomos sarados" e que Ele justificaria muitos é vista no Novo Testamento como o poder redentor da morte e ressurreição de Jesus.

1 Pedro 2:23-24, diz: - "Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se Àquele que exerce plena justiça em seu juízo. 24- Ele levou pessoalmente todos os nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e, então, pudéssemos viver para a justiça; por intermédio das suas feridas fostes curados.

A citação bíblica em 1 Pedro 2, conectam o sofrimento físico de Jesus na crucificação (as "pisaduras" ou "feridas") diretamente à justificação espiritual e redenção da humanidade.

A passagem enfatiza que o sacrifício de Jesus não foi apenas um evento histórico, mas um ato redentor com consequências diretas para a vida dos crentes, permitindo que eles "morrendo para os pecados, pudessem viver para a justiça". Ele carregou os pecados, não como um pecador, mas como um substituto pelos pecadores.

           ⁶ Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Is. 53:6

          "Afinal, vivíeis como ovelhas desgarradas, porém agora fostes convertidos ao Pastor e Bispo de vossas almas. (1 Pe. 2:25)

Pastor (Poimēn): Refere-se àquele que guia, protege e alimenta o rebanho. Indica o cuidado constante de Jesus em prover o que é necessário para a vida espiritual dos fiéis.

Bispo (Episkopos): Significa "guardião", "supervisor" ou "aquele que vigia". No contexto bíblico, descreve Jesus como aquele que vela e supervisiona o estado das nossas almas, garantindo que não nos percamos novamente.

Neste capítulo, Pedro está escrevendo para cristãos que enfrentavam sofrimentos e perseguições. Ele usa a metáfora da ovelha para mostrar que, antes de Cristo, estávamos sem rumo e proteção, mas através do sacrifício de Jesus (Pe. 2:21-24), fomos trazidos de volta para debaixo da autoridade e do cuidado amoroso de Deus.

João 3:16 é um dos versículos mais conhecidos da Bíblia, afirmando que "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna", por amor a mim e a você Deus prova o seu amor incondicional entregando o seu Filho Jesus Cristo, como sacrifício por nós, cumprindo a promessa da salvação e de vida eterna a todo aquele que nele crê. 

O amor de Deus por nós, em Isaías 53 se refere ao sacrifício de Jesus Cristo, o Messias, que tomou sobre Si as dores e transgressões da humanidade, sendo ferido e castigado por nós para trazer paz, cura e salvação, demonstrando um amor sacrificial e redentor.

O capítulo 53 descreve um Servo sofredor, desprezado e rejeitado, mas que, por amor, cumpre o propósito de Deus de expiar os pecados, sendo esmagado pelas nossas iniquidades para que possamos viver e brilhar Sua luz.

Isaías 53 faz referência ao Amor Sacrificial de Jesus por nós ao profetizar que: Ele se entregou em nosso lugar, um ato de amor supremo (Is. 53:5-6); Ele tomou sobre Si as enfermidades e dores que eram nossas (Is. 53:4); Seu castigo trouxe paz e Suas feridas (pisaduras) trouxeram cura (Is. 53:5); Ele foi moído por causa das nossas iniquidades, sendo o cordeiro ofertado em nosso resgate (Is. 53:5,7).

💢Autoria do Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira💢

"Alto Preço" - Asaph Borba


Pão da Vida - Pr. Claudio Claro - (Tabernáculo de Davi)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A doce missão de ser mãe



Nós estávamos sentadas almoçando, quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em ‘começar uma família’. ‘Nós estamos fazendo uma pesquisa’, ela diz, meio de brincadeira. ‘Você acha que eu deveria ter um bebê?’

‘Vai mudar a sua vida,’ eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

‘Eu sei,’ ela diz, ‘nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .’

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar: ‘E se tivesse sido o MEU filho?’ Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzi-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de ‘Mãe!’ fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald’s se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida — não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados. Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

‘Você jamais se arrependerá’, digo finalmente.

Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus… que é ser Mãe.’

(autoria desconhecida)

Pra sempre em Meu Coração - Cristina Mel

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Já escondi um AMOR



Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo,
já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo,
já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida,
já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono,
já fui dormir tão feliz,
ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos,
já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram,
já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho
tentando descobrir quem sou,
já tive tanta certeza de mim,
ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois,
já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava,
para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,
já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar,
já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns,
já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça,
apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz
para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais,
ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro,
hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer,
já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria
apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora,
quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite
fugindo de um pesadelo.
Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo"
e descobri que não eram...
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada
e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim,
porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou,
não me convidem a ser igual,
porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade,
não sei viver de mentiras,
não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das drogas mais poderosas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz
e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector