segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Petróleo: Independência Econômica do Brasil




Em “O Escândalo do Petróleo” (1936) Monteiro Lobato denuncia o jogo de interesses motivados pela extração do petróleo. Com isso, critica o envolvimento internacional das autoridades brasileiras.

Lobato revela os bastidores da campanha prol da exploração do petróleo em terras brasileiras. Animado com a experiência vitoriosa dos Estados Unidos, o escritor consultou especialistas, reuniu capital junto a pequenos investidores e fundou empresas de prospecção. Dedicou dez anos à tarefa de descobrir nosso óleo combustível, mas acabou derrotado pelos interesses de grupos estrangeiros apoiados pelo governo Vargas.

A verdadeira epopeia é resgatada nesse livro que tirou algumas edições de circulação entre 1936 e 1937, até sua proibição pela ditadura do Estado Novo e volta posterior com a abertura do regime.

Fechado o volume, Lobato tenta mostrar que a doutrina de Henry George baseada no “Imposto Único” sobre a terra improdutiva resolveria de uma só penada, os graves problemas do país. E tudo isso, diz ele, com vantagem de não alterar a ordem social, que permaneceria intacta, longe de uma revolução dos modos soviéticos, perspectivas assustadoras naqueles tempos de início da Guerra Fria.

Neste livro Lobato denunciou que o país estava escondendo seu próprio petróleo para atender ordens dos trustes americanos (Empresa Standard Oil), Lobato denuncia a omissão do Departamento Nacional de Produção Mineral acusando-o também de fraudar pesquisas que comprovavam que na terra tupiniquim havia petróleo em abundancia e também de haver empresas petrolíferas americanas por traz dos fraudes, critica de forma dura os "geólogos" Malamphy e Opphenheim de atender as demandas da Standard Oil e boicotar perfurações brasileiras no próprio território, aponta também que as leis, mesmo antes do Estado Novo 1937, já eram a favores da perpetuação do Brasil na compra de petróleo americano, sendo assim, não produzindo o seu próprio bem.

Preso no governo Vargas, Monteiro Lobato, nacionalista ferrenho, funda um dos maiores movimentos da história deste país "O petróleo é nosso" influenciando seu próprio algoz Getúlio Vargas que anos mais tarde fundou a Petrobrás, o Brasil entrava para história ao ser o segundo país do mundo independente da produção de Petróleo dos Estados Unidos, depois da União Soviética.

"Não perfurar e não deixar que se perfure”. Esta era a situação que Monteiro Lobato, o grande ativista de sua época sobre a exploração do petróleo, diagnosticou no Brasil. Ele simplesmente não admitia que num país de enormes dimensões, e num continente no qual as descobertas se multiplicavam, não houvesse um esforço para explorar a fonte de energia que substituía rapidamente o carvão naquela primeira metade de século 20. 

O livro O escândalo do petróleo deu origem às principais bandeiras do movimento da sociedade civil que viria anos depois contribuir para a criação da Petrobras. E é este texto, acrescido de Georgismo e comunismo, que a Editora Globo resgata, neste momento em que o Brasil – passadas sete décadas – se prepara para se tornar uma das maiores potências petrolíferas do planeta. 

O Escândalo do petróleo foi lançado originalmente em 1936, durante o primeiro mandato de Getúlio Vargas. Ele relata a aventura vivida pelo próprio escritor, que reuniu capital de pequenos investidores e tentou por dez anos encontrar petróleo no subsolo brasileiro. Por conta de sucessivos empecilhos do governo da época, as tentativas de prospecção acabaram frustradas. Mas, a repressão não se resumiu ao Lobato empresário e ativista; também o escritor acabou tendo seu texto proibido pela ditadura do Estado Novo em 1937, após o sucesso editorial do lançamento com algumas tiragens sendo vendidas rapidamente. Essa situação só iria se modificar com Vargas deixando o poder em 1945.

Já o texto Georgismo e comunismo, que compõe a edição da Globo, é de 1948. Nele o autor apresenta o pensamento econômico do norte-americano Henry George, como forma de promover avanços sociais numa democracia capitalista e assim evitar a ameaça comunista que havia se tornado realidade com a participação da União Soviética na vitória sobre as forças do Eixo na Segunda Guerra Mundial. A proposta de George tem como ponto principal a criação de um “imposto único” sobre a terra improdutiva. 

Nesses dois textos o leitor vai constatar como as reivindicações de Lobato são atuais. Afinal, os cenários mudaram, mas não os problemas que o Brasil continua enfrentando tanto tempo depois. E, à falta do homem público, restam seus textos cheios de coragem e esperança no futuro.

Uma visão sobre o autor e obra que quero aqui compartilhar...

Publicação
Tese: “Edição de textos fidedigna e anotada das cartas trocadas entre Monteiro Lobato e Charles Frankie (1934-1937): Edição e estudo da correspondência entre Monteiro Lobato, Charles Frankie e alguns companheiros da Campanha Petrolífera, como Edson de Carvalho”Autora: Kátia Nelsina Pereira ChiaradiaOrientadora: Marisa Philbert LajoloUnidade: Instituto de Estudos da Linguagem (IEL)

Poder, literatura e petróleo

Choveu petróleo no Sítio do Pica-Pau amarelo. E, sobre o poço, perfurado graças aos artifícios de quatro “Faz-de-conta”, foi inaugurada a placa com os dizeres: “Salve! Salve! Salve! Deste abençoado poço – Caraminguá nº 1, a 9 de agosto de 1938 saiu, num jato de petróleo, a independência econômica do Brasil”. Esse era o desejo de Monteiro Lobato que, sem poder lançar mão da fantasia, como faziam seus personagens, recorreu a outro poder: o de escrever livros e cartas e mais cartas e livros que influenciassem pessoas, antecipando, assim, o que uma tese de doutorado veio a concluir quase um século depois: que literatura também é poder.

Foi entre os anos de 1934 e 1937 que foram estreitadas as relações entre o escritor e o engenheiro do petróleo Karl Werner Frankie, suíço imigrado em 1920, que no Brasil mudou de nome, passando a ser “Charley Frankie” – também chamado de Charles pelos amigos. Nas 147 cartas que chegaram às mãos da pesquisadora Kátia Chiaradia, ele e Lobato falam de petróleo, poder e literatura. Professora e leitora das obras do escritor, apaixonada por O Poço do Visconde, ela sempre citava Lobato em suas aulas sem imaginar que o neto de Frankie ocupava uma das carteiras.

Professora, vou trazer para você umas cartas que temos em casa, que o meu avô trocava com Monteiro Lobato”. O impacto imediato do presente do aluno foram duas noites sem dormir. Depois vieram o mestrado, um capítulo de livro que ganhou o prêmio Jabuti, e a tese de doutorado “Edição de textos fidedigna e anotada das cartas trocadas entre Monteiro Lobato e Charles Frankie (1934-1937): Edição e estudo da correspondência entre Monteiro Lobato, Charles Frankie e alguns companheiros da Campanha Petrolífera, como Edson de Carvalho”.

Torre de petróleo do campo de Araquá;
no topo vê-se a sigla da Companhia Petróleos do Brasil (CPB)


Kátia estudou com afinco as 147 cartas, sendo 91 de Lobato para Frankie e 39 deste para o escritor, além de alguns documentos técnicos relacionados à exploração do petróleo no solo brasileiro. Como Frankie por vezes guardou cópias carbonadas de sua correspondência, houve a oportunidade de trabalhar não só com as cartas que Lobato enviara ao suíço, como também com as que este encaminhava a Lobato.

“Nessas cartas, Lobato, além de se familiarizar com alguns termos técnicos-geológicos da exploração petrolífera, faz críticas contundentes ao Código de Minas de 1934 e ao ‘atraso brasileiro’, protagonizando a história das primeiras companhias petrolíferas do Brasil”. É de Lobato a frase que serviu de slogan para a campanha do petróleo que resultou na criação da Petrobrás. “O petróleo é nosso” teria sido a última frase de uma derradeira entrevista concedida à rádio por Lobato, dois dias antes de morrer.

O escritor não foi só um ativista da causa do petróleo de solo brasileiro. Efetivamente trabalhou nas pesquisas para tentar encontrar o óleo negro no solo do país, oficialmente descoberto na Bahia, em 1939. Entre 1932 e 1937, Lobato fundou ou se filiou a três diferentes companhias de prospecção: Cia Petróleos do Brasil, Cia de Petróleo Nacional e Cia Mattogrossense de Petróleo. Também se associou à pesquisa da petrolífera Alliança Mineração e Petroleos LTD, a AMEP, um departamento da Companhia de Petróleo Nacional.

Charley W. Frankie em três momentos: em retrato, na Orquestra de Limeira em 1927 (segundo violinista, à esq.) e trabalhando na demarcação de terras (primeiro plano, à esq.)

As experiências vividas no embate de anos tentando provar que havia petróleo no Brasil e que, com a descoberta, o país poderia se tornar tão rico quanto os Estados Unidos, foram compartilhadas ou serviram de inspiração para suas obras. Escreveu o livro O Escândalo do Petróleo, prosa sócio-política lançada em 1936 e que teve 20 mil exemplares esgotados em apenas 5 meses. Antes, redigiu diversos artigos para jornais sobre o assunto e traduziu e prefaciou A Luta pelo Petróleo, de Essad Bey, de 1935, juntamente com o amigo Charley Frankie. Sua “saga” em defesa do ouro negro culminou na obra O Poço do Visconde, de 1937, décimo volume da série “obras completas” de ficção para crianças.

Nas cartas que os amigos trocaram é possível identificar menções a livros e leituras, seja na parceria da tradução ou na organização e compilação de O Escândalo do Petróleo, afirma Kátia. “De ‘Prezado’, da primeira carta de Lobato a Frankie, a ‘Amigo Frankie’, em poucos dias: a relação durou, ao menos, três anos – no petróleo, nos livros, nos bastidores políticos”, afirma a autora.

Era uma preocupação de ambos o fato de engenheiros ligados à empresa norte-americana Standart Oil atestarem para o governo brasileiro que não havia petróleo no Brasil. “Lobato ficou conhecido como o ‘pai’ da Petrobrás, porque sempre foi contra a pesquisa americana no Brasil”. Kátia desconstrói a tese de que Lobato era a favor da estatização, da exploração pelo Estado brasileiro. “Ele era a favor da iniciativa privada e tinha intenção de fazer uma parceria com a empresa alemã ELBOF à qual Frankie também era ligado, como representante técnico”.


A pesquisadora Kátia Nelsina Pereira Chiaradia, autora da tese: “Lobato dedicava-se visceralmente aos ‘bastidores do petróleo’, por meio de intensa troca de cartas, buscando os mais diversos arranjos políticos e comerciais

Para Lobato, o comportamento da Standart Oil era o mesmo de um “Octopus” ou polvo, disfarçando-se em empresas ou órgãos nacionais para, quando fosse interessante, prender sua vítima, ou seja, os petroleiros brasileiros, até a morte.

No livro O Escândalo do Petróleo, porém, o escritor toma o cuidado de não deixar claro que se tratava da empresa. O assunto é tratado em uma das cartas a Frankie: “Não podemos acusar a Standard. Sabemos que no fundo de tudo está o Octopus, mas, em vez de falar em Standard, temos de dizer os Interesses Ocultos”, escreve Lobato.

A campanha do petróleo se confunde com a ficção. A correspondência ainda adverte, por exemplo, para os riscos de morte a que seu sócio na Companhia Petróleo Nacional, Edson de Carvalho, estaria sujeito. Segundo Kátia, Lobato retoma com Frankie duas mortes ligadas à campanha que ele afirma categoricamente que devem ser tratadas como “eliminação”. Ao abordar o assunto em seu livro, usa de ironia e apassiva os verbos. Um “foi morrido” e o outro “suicidado”.

“A empreitada apaixonada rendeu-lhe frutos extremos: de um lado, seria o grande responsável por levar a público três obras da literatura, recordistas de tiragem e referências sobre a saga do petróleo. No outro extremo, contudo, sua atuação colocou-o em choque com o governo de Getúlio Vargas, o que o levou à prisão”, descreve a autora.

Livros de Monteiro Lobato e outro prefaciado por ele sobre petróleo:
autora da tese revela conexão entre as cartas e os conteúdos das obras

Morri um bom pedaço na alma”, desabafou Lobato em 1941 depois de ter passado seis meses atrás das grades na ditadura do Estado Novo. “A relação entre Getúlio Vargas e Monteiro Lobato desenrolou-se de maneira bastante irregular, alternando momentos de aparente concordância ideológica com divergências extremas”.

Na carta que levou Monteiro Lobato à prisão o escritor ressaltava a “displicência do Sr. Presidente da República, em face da questão do petróleo no Brasil, permitindo que o Conselho Nacional de Petróleo retarde a criação da grande indústria petroleira em nosso país, para servir, única e exclusivamente, os interesses do truste Standard-Royal Dutch”, relata a autora da tese em uma das notas de rodapé do trabalho.

Kátia fez uma série de notas de rodapé à íntegra das cartas publicadas em seu doutorado. Nelas, a pesquisadora trata do contexto político, das perfurações e companhias petrolíferas brasileiras, dos “interesses estrangeiros” no Brasil, da relação pessoal entre Lobato e seus interlocutores, entre outros temas.

A relação entre trechos das cartas com a ficção lobatiana já havia sido mostrada na dissertação de mestrado de Kátia, quando ela analisou e comparou 16 cartas trocadas com Charles Frankie e O Poço do Visconde. “Lobato escreveu inspirado no que eles viviam nos poços que perfuravam”.

Na história infantil, para se iniciarem os trabalhos de campo, por exemplo, não bastava a vontade de Pedrinho. Foram chamados dois “experientes” técnicos estrangeiros: Mr. Kalamazoo e Mr. Champignon. “Estes podem ser lidos, talvez, como duplos ficcionais de J. W. Winter, engenheiro alemão e Frankie, que respondiam pelas perfurações de duas companhias de Lobato”. Na ficção, prossegue a autora em sua análise, os técnicos eram norte-americanos, “o que levantou fortíssimas suspeitas de Quindim que, tal qual Lobato, jamais confiara nos estudos desenvolvidos sob encomenda do governo brasileiro”.

Foi no doutorado somente que Kátia trabalhou com todas as cartas, transformando-as para a edição e acrescentando as notas de rodapé. “Também percebi o quanto da correspondência está em O Escândalo do Petróleo. Muita gente se pergunta de onde veio essa criatividade, do Lobato, como ele havia tido essa ideia. Foi da vida real mesmo. Quando ele teve um problema com um perfurador, por exemplo, lemos a mesma história no O Poço do Visconde: o técnico americano que chegou e sabotou o poço da Dona Benta.”

Rede de influências
Para a autora, a análise das cartas também expõe uma vasta discussão entre os correspondentes sobre as implicações políticas de um livro e “em especial”, sobre a força da literatura de Lobato na defesa “da causa”, como eles diziam. Lobato e Frankie citam muitas personalidades do cenário político-histórico nacional, a ponto de tornar-se necessária e complementar ao trabalho a confecção de um índice onomástico no final da publicação, com os nomes de todos as pessoas citadas nas cartas que compõem o que a pesquisadora considera uma verdadeira rede de influências construída pelo escritor.

“Lobato dedicava-se visceralmente aos ‘bastidores do petróleo’, por meio de intensa troca de cartas, buscando os mais diversos arranjos políticos e comerciais. O que não está claro nos livros, mas conseguimos perceber pela leitura das cartas, é como Lobato fazia parte do cenário político da época, como era ouvido, como era alguém que estava em todos os ambientes, tinha ‘ouvidos’ em todos os ambientes e como usava a literatura porque ele era conhecido não por ser um perfurador, mas por ser um grande escritor”, ressalta Kátia.

Perceber o tamanho da rede de influências de Lobato é uma das contribuições da tese que a pesquisadora considera mais importante. “De Getúlio Vargas até o perfurador do poço, passando por Armando de Salles Oliveira, engenheiro e político brasileiro, fundador da USP, foi uma rede construída a partir da literatura, que mostra como a literatura é capaz de construir um terreno político”.

Na sequência: telegrama de Monteiro Lobato para Frankie, em 1935;
carta do escritor ao engenheiro, em 1936; carta do suíço a Lobato, de 1937,
com desenho de sonda do campo de petróleo de Araquá

Unicamp abriga acervo do escritor

O livro de receitas de Dona Purezinha era diferente de qualquer livro de receitas que se tem conhecimento. O biscoitinho de araruta era adjetivado de “manhoso” e, além do modo de fazer, recomendava um modo de comer: “assa-se, come-se e repete-se”, brincava seu escriba Monteiro Lobato, marido de Maria Pureza da Natividade de Souza e Castro. Lobato provavelmente ajudava a mulher a “passar a limpo” seus cadernos de receita, acrescentando pitadas de literatura.

Essas e outras preciosidades da intimidade do escritor estão em documentos guardados no Cedae (Centro de Documentação Alexandre Eulálio), do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp. O local também guarda parte da história do amigo estrangeiro com quem Lobato trocava as cartas estudadas por Kátia Chiaradia.

De Lobato há no Cedae a chamada Bi-blioteca Lobatiana, uma grande coleção com mais de 300 impressos, doada pela então mestranda em Teoria e História Literária no IEL Cilza Carla Bignotto, também orientada pela professora Marisa Lajolo. Cilza localizou em Santos uma coleção de livros, folhetos e periódicos de e sobre Monteiro Lobato. Adquiriu o conjunto com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e, quando terminou a pesquisa, em 1999, fez a doação do material para a Unicamp.

Trata-se de uma coleção temática que abrange ainda material publicado por uma de suas editoras e objetos como selos, estojo infantil e até curativos adesivos com os personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Foi a partir de uma exposição dessa coleção que a família do escritor decidiu doar para o Cedae o Fundo Monteiro Lobato, com documentos que se referem à vida pessoal e profissional do escritor.

O Fundo inclui documentos pessoais e correspondências, inclusive as trocadas com Dona Purezinha durante o período de namoro. “A última carta dessa correspondência traz o convite de casamento”, conta a diretora técnica do Cedae, Flávia Carneiro Leão. O arquivo também é composto por livros, manuscritos e datiloscritos de contos, crônicas e traduções, além de desenhos, aquarelas e fotografias de autoria de Lobato.

Há no Fundo um ‘núcleo’ da intimidade de Lobato que inclui, entre outros documentos, a correspondência amorosa e também uma coleção de fotografias que ele fez da neta e que mostram o olhar desse avô para sua neta que devia ser muito querida por ele”, acrescenta Flávia.

Homem comum

Quando o conjunto de cartas trocadas por Frankie e Lobato chegou ao Cedae, surgiu esse novo personagem, desconhecido, mas também fascinante. Quem seria o engenheiro de petróleo suíço, que se tornou amigo de um dos maiores escritores do país? “Ficamos surpresos com o montante considerável de cartas trocadas por Lobato com alguém desconhecido como o Charley Frankie, e mais ainda que na correspondência também havia discussões sobre literatura”, ressalta Flávia.

A diretora comenta que houve a necessidade de conversar com a família do suíço para melhor identificar o material. Chegaram a uma filha, moradora de Holambra, avó do garoto que havia entregue as cartas a Katia Chiaradia. “Tivemos acesso à certidão de nascimento dele, informações sobre sua vinda para o Brasil, as relações familiares, viagens que ele fez, mapas que desenhou, enfim, conseguimos reunir a documentação que hoje, organizada, ampliou a relevância deste conjunto documental para além do mero correspondente do Lobato.

Pela primeira vez na história do Cedae uma pessoa desconhecida teve sua trajetória preservada. “Quando elegemos aqueles que terão um acervo preservado, pessoas que ficarão para a posteridade, geralmente essa escolha recai sobre os grandes nomes. Mas é preciso preservar também a memória do homem comum. Neste sentido, a documentação de Charley Frankie difere dos demais arquivos do Cedae por contar a trajetória de um imigrante que, saído do Cantão suíço, veio parar no Brasil e se embrenhou pelo interior, no meio da floresta, fazendo trabalhos de geologia; e que discute com Lobato questões de engenharia e literatura”.

Este imigrante possivelmente fugia da Primeira Guerra e certamente de uma Europa em crise e, no Brasil, casa-se, toca em uma orquestra, troca muitas cartas com a filha, ainda criança, e vai passar seus últimos anos em Mato Grosso do Sul, falecendo em Corumbá, em 1968, aos 74 anos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Jesus: o Coach


A palavra Coaching tem origem na língua inglesa (Coach) e significa “treinamento”. O termo Coaching foi utilizado a primeira vez em Kócs, na Hungria, para designar uma carruagem de quatro rodas.

No século XVIII, os nobres universitários da Inglaterra iam para as aulas em carruagens conduzidas por homens chamados de Coacher. Por volta de 1830, o termo coach passou a ser utilizado na Universidade de Oxford como sinônimo de “tutor particular”, aquele que “carrega”, “conduz” e “prepara” os estudantes para seus exames.

Em 1831 o termo Coaching foi usado no âmbito dos esportes.

Em 1950, o termo foi usado na literatura de negócios, como habilidade de gerenciamento de pessoas.

Jesus: o coach: - refere-se à aplicação de técnicas de coaching de vida e liderança com base nos ensinamentos e exemplos de Jesus Cristo.

Essa abordagem vê Jesus como um "coach" que motivava, orientava e ajudava as pessoas a alcançarem seu potencial, usando princípios bíblicos para o sucesso.

Jesus o Coach - Jesus Fonte de Inspiração

A vida e ensinamentos de Jesus trazem modelos de liderança, comunicação, organização, disciplina, e da visão estratégica no gerenciamento de pessoas e recursos, exemplos práticos que podem ser aplicados a desafios modernos.

Livros como "Jesus Coach", de Laurie Beth Jones, popularizaram a ideia de Jesus como o maior coach, ensinando com sabedoria e estratégia.

Jesus utilizava Parábolas como metodologia de treinamento de seus discípulos, como na Parábola do Semeador, referida nos três Evangelhos Mateus 13:1-9; Marcos 4:3-9; Lucas 8:4-8.

Trata-se de uma parábola autoexplicativa. A Parábola do Semeador, em si, é simples. Entender abrange todo o seu significado:

"E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo de todas as cidades ter com ele, disse por parábola: Um semeador saiu a semear a sua semente e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram; E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade; E outra caiu entre espinhos e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram; E outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto, a cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam. Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus; E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo; E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas creem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam; E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição; E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança". (Lucas 8:4-15).

A Parábola e sua Interpretação "Coach"

Na parábola original, a semente é a Palavra de Deus (ou a mensagem do Reino) e o semeador é Deus ou seus mensageiros. Os diferentes tipos de solo (caminho, pedregal, espinhos e boa terra) representam as variadas condições do coração humano e como as pessoas recebem — ou não — essa mensagem.

A perspectiva de "Jesus o Coach" tipicamente aplica esses elementos a conceitos de autoajuda e psicologia:

O Semeador saiu a semear (trabalho/foco/empenho/dedicação), para alcançar seus objetivos (disseminar, distribuir a semente (alimento físico e espiritual / colher o fruto - resultado), era necessário lançar a semente em todos os tipos de solo (oportunidade) e confiar que o resultado dependia da ACEITAÇÃO da Semente (ouvir e crer, obedecer, testificar). 

Semente: (Palavra de Deus/Bíblia) - Representa os ensinamentos que dão origem as ideias; que faz identificar as oportunidades, elaborar projetos, buscar, encontrar e viver os propósitos de vida.

Solo (Coração/Mente): É a condição do indivíduo, sua mentalidade e ambiente, que determinam se essas ideias ou propósitos vão prosperar.

Resultados: A parábola ilustra que o potencial de sucesso depende inteiramente da preparação e abertura do "solo interior" do ouvinte.

Quatro Tipos de "Solo" (Condições Mentais/Comportamentais)

1. À beira do caminho:

Pessoas que ouvem a mensagem, mas não a entendem ou a ignoram imediatamente, e a ideia é rapidamente "arrancada" ou esquecida (falta de atenção/interesse).

2. Lugares pedregosos:

Indivíduos que recebem a ideia com entusiasmo inicial, mas não têm profundidade nem raízes para suportar dificuldades ou críticas, desistindo ao primeiro desafio (falta de resiliência/perseverança).

3. Entre os espinhos:

Pessoas que aceitam a ideia, mas permitem que as preocupações da vida, as riquezas ou os prazeres a sufoquem, impedindo o crescimento sustentável (falta de prioridade/foco).

4. Boa terra:

Aqueles que ouvem a mensagem, a entendem, a acolhem e produzem frutos abundantes (receptividade, dedicação e ação).

"Jesus o Coach" - embora o "semeador" (o coach, mentor ou a vida) distribua oportunidades de forma igual, a responsabilidade pelo resultado é do "solo" — ou seja, do próprio indivíduo e de sua capacidade de preparar seu coração e mente para o crescimento.


Em Jesus coach (Laurie Beth Jones), lançado pela editora Mundo Cristão, em 2005 _____ a autora mostra que Jesus foi o melhor coach que já existiu.

Você deve estar se perguntando: o que é coach? Coach significa em técnico em inglês, mas não significa apenas isso, também se refere àquele oferece instrução particular, ensino e supervisão em outras áreas de atividade. E nesse quesito Jesus foi muito hábil e eficiente.

Sinopse do livro Jesus coach

Segundo o conceituadíssimo dicionário Webster´s da língua inglesa, a definição de coaching não se resume ao trabalho de um treinador de equipes esportivas, como muita gente acredita. A palavra também se refere à pessoa que oferece instrução particular, ensino e supervisão em outras áreas de atividade. E nestes quesitos, ninguém jamais foi tão hábil e eficiente quanto Jesus Cristo. O Mestre dos mestres sabia aconselhar, exortar, motivar e orientar seus discípulos, tudo sempre no tempo certo e da maneira mais adequada.

Em Jesus coach, Laurie Beth Jones recorre aos relatos bíblicos para revelar que os princípios utilizados pelo Filho de Deus com seus colaboradores prenunciavam o que dois mil anos mais tarde passaria a ser conhecido como life coaching. A consagrada autora de Jesus CEO – livro que freqüentou por mais de um ano a lista dos mais vendidos da revista Business Week – também mostra que a aplicação de tais conceitos à atividade executiva vem obtendo resultados efetivos, tanto nas grandes corporações quanto em pequenas empresas.

Laurie desafia o leitor a tornar o Filho de Deus o grande Coach de sua vida.

No que se refere ao life coaching, Laurie Beth Jones é reconhecida como verdadeira autoridade – para muitos, a maior da atualidade. Consultora de dezenas de empresas e organizações norte-americanas, ela dirige o projeto Path (Caminho), cujo programa é aplicado em diversas corporações multinacionais, na Academia Naval em Annapolis (Maryland) e até entre congressistas.

Seus conhecimentos e sua expertise a levaram aos principais veículos de comunicação dos Estados Unidos e já alcançaram outros países, inclusive o Brasil, onde passou a ser conhecida com a publicação de Jesus CEO (Ediouro), o mais famoso de seus best sellers.

Com o lançamento de Jesus coach pela Editora Mundo Cristão, Laurie Beth Jones consagra em nosso país seu estilo prático, leve e objetivo de comunicar princípios espirituais milenares, mas ainda hoje capazes de promover o desenvolvimento do caráter, renovar a motivação e conduzir à realização pessoal.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Manancial de Águas Vivas


Em Jeremias 2:6-13, Deus acusa Israel de infidelidade, relembrando como eles abandonaram a Deus o "manancial de águas vivas" para seguirem "ídolos sem valor", tornando-se eles mesmos sem valor, ao cavarem, para si, "cisternas rotas" que não retêm água.

Deixaram de buscar e servir a Deus, a verdadeira fonte de vida, demostrando ingratidão e idolatria, agindo como se desconhecessem que Deus os havia tirado da situação de escravos no Egito e os guiado pelo deserto até a Terra Prometida, Canaã, cumprindo a promessa feita aos patriarcas: conquistas e divisão de terras férteis as doze tribos de Israel.


1 - A palavra do Senhor veio a mim: 2 ― Vá proclamar aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: “Assim diz o Senhor: “ ‘Eu me lembro da sua fidelidade quando você era jovem: como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada. 3 - Israel, o meu povo, era santo para o Senhor, os primeiros frutos da sua colheita; todos os que o devoravam eram considerados culpados, e a desgraça os alcançava’ ”, declara o Senhor. 4 - Ouça a palavra do Senhor, ó povo de Jacó, todos os clãs do povo de Israel. 5 - Assim diz o Senhor: “Que falta os seus antepassados encontraram em mim, para que me deixassem e se afastassem de mim? Eles seguiram ídolos inúteis, tornando‑se eles mesmos inúteis6 - Eles não perguntaram: ‘Onde está o Senhor, que nos trouxe da terra do Egito e que nos conduziu pelo deserto, por uma terra árida e cheia de covas, por terra seca e de densas trevas, terra pela qual ninguém passa e onde ninguém vive?’. 7 - Eu trouxe vocês a uma terra fértil, para que comessem dos seus frutos e dos seus bons produtos. Entretanto, vocês entraram na minha terra e a contaminaram e tornaram a minha herança detestável. 8 - Os sacerdotes não perguntavam: ‘Onde está o Senhor?’. Os que tratavam da lei não me conheciam; os líderes do povo se rebelaram contra mim. Os profetas profetizavam em nome de Baal, seguindo deuses inúteis. 9 - “Por isso, eu ainda faço denúncias contra vocês”, declara o Senhor, “e farei denúncias contra os seus descendentes. 10 - Atravessem o mar até o litoral de Chipre e vejam; mandem mensageiros a Quedar e reparem de perto; vejam se alguma vez aconteceu algo assim: 11 - alguma nação já trocou os seus deuses, apesar de eles nem sequer serem deuses? O meu povo, porém, trocou a sua Glória por deuses inúteis. 12 - Espantem‑se diante disso, ó céus! Fiquem horrorizados e abismados”, declara o Senhor. 13 - “O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva, e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água. 14 - Acaso Israel, o meu povo, é servo? O meu povo nasceu escravo? Por que, então, se tornou presa? - Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional®, NVI®© 1993, 2000, 2011, 2023 por Biblica, Inc.

Resumo da Passagem (Jeremias 2:6-13)

Deus pergunta: Que mal encontraram em mim, seus antepassados, para me deixarem e se afastarem?

Eles seguiram a vaidade (ídolos): Tornaram-se eles próprios vãos, sem valor, adorando o que não tem substância.

Deus os tirou do Egito: Ele os tirou da escravidão, os guiou pelo deserto e os levou para uma terra fértil, mas eles o desprezaram.

O povo cometeu dois males:
  1. abandonaram a Deus, a fonte de água viva;
  2. cavaram suas próprias cisternas, que são rachadas e não retêm água.

É uma metáfora para rejeitar a Deus (a verdadeira fonte de sustento e vida) e buscar soluções e segurança em sistemas humanos vazios e falhos (ídolos, outros deuses).

Deus chama Seu povo à reflexão, questionando a razão de sua infidelidade. A passagem destaca a ingratidão de Israel por trocar o relacionamento com o Deus que os salvou por ídolos inúteis, um ato de autodestruição espiritual, pois abandonaram a única fonte de verdadeira vida e satisfação.



Jeremias 2:13 no Antigo Testamento fala de Deus como a "fonte de água viva" que o povo de Israel abandonou para cavar cisternas rachadas, simbolizando a busca por satisfação em ídolos e caminhos próprios em vez de Deus, que é a verdadeira fonte de vida.

No Novo Testamento, Jesus se identifica com essa "água viva" (João 4:10-14; João 7:37-38), oferecendo a si mesmo como a fonte que sacia a sede espiritual eterna, o que é a realização plena do que Jeremias profetizou, sendo Ele a personificação da presença e da vida de Deus.

Jeremias 2:13 - Contexto:

Deus acusa Seu povo por dois grandes pecados: tê-Lo abandonado (a fonte de água viva) e ter construído cisternas (soluções humanas e falhas) para si mesmos, que não retêm água.

A "fonte de água viva" é Deus, que oferece vida abundante e perene. As "cisternas rachadas" são as religiões, filosofias, ídolos ou bens materiais que as pessoas buscam, mas que não conseguem saciar a sede espiritual verdadeira.

Jesus e a Água Viva - Identificação: Jesus, no Evangelho de João, usa a metáfora da água viva para se apresentar como a fonte definitiva. Na conversa com a mulher samaritana (João 4:10-14) e no último dia da Festa dos Tabernáculos (João 7:37-38), Ele declara que quem beber da água que Ele dá nunca mais terá sede e que rios de água viva fluirão de dentro dos que creem nEle.

Jesus é a personificação da "fonte de água viva" mencionada por Jeremias. Ele não é apenas quem aponta para a fonte, mas Ele é a própria fonte, o Espírito Santo que jorra vida eterna, cumprindo a mensagem do profeta.

Jeremias aponta para Deus como a fonte da vida. Jesus se revela como essa fonte, prometendo e oferecendo a vida abundante que o povo de Israel, e toda a humanidade, buscava em lugares errados, tornando-se Ele mesmo o manancial que sacia a sede da alma.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

EU, ETIQUETA



EU, ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comparo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar
cada vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.


ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6.
Lisboa: Publicações Europa-América, 1989.