Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.
Os apóstolos contaram a Jesus tudo o que havia sucedido a João Batista, seu precursor. O que ele tinha feito e ensinado. E, de como o rei Herodes havia mandado o prender e degolar no cárcere. E, que os discípulos de João haviam colocado o seu corpo num sepulcro. Jesus ouvindo isto, chamou-os para se retirarem a um lugar deserto, apartado da multidão, para descansarem porque havia muitos que iam e vinham e não tinham tempo nem mesmo para comer (Mt. 14:6-13; Mc 6:31).
Jesus e os discípulos estavam em um lugar deserto. E, uma grande multidão os seguiu.Mateus 14:16, diz que Jesus vendo aquela multidão, movido pela compaixão curou os enfermos. Marcos 6:34 diz que movido pela compaixão Jesus ensinou a multidão, pois "eram como ovelhas sem pastor".
Os discípulos sugeriram a Jesus que a multidão fosse dispensada para comprar comida, pois o local era deserto e a hora já era avançada (Mt 14:13-22). Jesus instruiu os discípulos a alimentar a multidão.
1. A Primeira Multiplicação (Mt. 14:13-22; Mc 6:30-44):
A multidão estava faminta. Jesus ordenou que a multidão fosse organizada, sentada em100 grupos de 50, para distribuição eficiente e garantia de que ninguém ficaria sem receber o alimento. E, tomando os 5 pães e 2 peixes, olhou para o céu, deu graças e os partiu,distribuindo-os aos discípulos, que os entregaramà multidão.
Todos comeram e ficaram satisfeitos. Aproximadamente 5 mil homens foram alimentados, sem contar mulheres e crianças. Foram recolhidos 12 cestos cheios de pedaços que sobraram. Na Bíblia, o número 12 simboliza totalidade, ordem divina, plenitude.
2. A Segunda Multiplicação (Mt. 15:32-39; Mc 8:1-9):
Outra grande multidão estava com Jesus a três dias, e não tinham o que comer. Jesus, compadecido, perguntou aos discípulos quantos pães tinham. Eles responderam: 7 pães e alguns peixinhos. Tomou os pães e peixes,dando graça os partiu dando aos discípulos e estes a multidão. Naquele dia, alimentaram cerca de 4.000 homens, e sobraram 7 cestos cheios de pedaços.
O milagre decorreu da compaixão de Jesus, que não queria que ninguém se sentisse mal, enfraquecido, ou mesmo que desmaiasse de fome no caminho de volta para suas casas, evidenciando o cuidado de Jesus com a multidão e a organização na distribuição do alimento.
A multiplicação dos pães é um evento central nos Evangelhos, sendo um dos milagres mais recorrentes e significativos, com duas ocorrências principais. APrimeira Multiplicação (5 pães, 2 peixes) é citada em Mateus 14:13-21; Marcos 6:30-44; Lucas 9:10-17; João 6:1-14. A Segunda Multiplicação (7 pães, poucos peixes) é citada apenas em Mateus 15:32-39 e Marcos 8:1-9.
Mateus e Marcos relatam as duas multiplicações de pães e peixes, em um contexto de novo êxodo e de um sinal messiânico. Os eventos são milagres de provisão espiritual e física. Os dois evangelhos destacam a capacidade de Jesus em suprir a necessidade física de multidões famintas, mesmo com poucos recursos (pão e peixe).
Lucas 9:10-17 descreve o milagre de Jesus na multiplicação dos pães e peixes aos 5 mil, destacando a importância da generosidade e da partilha e da provisão divina em suprir as necessidades físicas e espirituais da multidão, como um evento chave no ministério de Jesus, pois antecede a sua revelação como o Cristo, um sinal público de Sua autoridade e poder como Messias.
João 6:1-15 -é mais profundo sobre o tema damultiplicação dos pães e peixes, e relata queJesus estava na margem do Mar da Galileia, quando uma grande multidão o seguiu. Tendo compaixão, Jesus as ensinou e curou os enfermos e vendo que a multidão estava faminta perguntou a Filipe onde comprar pão para a multidão, testando-o. Filipe calcula que nem 200 denários (muito dinheiro) bastariam.
André apresentou um menino a Jesus: ⁹ Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?¹⁰ E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. ¹¹ E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. ¹² E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.¹³ Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.
Os milagres de cura dos enfermos e de multiplicação de pão e peixe reforçaram a ideia de fartura e poder em suprir necessidades. A Páscoa estava próxima, o que gerou expectativa messiânica. A multidão reconhecendo que Jesus era o profeta esperado, quis proclamá-lo rei, mas Jesus se afastou, retirando-se.
A multidão estava no deserto, longe de casa e ouvindo ensinamentos espirituais quando presenciaram a cura de enfermos. Também estava faminta quando presenciou a multiplicação de pães e peixes. E, cada um dos discípulos com um cesto distribuindo alimento. Era muito milagre, no mesmo dia. Imagino a euforia daquela multidão. Curiosa questiono: " ...e as pessoas famintas das fileiras da frente e das fileiras de trás, de cada grupo o que fizeram durante a distribuição do alimento? E, respondo: - Apenas, esperaram, a sua vez de receber o alimento.
Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.
Os milagres da multiplicação, apontaram para o discurso posterior de Jesus em João 6:32-58 - quando Ele declarou a multidão que Ele era o verdadeiro "Pão da Vida" que desceu do céu, para garantir a vida eterna aquele que crê, uma provisão muito maior que o maná no deserto, pois os milagres eram sinal da vinda do Messias, esperado, que traria libertação e abundância.
Diferente do alimento físico que depois saciada a pessoa volta a ter fome, ao receber o verdadeiro pão vivo que desceu do céu para salvar, a pessoa nunca mais teria fome e sede espiritual.
Os discípulos, intermediários na distribuição do alimento (pão e peixe) a multidão no deserto, ilustraram a missão dada aos seguidores de Jesus, responsáveis em levar o "pão da vida" a toda criatura, até os confins da terra (IDE).
Em outros livros, a referência é mais temática e de alusão, conectando Jesus ao novo Moisés que provê o "pão da vida" (João 6), remetendo ao Antigo Testamento fazendo paralelos com a provisão de Deus no deserto ao maná do Êxodo (maná e codornizes), conforme Deuteronômio 18:15, simbolizando a provisão divina.
As chamadas Cartas Paulinas, embora não narrem o evento da multiplicação de pães e peixes, os conceitos de Jesus como pão, o corpo de Cristo e a partilha estão presentes, com ecos da multiplicação (1 Coríntios 10:16-17).
João 21:6,11 - relata que era terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, após sua ressurreição. Após uma noite em que eles conseguiram pescar nada, Jesus surgiu na praia pela manhã e lhes disse:"...lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar pelamultidão dos peixes"; e, foram153 grandes peixes.
Jesus preparou o jantar aos discípulos, enquanto estes ainda estavam pescando. E, tão logo estes retornam a terra encontram uma fogueira acesa, peixe e pão, simbolizando sustento físico e espiritual, representado na restauração de Pedro, no cuidado contínuo de Jesus e na comunhão dEle com os seus seguidores (Jo. 21:9-15). ¹³ Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. João 21:13.
No Início da Igreja (Atos 2:42-47; Atos 20:7) os primeiros cristãos perseveraram na doutrina dos apóstolos, na comunhão (se reuniam diariamente no templo), no "partir do pão", e nas orações. Em casa, "partiam o pão" e comiam juntos suas refeições com alegria e singeleza de coração.
Em Troas (Atos 20:7) no primeiro dia da semana, os discípulos se reuniram para "partir o pão", e Paulo pregou até a meia-noite, indicando que este ato era um momento central da adoração e da fé cristã.
A expressão "partir o pão" evoluiu das refeições comunitárias diárias dos primeiros cristãos, um ato de comunhão e memória de Cristo - para o entendimento da Ceia do Senhor, uma celebração instituída por Jesus para lembrar seu corpo (pão) e sangue (vinho), uma prática fundamental da igreja primitiva.
Os primeiros cristãos receberam o Reino de Deus. Receberam o Pão da Vida. Receberam a salvação. Receberam a confirmação da comunhão e do batismo. Receberam o poder do Espírito Santo para testemunhar "...tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra", conforme Atos 1:8.
E, assim quando perguntam entre as nações: "...e, as pessoas famintas próximas as multidões saciadas no deserto, por Jesus; e, as pessoas famintas próximas aos primeiros cristãos e dos depois destes... A resposta é: - Foram alimentadas.
Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.
Aproximadamente, 2 mil anos se passaram desde a 1ª e 2ª multiplicação de pão e peixe, quando dez mil pessoas que seguiam a Jesus pelo deserto, receberam alimento (físico e espiritual) e foram saciadas. Desde que os primeiros cristãos que seguiam as doutrinas dos apóstolos na comunhão e no "partir do pão",receberam alimento (físico e espiritual) e foram saciados.
Agora o questionamento é: "..e as pessoas famintas que não estavam junto as multidões no deserto? E, as pessoas famintas que não estavam entre os primeiros cristãos?"
John Wesley (fundador metodista) disse: "O mundo é a minha própria paróquia". A frase expressa seu chamado missionário para levar o Evangelho a todos, sem se limitar a quatro paredes. Sua missão não tinha fronteiras geográficas ou institucionais, abrangia todo o globo. Cada canto do mundo (lar, trabalho, rua, locais públicos) era um local para viver e anunciar o Evangelho, demonstrando fé viva e ativa, que serve (alimenta) a humanidade onde quer que ela esteja.
Outros agem como se dissessem "Minha paróquia. Meu mundo". Nada enxergam além das paredes de sua própria igreja. Serve à Deus e ao próximo, apenas ministrando (distribuindo/servindo) o alimento espiritual às mesmas pessoas domingo após domingo.
A igreja recebe o alimento de domingo à domingo. Encontra-se saciada, plena. Sem nada repartir (evangelismo, missões), sem compartilhar (IDE), e recebendo sempre mais alimentação, o que tem retido, recebe ainda mais e transborda. Nada recolhe para apresentar (testemunho) do que tem e lhe sobeja (excede o necessário), desperdiçando o alimento.
Para distribuição do alimento espiritual, entre outras coisas, é necessário seguir o exemplo:
1- de Jesus ao "partir do pão e do peixe", as multidões, no deserto (compaixão, ensino da Palavra, prover o alimento físico e espiritual...);
2 - dos apóstolos ao "partir do pão" aos primeiros cristãos (promover a sã doutrina, comunhão...);
3 - dos primeiros cristãos que receberam e testemunharam Jesus como o "Pão da Vida" (Servir e Adorar a Deus; aceitar e crer em Jesus Cristo; batizar (confissão pública); receber o poder do Espírito Santo; comunhão, testemuno...)
Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.
** Autoria do Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira
Rede ao Mar - Ministério Ipiranga - 2004
Até que Ele Venha - Ale Magnani (Junho/2019)
Música Tema da Junta de Missões Mundiais - Campanha/2017
A canção "Até Que Ele Venha", também foi música Tema da Campanha de Missões Nacionais, das Igrejas Batistas - 2023
Pão da Vida - Davi Sacer (Projeto Acústico 93) - 2014