segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Amor é Ação


“O amor não é prosa e nem poesia.
Aquelas três palavras não me servem.
São sonetos sem pele,
versos que não ressoam,
metáforas que não suam,
frases que não cheiram.
“Eu te amo” não diz nada, entende?
Não escreva o que sentiria
se acordasse comigo. Acorde comigo.
Não imagine meu cheiro. Me cheire.
Não fantasie meus gemidos. Me faça gemer.
O amor só existe enquanto amar.
Ação. Calor. Verbo.
Presença. Milímetros. Hálito.”

 Gabito Nunes

domingo, 18 de agosto de 2019

Distribuição do Alimento


Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.

Os apóstolos contaram a Jesus tudo o que havia sucedido a João Batista, seu precursor. O que ele tinha feito e ensinado. E, de como o rei Herodes havia mandado o prender e degolar no cárcere. E, que os discípulos de João haviam colocado o seu corpo num sepulcro. Jesus ouvindo isto, chamou-os para se retirarem a um lugar deserto, apartado da multidão, para descansarem porque havia muitos que iam e vinham e não tinham tempo nem mesmo para comer (Mt. 14:6-13; Mc 6:31).

Jesus e os discípulos estavam em um lugar deserto. E, uma grande multidão os seguiu. Mateus 14:16, diz que Jesus vendo aquela multidão, movido pela compaixão curou os enfermos. Marcos 6:34 diz que movido pela compaixão Jesus ensinou a multidão, pois "eram como ovelhas sem pastor".

Os discípulos sugeriram a Jesus que a multidão fosse dispensada para comprar comida, pois o local era deserto e a hora já era avançada (Mt 14:13-22). Jesus instruiu os discípulos a alimentar a multidão.

1. A Primeira Multiplicação (Mt. 14:13-22; Mc 6:30-44):

A multidão estava faminta. Jesus ordenou que a multidão fosse organizada, sentada em 100 grupos de 50, para distribuição eficiente e garantia de que ninguém ficaria sem receber o alimentoE, tomando os 5 pães e 2 peixes, olhou para o céu, deu graças e os partiu, distribuindo-os aos discípulos, que os entregaram à multidão.

Todos comeram e ficaram satisfeitos. Aproximadamente 5 mil homens foram alimentados, sem contar mulheres e crianças. Foram recolhidos 12 cestos cheios de pedaços que sobraramNa Bíblia, o número 12 simboliza totalidade, ordem divina, plenitude. 

2. A Segunda Multiplicação (Mt. 15:32-39; Mc 8:1-9):

Outra grande multidão estava com Jesus a três dias, e não tinham o que comer. Jesus, compadecido, perguntou aos discípulos quantos pães tinham. Eles responderam: 7 pães e alguns peixinhos. Tomou os pães e peixes, dando graça os partiu dando aos discípulos e estes a multidão. Naquele dia, alimentaram cerca de 4.000 homens, e sobraram 7 cestos cheios de pedaços.

O milagre decorreu da compaixão de Jesus, que não queria que ninguém se sentisse mal, enfraquecido, ou mesmo que desmaiasse de fome no caminho de volta para suas casas, evidenciando o cuidado de Jesus com a multidão e a organização na distribuição do alimento.

A multiplicação dos pães é um evento central nos Evangelhos, sendo um dos milagres mais recorrentes e significativos, com duas ocorrências principais. A Primeira Multiplicação (5 pães, 2 peixes) é citada em Mateus 14:13-21; Marcos 6:30-44; Lucas 9:10-17; João 6:1-14. A Segunda Multiplicação (7 pães, poucos peixes) é citada apenas em Mateus 15:32-39 e Marcos 8:1-9.

Mateus e Marcos relatam as duas multiplicações de pães e peixes, em um contexto de novo êxodo e de um sinal messiânico. Os eventos são milagres de provisão espiritual e física. Os dois evangelhos destacam a capacidade de Jesus em suprir a necessidade física de multidões famintas, mesmo com poucos recursos (pão e peixe).

Lucas 9:10-17 descreve o milagre de Jesus na multiplicação dos pães e peixes aos 5 mil, destacando a importância da generosidade e da partilha e da provisão divina em suprir as necessidades físicas e espirituais da multidão, como um evento chave no ministério de Jesus, pois antecede a sua revelação como o Cristo, um sinal público de Sua autoridade e poder como Messias.

João 6:1-15 - é mais profundo sobre o tema da multiplicação dos pães e peixes, e relata que Jesus estava na margem do Mar da Galileia, quando uma grande multidão o seguiu. Tendo compaixão, Jesus as ensinou e curou os enfermos e vendo que a multidão estava faminta perguntou a Filipe onde comprar pão para a multidão, testando-o. Filipe calcula que nem 200 denários (muito dinheiro) bastariam.

André apresentou um menino a Jesus: ⁹ Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos? ¹⁰ E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. ¹¹ E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. ¹² E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. ¹³ Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

Os milagres de cura dos enfermos e de multiplicação de pão e peixe reforçaram a ideia de fartura e poder em suprir necessidades. A Páscoa estava próxima, o que gerou expectativa messiânica. A multidão reconhecendo que Jesus era o profeta esperado, quis proclamá-lo rei, mas Jesus se afastou, retirando-se.

A multidão estava no deserto, longe de casa e ouvindo ensinamentos espirituais quando presenciaram a cura de enfermos. Também estava faminta quando presenciou a multiplicação de pães e peixes. E, cada um dos discípulos com um cesto distribuindo alimento. Era muito milagre, no mesmo dia. Imagino a euforia daquela multidão. Curiosa questiono: " ...e as pessoas famintas das fileiras da frente e das fileiras de trás, de cada grupo o que fizeram durante a distribuição do alimento? E, respondo: - Apenas, esperaram, a sua vez de receber o alimento.

Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.

Os milagres da multiplicação, apontaram para o discurso posterior de Jesus em João 6:32-58 - quando Ele declarou a multidão que Ele era o verdadeiro "Pão da Vida" que desceu do céu, para garantir a vida eterna aquele que crê, uma provisão muito maior que o maná no deserto, pois os milagres eram sinal da vinda do Messias, esperado, que traria libertação e abundância.

Diferente do alimento físico que depois saciada a pessoa volta a ter fome, ao receber o verdadeiro pão vivo que desceu do céu para salvar, a pessoa nunca mais teria fome e sede espiritual. 

Os discípulos, intermediários na distribuição do alimento (pão e peixe) a multidão no deserto, ilustraram a missão dada aos seguidores de Jesus, responsáveis em levar o "pão da vida" a toda criatura, até os confins da terra (IDE).

Em outros livros, a referência é mais temática e de alusão, conectando Jesus ao novo Moisés que provê o "pão da vida" (João 6), remetendo ao Antigo Testamento fazendo paralelos com a provisão de Deus no deserto ao maná do Êxodo (maná e codornizes), conforme Deuteronômio 18:15, simbolizando a provisão divina.

As chamadas Cartas Paulinas, embora não narrem o evento da multiplicação de pães e peixes, os conceitos de Jesus como pão, o corpo de Cristo e a partilha estão presentes, com ecos da multiplicação (1 Coríntios 10:16-17).

João 21:6,11 - relata que era terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos, após sua ressurreição. Após uma noite em que eles conseguiram pescar nada, Jesus surgiu na praia pela manhã e lhes disse: "...lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar pela multidão dos peixes"; e, foram 153 grandes peixes.

Jesus preparou o jantar aos discípulos, enquanto estes ainda estavam pescando. E, tão logo estes retornam a terra encontram uma fogueira acesa, peixe e pão, simbolizando sustento físico e espiritual, representado na restauração de Pedro, no cuidado contínuo de Jesus e na comunhão dEle com os seus seguidores (Jo. 21:9-15). ¹³ Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. João 21:13.

No Início da Igreja (Atos 2:42-47; Atos 20:7) os primeiros cristãos perseveraram na doutrina dos apóstolos, na comunhão (se reuniam diariamente no templo), no "partir do pão", e nas orações. Em casa, "partiam o pão" e comiam juntos suas refeições com alegria e singeleza de coração.

Em Troas (Atos 20:7) no primeiro dia da semana, os discípulos se reuniram para "partir o pão", e Paulo pregou até a meia-noite, indicando que este ato era um momento central da adoração e da fé cristã.

A expressão "partir o pão" evoluiu das refeições comunitárias diárias dos primeiros cristãos, um ato de comunhão e memória de Cristo - para o entendimento da Ceia do Senhor, uma celebração instituída por Jesus para lembrar seu corpo (pão) e sangue (vinho), uma prática fundamental da igreja primitiva.

Os primeiros cristãos receberam o Reino de Deus. Receberam o Pão da Vida. Receberam a salvação. Receberam a confirmação da comunhão e do batismo. Receberam o poder do Espírito Santo para testemunhar "...tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra", conforme Atos 1:8.

E, assim quando perguntam entre as nações: "...e, as pessoas famintas próximas as multidões saciadas no deserto, por Jesus; e, as pessoas famintas próximas aos primeiros cristãos e dos depois destes... A resposta é: - Foram alimentadas.

Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.

Aproximadamente, 2 mil anos se passaram desde a 1ª e 2ª multiplicação de pão e peixe, quando dez mil pessoas que seguiam a Jesus pelo deserto, receberam alimento (físico e espiritual) e foram saciadas. Desde que os primeiros cristãos que seguiam as doutrinas dos apóstolos na comunhão e no "partir do pão", receberam alimento (físico e espiritual) e foram saciados.

Agora o questionamento é: "..e as pessoas famintas que não estavam junto as multidões no deserto? E, as pessoas famintas que não estavam entre os primeiros cristãos?"

John Wesley (fundador metodista) disse: "O mundo é a minha própria paróquia". A frase expressa seu chamado missionário para levar o Evangelho a todos, sem se limitar a quatro paredes. Sua missão não tinha fronteiras geográficas ou institucionais, abrangia todo o globo. Cada canto do mundo (lar, trabalho, rua, locais públicos) era um local para viver e anunciar o Evangelho, demonstrando fé viva e ativa, que serve (alimenta) a humanidade onde quer que ela esteja.

Outros agem como se dissessem "Minha paróquia. Meu mundo". Nada enxergam além das paredes de sua própria igreja. Serve à Deus  e ao próximo, apenas ministrando (distribuindo/servindo) o alimento espiritual às mesmas pessoas domingo após domingo.

A igreja recebe o alimento de domingo à domingo. Encontra-se saciada, plena. Sem nada repartir (evangelismo, missões), sem compartilhar (IDE), e recebendo sempre mais alimentação, o que tem retido, recebe ainda mais e transborda. Nada recolhe para apresentar (testemunho) do que tem e lhe sobeja (excede o necessário), desperdiçando o alimento.

Para distribuição do alimento espiritual, entre outras coisas, é necessário seguir o exemplo:
1- de Jesus ao "partir do pão e do peixe", as multidões, no deserto (compaixão, ensino da Palavra, prover o alimento físico e espiritual...);
2 - dos apóstolos ao "partir do pão" aos primeiros cristãos (promover a sã doutrina, comunhão...);
3 - dos primeiros cristãos que receberam e testemunharam Jesus como o "Pão da Vida" (Servir e Adorar a Deus; aceitar e crer em Jesus Cristo; batizar (confissão pública); receber o poder do Espírito Santo; comunhão, testemuno...)

Tudo se resume na forma de distribuição do alimento.


** Autoria do Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira

Rede ao Mar - Ministério Ipiranga - 2004

Até que Ele Venha - Ale Magnani (Junho/2019)
Música Tema da Junta de Missões Mundiais - Campanha/2017

A canção "Até Que Ele Venha", também foi música Tema da Campanha de Missões Nacionais, das Igrejas Batistas - 2023

Pão da Vida - Davi Sacer (Projeto Acústico 93) - 2014