Nesta manhã do dia 2 de janeiro de 2026, minha mãe me enviou no whatsApp um vídeo reflexivo com base no versículo 11 de Isaías 55... e enquanto ouvia pensava "...eu realizei um estudo deste versículo, com interpretação diversa desta: é a palavra que sai da boca de Deus e não a palavra que sai da minha boca...".
Estava na metade do vídeo, quando abri a minha Bíblia porque tinha certeza que o texto estaria grifado ou com alguma anotação. Ao abrir minha Bíblia constatei sim o "Grifo Meu", porém o que me "saltou aos olhos" foi a minha anotação em Isaías 57:1,2. E ainda não consigo conter as lágrimas, pois anotei 06/01/2005, a data da morte da minha filha Danielly, em decorrência de Lúpus.
Minha dor não passou. É a mesma dor, ou ainda pior, pois é aquela contínua sensação dilacerante do dia do fato. Ainda em 2005, eu havia orado e meus olhos tinham encontrado aquele texto quando preparava um estudo em Isaías 55. Apenas chorei e anotei a data fatídica. Nada mais. Eu havia sentido no meu coração que deveria escrever sobre o assunto: "quando o justo é tirado" (morte do cristão). Mas, não pude. Não consegui. Eu sucumbi.
Fotografei a página da minha Bíblia, enviei a minha mãe e comentei os grifos e anotação e me calei. Estava incomodada pensei que deveria postar no Facebook o meu estudo bíblico em Isaías 55:11, sob título "Palavra Liberada", e o fiz.
Enquanto preparava meu desjejum, ouvia os vídeos da postagem, uma espécie de trilha sonora que adiciono. Estranhamente, eu me sentia fugindo. Achei que passaria. Não passou. Depois de abrir minha Bíblia para conferir se havia ou não grifado o versículo referido no vídeo que recebi da minha mãe, "não fechei a Bíblia". Talvez pela memória afetiva da minha filha, pois no dia 06 de janeiro de 2026, completam 20 anos sem ela aqui. Sei que minha Bíblia permanecia aberta em cima da mesa.
Quatro horas após o ocorrido, minha Bíblia ainda estava aberta em cima da mesa. Comecei a negociar: "Deus eu escrevo depois!"- Não! - Agora! - Era a hora de escrever sobre Isaías 57:1,2.
Então, comecei a chorar. Eu... D E S M O R O N E I, ouvindo pela enésima vez a música "Ele é Deus",de Gerson Rufino lançada em 2019, no álbum "Homem Invisível"; e, em DVD em 2022.
Isaías 57:1-2, em diversas traduções da Bíblia, fala sobre a morte do justo, que muitas vezes passa despercebida, mas significa que eles são poupados do mal e encontram paz e descanso em Deus, entrando em retidão.
"O justo perece, e ninguém pondera isso no coração; homens piedosos são tirados, e ninguém entende que os justos são tirados para serem poupados do mal. Aqueles que andam retamente entrarão na paz; acharão descanso na morte".
Obviamente, nenhum pai e mãe consegue se recuperar da dor de perder um filho. Bem como, também não se recuperam os irmãos, avós, tios... Quem teve a desdita de sofrer pela morte de um ente querido segue apenas SOBREVIVENDO, a pesar de...
Conforme Isaías, os justos - pessoas direitas, piedosas, fiéis - quando morrem, a morte para eles não é apenas o fim trágico, mas um livramento de Deus; são "arrebatados" ou "tirados" para serem poupados da calamidade e do mal que viria. Eles entram em paz e descansam na morte (simbolicamente), até a ressurreição e vida eterna, pois andaram em retidão com o Senhor.
Esses versículos celebram a segurança e o descanso dos justos diante de um mundo ímpio, mostrando que a morte, para eles, é um refúgio da maldade e um prelúdio à paz com Deus.
Em 30/12/2004 minha filha Danielly, com 12 anos, foi diagnosticada com LES - Lúpus Eritematoso Sistêmico, vindo a óbito no dia 05/01/2005. Teve falência múltiplas dos órgãos, em decorrência da gravidade do estágio da doença (Lúpus). Nós a família, não tivemos tempo nem de entender a origem da doença e muito menos tempo de tratá-la....
Não há como superar essa tragédia. Nunca! A dor de "perder" minha filha é aquela que dura pra sempre, nunca para de doer, está ali a distância de uma lembrança. Parte de mim também morreu naquele dia e a parte que restou, nunca mais foi a mesma.
Pedi ao meu irmão Marcos pra fazer um cartão-lembrança (in memoriam) com a foto de rosto da Danielly e a letra da música Saudade, da Cristina Mel. E, tive que mudar um pouquinho a letra da música, porque meu pai desolado pela dor da morte da neta não entendia o sentido da frase: "Que um dia lá glória Já não mais existirá"
"...como assim no céu ela não existirá". Tentei explicar ao meu pai que a letra da música se referia ao sentimento de SAUDADE e não à pessoa que morreu, mas para o meu pai a letra parecia referir-se a pessoa e ele não concordava com a aquela parte da letra da música, de jeito algum.
Então para não deixar o meu pai aborrecido eu concordei em tirar a estrofe final e no cartão a letra da música terminou em "Saudade de vencer as nossas lutas do amor que nem a morte poderá nos separar".Até hoje essa música "Saudade", me faz chorar, pois a letra parece ter sido escrita pra minha filha Danielly.
A música "Saudade" (ou canções com esse tema) de Cristina Mel explora a dor profunda da ausência, seja de um amigo, familiar ou do próprio Deus, usando metáforas como coração partido e dor física para expressar a falta, mas sempre conectando-a à fé cristã, à esperança e à lembrança dos momentos bons, encontrando consolo na espiritualidade e na crença de um plano divino, como em "Ao Amigo Distante", "Lágrimas de Mãe" e "Canção para Vovó".
"Lágrimas de Mãe"
A Dor da Ausência - A letra descreve a saudade de forma visceral, com versos como:
"Saudade dói demais, mal consigo respirar" (em "Lágrimas de Mãe"). "Lágrimas de Mãe": Fortemente ligada à perda de um filho, encontra consolo na fé, na presença de Deus e na lembrança do filho nos netos, além de uma poderosa metáfora com a dor de Deus.
"E ao te ver tão longe, dói mais que muito, um pedaço grande do coração tirou" (em "Ao Amigo Distante"). "Ao Amigo Distante": A fé é central, pedindo ao amigo para "Pergunte a Deus sobre mim", confiando que Deus conhece e testemunha o amor e a saudade.
"Canção para Vovó": Vê a avó como um modelo de fé e sabedoria, conectando o amor e a saudade a uma formação espiritual sólida.
As lembranças de momentos felizes e do caráter autêntico da pessoa ausente são um bálsamo, ajudando a suportar a distância e a dor. Deus é apresentado como fonte de força, cura e consolo. A fé é um pilar fundamental para lidar com a perda, com a crença de que Ele cuida e tem um propósito maior.
A canção estabelece um paralelo entre a dor humana e a dor divina (como a perda de Jesus por Deus), mostrando empatia e um plano maior para o sofrimento.
As músicas celebram a lealdade e a autenticidade das relações, mostrando que o amor verdadeiro transcende a distância física e o tempo.
As canções de Cristina Mel sobre saudade são um hino à emoção humana da falta, mas sempre com um olhar voltado para o alto, encontrando na fé cristã a resiliência e a esperança necessárias para seguir em frente.
Em João 11:25-26: "Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá." (Promessa de vida eterna para quem crê).
Em Apocalipse 21:4, diz: "Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, pois as primeiras coisas são passadas." (promessa de um futuro sem sofrimento).
A Bíblia ensina que a morte física é real, mas para o cristão, ela é apenas uma porta, o início para a vida eterna com Deus, distinguindo-se a morte do corpo da morte da alma. Vida eterna é onde não há mais dor, pranto ou morte, mas continuidade da existência e comunhão com Deus.
Uns vivem por tão pouco tempo. Outros por apenas 12 anos como a minha filha Danielly. Tem aqueles que vivem pouco mais de 99 como meu avô Jair. Outros vivem muito mais que 100 anos. Haja o que houver. Seja como for. A Bíblia, diz que: "todo aquele que Crê ainda que morra, viverá" (esperança na ressurreição), o cristão encontra seu repouso em Cristo, segundo Palavra de Deus (Bíblia Sagrada), reforçando a ideia que a separação é temporária.
A Bíblia relata várias pessoas que viveram mais de 100 anos, especialmente antes do Dilúvio, com Matusalém sendo o mais famoso por ter vivido 969 anos, enquanto outros patriarcas como Adão, Sete, Noé e Jarede também viveram centenas de anos, com a longevidade diminuindo gradualmente após o Dilúvio até se estabilizar em cerca de 70-80 anos na época de Moisés, que viveu 120 anos.
Exemplos de Pessoas com Mais de 100 Anos na Bíblia: Matusalém: 969 anos (Gênesis 5:27); Jarede: 962 anos (Gênesis 5:20); Noé: 950 anos (Gênesis 9:29); Adão: 930 anos (Gênesis 5:5); Sete: 912 anos (Gênesis 5:7); Cainã: 910 anos (Gênesis 5:9); Enos: 905 anos (Gênesis 5:14); Maalalel: 895 anos (Gênesis 5:17); Lameque: 777 anos (Gênesis 5:31); Enoque: 365 anos (Gênesis 5:23); Arão: 123 anos (irmão de Moisés); Moisés: 120 anos (Deuteronômio 34:7).
Alguns sugerem que a atmosfera ou as condições da Terra antes do Dilúvio eram diferentes, favorecendo uma vida mais longa. As idades poderiam representar a longevidade de linhagens ou a transmissão de conhecimento, com uma diminuição gradual após o Dilúvio como um julgamento divino ou misericórdia.
Embora menos provável, algumas teorias sugerem calendários diferentes, mas os anos bíblicos sempre foram anos.
O limite de 120 anos em Gênesis 6:3 foi estabelecido por Deus como um período de graça antes do Dilúvio, e Moisés, que viveu 120 anos, é visto como atingindo a integridade física máxima naquele tempo, marcando uma transição para uma expectativa de vida mais curta.
Salmos 90:12, diz: Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.
Quando adolescente (nasci em março/1971), eu não entendia o que só fui entender anos depois: a completude de Isaías 57:1 e 2 na letra da música "Casinha Branca" de Dico e Rosinha, lançada em 1978, tínhamos em casa o LP, e na década 80', sempre que eu ouvia a canção a parte falada era de arrepiar, de tão comovente: "Sabemos que se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, Eterna nos céus; e, por isto neste tabernáculo, gememos aspirando por ser revestidos da nossa habitação celestial"
"Casinha Branca", de Dico e Rosinha - 1978
Aos 14 anos, minha experiência com a morte de algum familiar próximo, se resumia mais recente a do tio Pedro (Londrina/PR), do tio Haroldo (São Paulo) eu tinha uns 11 anos. Em Guaraci/PR, do tio Jacir e do vô Juca, eu tinha 4 ou 5 anos. Doeu demais, principalmente, ver todos chorando. Disseram que a gente nada entendia. Entendíamos. Talvez não a parte do porque isso tem que acontecer.
Lembro que em uma destas duas ocasiões em Guaraci, eu e a Rosy (minha irmã) e minha tia Silvia, as três de idade bem próxima, trouxemos por nossa conta "uns cravos de defunto", bem amarelo e laranja, para colocar no caixão, pois antes da ocasião quando a pegávamos trazendo para casa alguém sempre dizia "jogue fora essa flor de defunto tem cheiro muito forte". E, jogávamos. Aquela seria a ocasião. Não. Naquele dia também não quiseram os cravos porque o cheiro forte não é agradável e não queriam no velório.
O Salmo 139, afirma que Deus conhece e planeja os dias de uma pessoa antes mesmo de ela nascer, vendo o corpo ainda informe no ventre materno e registrando todos os dias de vida em Seu livro antes mesmo de existirem, mostrando um profundo conhecimento e cuidado divino desde o princípio.
"Tu me viste antes de eu ter nascido. Os dias que me deste para viver foram todos escritos no teu livro quando ainda nenhum deles existia".
Salmo 139:16 (NVI): "Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias já estavam marcados no teu livro quando nenhum deles existia ainda".
Salmo 139:15-16 (Bíblia Português): "Meus ossos não te eram encobertos, quando fui formado ocultamente e tecido nas profundezas da terra. Teus olhos viam meu embrião, e em teu livro foram registrados todos os meus dias; prefixados, antes mesmo que um só deles existisse!".
Deus sonda e conhece cada indivíduo de forma íntima, entendendo seus pensamentos e caminhos. Antes mesmo de uma pessoa ser formada, Deus já a conhecia, a planejava e escrevia seus dias em Seu livro, mostrando um propósito e cuidado desde a concepção.
O salmista louva a Deus por ter sido feito de forma assombrosa e maravilhosa, um reconhecimento da obra divina. enfatizando que a vida de cada pessoa é conhecida, planejada e amada por Deus desde o início, antes mesmo de sua existência física.
E, eu que havia parado de chorar, termino a postagem em lágrimas, ao rememorar a canção "Dono do Meu Coração", que algumas vezes eu e a minha filha Danielly, apresentamos duetona igreja Batista, em Jateí/MS.
Eu cantava a primeira parte da canção e a Danielly a segunda e juntas cantávamos "Tu és o Dono do meu coração". A músicapresente no álbum 'Exaltado', lançado em 1999, do grupo Diante do Trono é um dos destaques do seu repertório, a letra expressa a entrega total da vida (coração) a Deus em um contexto de louvor e adoração cristã, remetendo a versículos bíblicos como: Mateus 22:37; Isaías 44:6; Provérbios 4:23; Salmo 51:10.