Em Isaías 48, Deus repreende Israel por sua infidelidade e hipocrisia, apesar de serem chamados de "povo do Senhor", "povo de Deus". E anuncia coisas novas, revelando-se como o único Deus que prediz o futuro para provar Sua soberania, e prometendo libertação de Babilônia, mostrando que Sua honra e Seu nome são primordiais. E, que guiará o Seu povo para a paz se eles O ouvirem.
Deus adverte a "Casa de Jacó" (Israel) que invoca Seu nome, mas age sem sinceridade ou justiça, usando Seu nome para si mesmos, mas não O honrando de coração.
"Casa de Jacó" (ou "Bet Jacob") é uma expressão bíblica que se refere coletivamente ao povo de Israel, descendentes do patriarca Jacó, enfatizando sua unidade, herança e aliança com Deus. É a referência em Isaías 46:3-4, onde Deus promete carregar e salvar a "casa de Jacó" e "todo o restante da casa de Israel".
Destaca a descendência de Jacó, que recebeu o nome de Israel, e os laços especiais com Deus, sendo os destinatários das promessas divinas. A expressão une as doze tribos, os descendentes de Jacó, como uma única entidade. Também é usado para se referir a locais ligados a Jacó, como Betel onde construiu um altar (Gn. 35), ou Sucote, onde fez casas (Gn. 33:17)
Em Isaías 48, Deus revela que, por saber da teimosia do povo (cerviz de ferro, testa de bronze), - ⁴ "Porque eu sabia que eras duro, e a tua cerviz um nervo de ferro, e a tua testa de bronze". Is. 48:4
Descrevendo a teimosia e obstinação de Israel, usando a imagem de um pescoço rígido como ferro e uma testa dura como bronze para simbolizar a recusa em se curvar à vontade de Deus e a resistência a ouvir e obedecer, representando uma grande dureza espiritual e inflexibilidade.
Semelhante a expressão: "cabeça dura" que usamos para nos referir a nós mesmos ou a outras pessoas.
Deus havia anunciado as coisas passadas e agora anuncia coisas novas, para que não atribuam sua salvação a ídolos. O Primeiro e o Último, o Deus Criador dos céus e da terra, o único que pode prever e realizar o futuro, e por quem a libertação acontecerá.
Os versículos 3 a 5 destacam que Deus previu eventos passados, como a queda da Babilônia, para que Seu povo não atribuísse glória a ídolos. Nos versículos 6 a 8, Deus anuncia "coisas novas, e ocultas, que não sabias", reafirmando Seu poder de revelar o futuro. Nos versículos 14 e 20, o Senhor conclama Seu povo a sair da Babilônia, declarando que Ele realizará a Sua vontade contra a Babilônia e que "o Senhor remiu a Jacó, seu servo".
Em Isaías 48:10, Deus diz: "Eis que te purifiquei, mas não como a prata; provei-te na fornalha da aflição", Deus permitiu o sofrimento ("fornalha da aflição") com propósito purificador, de disciplina e ensino - vou permitir para que o povo aprenda - para refinar o povo, não para destruí-los, mas para proteger Seu nome e Sua glória, pois Ele não a dá a outros. A aflição e adversidades como meio de fortalecer a fé e fazer com que o povo confiasse na providências de Deus em qualquer circunstância.
A paz e a retidão de Israel seriam como um rio e ondas do mar se tivessem ouvido Seus mandamentos, recebendo Dele o que é útil e o caminho em que devem andar. Deus se apresenta como aquele que ensina o que é proveitoso, útil, ou seja, aquilo que é correto e, portanto, melhor, para seu povo.
Eu aprendo muita coisa útil com meus pais, avós, tios... e de cada um deles tenho a grata lembrança do que me foi ensinado. No intuito de me limitar a referência neste estudo, vou citar o que tenho aprendido apenas com o meu avô Jair (lado materno da família).
Com meu avô Jair aprendi vários cânticos e como estudar a Bíblia, nos cultos domésticos realizados quando morávamos em Guaraci/PR; e, posteriormente, quando ele em visita a nossa casa em Jateí/MS e em Ji-Paraná/RO. Meus avós se mudaram para Ponta Grossa/PR. Fomos crescendo e o formato de culto doméstico foi sendo alterado. E, logo "aprende" da sabedoria bíblica do meu avô, quem visita a sua biblioteca (particular), como eu.
Da ocasião quando eu era adolescente, lembro do meu avô Jair preocupado que a ordem dos livros fossem alterada ou que os livros fosses estragados, eu disse que queria ler e ele ressabiado me deu um caderno aberto e uma caneta dizendo: "se quiser escrever algo faça aqui; e, não nos livros". Tenho prazer na leitura e escrita. Meu interesse pela "descoberta" das anotações do meu avô, era genuíno. Mesmo a lembrança daquele momento, ainda hoje, são vívidas (alegre, intenso).
Meu avô, lê, anota, busca referências bíblicas (sem o google), anota. Questiona-se. Aprende. Anota. Ensina. Exímio leitor, adquiriu uma notável biblioteca para o seu lar. Escritor de seus estudos bíblicos, tem vários e vários cadernos. Eu admiro a lembrança da simplicidade daquela biblioteca.
Um pequeno cômodo para os seus livros, seus cadernos, suas anotações. Com curiosidade, li algumas das anotações "anexadas", coladas ao livro lido pelo meu avô, como se fosse um encarte, um suplemento, uma nova página para o livro, lido e comentado.
Também aprende com o meu avô Jair, quem se assenta ao seu lado para conversar. Idoso enfrenta um problema de perda gradual da audição, sem perder o hábito de discorrer sobre o passado e sobre a Bíblia, horas e horas a fio. E, se a gente se cansa. Ele não. Meu avô tem assunto bíblico pra discorrer a vida toda. E, sempre ensina o que é útil.
Estudando o livro de Isaías "me deparei", com esta hipótese: "...então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar", era preciso analisar isso "a fundo", da obediência aos mandamentos, dependiam a conduta que resultaria no sentimento de paz e de justiça que Israel, experimentaria.
"¹⁷ Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. Is. 48:17
"¹⁸ Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar! Is. 48:18"
Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria... - SERIA na forma do futuro do pretérito, indicando uma ação hipotética, condicional, desejada. São ações que acontecem depois do agora, ou seja, acontecem sob uma condição.
Deus disse a Israel se você fosse obediente:
"Tua paz" SERIA abundante e constante, como um rio que flui sem parar, escorre, jorra naturalmente e sem impedimentos, contrastando a falta, a ausência de paz dos ímpios; e, exortando Israel a seguir os caminhos de Deus para experimentar a tranquilidade, o bem-estar, a harmonia, a plenitude interior como bênção.
"Tua justiça", SERIA contínua, como as ondas do mar que nunca param de voltar a praia, não retendo "o lixo" e trazendo bênçãos (material orgânico) e prosperidade duradouras (alimento espiritual), contrastando com o sentimento de injustiça e de insegurança dos ímpios, que desconhecem as leis, ordenamentos e as promessas de Deus. Vivem sem bons exemplos do passado, sem a interpretação correta de como servir a Deus e sem a perspectiva e previsibilidade do futuro.
Os ímpios erram por desconhecer as Escrituras (Bíblia). Por interpretação incorreta da Palavra de Deus. Israel erra por desobediência. (Mt. 22:29; Mt. 12:24; Jo. 5:39; Rm. 15:4).
As ondas e marés, um fenômeno natural para trazer a costa materiais orgânicos, como algas, conchas e restos de animais. Esse material, parte do ecossistema, serve de alimento e abrigo para outros animais. Ventos e correntes marítimas mais intensos, especialmente durante ressacas, transferem mais energia para a superfície do oceano, formando ondas mais fortes que arrastam para a costa tudo o que está flutuando ou próximo da superfície.
O lixo no mar, que representa uma quantidade significativa do que é devolvido à praia, é oriundo do lixo descartado incorretamente, principalmente plástico, que chega ao mar por meio de rios, vento, chuva e inundações. O mar agitado apenas expõe a extensão desse problema, que afeta as praias, causando transtorno e problemas ambientais.
A presença de peixes mortos em grande quantidade pode indicar problemas com a pesca ou poluição da água. E, aqui não quero explorar os sistemas de pescas permitidos e proibidos ou quais são os principais poluentes da água, mas voltando para Isaías quando se está comparando o rio e o mar a paz e a justiça, "peixe morto" por problemas com a pesca e da água poluída nos leva a refletir sobre problemas para "reter" a paz e a justiça e, consequentemente, para testificar das bençãos.
Para reter o conquistado (paz, justiça, bençãos) é preciso aprender organização (ordem e planejamento) e disciplina (ter disciplina e seguir instruções) e, antes ainda sobre aquisição, gratidão, distribuição, reserva do alimento espiritual, conforme ensinado por Jesus na Parábola da multiplicação do pão e peixe e na Parábola do Semeador: gestão e gerenciamento de recursos e pessoas (atitude, organização, gratidão).
A paz e a justiça de Israel depende do povo "não reter o lixo" das nações pagãs. O sentimento de justiça e de paz de Israel advêm da obediência a Deus, de testificar suas bênçãos (material orgânico), e a prosperidade duradoura (alimento espiritual), as outras nações, para que estas reconheçam a Deus como Senhor e o Santo de Israel.
O capítulo culmina com o chamado para o povo sair da Babilônia, anunciando uma libertação através de Ciro, um rei pagão, uma "coisa nova" para a honra de Deus.
"Saí da Babilônia, fugi de entre os caldeus! Anunciai isso com voz de júbilo, fazei-o ouvir, levai-o até ao fim da terra; dizei: O Senhor remiu a seu servo Jacó." (Is. 48:20)
Esta ordem simboliza a libertação física do exílio e, espiritualmente, um chamado para abandonar práticas pecaminosas e confiar na provisão de Deus. Deus revela que Ele próprio levantou Ciro, um rei pagão, para cumprir a Sua vontade:
Deus amou e chamou Ciro para um propósito específico. Ciro conquistaria a Babilónia e emitiria o decreto que permitiria aos judeus regressar à sua terra e reconstruir o templo. Deus faria o caminho de Ciro próspero, garantindo o sucesso de sua missão.
A menção explícita de Ciro, muito antes de ele se tornar uma figura proeminente, serviu como uma prova irrefutável da soberania e presciência de Deus, para que Israel não atribuísse a libertação aos seus ídolos.
Isaías 48 é um chamado ao arrependimento e à fé em um Deus que é fiel em Suas promessas, mesmo quando Seu povo falha, e que age para manifestar Sua glória e poder.
Autoria do Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira
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