O capítulo 7 do livro de Provérbios é um alerta detalhado contra a imoralidade e as tentações da sedução. O texto utiliza a figura de uma "mulher adúltera" para ilustrar como o pecado pode ser enganoso e levar à destruição.
A Importância da Sabedoria (v. 1-5): O autor exorta o leitor a guardar as suas palavras como "a menina dos olhos" e a tratar a sabedoria como uma irmã para se proteger do mal.
O Cenário da Tentação (v. 6-13): O narrador observa da sua janela um jovem sem juízo que caminha por uma rua próxima à casa de uma mulher sedutora ao cair da tarde.
A Estratégia da Sedução (v. 14-21): A mulher aborda o jovem com lisonjas, aparência de religiosidade e promessas de prazer, descrevendo um ambiente luxuoso e a ausência do marido.
A Queda Fatal (v. 22-23): O jovem a segue "como o boi que vai ao matadouro", sem perceber que sua decisão custará a sua própria vida.
O Aviso (v. 24-27): O capítulo encerra com um conselho solene para que o coração não se desvie para os caminhos dela, pois a sua casa é o "caminho para o inferno" (Sheol ou sepultura).
²⁴ Agora pois, filhos, dai-me ouvidos, e estai atentos às palavras da minha boca. ²⁵ Não se desvie para os caminhos dela o teu coração, e não te deixes perder nas suas veredas. Provérbios 7:24,25
Como se Salomão dissesse você conhece o caminho, não se desvie. Você tem o mapa não se permita errar, nem se perder em suas escolhas moral, seu modo de viver (atalhos) que saem do caminho verdadeiro e levam a perdição.
Provérbios 7:1-4 é um chamado paterno à obediência e à valorização da sabedoria e dos mandamentos de Deus, incentivando a guardá-los no coração, como a "menina dos olhos", para uma vida de sabedoria e prudência, tratando a sabedoria como irmã e parente, e não como algo a ser desprezado.
Inicia uma seção de Provérbios que contrasta a busca pela sabedoria com os perigos da loucura, especialmente a sedução da mulher adúltera (a "mulher estranha"). E, nos demais versículos continua a alertar sobre a mulher adúltera.
"Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde dentro de ti os meus mandamentos." - Um pai (ou Deus) instrui seu "filho" a internalizar e proteger os ensinamentos, não apenas lembrando, mas guardando-os profundamente em seu ser.
"Guarda os meus mandamentos e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos." - A obediência à lei divina é apresentada como fonte de vida, e a lei deve ser tão preciosa e protegida quanto o olho.
"Menina dos teus olhos" é uma expressão idiomática, significa algo ou alguém extremamente precioso, amado e que necessita de proteção, cuidado e zelo, como a pupila, que é muito sensível e vital.
Tanto em português quanto em hebraico, a pupila (o centro do olho) é chamada de "menina dos olhos" por ser pequena e delicada, exigindo cuidado.
Em Provérbios 7:2, a expressão "a minha lei, como a menina dos teus olhos" significa guardar os mandamentos de Deus com o máximo cuidado e proteção, pois são preciosos e essenciais para a vida, assim como a íris é vital e precisa ser protegida de qualquer mal para garantir a visão e a vida.
O conselho de Salomão é para que os preceitos divinos sejam levados muito a sério, protegidos e gravados no coração, evitando a sedução e a destruição, como ilustrado no restante do capítulo com a mulher adúltera.
"Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração." - Metáforas para a aplicação prática e constante: usar os mandamentos nas mãos (ações) e no coração (emoções e decisões).
O coração, entendido como o centro da pessoa (pensamentos, emoções, vontade), onde a moralidade e as decisões se originam, é o local para gravar os mandamentos e as leis da palavra de Deus, sobre lealdade, fidelidade, sabedoria.
Gravar de forma permanente, como se fosse escrito em uma tábua, tornando-se parte integrante da identidade e caráter de alguém, para servir de lembrete constante, trazer paz, prosperidade, graça e verdadeira prudência.
A expressão "tábua do coração" se opõe às "placas de pedra", como os Dez Mandamentos, indicando uma mudança para uma lei interior, escrita pelo Espírito de Deus nos corações humanos, como em 2 Coríntios 3:3 -
³ Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.
Descreve os cristãos como uma "carta de Cristo", uma mensagem viva escrita não com tinta, mas pelo Espírito Santo, gravada nos corações humanos, e lida por todos, mostrando a transformação que Cristo opera em suas vidas.
Este versículo destaca que, enquanto a antiga aliança era escrita em tábuas de pedra, a nova aliança (a dos cristãos) é um testemunho vivo e pessoal do poder de Deus no coração.
"Dize à sabedoria: Tu és minha irmã; e à prudência chama de tua parenta," - A sabedoria e a prudência (discernimento) são personificadas e devem ser tratadas como familiares, parte do ambiente familiar.
Os primeiros versículos de Provérbios 7 estabelecem a importância de internalizar os ensinamentos de Deus, para não cair nas armadilhas da tentação e da imoralidade.

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