segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Salmo 23


O Salmo 23, escrito por Davi, é uma declaração de confiança na presença do Senhor como o "seu Pastor" lhe direcionando, dando, segurança, sabedoria.

João 10:1-18, apresenta Jesus como o "Bom Pastor", seu cuidado amoroso, sua proteção e seu sacrifício. Jesus conhece suas ovelhas pelo nome, guia-as, alimenta-as e dá a própria vida pela salvação delas. Esta metáfora destaca sua missão de resgatar o perdido, oferecer vida em abundância, sendo a porta de acesso ao Pai.

𓃔 "1. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. 2 Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas e as traz para fora. 4 E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5 Mas, de modo nenhum, seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. 6 Jesus disse-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia. 7 Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. 9 Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. 10 O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância. 11 Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. 12 Mas o mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. 13 Ora, o mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado das ovelhas. 14 Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. 15 Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas. 16 Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor. 17 Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. 18 Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai. 𓃔

O bom Pastor oferece sua vida pelas ovelhas, protegendo-as do mal e dos "lobos". Conhece cada ovelha e elas reconhecem sua voz, seguindo-o por confiança. Jesus é a "Porta" das ovelhas, o único acesso seguro e a fonte de provisão espiritual. O Pastor que busca, que vai atrás da ovelha perdida até encontrá-la.

A figura do Bom Pastor no Antigo Testamento, encontrada no Salmo 23 e em Ezequiel 34, reflete Deus cuidando do seu povo, e Jesus se identifica como o cumprimento dessa promessa. Ele é o "supremo pastor" que guia e sustenta a fé.

Ezequiel 34 é uma profecia divina contra os líderes de Israel (pastores) que exploravam o povo em vez de cuidar dele (Ez. 34:1-10,17-22). Deus condena a negligência, promete assumir pessoalmente o pastoreio, resgatando e curando as ovelhas dispersas.

A passagem termina com a promessa de um líder messiânico (o "servo Davi", representando Jesus) e uma aliança de paz e prosperidade (Ez. 34:11-16,23-31). A promessa de um "um só pastor" (Jesus, descendente de Davi) que trará segurança, chuvas de bênçãos, produtividade e o fim da opressão, consolidando a relação "eu sou o seu Deus"

𓃔 "O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta." (Sl. 23:1) 𓃔

Esta declaração do salmista Davi significa que a PRESENÇA do pastor é tudo o que ele realmente precisa, "...eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância" (João 10:10b).

Davi, o filho mais novo de Jessé, foi um pastor de ovelhas em Belém antes de se tornar o segundo rei de Israel. Ele cuidava do rebanho de seu pai com coragem e dedicação, protegendo-o de leões e ursos. Essa experiência no campo desenvolveu sua fé e preparou-o para liderar o povo de Israel.

Davi arriscava sua vida para proteger as ovelhas, enfrentando predadores ferozes como ursos e leões. Passava longas horas sozinho no campo, onde tocava harpa e compunha salmos para Deus.

Deus escolheu Davi para ser rei enquanto ele cuidava das ovelhas. As lições de proteção, paciência e responsabilidade como pastor foram fundamentais para sua futura função como rei de Israel. A trajetória de Davi, de pastor a rei, exemplifica como a fidelidade e diligência em tudo o que se propõe a fazer é preparação para outros grandes propósitos.

Em Salmo 23:1, Davi define um relacionamento pessoal e próximo. Ele é a ovelha que depende totalmente do Senhor seu amigo, seu pastor, para sua segurança e direção.

As ovelhas são vulneráveis e tendem a se desviarem do caminho certo. O pastor (Senhor) dá o direcionamento pois "...as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas e as traz para fora. 4 E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz" (João 10:3-b,4).

O pastor é a fonte da provisão e segurança do rebanho. Sem o pastor, sem a sua presença ou longe dele, toda a ovelha ao passar por aflições estará desamparada.

Numa interpretação simplista do Salmo 23, ou seja, numa análise superficial, o simplismo - ao contrário de ser "simples" (claro e direto) -omite fatos relevantes, resultando em um entendimento inadequado, pois foca quase exclusivamente no conforto emocional e na promessa de provisão material, tratando o salmo frequentemente como um "amuleto" de prosperidade ou segurança incondicional.

Embora o Salmo seja, de fato, uma fonte de conforto e apoio emocional, a leitura simplificada tende a ignorar os aspectos de dependência, obediência e os momentos de dificuldade que o texto original aborda.

Entender o Salmo 23, como uma oração de prosperidade; um ritual para atrair bênçãos rápidas. O "Nada me faltará" como riqueza; e que Deus suprirá todos os desejos materiais e financeiros, garantindo uma vida sem escassez. Em paz sem problemas; ausência de conflitos, de inimigos ou de "vales sombrios". Deus como serviçal, focando em "Ele me faz deitar", "Ele me guia", interpretando o pastor (Senhor) apenas como alguém que atende às vontades do ovelha (cristão).

A perspectiva original (exegese) sugere que o "nada faltará" significa que, por ter o Senhor, não se precisa de mais nada — a presença de Deus é suficiente.

"Passar pelo vale da sombra da morte" indica que dificuldades ocorrem, mas a presença de Deus traz segurança, não necessariamente a eliminação do problema.

A mesa na presença dos inimigos simboliza honra e cuidado de Deus no meio da oposição, não a eliminação imediata de oponentes a visão simplista busca alívio imediato, enquanto o Salmo oferece, de forma mais profunda, a segurança da presença divina em meio a todas as circunstâncias da vida.

As diferentes traduções e interpretações do versículo não estão erradas, contudo a OVELHA deve entender que para aqueles que são amigos íntimos do Senhor, "o nada faltará", não se refere as coisas efêmeras e passageiras desta vida, mas a inefável PRESENÇA do Senhor.

"Inefável presença", denota os atributos divinos que estão além da compreensão e da linguagem humana. É uma forma de reconhecer a grandeza de Deus que não cabe em palavras. Descreve uma presença tão extraordinária, sublime ou intensa que não pode ser expressa, descrita ou nomeada com palavras. Refere-se a algo indizível, uma sensação de paz e encantamento profundo.

Do latim ineffabĭlis, significa o que não se pode explicar ou exprimir por palavras. Frequentemente usada para descrever a natureza de Deus, que transcende a compreensão e a linguagem humana, como em "presença inefável do divino".

Descreve algo tão sublime, glorioso ou divino que transcende a capacidade da linguagem humana para ser descrito, explicado ou totalmente compreendido.

Refere-se à natureza misteriosa de Deus, Suas obras e dons, como o "dom inefável": ¹⁵ "Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável" (2 Coríntios 9:15), usa o termo para descrever o amor e o sacrifício de Deus ao dar Seu Filho, uma dádiva inestimável e indescritível sendo sinônimo de indescritível, inenarrável ou inexplicável.

Pela graça de Deus, todos são convidados a ter Jesus como pastor, para ser o seu Senhor, Guia e Salvador.

Davi usa o sentido de "Pastor de ovelha" como metáfora para a palavra רֹ֝עִ֗י (Roi = Rea = Amigo): “Adonai (Senhor), amigo íntimo, não faltará”, ou "Não me faltará o amigo íntimo, meu Senhor", porque do versículo 1 ao 4 do Salmo 23 Davi se compara a uma ovelha.

O salmista demonstra escolha, reconhecimento, proximidade real entre ele (ovelha) e o seu pastor (Senhor). O Pastor de Israel é o Deus pessoal que conduz o rebanho por todo o caminho (vida). A presença do Senhor (pastor) é essencial para a vida física e espiritual do cristão (ovelha).

A metáfora do Pastor, deriva da atividade pastoril, onde o pastor conhece e escolhe as trilhas mais seguras para o rebanho, trazendo refrigério (restauração) à alma.

O significado do Salmo 23:1 é exatamente o contrário do que muitos tem entendido ou ensinado. É uma interpretação egoísta a que diz: "O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará", acreditando que o fato de sermos cristãos é nunca padecer escassez de nada.

É uma ideia difícil até de se sustentar quando confrontadas as dificuldades pelas quais passaram os heróis do Antigo e Novo Testamento, dificuldades estas que também nos alcançam.

          "Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de estar contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece," Fp 4:12-13.

1. O Segredo do Contentamento, Paulo aprendeu que a felicidade não depende de bens materiais ou situações favoráveis, mas da sua relação com Cristo.

2. Contexto de Adversidade, o "tudo posso" não é um superpoder para realizar desejos pessoais, mas a capacidade dada por Cristo para suportar provações e permanecer fiel em qualquer cenário.

3. Fartura e Necessidade, o aprendizado inclui tanto lidar com a abundância quanto com a escassez.

Veja que Paulo passou fome e necessidades, porém foi sustentado pela PRESENÇA do Senhor. Aquele que o fortalece é a razão de seu sustento e vitória. O alimento e os bens lhe faltaram, mas o “Amigo Íntimo, o Senhor (Adonai) é Aquele que o Fortalece não lhe faltou”.

          "Para evitar que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi‑me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes pedi ao Senhor que o tirasse de mim. Ele, porém, me disse: A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por Cristo, alegro‑me nas fraquezas, nos insultos, nas privações, nas perseguições, nas angústias; pois, quando sou fraco, então é que sou forte", 2 Co 12.7-10.

Assim o entendimento do Salmo 23:1, seria: “Ainda que as circunstâncias desta vida me privem de todas as coisas, não sentirei falta de nada, porque o Senhor, meu amigo íntimo não faltará, Ele estará sempre comigo”

A ênfase do versículo 1 não está na providência das coisas materiais, mas na presença constante do Senhor ao lado daqueles que n’Ele confiam, ainda que tudo lhes falte.

Amigo íntimo designa um vínculo profundo de confiança, confidência e convivência intensa, geralmente envolvendo suporte emocional, segredos compartilhados e superação conjunta de crises. É caracterizado pela forte conexão emocional e rotina próxima, frequentemente frequentando a casa um do outro, viajando juntos e conhecendo as fraquezas mútuas. A amizade íntima é construída ao longo do tempo e por vivências compartilhadas.

𓃔 "Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas" (v. 2). 𓃔

"Em verdes pastagens", referidas no Salmo 23:2, simbolizam o cuidado, provisão e descanso proporcionados por Deus, descrito como o "Pastor". Diferente de grandes campos, no contexto das terras áridas de Israel, representam brotos tenros e necessários para o alimento diário, indicando que a provisão divina, refrigério e paz é fiel e renovada diariamente.

"a Águas tranquilas" contrasta com o medo que as ovelhas têm de águas agitadas, mostrando que Deus traz paz ao coração. A expressão simboliza paz, descanso, restauração da alma e segurança divina, frequentemente retratada como águas calmas que fluem suavemente para guiar o fiel em momentos difíceis. Deus oferece descanso físico e refrigério para a alma (renovo espiritual).

Pastagens verdes são fonte de alimento nutritivo e saboroso para os rebanhos. Davi, enquanto jovem pastor, certamente já havia conduzido suas ovelhas por pastos verdejantes e para as águas tranquilas nas proximidades de Belém. Da mesma forma, ele atribuiu a Deus a felicidade da satisfação e da paz que experimentava na sua vida.

Repouso e descanso, provém de Deus que propicia o sustento necessário e a calma que o nosso coração anseia. Ele dá descanso à mente angustiada e ao corpo exausto, e traz-nos conforto. Deus é especialista em transformar cenários desérticos em lindos campos verdes.

Ele pode acalmar tempestades e mares agitados, tornando-os em águas de descanso. Confie que o Senhor é misericordioso e sustenta as necessidades básicas do seu povo, com graça. Cristo satisfaz a todos que creem no seu amor.

𓃔 "Restaura o meu vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome," (Salmo 23:3). 𓃔

A frase "Restaura o meu vigor" é parte central do Salmo 23 onde o salmista descreve Deus como o pastor que renova as forças físicas e espirituais da alma, conduzindo a águas tranquilas e pastagens verdejantes. Essa expressão reflete a busca por refrigério, descanso e renovação divina, especialmente em momentos de exaustão, aflição ou "vale de sombras".

Refere-se a consertar, renovar e devolver a força e a alegria, mesmo em situações de cansaço ou tristeza. Além do Salmo 23, a promessa de renovar forças para os cansados aparece em Isaías 40:29-31, indicando que esperar no Senhor traz nova energia.

A restauração é vista como um cuidado de Deus que acalma a alma, aliviando pressões internas e externas. Quando clama por essa restauração, a mensagem bíblica sugere confiar na providência e no descanso proporcionado pelo Pastor. Quando estamos exaustos, Ele nos restaura.

Ele guia por "veredas de justiça", ou seja, vidas alinhadas com sua vontade. Significa guiar para caminhos certos, íntegros e seguros. Refere-se aos caminhos retos, seguros e morais que Deus, como Bom Pastor, guia seu rebanho, oferecendo direção, restauração da alma e propósito, mesmo em momentos difíceis.

Esta expressão bíblica simboliza uma vida de integridade, conduta cristã e a condução divina para decisões sábias. Indica caminhos planos e seguros, contrastando com vias perigosas. A condução de Deus ocorre "por amor do seu nome", garantindo que as ovelhas não faltem a proteção.

No contexto do Novo Testamento, seguir a Jesus é o verdadeiro caminho da justiça, representando uma vida de santificação e obediência, conforme João 10:9 - "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens".

Mesmo ao passar pelo "vale da sombra da morte", a vereda da justiça representa a presença constante e o consolo de Deus. "Veredas da justiça" representa um convite à vida de retidão e confiança na orientação divina, resultando em paz e sabedoria.

𓃔 "Mesmo quando eu andar pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam" (v. 4). 𓃔

Esta é a promessa de que Deus não nos livra de passar por dificuldades ("vales"), mas garante sua presença constante nelas. A "sombra" indica que a morte não tem o poder final, é apenas uma passagem.

A vara era usada para defender contra predadores e o cajado para guiar e resgatar ovelhas. Representam a autoridade, proteção e correção de Deus.

"Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte" - O povo de Deus pode passar por calamidades, terríveis perigos e sombras de morte. Essa escuridão pode ter causas naturais (sofrimentos, doenças e a própria morte) ou malignas (perseguição, destruição e sofrimentos causados por Satanás e homens maus, seus instrumentos). Tanto num, como noutro caso, o rebanho de Cristo não precisa temer, mas perseverar com fé até o fim (Lucas 21:19).

Um vale sombrio pode ser comparado a inúmeras situações difíceis da vida. Nesses momentos terríveis, o homem se lembra da sua mortalidade e vulnerabilidade. O vale da morte interrompe e encerra todas as perspectivas humanas e sonhos pessoais.

A maior causa do medo e ansiedade das pessoas quando se aproximam da morte é apreensão do julgamento que virá a seguir. Mas para os que seguem a Cristo, não há condenação (Romanos 8:1). Não precisam ter medo, pois Jesus concede graça e perdão. Ele cancelou a dívida dos que creem Nele (Colossenses 2:13-15).

"Não temerei mal algum, pois tu estás comigo" - A presença de Deus traz segurança e proteção, ainda que enfrentemos perigos que assombram de morte. A segurança no Senhor é a confiança plena de que Ele protege de todo mal (Salmo 33:18-20).

Davi amava aqueles pequenos animais indefesos e enfrentou perigos para protegê-los da morte. Quanto mais Deus ama o seu povo? Jesus venceu o pecado e a morte para nos dar vida e segurança. Ele livra os fiéis de todos os terrores da escuridão da vida.

"a tua vara e o teu cajado me protegem" - a vara e o cajado do pastor eram instrumentos usados para proteger, contar, guiar e resgatar ovelhas. A vara é símbolo do poder de defesa do pastor. Com ela, defendia e ameaçava predadores ou ladrões, afastando os adversários malignos das suas ovelhas.

O cajado tem uma das pontas arqueadas na forma de um gancho. Servia para contar as ovelhas, fisgar quando caíam num buraco, e também para corrigir quando eram desobedientes. Com o cajado, o pastor as impedia de vagar longe do rebanho ou de se aventurar por caminhos perigosos.

Nos dois sentidos, há consolo e proteção para as ovelhas do Senhor. Quando passamos por perigos e aflições causadas por ameaças externas ou pelo nosso pecado e tolice, a vara e cajado do Senhor nos sustentam e nos corrigem (Jó 5:17).

O Vale da Sombra da Morte (v. 4): A presença de Deus é garantida nos piores momentos. A vara e o cajado representam a proteção, correção e condução do Pastor.

Dos versículos 5 ao 6 Davi refere-se a vida espiritual, eterna "habitar na Casa do Senhor".

𓃔 "Preparas um banquete para mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda" (v. 5). 𓃔

Deus abençoa seus servos, dando-lhes provisão e segurança mesmo em situações adversas ou sob oposição do inimigo.

O óleo simboliza cura e alegria, enquanto o cálice transbordante representa a abundância da graça e do amor de Deus, que é mais do que suficiente.

Mesa na presença dos inimigos (v. 5): Deus concede vitória e provisão, mesmo quando cercados por adversidades ou opositores.

Davi muda a simbologia de Deus como o nosso pastor, para Deus como o nosso anfitrião, que nos recebe em Sua casa. A providência divina (ação de Deus ao conduzir todos os acontecimentos) considera a preparação daquilo que os cristãos necessitam.

O Senhor prepara bênçãos abundantes (Mateus 25:34; João 14:2) para aqueles que O amam (1 Coríntios 2:9). A ação maliciosa dos inimigos é incapaz de impedir as bênçãos e a celebração do povo de Deus.

Na Bíblia, a mesa simboliza comunhão, aliança, restauração e a presença de Deus. Mais que um móvel, representa um espaço sagrado de partilha, onde laços familiares são fortalecidos, o perdão é oferecido e o amor é cultivado. Jesus utilizava a mesa para conectar corações, acolher e oferecer esperança.

1. Comunhão e Aliança: A mesa é o local de encontro, intimidade e transparência, onde se "tira as máscaras" e se fortalece a união, exemplificado pela Ceia do Senhor.

2. Acolhimento e Acolhimento: Jesus frequentemente usava as refeições para se aproximar de pessoas, mostrando que a mesa é um lugar para compartilhar alegrias e restaurar relacionamentos.

3. Lugar de Revelação: É ao redor da mesa, ao partir o pão, que os discípulos reconheceram Jesus ressuscitado no caminho de Emaús.

4. Serviço e Cuidado: Jesus, ao servir, demonstra que a mesa é um lugar de amor, cuidado e de colocar o próximo como prioridade.

5. Presença de Deus: A mesa representa um ambiente onde se cultiva a presença divina e a gratidão.

No contexto do Antigo Testamento, a mesa era também um símbolo de status e, no Tabernáculo, a mesa dos pães da proposição representava a comunhão de Deus com as doze tribos de Israel.

Salmo 23:5 a mesa simboliza a comunhão íntima com Deus, mesmo em meio a adversidades e inimigos. Representa um banquete preparado pelo Senhor, agindo como um anfitrião amoroso para seu convidado, o salmista, com segurança e abundância na presença de opositores.

A mesa preparada "na presença dos meus inimigos" indica que Deus está presente, protege, traz paz interior, permitindo desfrutar de Sua bênção mesmo quando rodeado por desafios, medo ou adversários. Reflete a hospitalidade de Deus, convidando o fiel para uma relação próxima e celebrativa.

Vista como um lugar de cura emocional e espiritual, renovando as forças, a mesa representa o triunfo do amor de Deus, que honra o fiel diante daqueles que o perseguem.

A imagem da mesa no Salmo 23 transforma a percepção do perigo em uma experiência de confiança, onde o foco está na provisão divina e não na ameaça.

Os cristãos não estão isentos de adversidades e problemas. Os inimigos estão sempre buscando oportunidade para derrotar o cristão. Mas Deus prepara a mesa adequada para as suas necessidades. Ele dá o nosso "pão de cada dia", suprindo o que é preciso para vencer os adversários.

"Unges a minha cabeça com óleo" - A unção era um costume social bastante praticado naqueles tempos em Israel. Ungir significa untar, derramar ou esfregar óleo. Estava bastante associado a momentos de alegria e celebração, mas também possuía significados mais profundos.

A unção com óleo era feita em diferentes contextos:
  • no cuidado pessoal (Rute 3:3)
  • na unção de objetos consagrados (Êxodo 40:9-11)
  • na unção de convidados especiais para honrá-los (João 12:3)
  • na unção para purificação e cura (Marcos 6:13)
  • na unção de pessoas para ofícios como profetas, sacerdotes, reis (i Samuel 1:10; 15:1; 16:13;1 Reis 1:39; 19:16; Êxodo 30:30; 40:15; Levítico 8:12; Salmo 105:15; 132:2; Isaías 61:1; 1 Crônicas 16:22;
  • na unção de corpos preparando-os para o enterro (Marcos 16:1)
Mas, num sentido figurado, a unção feita por Deus confirma a presença do Espírito Santo de Deus sobre o seu povo, selando a todos os cristãos (1 João 2:20). Tal como Jesus era o Ungido de Deus (Atos 10:38), por meio dele recebemos a presença do Senhor conosco. Ele honra e unge com Seu Espírito, dando alegria transbordante, capacitação e plenitude espiritual.

"O meu cálice transborda", a taça cheia está relacionada à vida abundante que Deus proporciona em Cristo Jesus. Amamos e servimos a um Deus infinito. Nele temos todas as coisas, pela fé. O Seu amor preenche a nossa vida com graça e misericórdia. Não vivemos sedentos e solitários, o nosso cálice transborda, porque o Senhor nos preenche.

𓃔 "Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei a habitar na casa do Senhor por toda a vida." (v. 6). 𓃔

A promessa é de proteção contínua ("todos os dias") e a certeza da comunhão eterna com Deus.

"Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias (ou para sempre, dependendo da tradução)".

"Certamente", expressa alta probabilidade e baixo grau de dúvida; com certeza, decerto, muito provavelmente, indica concordância com o que se acaba de dizer; claro, sim, sem dúvida. O Salmista demonstra confiança na bondade, fidelidade e amor de Deus ao conceder benefícios, felicidade e proteção, reconhece o favor de Deus no presente e no futuro.

"Habitarei na casa do Senhor" - a casa de Deus é o lugar da Sua presença, lugar de adoração, conhecimento e comunhão com Ele. Fazer da casa de Deus nossa morada é desejar estar junto de Deus onde Ele está (Salmo 26:8).

A casa de Deus não está limitada a um espaço físico específico, como no passado (Antigo Testamento), até que Cristo veio e habitou no nosso meio (João 1:14), e permanece em nós através do Espírito Santo (João 14:17-18). Ele prometeu preparar um lugar e nos levar para estar com Ele para todo sempre.

Bondade e Misericórdia (v. 6): Deus é Bom e a sua misericórdia se manifesta em nosso favor (Lamentações 3:22-23). Deus poupa-nos, não retribuindo tudo o que merecíamos. Ele é bom e perdoador. Ele não só está presente, como também nos segue amorosamente. A paz não é a ausência de problemas, mas a confiança da PRESENÇA de Deus em meio a tempestade.

O Salmo 23 confirma que Deus está presente, mesmo diante de perigos e problemas; e Sua presença é suficiente para nos suster [segurar para evitar que caia].

Salmos 27:4. é uma oração de Davi - "Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo",  expressa o desejo supremo de viver na presença de Deus, contemplar Sua formosura e buscar Sua orientação diariamente.

Este versículo destaca a prioridade da adoração, comunhão contínua e confiança no Senhor como refúgio em tempos de dificuldade e adoração. "Morar na Casa do Senhor todos os dias": Significa desejar a PRESENÇA de Deus constantemente.

"E inquirir no seu templo", o salmista declara um pedido que fez em oração: habitar, morar na casa do Senhor, contemplar a Sua Glória e majestade e inquirir no seu templo, buscando informações a "respeito de", no intuito de adquirir sabedoria (Deut. 13:14; At. 23:20), demonstrando uma atitude de dependência, reflexão, oração, de busca da PRESENÇA de Deus, de conselhos e direcionamento.

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