O capítulo 5 do livro de Isaías é conhecido principalmente pela "Parábola da Vinha" e pela série de advertências: os "Seis Ais".
A parábola da vinha é uma alegoria de Deus (o viticultor) e Israel (Judá - a vinha). Deus cuidou de seu povo com extremo zelo, esperando retidão e justiça e recebeu em troca corrupção, injustiça social e infidelidade (uvas bravas/azedas).
Essa desilusão leva Deus a retirar sua proteção e permitir que a terra seja destruída por inimigos, simbolizando o julgamento e o exílio vindouros, um lamento sobre expectativas não correspondidas e um chamado ao arrependimento.
Deus é o dono da vinha, sendo Ele o Criador e cuidador, enquanto a vinha simboliza Seu povo (Israel, a Igreja, o cristão), que deve produzir "bons frutos" de amor e justiça, sendo Jesus a "Videira verdadeira" e o Pai o Agricultor que cuida para a frutificação, mas pode remover o que não produz, como descrito nas parábolas de Jesus em Mateus e Lucas.
A Parábola da Vinha no Novo Testamento - Jesus Cristo é o "Filho" e herdeiro, enviado para receber os frutos, mas é morto pelos lavradores, simbolizando Sua morte e ressurreição, e Ele mesmo se declara a "Videira verdadeira", como visto em João 15:1.
Israel foi chamado como a vinha de Deus, e muitas vezes produziu frutos ruins (injustiça, desobediência) em vez de amor e obediência. Deus espera da vinha, seja o povo ou o indivíduo, que produza frutos de amor e justiça. A parábola adverte sobre o julgamento da vinha que falha em dar bons frutos, mesmo após o envio de mensageiros e do próprio Filho.
A Parábola da Vinha no Antigo Testamento (Isaías 5:1-7)
Isaías apresenta uma canção sobre uma vinha que representa o povo de Israel (Judá).
O Senhor Deus (proprietário) plantou uma vinha em um solo fértil, limpou a terra, as pedras, cercou, construiu uma torre de vigia e um lagar para vinho, plantando as melhores mudas de uva [1, 2].
Ele esperava uvas doces e boas (justiça e retidão).
Em vez de produzir uvas boas (justiça e retidão), a vinha produziu uvas bravas ou azedas (injustiça, opressão, sangue e clamor) [2, 7].
Deus pergunta aos moradores de Jerusalém e Judá (o povo) o que mais Ele poderia ter feito.
Deus decide destruir a cerca e o muro, deixando-a desolada, sem chuva, para ser pisoteada por espinhos e ervas daninhas.
A Vinha é Israel/Judá, o povo escolhido por Deus, Sua propriedade.
As uvas bravas, representam a corrupção moral, a violência, a injustiça social, a exploração dos pobres e a falta de retidão no meio do povo.
Como resultado, Deus retira a proteção da vinha, permitindo que ela seja destruída e pisoteada [5, 6]. A remoção da proteção de Deus e a vinda do exílio, com exércitos inimigos (descritos como ágeis e ferozes).
A parábola é um lamento de Deus pela infidelidade de Seu povo e um convite para que o próprio povo julgue a situação, reconhecendo a bondade de Deus e a ingratidão de suas ações, buscando um coração justo e frutífero.
2. Os Seis "Ais" (Versículos 8–23)
Os "Seis Ais" (ou "Ai") são uma série de declarações proféticas de julgamento proferidas pelo profeta Isaías no capítulo 5, condenando pecados específicos de Israel (Judá), como a ganância por terra, a embriaguez, a inversão de valores morais, a arrogância e a perversão da justiça, culminando em uma lamentação pessoal do próprio profeta em Isaías 6:5, onde ele reconhece sua própria impureza.
Deus pronuncia julgamentos específicos sobre pecados sociais e morais da época:
Ganância: Contra aqueles que acumulam casas e terras, deixando os outros sem espaço [8].
Intemperança e Hedonismo: Contra os que vivem para festas e bebidas, ignorando as obras de Deus [11, 12].
Cinismo e Engano: Contra os que desafiam a Deus e persistem no erro [18, 19].
Inversão de Valores: Contra os que chamam "ao mal bem e ao bem mal" [20].
Arrogância: Contra os que se consideram sábios aos seus próprios olhos [21].
Injustiça e Corrupção: Contra juízes que aceitam subornos e negam justiça ao inocente [22, 23].
3. O Julgamento Vindouro (Versículos 24–30)
O capítulo 5 de Isaías termina com a descrição de um exército invasor que Deus usará como instrumento de disciplina. A terra ficaria em trevas e angústia devido à rejeição da lei do Senhor.
No Novo Testamento os "Seis Ais" é também encontrado em Mateus 23 e referem-se principalmente às repreensões de Jesus aos fariseus, um momento de forte denúncia profética contra a religiosidade vazia e enganosa da época.
As exclamações de Jesus denunciam a hipocrisia em várias áreas:
- Fechar o Reino dos Céus: Fariseus e mestres atuavam como barreiras em vez de guias para salvação, "impedindo" outros de entrar, afastando as pessoas de Deus e da Verdade (Bíblia) (v. 13).
- Conversões Hipócritas: Ganhar prosélitos (seguidores) para o seu lado, mas tornando-os "filhos do inferno", pois há apenas mudança aparente ou externa, parecem justos, "fingem ser", enganam-se a si mesmo e aos outros (v. 15).
- Falsa Santidade: Preocupar-se com o juramento menor (ouro do templo), focar em rituais, listas de pecados ou devoções (sacramentos), necessidade de incentivos externos para adorar; e ignorar o maior (o templo em si) a adoração que brota do interior , falta de arrependimento genuíno (vv. 16-22).
- Detalhes e Justiça: Pagar o dízimo da hortelã (Lei mosaica literal e meticulosa entregar o dízimo até mesmo das pequenas ervas), mas negligenciar a justiça, a misericórdia e a fé (vv. 23-24; Lev. 27:30-32; Lc. 11:42).
- Pureza Exterior e Pureza Interior: Parecer limpos por fora, mas cheios de ganância e impureza por dentro (vv. 25-26). Túmulos Lavados: Parecer justos por fora (túmulos caiados/pintados), mas por dentro cheios de morte espiritual (vv. 27-28).
- Perseguição aos Profetas: Condenar os profetas do passado e continuar a perseguição aos enviados de Deus. Ensinam mas não praticam. Guias cegos, sepulcros caiados, exploram os mais frágeis . Se preocupam com "exterioridades" do que com a verdade, justiça, misericórdia (vv. 29-36).
"Por isso eu lhes envio profetas, homens sábios e mestres". "Vocês vão matar alguns, crucificar outros, chicotear ainda outros nas sinagogas e persegui-los de cidade em cidade". Essa geração será responsabilizada por todo o sangue justo derramado na história, desde Abel até Zacarias, que foi morto entre o Templo e o altar. Jesus chora por Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os enviados, expressando o desejo de protegê-los como uma galinha protege seus pintinhos, mas eles não quiseram.
Este texto de Mateus 23 mostra a continuidade da rejeição a Deus e Seus mensageiros, um padrão que se repete desde o Antigo Testamento: recusa da mensagem de Jesus e dos profetas - e culminaria na destruição de Jerusalém em 70 d.C.
Os "Ais" são tanto um grito de condenação quanto de profunda tristeza pela cegueira e teimosia dos líderes, de cada um dos cristãos...

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