¹ Naquele dia se entoará este cântico na terra de Judá:
Temos uma cidade forte,
a que Deus pôs a salvação por muros e antemuro.
² Abri as portas, para que entre nelas a nação justa,
que observa a verdade.
³ Tu conservarás em paz aquele
cuja mente está firme em ti;
porque ele confia em ti.
⁴ Confiai no Senhor perpetuamente;
porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.
Isaías 26:1-4
O capítulo 26 do livro de Isaías é um cântico de confiança e vitória, frequentemente chamado de "Cântico de Judá", que celebra a proteção de Deus e a restauração de Seu povo. Os versículos de 1 a 4 são os mais memoráveis do capítulo, destacando a paz que vem da fé.
"Naquele dia", refere-se a um tempo futuro de restauração e libertação. "Cidade forte", é uma metáfora para o povo de Deus - ou para Jerusalém espiritual ou o Reino de Deus -, povo protegido por Ele. "Temos uma cidade forte, a que Deus pôs a salvação por muros e antemuro".
O profeta Isaías diz que a cidade é forte porque Deus colocou a SALVAÇÃO, por muro (ou muralha), a barreira principal de uma cidade ou fortaleza, formando o perímetro de proteção. A salvação é também o antemuro, uma muralha secundária, anterior e externa à muralha principal, protegendo-a e dificultando o ataque inimigo.
Muros são barreiras de contenção ou de defesa É a muralha principal. Enquanto antemuro são muros avançados. Um muro extra construído na frente de uma muralha principal para reforçar a defesa, funcionando como uma primeira linha de proteção em fortificações, um tipo de barbacã - em arquitetura militar, é uma estrutura defensiva, um muro baixo ou torre construídos na frente de muralhas para proteger portas e fosso, servindo como primeira linha de defesa e dupla proteção.
A proteção divina é o muro e antemuro da cidade. Então a cidade "de salvação" é forte para abrigar, refugiar, proteger, sustentar o povo que serve à Deus. "Abri as portas, para que entre nelas a nação justa, que observa a verdade".
"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti": No original em hebraico, a expressão para "paz" é repetida (shalom shalom), indicando paz completa, estável e profunda que não depende das circunstâncias externas.
"Perfeita paz", é concedida àqueles que têm firme propósito e confiam em Deus A promessa é direcionada àqueles que escolhem focar seus pensamentos e propósitos em Deus, em vez de se deixarem levar pela ansiedade ou pelo medo.
"Confiai no Senhor perpetuamente; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna": O termo "rocha eterna" refere-se a natureza imutável de Deus. Enquanto o mundo muda, o Senhor Deus permanece como um refúgio seguro e inabalável para quem nele confia.
1. O Caminho do Justo (v.7-15)
Isaías descreve a retidão como um caminho plano preparado por Deus. O profeta expressa um anseio profundo por Deus durante a noite e a busca fervorosa por Sua justiça.
⁷ O caminho do justo é todo plano; tu retamente pesas o andar do justo. ⁸ Também no caminho dos teus juízos, Senhor, te esperamos; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma.
Refere-se à retidão e simplicidade da vida de quem segue a Deus, sem as armadilhas e tropeços do mal, como em Provérbios 16:17: "O caminho dos retos é desviar-se do mal, quem guarda o seu caminho preserva a sua alma (vida)". Simples assim.
Deus é quem guia e disciplina os passos do justo, mantendo-o no caminho e protegendo-o, mesmo quando o ímpio não percebe Sua mão.
1ª Parte - ⁹ Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça. ¹⁰ Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade, e não atenta para a majestade do Senhor.¹¹ Senhor, a tua mão está exaltada, mas nem por isso a veem; vê-la-ão, porém, e confundir-se-ão por causa do zelo que tens do teu povo; e o fogo consumirá os teus adversários.
O profeta expressa um desejo intenso e constante por Deus, de noite e de madrugada: "madrugarei a buscar-te" pois entende que os juízos divinos na terra são uma forma de ensinar justiça aos homens. Quanto ao ímpio, este mesmo quando Deus mostra favor ou clemência este não aprende a retidão; e, continua praticando o mal, mesmo em terras justas, sem reconhecer a grandeza e a autoridade do Senhor.
2ª Parte - ¹² Senhor, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras. ¹³ Ó Senhor Deus nosso, já outros senhores têm tido domínio sobre nós; porém, por ti só, nos lembramos de teu nome. ¹⁴ Morrendo eles, não tornarão a viver; falecendo, não ressuscitarão; por isso os visitaste e destruíste, e apagaste toda a sua memória. ¹⁵ Tu, Senhor, aumentaste a esta nação, tu aumentaste a esta nação, fizeste-te glorioso; alargaste todos os confins da terra.
Afirma que a paz virá de Deus porque Ele é quem realiza todas as obras, incluindo as dos Seu povo, mostrando Sua soberania. Reconhece que outros "senhores" (nações, governos) dominaram, mas o povo só se lembra e confia em Deus, o único e verdadeiro Senhor. Louva a Deus por ter aumentado a nação (Israel), expandindo seus limites.
2. A Oração Secreta (v.16-18)
3ª Parte - ¹⁶ Ó Senhor, na angústia te buscaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram a sua oração secreta.¹⁷ Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto, e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós diante de ti, ó Senhor! ¹⁸ Bem concebemos nós e tivemos dores de parto, porém demos à luz o vento; livramento não trouxemos à terra, nem caíram os moradores do mundo. Is. 26:7-18.
Isaías 26:16, descreve o povo buscando a Deus em momentos de aflição e disciplina, expressando suas orações secretas, buscando alívio e salvação, "SENHOR, na angústia te buscaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram a sua oração secreta." (Bíblia Almeida Corrigida Fiel - ACF/ARC).
Outras versões do mesmo versículo
"SENHOR, no meio da aflição te buscaram; quando os disciplinaste, sussurraram uma oração." Bíblia Nova Versão Internacional (NVI):
"Na hora do sofrimento, eles o buscaram, SENHOR. Quando o seu castigo caiu sobre eles, derramaram suas fracas orações." (Bíblia Nova Bíblia Viva (NBV)
"Castigaste o teu povo, ó SENHOR; na nossa aflição, oramos a ti." (Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje - NTLH).
Conhece aquela expressão "ter uma carta na manga" é um dito popular que significa ter um plano de reserva, uma estratégia oculta ou uma solução preparada para ser usada em um momento oportuno ou de necessidade. A frase tem origem literal nos jogos de cartas. Trapaceiros escondiam cartas valiosas dentro das mangas de suas camisas para introduzi-las no jogo em momentos decisivos e garantir a vitória.
Na hora do sofrimento, na aflição, quando o castigo, a correção, a disciplina de Deus caiu sobre eles: "Derramaram a sua oração secreta". "Derramaram suas fracas orações". "Sussurraram uma oração".
Não havia sinceridade. Oraram por orar. Sem fé. Sem arrependimento. Sem restabelecer o compromisso de obedecer a Deus. Queriam apenas o socorro, o livramento, a misericórdia divina e buscaram brechas, um jeitinho de burlar a aliança que haviam feito com Deus.
Oraram porém em suas mentes, corações, atitudes continuavam rebeldes e desobedientes. O povo quando aflito ou sob correção divina, se volta para o Senhor em busca de ajuda, retratando um momento de provação e de clamor por Deus em meio à disciplina.
O trecho é uma oração ou lamentação, que expressa a frustração do povo de Israel diante de Deus por seus esforços infrutíferos para alcançar a salvação e a justiça por conta própria.
A Metáfora do Parto: A experiência de uma mulher grávida com dores de parto é usada para descrever a intensidade do sofrimento e do esforço do povo. Eles "conceberam" planos, esperanças e tentaram arduamente produzir uma mudança ou um livramento.
"Demos à luz o vento": Esta é a parte central da metáfora. Apesar de todas as dores e esforços (o "parto"), o resultado foi nulo, vazio, sem substância — o "vento". Isso significa que suas próprias ações e sofrimentos não trouxeram a salvação, a libertação ou a justiça desejada, o "livramento não trouxemos à terra").
No contexto maior do capítulo 26 de Isaías, essa oração de frustração leva a um reconhecimento de que a verdadeira salvação e vida vêm unicamente do poder e da intervenção de Deus, não dos esforços humanos.
3. A Ressurreição e a Esperança (v. 19)
O versículo 19, traz uma mensagem de esperança e de ressurreição em Deus: "Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e cantai, vós que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos" - v.19.
A mensagem de consolo ao povo de Israel, indica que, após o sofrimento e julgamento, haveria restauração espiritual e um novo fôlego de vida concedido por Deus e o cumprimento da promessa de vida eterna (ressurreição).
O "orvalho" simboliza a influência vivificante de Deus que desperta o que estava seco ou morto (ressurreição e restauração). Deus fala sobre o despertar dos mortos, que viverão novamente, e seus corpos ressuscitarão, sendo comparados ao orvalho que traz vida, simbolizando renovação e alegria para aqueles que habitam no pó (a terra, a sepultura).
"Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão": Uma declaração direta sobre a ressurreição dos justos, um tema central nas escrituras hebraicas e cristãs, especialmente no profeta Isaías, que fala de um futuro de restauração.
"Despertai e cantai, vós que habitais no pó": Um convite à vida eterna, pois aqueles que estão na sepultura, serão chamados para saírem do estado de morte para a vida.
"Porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos": O orvalho, que traz vida e frescor à terra, é uma metáfora para a ação de Deus que traz vida aos mortos, e a própria terra (ou Deus agindo através dela) os devolverá, revelando a ressurreição.
Essa passagem é um dos textos mais claros no Antigo Testamento que prefiguram a ressurreição futura, mostrando esperança em meio à adversidade e a certeza da vitória sobre a morte.
Um tema que encontra eco no Novo Testamento, como em 1 Coríntios 15:20-22, sobre a ressurreição de Cristo como as primícias dos que dormem... ²⁰ Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. ²¹ Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. ²² Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.
4. Proteção no Julgamento (v. 20-21)
O capítulo termina com um conselho para o povo "se esconder por um momento, em seus quartos, e fecharem as portas", para um momento de restabelecimento de uma aliança pessoal com Deus.
Um pacto de obediência, confiança, dependência da proteção divina, de sua salvação (muro e antemuro) durante o tempo de julgamento de Deus que viria sobre a terra para disciplinar, punir o pecado e revelar a justiça e a paz da nação justa, que confia em Deus, que observa a Sua verdade, que a mente está firme em Deus, perpetuamente, porque o Senhor Deus é sua Rocha Eterna, fundamento inabalável de segurança, proteção e refúgio.

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