sábado, 31 de janeiro de 2026

Sabedoria é Vida


Provérbios 13 enfatiza a sabedoria no falar, a diligência no trabalho e a aceitação da disciplina. Destaca que o sábio aceita instrução, que o cuidado no falar protege a vida, que a preguiça leva à pobreza, o orgulho gera conflitos, o planejamento traz prosperidade; o valor de  aconselhar e a importância da educação dos filhos.

O destaque será para os versículos 12 e 14 de Provérbios 13.

Em Provérbios 13:12, o rei Salomão diz - "A esperança adiada desfalece o coração, mas o desejo atendido é árvore de vida". Esta é uma das passagens mais profundas do livro de Provérbios sobre a condição humana e a expectativa.

Na 1ª parte do versículo "A esperança adiada desfalece o coração" (Prov. 13:12.a), Salomão reconhece a dor e o desgaste emocional de esperar por algo que parece nunca chegar. A frustração constante de adiar sonhos ou expectativas pode causar cansaço emocional e desânimo.

E a 2ª parte do versículo ele diz - "Mas o desejo atendido é árvore de vida" (Prov. 13:12.b), Quando um desejo é finalmente realizado, ele traz renovação, alegria e um novo fôlego de vida, agindo como uma "árvore de vida" que acolhe e alimenta.

O versículo destaca o impacto emocional da demora na realização de sonhos, mas consola ao dizer que a concretização traz alegria e renovo (árvore de vida).

Na Bíblia, desejo representa anseios, aspirações ou vontades íntimas que direcionam escolhas e moldam caminhos. Pode ser positivo, quando focado na vontade de Deus (Salmo 37:4, 1 Coríntios 12:31), ou negativo, quando caracterizado como "desejos da carne" ou cobiça descontrolada que levam ao pecado (Tiago 1:14-15, Gálatas 5:16-21).
A demora na realização de desejos (sonhos) traz tristeza, mas o cumprimento deles, o desejo realizado traz ânimo e vitalidade, comparado a uma "árvore de vida", uma metáfora para algo que nutre, dá sustento e renova o ser, proporcionando saúde emocional e espiritual.

O livro de Provérbios, traz diversas reflexões sobre o desejo, abordando-o ora como uma força realizadora quando alinhada à sabedoria, ora como um perigo quando desmedido ou preguiçoso.

O significado de desejo nos provérbios frequentemente envolve a distinção entre vontades momentâneas e propósitos profundos do coração. Quando um sonho ou desejo justo se concretiza após longa espera, ele traz profunda satisfação e renovação de vida.

A realização de um desejo saudável e bom deleita o ser, gerando contentamento ¹⁹ O desejo que se alcança deleita a alma, mas apartar-se do mal é abominável para os insensatos (Prov. 13:19). Indica que, às vezes, o desejo humano ignora o que é moralmente certo, e o insensato prefere realizar um desejo prejudicial a abandonar o erro. 

Em Provérbios, o desejo é uma força motriz neutra que se torna destrutiva através da preguiça e egoísmo, ou construtiva através da diligência e sabedoria. "O preguiçoso deseja e nada consegue, mas os desejos do diligente são amplamente satisfeitos." (Prov. 13:4), este provérbio destaca que o desejo por si só não gera resultados; a ação, o esforço e a diligência são necessários para satisfazer o anseio.

Desejar coisas sem sabedoria ou compreensão pode levar a decisões erradas e ruína, sendo importante que o desejo esteja alinhado aos propósitos de Deus, conforme Salmos 37:4 ""Agrada-te do Senhor, e ele satisfarás os desejos do teu coração", sugere que, quando o desejo está em harmonia com os princípios divinos, ele é satisfeito.

"O desejo do justo é somente o bem..." (Prov. 11:23), focado no que é correto e produtivo, diferentemente dos desejos dos maus. O desejo dos justos (Prov. 10:24.b) indica que aqueles que buscam viver de forma íntegra têm suas aspirações alinhadas à vontade  divina, resultando em satisfação e na concessão de seus pedidos.

O "desejo do justo" no livro de Provérbios refere-se à inclinação do coração, aos anseios e às motivações de alguém que vive em comunhão com Deus, busca a retidão e segue os seus mandamentos.

Segundo Provérbios, esse desejo se alinha à vontade divina e, portanto, produz resultados positivos e é honrado por Deus. É a expressão de um caráter transformado, que busca viver de maneira ética, generosa e obediente a Deus, resultando em bênçãos e na realização dos propósitos divinos em sua vida. 

A Bíblia ensina a perseverar, confiando que o tempo de Deus traz o cumprimento do desejo no momento ideal. "Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos" (Romanos 8:25).

Este versículo conclui uma reflexão do apóstolo Paulo sobre a esperança cristã, "a esperança adiada", como dito em Provérbios. Em Romanos Paulo estabelece uma distinção lógica: se já possuímos algo, não precisamos de esperança. A esperança, por definição, foca naquilo que ainda não se concretizou ou não é visível aos olhos.

"Com paciência o aguardamos", a palavra-chave "paciência" (do grego hypomonē) no texto original não indica apenas uma espera passiva, mas uma persistência constante e resistência sob pressão.

No contexto de Romanos 8, essa paciência é necessária enquanto a criação e os fiéis aguardam a redenção final e a glória futura, confiando na fidelidade de Deus apesar dos sofrimentos presentes. 

Enquanto Provérbios descreve o impacto emocional da espera "desfalece o coração", validando o alívio profundo que surge quando o desejo (sonho, promessa) finalmente se cumpre, Romanos ensina a postura espiritual correta diante do invisível: paciência, perseverança.


Em Provérbios 13:14, Salomão diz que - "A doutrina do sábio é uma fonte de vida para se desviar dos laços da morte", destacando que o ensino (ou doutrina) de uma pessoa sábia age como uma fonte vital, guiando para longe das armadilhas mortais (pecado e consequências destrutivas).

A doutrina do sábio na Bíblia, referida em Provérbios, é definida como uma "fonte de vida" que desvia dos laços da morte (Pv 13:14), baseada no temor ao Senhor, conhecimento do Santo e aplicação prática da justiça no dia a dia. Ela promove o bom senso, controle da fala e prudência, diferenciando-se das tolices do ímpio que levam à perdição.

Essa sabedoria funciona como um guia de vida, ajudando a evitar caminhos perigosos e a tomar decisões seguras, agindo como um antídoto contra a morte espiritual e física.

"Fonte de Vida": A instrução, conselho ou "doutrina" sábia traz vida, sabedoria e entendimento.

"Desviar dos Laços da Morte": Serve como proteção contra ciladas, armadilhas e perigos que podem levar à destruição ou desobediência a Deus.

Enquanto o ensino sábio dá vida, o desprezo pela instrução (comum aos tolos) leva a perdas, ruína e afronta. Seguir a sabedoria é andar livre em obediência, sem deixar se aprisionar pelos laços do pecado.

Provérbios 13, particularmente nos versículos 12 e 14, utiliza metáforas ricas sobre a vida e a sabedoria.

1. "Árvore da Vida" e "Fonte de Vida"

"Esperança que se retarda deixa o coração doente, mas o desejo realizado é árvore de vida." (Prov. 13:12). Esta metáfora sugere que o cumprimento de um desejo justo ou a realização de um propósito de Deus traz renovação, alegria e um sentimento de vigor (vida abundante), curando o desânimo causado pela espera.

"O conselho do sábio é fonte de vida, para evitar os laços da morte." (Prov. 13:14): A instrução, o ensino e a sabedoria divina são como uma nascente que nutre e preserva a vida, protegendo das armadilhas mortais da tolice.

2. A Sabedoria é a "Árvore da Vida"

No livro de Provérbios, a "árvore da vida" é uma metáfora bíblica que representa a conduta de sabedoria. O conceito também simboliza crescimento, renovação.

"Árvore da vida" também está associado a Jesus Cristo, como fonte de vida e plenitude que sustenta a vida cristã. Jesus como a Árvore da Vida: A Árvore da Vida, no Éden, representa o acesso à vida eterna.

No Novo Testamento, Jesus é considerado a "Árvore da Vida", tanto simbolicamente Jesus se revela como a fonte dessa vida (Jo. 15:5), quanto na promessa de vida eterna em Apocalipse 22:2 e 14, destacando a cura e nutrição espiritual e o acesso renovado a ela pela purificação dos pecados e justificação pela fé em Jesus Cristo.

"A sabedoria é árvore da vida para os que a alcançam, e bem-aventurados são todos os que a retêm", Prov. 3:18. "O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas sábio é", Prov. 11:30. "A língua benigna é árvore de vida, mas a perversidade nela quebranta o espírito", Prov. 15:4. 

Buscar conhecimento e prudência traz vitalidade, felicidade e segurança. Quem se apega à sabedoria encontra vigor, paz e proteção contra caminhos destrutivos.
Em Provérbios 3:18, a sabedoria é descrita como uma árvore de vida para os que dela tomam posse, trazendo felicidade a quem a retém. Assim como uma árvore fornece sombra e frutos, a sabedoria oferece benefícios práticos e proteção, guiando para escolhas que preservam a vida e a paz.
A imagem da árvore representa desenvolvimento contínuo, renovação e conexão, indicando que a busca por conhecimento e entendimento é um processo constante de amadurecimento.
O conceito contrasta com atitudes tolas que podem levar a resultados negativos, posicionando a sabedoria como um fundamento para uma existência plena e bem-sucedida.
3. A Sabedoria é "Fonte de Vida"
"A boca do justo é fonte de vida, mas a boca dos ímpios esconde violência", Prov. 10:11. "O temor do Senhor é fonte de vida, para evitar os laços da morte", Prov. 14:27. "O entendimento é fonte de vida para quem o possui, mas a disciplina dos tolos é a sua tolice", Prov. 16:22.

"Fonte de vida" também está associado a Jesus Cristo, como "Árvore da Vida" e plenitude que sustenta a vida cristã. Jesus como Fonte de Vida (Água Viva): Jesus se revela como a fonte inesgotável que sacia a sede espiritual da humanidade, opondo-se à morte.

Jesus afirma: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba" (João 7:37), oferecendo rios de água viva. Ele é a "água da vida" que, ao ser bebida, elimina a sede espiritual para sempre, transformando o receptor em uma fonte de bênçãos.

A sabedoria é descrita como fonte de vida que traz entendimento, prudência e discernimento para decisões diárias. O conceito também é associado à moderação nas palavras e à prudência. Funciona como um guia para um viver saudável e correto, sendo essencial para o crescimento pessoal e espiritual.

É considerada uma fonte de vida e bem-estar, saúde tanto para a alma quanto para o corpo. Representa a habilidade de aplicar o conhecimento em situações da vida, indo além do simples acúmulo de informações.

Enquanto a sabedoria traz vida aos sábios, a insensatez (ou tolice) serve como seu próprio castigo. A sabedoria é um presente de Deus, acessível a quem a busca.

Provérbios 2:6 declara - "Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento". Portanto, a sabedoria está disponível a todos os que pedem com fé e sinceridade.

Tiago 1:5 diz - "Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida".

A sabedoria também é resultado de uma busca diligente, que envolve estudo, obediência e temor a Deus, razão porque é descrita como algo valioso: "Quão melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E quão mais excelente é adquirir a prudência do que a prata!" (Prov. 16:16), porque a sabedoria de Deus transforma decisões e atitudes, alinhando-as com Sua vontade e propósitos.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O Valor de Ser Ensinável


O capítulo 12 do livro de Provérbios coloca em evidência o contraste entre a conduta dos justos e dos ímpios, destacando o cuidado com os animais, o valor da justiça, da disciplina, da prudência no falar e da diligência no trabalho.

Principais ensinamentos e destaques deste capítulo:

1. Valorização da Disciplina e do Conhecimento

O capítulo abre com uma lição sobre humildade intelectual: "O que ama a instrução ama o conhecimento, mas o que odeia a repreensão é estúpido" (Provérbios 12:1).

O texto sugere que o crescimento pessoal depende da aceitação de correções. Esse versículo é frequentemente citado para ensinar sobre a importância de ouvir conselhos e o valor de ser ensinável.

A frase que "abre" o capítulo 12 do livro de Provérbios, destaca que amar a correção e o aprendizado é essencial para adquirir conhecimento, enquanto rejeitar críticas e disciplina é um sinal de insensatez ou estupidez.

Amar a Instrução (Sabedoria): Aquele que deseja sabedoria valoriza a correção, a disciplina e o aprendizado contínuo, compreendendo que errar faz parte do processo de crescimento.

Odiar a Repreensão (Estupidez): A rejeição à correção é vista como tolice, pois impede a evolução pessoal e a correção de erros, levando a repetir o erro e a outras consequências negativas.

O provérbio utiliza um contraste clássico: amar e odiar; instrução e repreensão; sabedoria e estupidez, para mostrar que a humildade para aceitar ensinamentos (instrução/repreensão) leva ao conhecimento, enquanto a arrogância (repreensão/instrução) leva ao fracasso.

2. O Poder das Palavras

Provérbios 12 enfatiza como a língua pode ser uma ferramenta de cura ou destruição:

Feridas vs. Cura: "Alguns falam como se estivessem ferindo com espada, mas a língua dos sábios é saúde" (Prov. 12:18).

Provérbios 12:18 trata do impacto das palavras, contrastando a fala irrefletida que fere como uma espada, com a sabedoria da língua que traz cura e saúde, encorajando o uso da fala para edificar e não para destruir.

O versículo, em diferentes traduções bíblicas, diz: "Há quem fale sem refletir, e fere como espada, mas a língua dos sábios traz a cura", na NVI - Nova Versão Internacional. "Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina", na ARA - Almeida Revista e Atualizada).

"Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura", na NVI (Bíblia Online). "As palavras do falador ferem como pontas de espada, mas as palavras do sábio podem curar", na NTLH - Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

Ensina a importância de pensar antes de falar, pois palavras impulsivas ou maldosas causam dor profunda, enquanto a sabedoria se manifesta através de uma fala que oferece consolo, cura e restauração. É um chamado para usar a fala como um instrumento de amor e paz, em vez de veneno ou ferida.

Verdade vs. Mentira:

""O lábio veraz permanece para sempre, mas a língua mentirosa, apenas um momento" v.19. "O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade" (v.22).

Provérbios 6:16-17 que enumera sete coisas abomináveis ao Senhor, incluindo "língua mentirosa". Deus tem aversão à mentira. A mentira é abominável. Deus tem prazer na integridade. A verdade traz satisfação, tranquilidade, segurança. Outros versículos semelhantes reforçam a necessidade da verdade e as consequências da falsidade, como:

Provérbios 19:9 - "A falsa testemunha não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá".

Salmo 101:7, diz - "O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que fala mentiras não estará firme perante os meus olhos."

Colossenses 3:9-10 - "Não mintam uns aos outros, uma vez que vocês já se despiram do velho homem com as suas práticas; e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador."

O versículo 22 de Provérbios 12, no seu contexto adverte a pessoa de "lábios mentirosos", pois sua conduta traz a abominação divina e consequências negativas; e, associa a integridade como agir fielmente, falar a verdade, com o prazer de Deus e a estabilidade nos relacionamentos sociofamiliar e profissionais.

3. Bondade com os Animais

Um versículo notável sobre ética e compaixão é o 10: "O justo atenta para a vida dos seus animais, mas as entranhas dos ímpios são cruéis".

Provérbios 12:10 destaca que a justiça de uma pessoa se reflete no tratamento compassivo para com os animais, enquanto a impiedade é caracterizada pela crueldade.

O texto sugere que o verdadeiro caráter de alguém é revelado pelo cuidado com os vulneráveis, inclusive animais, opondo a bondade do justo à perversidade dos iníquos.

O justo atenta para a vida, bem-estar e necessidades dos seus animais. O ímpio é cruel. Mesmo as ações aparentemente misericordiosas dos ímpios podem ser cruéis ou negligentes, demonstrando falta de caráter. A valorização da vida animal reflete uma postura de compaixão condizente com os caminhos de Deus.

Diversas versões bíblicas reforçam essa distinção: "O justo olha pela vida dos seus animais, mas as misericórdias dos ímpios são cruéis", ARC/ARA. "O justo cuida bem dos seus animais, mas até os atos mais bondosos dos ímpios são cruéis", NVI/NAA.

Sabe-se que os animais sentem a intenção e a "maldade" de uma pessoa. Eles são seres sencientes, capazes de identificar medo, raiva, tristeza e desonestidade através da linguagem corporal, feromônios e comportamentos sutis, muitas vezes reagindo com defesa ou esquiva a pessoas de caráter ruim, agressivas ou cruéis.

A ciência reconhece que os animais, especialmente cães e gatos, não apenas sentem dor, mas também experimentam emoções como medo, alegria e ansiedade.

Os gatos e os cães percebem quando uma pessoa não confiável e quando identificam a ruindade passam a ignorar as instruções de indivíduos que agem de má fé.

Animais sentem o "estresse" e a agressividade das pessoas ruins, o que pode causar mudanças no comportamento deles, como aumento da agressividade, medo, ou isolamento. Eles são sensíveis a feromônios, o que permite que sintam a energia negativa ou a repulsa de um ser humano.

A crueldade contra animais é um indicador de mau caráter, e os animais sentem esse perigo, frequentemente, se comportando de maneira arisca ou de defesa.

Animais observam padrões de comportamento e interações identificando e distinguindo as pessoas boas das más. Cães podem sentir hostilidade, nervosismo ou más intenções, o que os deixa alerta ou desconfortáveis. Estudos mostram que cães tendem a evitar pessoas que agem de forma cruel ou agressiva com seus donos.

Os gatos e cães, em particular, conseguem detectar estresse e medo através de hormônios como o cortisol, percebendo se alguém está tenso ou hostil antes mesmo de a pessoa agir.

Os animais — especialmente os animais domésticos e os "domesticados" — possuem uma capacidade notável de perceber emoções humanas, incluindo tristeza, e de identificar intenções, como se a pessoa é "boa" ou representa perigo.

Eles utilizam seus sentidos aguçados, do olfato, da visão e da audição, para interpretar nossa linguagem corporal, tom de voz e até variações químicas no nosso suor.

Como os animais percebem? Eles sentem a tristeza, como também sentem quando estamos alegres, carinhosos...

Cães e gatos reconhecem mudanças no comportamento de outros animais e do ser humano. Quando estamos tristes, ansiosos ou chorando, eles podem tentar nos confortar, ficando ao lado. Quantas experiências temos nós os cuidadores, os tutores de animais domésticos?!

Os cães tem um olfato poderoso e podem ficar inquietos, latir e buscar contato físico com quem demonstra tristeza. Gatos, reconhecem mudanças na voz e rotina, aproximando-se quando o dono está sobrecarregado ou ansioso. Assim como "chamam" seus tutores ou boas pessoas para brincar...

Portanto, esta combinação de alta inteligência social, observação aguçada e instinto de sobrevivência, permite aos animais "ler" o ambiente emocional humano.

Os animais, especialmente cães e gatos, reconhecem pessoas boas através da leitura de emoções, expressões faciais, linguagem corporal e tom de voz, preferindo e formando laços com indivíduos que demonstram comportamentos positivos e confiáveis, como generosidade e gentileza, rejeitando quem age de forma rude ou desonesta, evidenciando uma capacidade de julgamento social complexa.

4. Diligência e Trabalho

Salomão contrasta a atitude do preguiçoso com a do diligente. "A mão dos diligentes dominará, enquanto o preguiçoso será sujeito a trabalhos forçados", (Prov. 12:24). "O preguiçoso nem chega a assar a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser diligente", (Pro. 12:27).

No contexto bíblico, diligência significa aplicar-se com esforço persistente, cuidado, foco e prontidão em tudo o que se faz, como um reflexo de honrar a Deus e não para ambição egoísta, sendo o oposto da preguiça.

A dedicação, a diligência está ligada à fidelidade, excelência e busca por uma vida de justiça e frutos espirituais, como exemplificado pela formiga em Provérbios 6:6: "Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio".

Este é um famoso provérbio bíblico que exorta à diligência, iniciativa e planejamento, usando o exemplo da formiga que trabalha arduamente no verão para garantir mantimento no inverno, sem precisar de supervisão. A diligência é o trabalho feito "de todo o coração, como para o Senhor".

Principais Aspectos da Diligência Bíblica

Aplicação e Esforço Contínuo: É a vontade de trabalhar com empenho físico e mental, sem atrasos, sem preguiça.

Cuidado e Atenção: Envolve ser meticuloso, cuidadoso e atento aos detalhes, não desperdiçando talentos ou tempo
.
Motivação Espiritual: A diligência cristã busca agradar a Deus, crescer no Reino e viver conforme Seus ensinamentos, não apenas por recompensa terrena.

Antítese da Preguiça: A Bíblia exalta a diligência como virtude (Provérbios) e a preguiça como falta, mostrando a formiga como exemplo de planejamento e trabalho.

Fidelidade e Responsabilidade: Ser diligente é ser fiel nas pequenas coisas, o que leva a ser confiado em maiores, demonstrando responsabilidade com os dons e o chamado.

Excelência: É buscar o mais alto nível de qualidade em tudo, pois o compromisso é com o Senhor.

Provérbios (diversos): Descrevem a mão diligente produzindo riqueza e a diligência como caminho para o sucesso e a liderança, contrastando com a mão negligente. Outros exemplos e versículos chave:

Colossenses 3:23: "Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens".

Mateus 24:46, diz "Feliz (ou bem-aventurado) o servo que seu senhor encontrar fazendo fielmente o seu trabalho ao voltar".

Este versículo enfatiza a recompensa pela vigilância, fidelidade e cumprimento das responsabilidades cristãs no tempo de espera pela vinda de Cristo.

O servo fiel será recompensado com autoridade. O versículo faz parte da parábola sobre o servo fiel e sensato (Mateus 24:45-51). O que o servo faz: Ele alimenta a casa (o sustento no tempo devido) e trabalha ativamente. A recompensa: O Senhor o encarregará de todos os seus bens (ou sua propriedade).

É um alerta para a constância na fé e nas boas obras, não se deixando levar pela ideia de que o retorno de Cristo (o Senhor) vai demorar e descuidar do serviço. O versículo destaca a importância da postura ativa e correta do cristão, contrastando com o servo mau que negligencia suas obrigações.

Ser diligente na Bíblia é ser aplicado, dedicado e zeloso, com um coração voltado para Deus em todas as ações, transformando o trabalho em adoração e o esforço em crescimento espiritual e prático.

Todos nós conhecemos meia dúzia de analfabetos funcionais. E, outra dúzia de pessoas folgadas que deixa o outro fazer a sua parte com naturalidade e desfaçatez. Não aprende o serviço. Não padroniza. Não gerencia a demanda. Perde prazos. Acumula serviço de ontem para depois de amanhã ou até nunca mais, enquanto se ocupa de assuntos alheios ao ambiente de trabalho. Prioriza o que não é urgente, o que pode esperar ou pode ser eliminado. E, ainda diz com intencional desdém: "- Vou fingir que não vi".

Sinceramente, nestes meus 50+ a conduta do outro já "me adoeceu", um par de vezes. E, vou de mal a pior, até ACORDAR e reconhecer que me deixei vencer por um opositor fraco (ainda que supõe-se mais forte). E me reinicio sem revidar. Mesmo que o sucesso não seja garantido da parte do outro que parece "nunca se emendar". Foco em mim, na minha parte e me desafio a tentar. Me visto de resiliência.

A resiliência para superar as adversidades, para recuperar-se e sair da crise fortalecida, envolve otimismo, flexibilidade, autoestima e suporte social, que nos permite lidar com o estresse sem sucumbir. Não é aceitação passiva, mas a habilidade de enfrentar o problema ativamente.

Do Darcy Ribeiro (1922-1997) um multifacetado intelectual brasileiro — antropólogo, educador, escritor e político APRENDI a frase: "Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu".

Então, não é para pensar e dizer: "...isso é para Fulano, Sicrano, Beltrano".

Uma famosa parábola corporativa e motivacional sobre responsabilidade e trabalho em equipe, frequentemente citada como "A História de Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um e Ninguém", descreve uma situação em que um trabalho importante precisava ser feito, e embora Todo Mundo estivesse certo de que Alguém o faria e Qualquer Um pudesse tê-lo feito, Ninguém o realizou. Alguém ficou chateado, pois considerava que era tarefa de Todo Mundo, e embora Todo Mundo pensasse que Qualquer Um faria, Ninguém previu que Todo Mundo falharia. No final, Todo Mundo responsabilizou Alguém por Ninguém ter feito o que Qualquer Um poderia ter feito.

Significado e Lição: Essa parábola destaca como a falta de responsabilidade individual leva à inação coletiva. Se o outro não colabora, lembre-se: você não é o outro. Seja ensinável. Faça por você!

5. Prudência e Emoções

O capítulo 12 de Provérbios ensina sobre o controle emocional: "A ira do insensato se conhece no mesmo dia, mas o prudente encobre a afronta" (v. 16).

Provérbios 12:25 destaca o impacto emocional negativo da ansiedade: "²⁵ A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra".

A ansiedade sobrecarrega e abate o ser humano, ao mesmo tempo em que o provérbio ressalta o poder curativo de uma palavra amável e encorajadora.

O versículo enfatiza a importância de palavras bondosas para renovar forças e trazer alegria ao coração de quem está preocupado. O "coração ansioso" é descrito como algo que deprime, frustra ou deixa o homem derrotado, agindo como um peso que consome a felicidade.

Uma palavra de encorajamento, amável ou uma palavra vinda de Deus, tem a capacidade de alegrar, renovar as forças e levantar o ânimo. O provérbio incentiva a substituição das preocupações por pensamentos positivos e mensagens de fé, reconhecendo que a conversa amigável pode ser o auxílio em momentos difíceis.

A amizade pode trazer o equilíbrio entre o perigo interno das preocupações e a solução externa que as palavras de suporte e fé podem oferecer.

Provérbios 12:26, diz - "O justo serve de guia para o seu companheiro, mas o caminho dos ímpios os leva a andar errantes". E, Provérbios 12:28 destaca que: "Na vereda da justiça está a vida, e no caminho da sua carreira não há morte".

Viver com justiça, retidão e integridade conduz a uma vida plena. Esta "vereda" representa um caminho virtuoso que protege contra as consequências da iniquidade e, no sentido espiritual, leva à verdadeira vida e comunhão com Deus, garantindo vitória e segurança.

A justiça não traz apenas longevidade física, mas também uma vida de qualidade, sabedoria e alinhamento com o propósito divino. Enquanto o caminho da injustiça parece atrativo mas leva à morte (perdição), a vereda da justiça, embora por vezes estreita, é o único caminho seguro.

O versículo 28 encerra o capítulo 12 de Provérbios, contrastando a conduta do justo com a conduta do ímpio, ressaltando que a verdade e a honestidade são recompensadas, porque andar na vereda da justiça significa, no contexto cristão, seguir o exemplo de Jesus o "caminho, a verdade e a vida".

Provérbios 10:16, diz - "O trabalho do justo conduz à vida, mas a renda do ímpio leva ao pecado". Provérbios 11:19: "Quem permanece firme na justiça para a vida, mas quem segue o mal, para a morte".

Em Provérbios 14:12, temos o aviso - "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte". E, Provérbios 16:17, diz - "O caminho dos retos é desviar-se do mal; o que guarda o seu caminho preserva a sua alma".

Tem a opção com resultado positivo e a opção com resultado destrutivo. Qual escolher?

Esses versículos reforçam a ideia de que a conduta ética, a integridade e a justiça não são apenas regras morais, mas "caminhos" que protegem a plenitude da vida da pessoa que reconhece o valor de ser ensinável.

Ser ensinável é uma das maiores demonstrações de humildade e maturidade emocional, pois representa a capacidade de reconhecer a incompletude do conhecimento, de superar a necessidade do ego de julgar que está sempre certo e que sabe de tudo.

O Valor e os benefícios de ser ensinável é permitir o crescimento contínuo. Permite evoluir e evita a estagnação, pois o aprendizado nunca termina. Indivíduos ensináveis se adaptam mais facilmente a mudanças e novos cenários.

Os relacionamentos melhoram, criando diálogos, partilhas e compreensão mais harmoniosa, de si mesmo e do outro. Promove a escuta ativa e a empatia. Ajuda a lidar melhor com erros e falhas, transformando-os em oportunidades de aprendizado.

No ambiente de trabalho, ser ensinável (ou "coachable") é uma característica valorizada, indica capacidade de escutar mentores, receber feedback e evoluir.

Provérbios destaca o ser ensinável, como uma das características fundamentais da sabedoria e um contraste direto com a tolices. Ser ensinável vai além de adquirir conhecimento, é ter a humildade de aceitar correções, conselhos e continuar sempre aprendendo.

Estar "aberto a aprender", longe de ser um sinal de fraqueza, é ter uma postura que denota coragem e SABEDORIA. Ser ensinável, permite a renovação contínua do crescimento pessoal, profissional e espiritual.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Abimeleque Filho do Juiz Gideão


A Bíblia registra no livro de Juízes 8:30-9:54, a história de Abimeleque (Abimelec), filho do juiz Gideão (ou Jerobaal), com uma mulher de Siquém, uma concubina, o que o diferenciava dos outros meio-irmãos considerados filhos legítimos; e, ele embora com alguns direitos por filiação pertencia ao clã materno.

Abimeleque (em hebraico: אֲבִימֶלֶך; romaniz.: Aviméleḵ, ʼAḇîmélek; lit. "Meu Pai é rei" ou "O rei é o Pai"), foi extremamente ardiloso e mau. Quando Gideão seu pai morreu, ele persuadiu seus tios, os irmãos de sua mãe, a incentivar o povo de Siquém a apoiá-lo em um plano para derrubar o governo de sua família e torná-lo governante único.

          1. "E Abimeleque, filho de Jerubaal, foi-se a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e falou-lhes e a toda a geração da casa do pai de sua mãe, dizendo: 2 Falai, peço-vos, aos ouvidos de todos os cidadãos de Siquém: Qual é melhor para vós: que setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, dominem sobre vós ou que um homem sobre vós domine? Lembrai-vos também de que sou osso vosso e carne vossa. 3 Então, os irmãos de sua mãe falaram acerca dele perante os ouvidos de todos os cidadãos de Siquém todas aquelas palavras; e o coração deles se inclinou para Abimeleque, porque disseram: É nosso irmão".

Abimeleque tinha o apoio dos chefes de seu clã que conheciam seus propósitos de eliminar todos os seus irmãos e mesmo assim o apoiaram. Para consolidar sua autoridade, Abimeleque tramou a morte de seus setenta irmãos; e, para isso contou com a ajuda do povo siquemita.

Ele recebeu setenta peças de prata e com estes recursos do tesouro de Baal-Berite, o deus cultuado em Siquém, conseguiu reunir e contratar homens perversos, ociosos e levianos que lhe ajudaram a executar seus irmãos.

O Templo de Baal-Berit era um santuário cananeu em Siquém, dedicado a Baal-Berit, o "Senhor da Aliança" (El-Berit). Importante centro religioso, um local de poder para os siquemitas que apoiaram financeiramente Abimeleque na matança de seus irmãos. Três anos depois, Abimeleque destruiu este mesmo templo ateando fogo.

Com o objetivo de se tornar rei, Abimeleque matou seus irmãos (filhos de Gideão), sobre uma pedra em Ofra, para consolidar o seu poder. Ele usou essa pedra como um altar para sacrifícios pagãos ao deus Baal-Berite, "Baal da Aliança", e usou esse massacre, como um sacrifício para firmar uma aliança com o seu deus.

Ele foi à casa de seu pai, Gideão, em Ofra, e ali "matou os seus irmãos, sobre uma pedra" (Juízes 9:5-6). Portanto, a "pedra de Baal-Berite em Ofra" não era o local de adoração ao ídolo em si, mas em Abimeleque tornou-se o local de um massacre brutal.

A "pedra de Baal-Berite" e a "pedra de Gideão" em Ofra referem-se, na verdade, a uma única pedra que serviu a propósitos diferentes em momentos distintos, conforme narrado no livro de Juízes, quando Gideão construiu um altar ao Senhor o chamou de "O Senhor é Paz" (Jeová-Salom), e esse altar e a rocha permaneceram em Ofra por muito tempo (Juízes 6:24).

Após matar quase todos seus irmãos, Abimeleque foi rapidamente escolhido por aclamação popular. E, conduzido ao local sagrado, junto ao carvalho da coluna em Siquem, foi coroado rei de Siquém e do povoado vizinho Bete-Milo, uma cidadela (Juízes 9:6). 

A palavra “Bete-Milo” é composta por duas palavras hebraicas: “Bete”, que significa “casa”, e “Milo”, que significa “fortaleza” ou “torre”. Portanto, uma possível tradução para este nome seria literalmente “casa da fortaleza” ou “casa da torre”, a casa de Milo (Juízes 9:20).

Dos setenta meio irmãos, apenas seu irmão caçula, Jotão (Jotam), conseguiu se esconder e fugir, escapando da matança promovida por Abimeleque e seus tios maternos, com apoio dos religiosos do templo de Baal-Berite e alguns outros siquemitas e outros de Bete-Milo. Jotão, em fuga, se refugiou no Monte Gerizin com seus seguidores armados.

Monte Gerizin é uma das mais altas montanhas da Cisjordânia, elevando-se a 881 metros acima do nível do mar. Na saída ocidental deste vale, está a cidade de Siquém, atualmente Nablus. O monte Gerizim não possuía qualquer tipo de vegetação. O governo britânico, em 1920, reflorestou o norte do monte Gerizim.

Jotão, o filho mais novo de Jerrubaal (Gideão), fez uma declaração de maldição contra Abimeleque e aqueles que o haviam coroado, proferindo a Parábola do rei-espinheiro, sobre um espinheiro escolhido como rei e que não possuía capacidade de governar:

        Juízes 9:7-15 - "E, dizendo-o a Jotão, foi este, e pôs-se no cume do monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou, e disse-lhes: Ouvi-me a mim, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós. Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós. Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, e iria a labutar sobre as árvores? Então, disseram as árvores à figueira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto e iria labutar sobre as árvores? Então, disseram as árvores à videira: Vem tu e reina sobre nós. Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e iria labutar sobre as árvores? Então, todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu e reina sobre nós. E disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis rei sobre vós, vinde e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano".

A Parábola do "rei espinheiro", conta que as árvores buscavam um rei, sendo o convite para liderar recusado pela oliveira, figueira e videira, que preferiam não se envolver com governança e gestão, pois tinham outros propósitos. As árvores então convidaram o espinheiro, que aceitou com a condição de que, se não o servissem, fogo sairia dele e queimaria os cedros do Líbano.

O "Espinheiro rei" queimaria quem não o servisse, "os cedros do Líbano" - a metáfora foi escolhida porque o cedro é uma árvore, conhecida por suas raízes profundas e madeira aromática, na Bíblia "cedro do Líbano" representa o justo e a estabilidade que vem da confiança em Deus (Salmo 92:12), simbolizando grandiosidade, força, firmeza, nobreza, perenidade, resistência. 

A Parábola faz um alerta quanto a omissão perigosa dos bons (árvores frutíferas), pois quando o povo, a multidão, as pessoas (as árvores) buscam qualquer rei sempre acabam se submetendo ao governo desastroso de um líder inadequado, ambicioso, cruel, um tirano como Abimeleque, que como o cruel espinheiro acabaria por aniquilar aqueles que o escolheram como rei.

O rei inadequado tudo faz para se manter no poder... Sem capacidade de liderar exige obediência cega e não tolera a mínima oposição, consequentemente, traz a ruína e sofrimento (fogo do espinheiro) à todos; e, não apenas aos que o escolheu.

A maldição declarada por Jotão significava que, por não terem tratado com justiça a família de Jerrubaal (Gideão), ele não tinha dúvidas que logo também se virariam um contra o outro. Então, "o fogo" viria contra Abimeleque do povo de Siquem e "o fogo" sairia de Abimeleque contra o povo, inclusive contra quem o apoiou naquele golpe sangrento.

Depois de cerca de três anos, Abimeleque começou a experimentar oposições e revoltas do povo de Siquém contra sua liderança. Então ele procurou suprimir a qualquer custo os movimentos que se levantavam contra seu domínio. Ele arrasou a cidade de Siquém e cobriu sua terra com sal para que se tornasse infértil.

O povo de Siquem passou a agir traiçoeiramente contra Abimeleque e colocava ladrões à espreita de qualquer mercadoria ou dinheiro que fosse para o rei e roubava tudo. Então Gaal, filho de Ebed, foi a Siquem e, bêbado, se gabou de que removeria Abimeleque do trono.

Zebul, governante de Siquem, enviou mensagem a Abimeleque junto com uma estratégia de batalha, informando sobre os intentos de Gaal, seus irmãos entre outros, de lutarem contra Abimeleque.

No dia seguinte, Abimeleque pôs emboscadas com quatro tropas e matou e feriu o povo que estava com Gaal. E, ainda no outro dia, Abimeleque emboscou e feriu o povo que saia da cidade, pelejando contra a cidade, todo aquele dia. Matou a todos, assolou a cidade e a semeou de sal. Muitas pessoas procuraram refúgio na torre do templo pagão de Baal-Berite.

Quando soube que o povo de Siquem havia se trancado em uma torre forte, o sanguinário Abimeleque e seus homens colocaram fogo na fortaleza e queimou vivo todo aquele grupo. Aproximadamente mil homens e mulheres morreram ali.

Em seguida Abimeleque foi a Tebes (Tebez/Thebez), uma cidade próxima, e acampou contra ela. Ele também sitiou e tomou aquela cidade. De forma semelhante ao que ocorreu em Siquém, o povo correu para se refugiar numa torre que havia na cidade.

Então mais uma vez Abimeleque teve a ideia de incendiar a torre. Porém quando ele se aproximou da torre em Tebes para incendiá-la, uma mulher jogou uma pedra de moinho na cabeça de Abimeleque. A pedra atirada pela mulher quebrou o crânio de Abimeleque, ferindo-o mortalmente, encerrando o cerco e a tirania.

Como na época era desonroso para um homem morrer pelas mãos de uma mulher, e ele não queria ser conhecido como tendo sido morto por uma mulher, então o ímpio Abimeleque ordenou que seu escudeiro (seu portador de armadura) que o matasse com uma espada. Seu local de morte é citado como Thebez, (Juízes 9).

De qualquer forma, a fama de que uma mulher lhe feriu mortalmente perdurou em Israel (2 Samuel 11:21).

A narrativa de Abimeleque na Bíblia nos faz lembrar que a história da humanidade registra vários outros nomes de homens cruéis, violentos, sanguinários, corruptos - que nos fazem suspirar pensando ou mesmo exclamando: onde está Deus?

O pai de Abimeleque era Gideão, o juiz que libertou Israel de Midiã  (Madian), conforme narrado em Juízes 8:23. Após sua vitória, os israelitas quiseram coroá-lo rei, ele, "seu filho e o filho do seu filho", porém Gideão humilde e corretamente recusou, dizendo: "Não governarei sobre vós, nem meu filho governará sobre vós, o SENHOR governará sobre vós" (Juízes 8:23).

Juízes 8:27 descreve como Gideão, após suas vitórias, usou parte do ouro dos despojos para fazer um éfode (uma espécie de colete sacerdotal ou estola) e o colocou em sua cidade, Ofra, mas isso se tornou um ídolo para Israel, levando à idolatria (prostituição espiritual) e se transformando em uma armadilha (tropeço) para ele e sua família, mostrando o perigo da popularidade e da criação de objetos de adoração sem o consentimento de Deus.

Gideão teve 70 filhos com várias esposas. E, um filho que nasceu de uma concubina em Siquem. Esse filho foi Abimeleque (Juízes 8:31). Na Bíblia, concubina é a mulher que vive com um homem em uma relação de união estável, mas com status inferior ao de uma esposa, geralmente sem os mesmos direitos legais ou de herança, ocupando uma posição de serva ou escrava, e cujo principal propósito era gerar filhos, sendo uma prática comum no Antigo Testamento para demonstrar riqueza e poder, ou como suporte social para mulheres vulneráveis.

Abimeleque (Abimelech) cresceu e se tornou um líder ambicioso (Juízes 9). Usando suas conexões familiares, convenceu os homens de Siquem de que um filho de Gideão — ele mesmo, é claro — deveria governar, e matou seus meio-irmãos para garantir que nenhum outro filho de Gideão pudesse desafiá-lo.

Seu meio-irmão Jotão (Jotham) se escondeu e conseguiu escapar desse ato maligno. E, depois que Abimeleque foi feito rei, Jotham, seu meio-irmão que escapou do massacre, repreendeu publicamente as ações de Abimeleque por meio de uma parábola que basicamente dizia que Abimeleque e o povo se destruiriam mutuamente, pois "o povo teria o governo de opressão, injustiça e desgraça que merecia".

        Juízes 9:16-21 - ¹⁶ "Agora, pois, se é que em verdade e sinceridade agistes, fazendo rei a Abimeleque, e se bem fizestes para com Jerubaal e para com a sua casa, e se com ele usastes conforme ao merecimento das suas mãos ¹⁷ (Porque meu pai pelejou por vós, e desprezou a sua vida, e vos livrou da mão dos midianitas; ¹⁸ Porém vós hoje vos levantastes contra a casa de meu pai, e matastes a seus filhos, setenta homens, sobre uma pedra; e a Abimeleque, filho da sua serva, fizestes reinar sobre os cidadãos de Siquém, porque é vosso irmão);

¹⁹ Pois, se em verdade e sinceridade usastes com Jerubaal e com a sua casa hoje, alegrai-vos com Abimeleque, e também ele se alegre convosco. ²⁰ Mas, se não, saia fogo de Abimeleque, e consuma aos cidadãos de Siquém, e a casa de Milo; e saia fogo dos cidadãos de Siquém, e da casa de Milo, que consuma a Abimeleque. ²¹ Então partiu Jotão, e fugiu e foi para Beer; e ali habitou por medo de Abimeleque, seu irmão".

É uma chamado a responsabilidade coletiva, Jotão associa a qualidade do governo à justiça e sabedoria dos líderes, e a conduta do povo à ordem social, mostrando que governantes maus surgem onde há desordem, e justos onde há retidão.

Jotão, sobrevivente de uma tragédia familiar, havia se escondido e depois fugindo se colocou em segurança no Monte Gerizin com seus seguidores armados, pois tinha a expectativa que seu meio-irmão, outros criminosos e seus apoiadores fossem responsabilizados e a ordem restabelecida.

O povo, porém, aclamou e coroou o criminoso. Jotão e os que com ele estavam não serviriam Abimeleque, tão pouco seriam eles "os cedros do Líbano" a serem queimados pelo espinheiro-rei, para exemplo de que este seria o destino dos que não o servissem. E, Jotão se refugiou na cidade de Beer, onde permaneceu morando (Juízes 9:7-57).

A Bíblia traz exemplos de que, quando o povo se desvia da retidão, cria-se um ambiente propício para a ascensão de governantes iníquos, assim como a justiça atrai bons líderes.

O cumprimento da Parábola profética de Jotão, é narrado em Juízes 9:22-24): ²² "Havendo, pois, Abimeleque dominado três anos sobre Israel, ²³ Enviou Deus um mau espírito entre Abimeleque e os homens de Siquém; e os homens de Siquém se houveram aleivosamente (traiçoeiro) contra Abimeleque; ²⁴ Para que a violência feita aos setenta filhos de Jerubaal viesse, e o seu sangue caísse sobre Abimeleque, seu irmão, que os matara, e sobre os cidadãos de Siquém, que fortaleceram as mãos dele para matar a seus irmãos".

Até então o criminoso Abimeleque que foi corado rei, "levava vantagem" mesmo quando seus apoiadores se voltaram contra ele. Os que não estavam de acordo com Abimeleque, acredito que desesperados clamavam por socorro: "Onde está a justiça?", "Onde está Deus?". E, a justiça finalmente os alcançou.

Durante uma batalha, Abimeleque tomou a cidade e os moradores buscaram refúgio em uma torre que Abimeleque estava prestes a incendiar quando uma mulher no alto da torre jogou uma pedra em sua cabeça, esmagando seu crânio (Juízes 9:51-57).

Abimeleque que matara seus irmãos sobre a pedra em ofra que foi por ele profanada e associada a atos violentos e ao culto de Baal-Berite - também sua morte veio de uma pedrada de uma mulher, de uma pedra de moinho que caiu sobre a sua cabeça, quebrando seu crânio, cumprindo a maldição de Jotão e o juízo de Deus, que retribuiu o mal que Abimeleque fez à sua família e à cidade de Siquém.

Juízes 9:55-57, diz que - ⁵⁵ Vendo, pois, os homens de Israel que Abimeleque já era morto, foram-se cada um para o seu lugar. ⁵⁶ Assim Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, matando a seus setenta irmãos. ⁵⁷ Como também todo o mal dos homens de Siquém fez tornar sobre a cabeça deles; e a maldição de Jotão, filho de Jerubaal, veio sobre eles".

Ao que parece alguns dos que estavam com Abimeleque agiam por covardia e conformismo social, movidos pela "banalidade do mal", eram incapazes de pensar criticamente, focados em cumprir ordens, subir na hierarquia, como Zebul (Juízes 9:30-38), sem temor à Deus... Vendo que Abimeleque estava morto os homens de Israel - moradores e opressores - "foram-se cada um para o seu lugar", a batalha não continuou.

Portanto, Abimeleque o rei ilegítimo de Israel que parecia que também venceria aquela batalha, perdeu. Embora, não tenha acontecido imediatamente, a justiça foi feita. Deus interveio.

Isso nos ensina que, não importa o quanto as pessoas pareçam ter influência ou poder, mais cedo ou mais tarde a justiça de Deus vai lidar com elas — de um jeito ou de outro.

Abimeleque deveria estar pensado: "...já governo há três anos 'com mão de ferro'. E, com controle severo e rigoroso, estou vencendo minhas batalhas, preciso apenas queimar mais estes 'cedros do Líbano'...". E, seu crânio é esmagado por um pedaço de pedra de moinho. Abimeleque é contido. Perdeu uma de suas batalhas rotineiras.

Portanto, mesmo que possa parecer a nós que nada na justiça dos homens e na justiça de Deus está sendo feito para deter as pessoas más, é preciso ter confiança e fé que Deus lidará com os maus no tempo perfeito Dele e não no nosso (Salmos 75:2-3).

Questionamos: "Por que os ímpios prosperam?", "Como alguns parecem nunca ser responsabilizados por seus maus feitos?", "Por que Deus permite a injustiça? Onde está Deus quando nos sobrevém a calamidade, a tragédia?"

Em Abimeleque, restou verificado que Deus retribui a maldade dos ímpios, dos criminosos... mesmo quando a justiça nos parece que nunca será feita. Conforme Eclesiastes 8:11: "Porque a sentença contra uma obra má não é executada rapidamente, por isso o coração dos filhos dos homens está plenamente colocado neles para fazer o mal."

Deus retribuirá a cada um segundo suas obras, embora quando injustiçados possa nos parecer no presente que Deus nos esqueceu, nos abandonou, se atrasou, falhou.

Em sua retidão, Deus nunca falha. Deus intervém agindo com justiça, trazendo à tona a equidade. A justiça de Deus envolve tanto a misericórdia, perdão e restauração para os arrependidos quanto o castigo para os maus, como consequência inevitável de suas ações, pois os perversos são destruídos por sua própria violência ou ganância.
 
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Estudo Bíblico: Elizabeth Nogueira
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Vou deixar aqui "Por que Deus?", uma música infantil emblemática que explora a dualidade da existência, questionando a presença de Deus no meio da dor, alegria, ódio e amor, e refletindo a busca humana por sentido, mostrando que a fé é uma experiência subjetiva para cada um, que aborda temas profundos da dor e da resiliência humana diante das adversidades da vida e a busca por respostas, com versos como: "És a calma no conflito, és a lágrima que rola" e "Pra uns é sim", "Pra outros não." Na novela infantil "Chiquititas", a música servia como um desabafo, uma forma de externar a confusão e o medo em momentos em que a fé parecia ser insuficiente ou ser testada.

"Por que Deus?" (1997)
Composição: Caion Gadia / Cristina Di Giácom

O Fruto do Justo


Salomão destaca em Provérbios 11:25, que ²⁵"A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido". O versículo é um clássico sobre generosidade e colheita. Abaixo estão diferentes versões e traduções da Bíblia que trazem nuances interessantes sobre o mesmo princípio:

1) "A alma generosa prosperará, e quem dá a beber será dessedentado."- Almeida Revista e Atualizada (ARA).

2) "O generoso prospera; quem revigora outros será revigorado." - Nova Versão Transformadora (NVT).

3) "A alma generosa engordará, e o que regar também será regado." - Almeida Revista e Corrigida (ARC).

4) "O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá." - Nova Versão Internacional (NVI).

5) "Quem é generoso progride na vida; quem ajuda será ajudado." - Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH).

6) "A pessoa generosa terá sempre mais." - Linguagem de Hoje (NBV-P).

7) "Uma alma liberal é engordada, e quem rega também é regado." - Tradução Literal (Young's Literal).

A prosperidade está associada a um coração generoso. A retribuição de quem ajuda outros está em que este também recebe ajuda (lei da semeadura). Os termos "Refresco", "Dessedentar", "revigorar" sugerem que a generosidade traz renovação emocional e espiritual, não apenas a retribuição financeira representada pela prosperidade.

Parte de uma série de frases curtas, de provérbios que contrastam ser generoso a insensatez do egoísmo, o versículo (Prov. 11:25), indica que generosidade não é apenas contribuir com o outro financeiramente, mas um estilo de vida daquele que doa ou compartilha recursos ou afetos de forma espontânea e abundante, sem esperar algo em troca.

O dito em Provérbios 11:25, significa que agir em prol de outros com nobreza, bondade e magnanimidade, traz benefícios, pois a generosidade atrai bênçãos.

Em Provérbios 11:30, Salomão diz que - ³⁰ "O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio", pois agir com sabedoria e retidão transforma vidas e guia outros para a salvação.

O FRUTO do justo é consequência da vida cristã. Sua conduta influencia positivamente outras pessoas. Conquista vidas, "ganha almas" para o Reino de Deus. 

O justo não vive para si mesmo, portanto, a vida cristã deve ser focada em glorificar a Deus em cada pequena ação, transformando o cotidiano em um ato de adoração. Viver para a glória de Deus é um princípio bíblico: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1 Co 10:31).

O versículo em 1 Coríntios 10:31 instrui os cristãos a fazerem todas as ações diárias para a glória de Deus, desde o mais simples e comum como comer, beber ou realizar qualquer outra atividade, deve refletir o caráter de Cristo, render-se à Sua vontade, Sua honra e majestade em todas as áreas da vida, não buscando o próprio benefício, mas sendo o exemplo para o bem dos outros: a salvação.

Este princípio orienta que todas as ações devem ter Deus como foco principal, mostrando Sua presença e santidade no dia a dia, desde as coisas mais simples até as mais complexas, como trabalho, relacionamentos.

A sabedoria na conduta do justo (ramo) se manifesta na capacidade de influenciar as pessoas para o bem, produzindo o fruto na árvore DE VIDA, conduzindo-as ao conhecimento da verdade e da salvação.

O livro de Provérbios faz referência a Jesus principalmente de forma tipológica e teológica, personificando-o como a Sabedoria de Deus. Especialmente em Provérbios 8, a Sabedoria é descrita como existente antes da criação, agindo como arquiteto junto ao Pai, o que a teologia cristã identifica como Cristo. Jesus é visto como a personificação dessa sabedoria divina.

"O fruto do justo é árvore de vida", em Provérbios 11:30 faz referência a Jesus, a videira verdadeira, a árvore da vidaNa Bíblia, a Árvore da Vida simboliza: vida eterna, plenitude espiritual, comunhão com Deus.

Presente no Jardim do Éden, a árvore da vida disponível a Adão e Eva, foi por eles perdida após a desobediência, sendo restaurada em Jesus e novamente prometida aos que perseveram em Cristo.

"Jesus, a Árvore da Vida" é uma poderosa metáfora bíblica que descreve Jesus como a fonte da vida eterna que substituiu a árvore de vida original do Éden.

¹ Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. ² Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. ³ Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. ⁴ Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. ⁵ Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. João 15:1-5

Jesus usa a metáfora da videira e dos ramos para ensinar que o resultado frutífero da vida cristã, não está em ÀS VEZES realizar boas obras ou ÀS VEZES ter conduta de caráter.

Para testificar das bençãos de Deus e produzir FRUTO o ramo DE VIDA (Prov. 11:30) deve ter a conduta sábia descrita na PALAVRA (Bíblia) e permanecer em Jesus, a videira verdadeira (Jo.15:5), a Árvore DA VIDA e assim o ramo (justo) ganha almas 

Jesus disse "Sem Mim, Nada Podeis Fazer", significando que Ele é a fonte da vida para seus seguidores (ramos), e estar unido a videira verdadeira é essencial para o ramo DE VIDA produzir fruto e sua conduta sábia ganhar almas.

O versículo, em Provérbios 11:30 - destaca que as ações e palavras sábias do justo, são como "árvore de vida", que testificam as bençãos de Deus e são estas que  influenciam outros a buscarem a salvação.

A conexão entre Provérbios e João complementa que o justo é o ramo que permanece na Árvore DA VIDA (Jesus), produzindo muito fruto da "árvore DE VIDA"; e, ao permanecer com sabedoria, Deus o usa como instrumento de salvação. Sua conduta sábia: ganha almas.

O "fruto do justo" em Provérbios 11:30 é o próprio "fruto do Espírito", em Gálatas 5:22. Enquanto Provérbios enfatiza a vida cristã frutífera da árvore de vida e que esta conduta sábia ganha almas", Gálatas detalha as qualidades que o Espírito Santo produz na vida do cristão, representadas um único fruto com diversas manifestações.

O FRUTO do justo referido em Provérbios e o FRUTO do Espírito referido em Gálatas é resultado do ramo que permanece na Árvore DA VIDA. E, assim como o rei Salomão, o apóstolo Paulo também faz as  advertências das consequências das obras da carne e do FRUTO do espírito:

      ¹⁹ "Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, ²⁰ Idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, heresias, ²¹ Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais de antemão vos declaro, como também já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. ²² Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança", Gálatas 5:16-22

O Fruto do justo referido em Provérbios 11 é caracterizado no FRUTO do Espírito referido em Gálatas 5, quando as bençãos da vida cristã frutífera alcança o próximo; e, a conduta sábia conquista os outros e "ganha almas".

A sabedoria não está em acumular conhecimento, mas na capacidade de influenciar positivamente a vida de outros, conforme João 14:12-14: "quem crê em mim fará as mesmas obras que eu faço e outras maiores".

Portanto, a conduta do cristão gera o fruto da árvore de vida, pois abençoa as pessoas de seu convívio sócio familiar, conduzindo-as a salvação em Cristo Jesus e a comunhão diária com Deus.